Instituto OCW Br@sil (OCW Brasil)

Democratizar o conhecimento e socializar os saberes como ferramenta para transformação social e econômica. Democratizar e socializar para reduzir as desigualdades regionais. Democratizar e socializar para dar oportunidades. Democratizar e socializar para dar esperanças e certezas de um futuro melhor. O poder transformador do conhecimento, monopolizado e retido nas melhores Universidades Públicas, tem que ser disseminado, gratuitamente, para toda a sociedade.

06/07/09

INSS tem que ser desmantelado
Estou advogando contra o INSS, analisando a forma como atuam e agem contra as classes baixas, os hipossuficientes, concluí que é um órgão, uma instituição, que tem que ser desmantelada... Da mesma forma como desmantelaram o INAMPS e outras instituições nocivas à sociedade, esse órgão tem que ser dissolvido...

Primeiro por causa da alta concentração de Eichmann, ou seja, de pessoas banais, técnicos sem nenhuma visão de humanidade ou sensibilidade social... Aplicam a técnica pela própria técnica, sem se preocupar que suas ações afetam pessoas, a sobrevivência de pessoas...

Para eles, quem tem epilepsia pode trabalhar sem nenhum problema, logo o benefício é indeferido. Um, dois, dez casos com a mesma decisão... Quem teve uma perna amputada também pode trabalhar perfeitamente, logo, também não tem direito ao benefício... E quem é aleijado de nascença, dois pés virado para o lado, também pode trabalhar sem nenhum problema. Basta apenas aprender a ser equilibrista. O que é que esses elementos estão fazendo ???

Mas não é só isso...Os trabalhadores rurais são os mais atingidos pela perversidade e maldade desses elementos... Trabalhadores rurais são hipossuficientes, possuem poucas pessoas com conhecimento e autoridade para defendê-los, logo, são presas fáceis para os sádicos do INSS, para serem vítimas dos violadores de direitos humanos e sociais...

Os movimentos sociais que defendem os trabalhadores rurais devem mirar nos Eichmann do INSS... O comportamento desses indivíduos não pode ser tolerados. É uma fonte de injustiças e desgraças para a sociedade... Não podem ficar impunes e se querem fazer o mal, devem receber o mal em suas casas...

Se acham que uma pessoa com a perna amputada pode trabalhar normalmente, eles estão com uma perna sobrando... Talvez se amputássemos uma perna deles, eles reconsiderariam suas posições...

Enfim, não são exceções... Não são casos isolados... A injustiça e a prática do mal são regras dentro do INSS... E o judiciário não tem força suficiente para corrigir essas injustiças, pois é outro centro de concentração de Eichmann, pessoas que aplicam a técnica pela própria técnica, sem humanidade e sem sensibilidade social... São instituições de proteção do sistema, não são instituições para fazer justiça para o pobre, o órfão ou o necessitado... Quanto mais benefícios legítimos são negados pelos burocratas e juízes, maior é a economia do governo...

Na minha perspectiva instituição que dissemina injustiças e o mal não deve ser respeitada e nem tolerada, tem que ser combatida a ferro e fogo... Enquanto essa gente estiver fazendo o mal e dormindo tranquilamente em suas residências, acumulando riquezas, vivendo bem, apesar das injustiças que disseminam e praticam, nada mudará... A prática do mal e de injustiças tem que trazer o mal sobre esses elementos... Isso fará eles mudarem suas ações e trajetórias...

A regra tem que ser: quem pratica o mal atrairá o mal sobre si e sobre os seus... E o inferno, para essas pessoas, tem que ser aqui, enquanto vivem...

Quem pode obrigar mudanças nessa área ??? Os movimentos sociais radicais... Precisamos de movimentos radicais em ação no Brasil... Os pobres, os oprimidos, os excluídos precisam ter uma mão forte que vele e trabalhe por eles... Uma mão forte que persiga, capture e pune os reis da maldade, da perversidade e das injustiças que escondem atrás do dinheiro ou atrás das instituições públicas... O resto é conversa para boi dormir, é negociar, com o feitor, o número de chicotadas, ao invés de impôr o fim da opresão...

05/07/09

Documentário da BBC
Universos Paralelos
O documentário versa sobre a mais nova teoria da física que uniu a teoria das super cordas com a teoria da super gravidade, a "Teoria M", que tenta explicar o que veio ANTES do Big Bang.


Star Wars e Júlio Verne
Acho que os filmes de Star Wars afetarão a sociedade humana da mesma forma que os livros de Júlio Verne a afetaram... Isso porque para construir um futuro é preciso ter a imagem desse futuro... E a melhor imagem de futuro que temos, na minha perspectiva, está em Star Wars...

Certamente, o ponto final é a visão religiosa do "Novo Céu e da Nova Terra", mas o caminho intermediário passa por Star Wars e pelos Cavaleiros Jedi...

Inércia e condescendência da ONU
Você acha que algum elemento teria coragem de dar um golpe de Estado, tirando o poder do povo e enterrando a democracia em seu país, se soubesse que, assim que fizesse isso, o país sofreria uma intervenção direta da ONU e o poder seria restabelecido aos seus detentores legítimos ???

Inegavelmente, a ONU deveria ter esse poder e essa função... Mais do que isso, deveria perseguir, capturar, julgar e punir os genocidas e seus colaboradores... Contudo, antes disso tem que legitimar suas decisões democraticamente.

Todo mundo condenou o golpe de Estado em Honduras, porém, no final a coisa vai ficar por isso mesmo, ninguém vai fazer nada... Mas e os bloqueios econômicos ??? Bloqueios econômicos punem a população, não os golpistas...

Vejam o caso da Coréia do Norte.... É um país que já deveria ter sofrido uma intervenção direta da ONU... O regime norte-coreano tem que ser desmantelado de fora para dentro, pois o povo não tem forças suficiente para derrubar o regime totalitário... Contudo, a ONU fica inerte e o regime se armando, quando finalmente decidirem agir, vão ter que enfrentar uma guerra nuclear, bombas atômicas... Coisa que não teria acontecido se tivessem partido pra cima dos agentes totalitários logo no início da história...

Contudo, talvez o truque seja outro... O sistema atual necessita de inimigos... Inimigos que disseminem o medo e o terror... Isso dá aos controladores do sistema a chave para que mantenham e centralizem o poder em suas mãos... Por isso, a necessidade de inventar/construir/fortalecer inimigos que assustem a população... Esse contexto, explica a Al Qaeda do Bush, o PCC dos tucanos paulistas...

A sociologia do medo é uma temática muitíssimo interessante... Uma temática antiquíssima, tão antiga quanto Deus e o Diabo... Ela tem que ser estudada para desarticular as ações políticas que pretendem fazer uso dela para dominar a população, restringir liberdades e consciências, uniformizar pensamento

Filme: O advogado do diabo - The Devil Advocate
Esse filme é muito interessante... É a ficção desvendando uma realidade encoberta, pouco perceptível e analisada... Levanta o traseiro gordo da cadeira e vai alugar o filme, joselito !!! Keanu Reeves - Kevin; Al Pacino - John Milton/Diabo.

Contudo, cuidado, pois o discurso do Diabo, como sempre, é vazio, porém, sedutor... O lado sombrio não é mais forte, nem mais poderoso, mas muito mais sedutor... É preciso ter discernimento e entendimento para não cair na retórica da mentira... Porém, no caso desse filme, colocaram algumas verdades na boca do Diabo...

Falas do filme:
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Diabo - Eddie Barzoon. Ajudei-o com dois divórcios,uma desintoxicação...e uma telefonista grávida. É mais um filho de Deus! A sua criatura mais especial! Eu avisei-o. Avisei-o sempre. Vi-o andar às voltas como um jogo ruim... como um boneco de corda. Como 100 quilos da mais interesseira ganância em ação. Os próximos mil anos estão à porta. Eddie Barzoon... Observa-o bem porque ele é a criança modelo do milénio que se proxima. Pessoas destas... Toda a gente sabe de onde vêm. A sociedade aguça o apetite humano... de tal modo que este quase divide átomos com o seu desejo. A sociedade cria egos do tamanho de catedrais... e liga por fibra óptica o mundo a cada impulso. Chega a barrar as mais enfadonhasquimeras... com fantasias douradas até cada ser humano se converter num imperador, até se ver como um deus. E qual será a próxima etapa? Enquanto saltamos... de um negócio para o seguinte... quem olha pelo planeta?
O ar rarefaz-se, a água acidifica-se, até as abelhas provam o sabor metálico da radioactividade... e a podridão aumenta velozmente. Não há oportunidade para pensar, para nos prepararmos. Comprar e vender futuros... quando o futuro é uma ilusão. O mundo está desgovernado. Há uma imensa multidão de Eddie Barzoon correndo para o futuro. Todos eles prontos a enfiar a mão no cu do ex-planeta de Deus... Limpando em seguida os dedinhos, para os aplicar nos seus puros teclados cibernéticos a fim de somarem horas os seus honorários. E, de repente, faz-se luz. É preciso pagar|pelo caminho percorrido, Eddie. É um pouco tarde para se comprar o direito a sair. A tua pança está cheia, a tua vista cansada, tens os olhos raiados de sangue e gritas por socorro. Mas sabes que mais? Ninguém te pode socorrer! Estás sozinho, Eddie. És a mais especial das criaturinhas de Deus! Talvez seja verdade. Talvez Deus tenha deitado à sorte|o futuro da Humanidade. Talvez nos tenha deixado ficar mal a todos.
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Diabo - A vaidade é, sem sombra de dúvida, o meu pecado preferido. É tão elementar. Amor-próprio. O narcótico 100% natural. Não é que não gostasses da Mary Ann, Kevin... estavas era mais envolvido com outra pessoa. Você mesmo.
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Diabo - Por quem carregas todos esses tijolos? Deus? É isso? Deus? Deixa-me dar-te uma informaçãozinha sobre Deus. Deus gosta de observar. É um brincalhão. Pensa nisso. Ele cria o homem... com os instintos mais incontroláveis. Dá-lhe esse dom extraordinário e depois o que faz? Para Seu gozo pessoal, à laia de uma cósmica e privada...sessão de maioriais, estabelece as regras por contraste. É a maior traquinice de sempre. Vejam, mas não mexam. Mexam, mas não provem. Provem, mas não engulam. E enquanto vocês andam às voltas com isto, o que faz Ele? se rola de tanto rir! É um sujeito gozador! Um sádico! Um senhorio desleixado! Adorar aquilo? Nunca!

Kevin - "É melhor reinar no lnferno do que servir no Céu," é isso?

Diabo - Porque não? Estou enfiado nisto até ao pescoço desde o princípio. Alimentei todas as sensações que ao homem foi dado ter! Preocupei-me com o que ele desejava sem nunca o julgar! Porquê? Porque nunca o rejeitei, apesar das suas imperfeições! Sou seu admirador! Sou um humanista. Talvez o último. Quem, no seu perfeito juízo, pode negar... que o século XX foi inteiramente meu? Por completo, Kevin! Por completo. Meu. Atingi o auge, Kevin. Chegou a minha época. A nossa época.
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Kevin - Porquê a lei? Pare com esta brincadeira, pai! Porquê os advogados? Porquê a lei?

Diabo - Porque a lei dá-nos entrada em todos os lados. É o melhor acesso aos bastidores. É o novo sacerdócio! Sabias que há mais estudantes de Direito nas faculdades do que advogados na face da Terra? Vamos avançar... de armas em punho! Vocês os dois, todos nós, absolvição após absolvição... até que a podridão penetre no âmago do Céu... e engasgue todos e mais alguns!

Kevin - Mas segundo a Bíblia, você perde. Estamos destinados a perder, papá.

Diabo - A fonte é suspeita.
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Diabo - A virtude do diabo está na virilidade.

Kevin - Então e o amor?

Diabo - você Dá muita importância a isso. Em termos bioquímicos, é o mesmo que comer grandes quantidades de chocolate.

Por uma Outra Globalização - Do Pensamento Único à Consciência Universal
Professor Milton Santos
O livro é formado de seis partes, das quais a primeira é a introdução. A segunda inclui cinco capítulos e busca mostrar como se deu o processo de produção da globalização. Este tema havia sido tratado de alguma forma em outras publicações e livros meus.

A terceira parte, formada por seis capítulos, busca explicar por que a globalização atual é perversa, fundada na tirania da informação e do dinheiro, na competitividade, na confusão dos espíritos e na violência estrutural, acarretando o desfalecimento da politica feita pelo Estado e a imposição de uma politica comandada pelas empresas.

A quarta parte mostra as relações mantidas entre a economia contemporânea, sobretudo as finanças, e o território. Esta parte é constituída de seis capítulos, dos quais o último poderia também se incluir na parte seguinte, pois, por meio da noção de esquizofrenia do território, mostramos como o espaço geográfico constitui um dos limites a essa globalização perversa.

E essa ideia de limite a historia atual que se impõe na quinta parte, em que são mostrados ao mesmo tempo os descaminhos da racionalidade dominante, a emergência de novas variáveis centrais e o papel dos pobres na produção do presente e do futuro.

A sexta parte, uma espécie de conclusão, é dedicada ao que imaginamos ser, nesta passagem de século, a transição em marcha. Aqui, os temas versados realçam as manifestações pouco estudadas do pais de baixo, desde a cultura ate a politica, raciocínio que se aplica também a própria periferia do sistema capitalista mundial, cuja centralidade apresentamos como um novo fator dinâmico da historia.

É, exatamente, porque esses atores, eficazes mas ainda pouco estudados, são largamente presentes, que acreditamos não ser a globalizacão atual irreversível e estamos convencidos de que a história universal apenas começa.

Reunião de textos e artigos do Professor Milton Santos

Parte I – Sobre Milton Santos (artigos e resenhas)

Parte II - Artigos publicados no jornal Folha de São Paulo (1999-2001) Parte III – Outros artigos Parte IV - Entrevistas
As entrevistas abaixo encontram-se em formato PDF. Para acessá-las você precisa ter o programa Adobe Acrobat Reader, que é gratuito. Para baixá-lo clique no símbolo abaixo.

Entrevista com o Professor Milton Santos
"O sonho obriga o homem a pensar"

Doutor Honoris Causa em 14 universidades do Brasil e do mundo, ganhador do Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, tido como o Nobel da área, o geógrafo Milton de Almeida Santos não se conforma com a supervalorização que a humanidade dá à tecnologia. "As pessoas têm atribuído vida à técnica, mas as coisas não nos comandam", defende com ênfase. Autor de mais de 40 livros e 300 artigos em revistas científicas da vários países, o professor esteve este mês na UFMG, convidado para ministrar a aula inaugural da Escola de Engenharia, no auditório da Reitoria. Em seguida, Milton Santos concedeu a seguinte entrevista ao BOLETIM:

BOLETIM - O senhor tem feito severas críticas à globalização. Como a conceituaria?

MILTON SANTOS - A globalização, parafraseando o teórico e revolucionário russo Lênin, é a face suprema do imperialismo. A humanidade esperou milênios para se globalizar, o que não aconteceu antes porque não havia as condições materiais necessárias. Com o aumento da produção e o desenvolvimento de técnicas avançadas, um pequeno grupo de empresas as seqüestrou. As corporações usam estes recursos extraordinários em seu próprio benefício e em prejuízo da humanidade.

BOLETIM - O acirramento da crise brasileira pode tornar a população mais consciente da realidade?

MILTON SANTOS - Isso já está acontecendo. Há uma sede muito grande de entender. É o que vejo sobretudo entre os jovens. Os interesses da classe média, por exemplo não coincidem mais com globalização e com as ações dos partidos. Ela já não se reconhece nem mesmo na ação das facções progressistas. Se a classe média não se vê nos partidos, as coisas ficam sem estruturação. E por que não acreditar que os partidos podem mudar, para serem capazes de acolher os anseios da sociedade?

BOLETIM - Qual o papel da Universidade nesse contexto?

MILTON SANTOS - A Universidade é importante na medida em que é capaz de codificar e entregar à sociedade o discurso que as pessoas desejam, necessitam. É preciso produzir algo que seja crível, audível, utilizável e eficaz politicamente.

Muitos economistas que escrevem em jornais publicam diariamente o desejo de empresas das quais são consultores.

BOLETIM - O senhor diz que passamos por um período em que só as grandes corporações fazem política. E o que realizam os políticos atualmente ?

MILTON SANTOS - O que falta aos políticos de hoje é a contribuição dos intelectuais. Não estamos oferecendo um conjunto de idéias a eles.

BOLETIM - Como o senhor analisa a utilização de tecnologias e meios de comunicação na atualidade?

MILTON SANTOS - Quando eu falo meio, estou me referindo a território. E acho que o território é a mensagem. Nele, estamos todos juntos e separados. Somos conduzidos igualmente a um destino e obtemos resultados diferentes. Em Belo Horizonte, por exemplo, estão todos juntos: ricos, pobres, classe média, brancos, negros, índios. A técnica em si não é a mensagem. Ela só é utilizada por quem tem poder: as grandes agências de notícias, universidades, editoras e as igrejas locais. São essas instituições que seqüestram os meios.

BOLETIM - Como o senhor analisa a excessiva difusão de informações?

MILTON SANTOS - Não há produção excessiva de informação, mas de ruído. Existem o fatos. As notícias são interpretação deles. Como as agências de notícias pertencem às grandes empresas, os acontecimentos são analisados de acordo com interesses pre-determinados. Muitos economistas que escrevem em jornais, por exemplo, publicam diariamente o desejo de empresas das quais são consultores. As notícias são publicadas como expressão da realidade e o discurso acaba se tornando hegemônico. É essa mesma indústria que transforma em best seller um livro do Jó Soares, antes mesmo do lançamento. E aí de novo eu convoco a Universidade, como espaço alternativo para difundir nossas idéias. A palavra é uma paulada. Eu venho até a UFMG, falo para 200 pessoas e o resultado é formidável.

BOLETIM - Como viver no mundo da pressa e criticá-lo ao mesmo tempo?

MILTON SANTOS - O que se pode fazer é viver apresado, para garantir a subsistência, mas sem perder de vista a construção de um sonho. É o sonho que obriga o homem a pensar.

BOLETIM - O homem de hoje é um ser ético?

MILTON SANTOS - O ser humano agora é convocado a não ser ético. E às vezes as pessoas seguem essa tendência porque precisam sobreviver, criar os filhos, sustentar a família. Mas, no fundo, todos guardam a consciência do que é bom, com a esperança de utilizá-la um dia.

Obs. (*) Maurício Guilherme Silva Jr. é Jornalista e ex-acessor de imprensa da UFMG. A entrevista acima, foi realizada pelo mesmo, enquanto trabalhava no BOLETIM, periódico jornalístico da Universidade Federal de Minas Gerais e gentilmente cedido para reprodução em nosso site.

Contando história
No ano 2000, na Faculdade de Direito da USP, eu cursava uma matéria que tinha que fazer seminários. Os seminários eram sobre globalização e a obra em estudo era "Teoria da Globalização" do Professor Otávio Ianni... Cada aluno tinha que estudar uma parte do livro e apresentar para os outros alunos...

Se não me engano, a disciplina era Teoria Geral do Estado e o Professor de seminário era um mestrando, ou doutorando, que usava um rabicó...

Eu estudei a minha parte, porém, não vi muita relevância no que ia dizer... Para dar conteúdo às minhas palavras, dizendo coisas significativas, inseri uma entrevista do Professor Milton Santos, no qual ele falava da globalização, no seminário... E distribuí uma cópia da entrevista para cada um dos presentes...

Certamente, na época, acharam que eu estava desviando do assunto... Contudo, eu estava apenas apontando a direção correta para a discussão do tema, fugindo do pensamento único, da discussão de um livro só... Inclusive, eu não gostava de fazer seminários, pois sempre dizia coisas que os presentes, incluindo o professor, não queriam ouvir...

Devo ter o texto que distribuí na época guardado em algum lugar... Vou procurá-lo...

Músicas Marcantes
Europe - The final countdown



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Vangelis - Chariots of fire


03/07/09

Um exercício
O Professor Milton Santos, no prefácio do seu livro "Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal", diz que:

"Estamos convencidos de que a mudança histórica em perspectiva provirá de um movimento de baixo para cima, tendo como atores principais os países subdesenvolvidos e não os países ricos; os deserdados e os pobres e não os opulentos e outras classes obesas; o indivíduo liberado partícipe das novas massas e não o homem acorrentado; o pensamento livre e não o discurso único..."

Agora vem o exercício: vamos relacionar a visão do Professor Milton Santos com o cenário do mundo atual, pós crise, principalmente com os BRICs... Conexão estabelecida ??? Não esqueça de analisar os movimentos sociais e o papel da internet na disseminação de novas idéias, assim como na reunião de grupos e indivíduos isolados que lutam pelas mesmas causas...

Ciência e Religião
Albert Einstein
Parte I

Durante o século passado e em parte do que o precedeu, a existência de um conflito insolúvel entre conhecimento e crença foi amplamente sustentada. Prevalecia entre mentes avançadas a opinião de que chegara a hora de substituir, cada vez mais, a crença pelo conhecimento; toda crença que não se fundasse ela própria em conhecimento era superstição e, como tal, devia ser combatida. Segundo essa concepção, a função exclusiva da educação seria abrir caminho para o pensamento e o conhecimento, devendo a escola, como o órgão por excelência para a educação do povo, servir exclusivamente a esse fim.

É provável que raramente, ou mesmo nunca, possamos encontrar o ponto de vista racionalista expresso com tanta crueza; pois todo homem sensível veria de imediato o quanto essa formulação é tendenciosa. Mas é conveniente formular uma tese de maneira nua e crua quando se quer aclarar a própria mente com relação a sua natureza.

É verdade que a experiência e o pensamento claro são a melhor maneira de fundamentar as convicções. Quanto a isto, podemos concordar irrestritamente com o racionalista extremado. O ponto fraco dessa concepção, contudo, e que as convicções necessárias e determinantes para nossa conduta e nossos juízos não podem ser encontradas unicamente nessa sólida via cientifica.

Pois o método cientifico não nos pode ensinar outra coisa além do modo como os fatos se relacionam e são condicionados uns pelos outros. A aspiração a esse conhecimento objetivo está entre as mais elevadas de que o homem e capaz, e certamente ninguém pode suspeitar que eu deseje subestimar as realizações e os heróicos esforços do homem nessa esfera. É igualmente claro, no entanto, que o conhecimento do que é, não abre diretamente a porta para o que deve ser.

Podemos ter o mais claro e completo conhecimento do que é, sem contudo sermos capazes de deduzir disso qual deveria ser a meta de nossas aspirações humanas. O conhecimento objetivo nos fornece poderosos instrumentos para atingir certos fins, mas a meta final em si é a mesma, e o desejo de atingi-la devem emanar de outra fonte. E é praticamente desnecessário defender a idéia de que nossa existência e nossa atividade só adquirem 'sentido' mediante o estabelecimento de uma meta como essa e dos valores correspondentes. O conhecimento da verdade como tal é maravilhoso, mas é tão pouco capaz de servir de guia que não consegue provar sequer a justificação e o valor da aspiração a esse mesmo conhecimento da verdade. Aqui defrontamos, portanto, com os limites da concepção puramente racional de nossa existência.

Mas não se deve presumir que o pensamento inteligente não possa desempenhar nenhum papel na formação da meta e de juízos éticos. Quando alguém se dá conta de que certo meio seria útil para a consecução de um fim, isto faz com que o próprio meio se torne um fim. A inteligência elucida para nós a inter-relação entre meios e fins. O mero pensamento não pode, contudo, nos dar uma consciência dos fins últimos e fundamentais. Elucidar esses fins e valores fundamentais é engastá-los firmemente na vida emocional do indivíduo; parece-me, precisamente, a mais importante função que a religião tem a desempenhar na vida social do homem. E se alguém pergunta de onde provém a autoridade desses fins fundamentais, já que eles não podem ser formulados e justificados puramente pela razão, só há uma resposta: eles existem numa sociedade saudável na forma de tradições vigorosas, que agem sobre a conduta, as aspirações e os juízos dos indivíduos; eles existem, isto é, vivem dentro dela, sem que seja preciso encontrar justificação para sua existência.

Nascem, não através da demonstração, mas da revelação, por meio de personalidades excepcionais. Não se deve tentar justificá-los, mas antes, sentir, simples e claramente, sua natureza. Os mais elevados princípios para nossas aspirações e juízos nos são dados pela tradição religiosa judáico-cristã. Trata-se de uma meta muito elevada, que, com nossos parcos poderes, só podemos atingir de maneira muito insatisfatória, mas que da um sólido fundamento a nossas aspirações e avaliações. Se quiséssemos tirar essa meta de sua forma religiosa e considerar apenas seu aspecto puramente humano, talvez pudéssemos formulá-la assim: desenvolvimento livre e responsável do indivíduo, de modo que ele possa por suas capacidades, com liberdade e alegria a serviço de toda a humanidade.

Não há lugar nisso para a divinização de uma nação, de uma classe, nem muito menos de um indivíduo. Não somos todos filhos de um só pai, como se diz na linguagem religiosa? Na verdade, mesmo a divinização da humanidade, como totalidade abstrata, não estaria no espírito desse ideal. E somente ao indivíduo que é dada uma alma. E o 'sublime' destino do indivíduo é antes servir que comandar, ou impor-se de qualquer outra maneira.

Se considerarmos mais a substância que a forma, poderemos ver também nestas palavras a expressão da postura democrática fundamental. Ao verdadeiro democrata e tão inviável idolatrar sua nação quanto ao homem religioso, no sentido que damos ao termo.

Qual será então, em tudo isto, a função da educação e da escola? Elas devem ajudar o jovem a crescer num espírito tal que esses princípios fundamentais sejam para ele como o ar que respira. O mero ensino não pode fazer isso.

Se mantemos esses princípios elevados claramente diante de nossos olhos, e os comparamos com a vida e o espírito de nosso tempo, revela-se flagrantemente que a própria humanidade civilizada encontra-se, neste momento, em grave perigo. Nos Estados totalitários, são os próprios governantes que se empenham hoje em destruir esse espírito de humanidade. Em lugares menos ameaçados, são o nacionalismo e a intolerância, bem com a opressão dos indivíduos por meios econômicos, que ameaçam sufocar essas tão preciosas tradições.

A clareza da enormidade do perigo está se difundindo, no entanto, entre as pessoas que pensam, e há uma grande procura de meios que permitam enfrentar o perigo - meios no campo da política nacional e internacional, da legislação, da organização em geral. Esses esforços são, sem dúvida, extremamente necessários. Contudo, os antigos sabiam algo que parecemos ter esquecido. "Todos os meios mostram-se um instrumento grosseiro quando não tem atrás de si um espírito vivo". Se o desejo de alcançar a meta estiver vigorosamente vivo dentro de nós, porém, não nos faltarão forças para encontrar os meios de alcançar a meta e traduzi-la em atos.

Parte II

Não seria difícil chegar a um acordo quanto ao que entendemos por ciência. Ciência é o esforço secular de reunir, através do pensamento sistemático, os fenômenos perceptíveis deste mundo, numa associação tão completa quanto possível. Falando claramente, é a tentativa de reconstrução posterior da existência pelo processo da conceituação. Mas, quando pergunto a mim mesmo o que é a religião, a resposta não me ocorre tão facilmente. E, mesmo depois de encontrar uma resposta que possa me satisfazer num momento particular, continuo convencido de que nunca consigo, em nenhuma circunstância, criar um acordo, mesmo que muito limitado, entre todos os que refletem seriamente sobre essa questão.

De início, portanto, em vez de perguntar o que é religião, eu preferiria indagar o que caracteriza as aspirações de uma pessoa que me dá a impressão de ser religiosa: uma pessoa religiosamente esclarecida parece-me ser aquela que, tanto quanto lhe foi possível, libertou-se dos grilhões, de seus desejos egoístas e está preocupada com pensamentos, sentimentos e aspirações a que se apega em razão de seu valor suprapessoal. Parece-me que o que importa é a força desse conteúdo suprapessoal, e a profundidade da convicção na superioridade de seu significado, quer se faça ou não alguma tentativa de unir esse conteúdo com um Ser divino, pois, de outro modo, não poderíamos considerar Buda e Spinoza como personalidades religiosas. Assim, uma pessoa religiosa é devota no sentido de não ter nenhuma dúvida quanto ao valor e eminência dos objetivos e metas suprapessoais que não exigem nem admitem fundamentação racional. Eles existem, tão necessária e corriqueiramente quanto ela própria. Nesse sentido, a religião é o antiquíssimo esforço da humanidade para atingir uma clara e completa consciência desses valores e metas e reforçar e ampliar incessantemente seu efeito.

Quando concebemos a religião e a ciência segundo estas definições, um conflito entre elas parece impossível. Pois a ciência pode apenas determinar o que é, não o que deve ser, está fora de seu domínio, todos os tipos de juízos de valor continuam sendo necessários. A religião, por outro lado, lida somente com avaliações do pensamento e da ação humanos: não lhe é lícito falar de fatos e das relações entre os fatos. Segundo esta interpretação, os famosos conflitos ocorridos entre religião e ciência no passado devem ser todos atribuídos a uma apreensão equivocada da situação descrita.

Um conflito surge, por exemplo, quando uma comunidade religiosa insiste na absoluta veracidade de todos os relatos registrados na Bíblia. Isso significa uma intervenção da religião na esfera da ciência; é aí que se insere a luta daIgreja contra as doutrinas de Galileu e Darwin. Por outro lado, representantes da ciência tem constantemente tentado chegar a juízos fundamentais com respeito a valores e fins com base no método científico, pondo-se assim em oposição a religião. Todos esses conflitos nasceram de erros fatais.

Ora, ainda que os âmbitos da religião e da ciência sejam em si claramente separados um do outro, existem entre os dois fortes relações recíprocas e dependências. Embora possa ser ela o que determina a meta, a religião aprendeu com a ciência, no sentido mais amplo, que meios poderão contribuir para que se alcancem as metas que ela estabeleceu. A ciência, porém, só pode ser criada por quem esteja plenamente imbuído da aspiração e verdade, e ao entendimento. A fonte desse sentimento, no entanto, brota na esfera da religião. A esta se liga também a fé na possibilidade de que as regulações válidas para o mundo da existência sejam racionais, isto é, compreensíveis à razão.

Não posso conceber um autêntico cientista sem essa fé profunda. A situação pode ser expressa por uma imagem: a ciência sem religião e aleijada, a religião sem ciência e cega.

Embora eu tenha afirmado acima que um conflito legítimo entre religião e ciência não pode existir verdadeiramente, devo fazer uma ressalva a esta afirmação, mais uma vez, num ponto essencial, com referencia ao conteúdo efetivo das religiões históricas. Esta ressalva tem a ver com o conceito de Deus. Durante o período juvenil da evolução espiritual da humanidade, a fantasia humana criou a sua própria imagem 'deuses' que, por seus atos de vontade, supostamente determinariam ou, pelo menos, influenciariam o mundo fenomênico. O homem procurava alterar a disposição desses deuses a seu próprio favor, por meio da magia e da prece. A idéia de Deus, nas religiões ensinadas atualmente, é uma sublimação dessa antiga concepção dos deuses. Seu caráter antropomórfico se revela, por exemplo, no fato de os homens recorrerem ao Ser Divino em preces, a suplicarem a realização de seus desejos.

Certamente, ninguém negará que a idéia da existência de um Deus pessoal, onipotente, justo e todo-misericordioso é capaz de dar ao homem consolo, ajuda e orientação; e também, em virtude de sua simplicidade, acessível as mentes menos desenvolvidas. Por outro lado, porem, esta idéia traz em si aspectos vulneráveis e decisivos, que se fizeram sentir penosamente desde o início da história. Ou seja, se esse ser é onipotente, então tudo o que acontece, aí incluídos cada ação, cada pensamento, cada sentimento e aspiração do homem, é também obra Sua; nesse caso, como é possível pensar em responsabilizar o homem por seus atos e pensamentos perante esse Ser 'todo-poderoso'? Ao distribuir punições e recompensas, Ele estaria, até certo ponto, julgando a Si mesmo. Como conciliar isso com a bondade e a justiça a Ele atribuídas?

A principal fonte dos conflitos atuais entre as esferas da religião e da ciência reside nesse conceito de um Deus pessoal. A ciência tem por objetivo estabelecer regras gerais que determinem a conexão recíproca de objetos e eventos no tempo e no espaço. A validade absolutamente geral dessas regras, ou leis da natureza, e algo que se pretende - mas não se prova. Trata-se sobretudo de um projeto, e a confiança na possibilidade de sua realização, por princípio, funda-se apenas em sucessos parciais.

Seria difícil, porém, encontrar alguém que negasse esses sucessos parciais e os atribuísse a ilusão humana. O fato de sermos capazes, com base nessas leis, de predizer o comportamento temporal dos fenômenos de certos domínios, com grande precisão e certeza, está profundamente enraizado na consciência do homem moderno, ainda que possamos ter apreendido muito pouco do conteúdo dessas leis. Basta considerarmos que as trajetórias planetárias do sistema solar podem ser antecipadamente calculadas, com grande exatidão, com base num número limitado de leis simples. De maneira similar, embora não com a mesma precisão, é possível calcular antecipadamente o modo de funcionamento de um motor elétrico, de um sistema de transmissão ou de um aparelho de rádio, mesmo quando estamos lidando com uma invenção inédita.

É bem verdade que, quando o número de fatores em jogo num complexo fenomenólogico é grande demais, o método científico nos decepciona na maioria dos casos. Basta pensarmos nas condições do tempo, cuja previsão, mesmo para alguns dias à frente, é impossível. Ninguém duvida, contudo, de que estamos diante de uma conexão causal cujos componentes causais nos são essencialmente conhecidos. As ocorrências nessa esfera estão fora do alcance da predição exata por causa da multiplicidade de fatores em ação, e não por alguma falta de ordem na natureza.

Penetramos muito menos profundamente nas regularidades que prevalecem no âmbito das coisas vivas, mas o suficiente, de todo modo, para pelo menos perceber a existência de uma regra necessária. Basta pensarmos na ordem sistemática presente na hereditariedade e no efeito que provocam os venenos - como o álcool, por exemplo - no comportamento dos seres orgânicos. O que ainda falta aqui é uma compreensão de caráter profundamente geral das conexões, não um conhecimento da ordem enquanto tal.

Quanto mais o homem esta imbuído da regularidade ordenada de todos os eventos, mais firme se torna sua convicção de que não sobra lugar, ao lado dessa regularidade ordenada, para causas de natureza diferente. Para ele, nem o domínio da vontade humana, nem o da vontade divina existirão como causa independente dos eventos naturais. Não há dúvida de que a doutrina de um Deus pessoal que interfere nos eventos naturais jamais poderia ser refratada, no sentido verdadeiro, pela ciência, pois essa doutrina pode sempre procurar refúgio nos campos em que o conhecimento científico ainda não foi capaz de se firmar. Estou convencido, porém, de que tal comportamento por parte dos representantes da religião seria não só indigno como desastroso.

Pois uma doutrina que não é capaz de se sustentar à "plena luz", mas apenas na escuridão, está fadada a perder sua influência sobre a humanidade, com incalculável prejuízo para o progresso humano. Em sua luta pelo bem ético, os professores de religião precisam ter a envergadura para abrir mão da doutrina de um Deus pessoal, isto é, renunciar a fonte de medo e esperança que, no passado, concentrou um poder tão amplo nas mãos dos sacerdotes. Em seu ofício, terão de se valer daqueles forças que são capazes de cultivar o Bom, o Verdadeiro e o Belo na própria humanidade. Trata-se, sem dúvida, de uma tarefa mais difícil, mas incomparavelmente mais valiosa. Quando tiverem realizado esse processo de depuração, os professores da religião certamente hão de reconhecer com alegria que a verdadeira religião ficou enobrecida e mais profunda graças ao conhecimento científico.

Se um dos objetivos da religião é libertar a humanidade, tanto quanto possível, da servidão dos anseios, desejos e temores egocêntricos, o raciocínio científico pode ajudar a religião em mais um sentido. Embora seja verdade que a meta da ciência é descobrir regras que permitam associar e prever os fatos, essa não é sua única finalidade. Ela procura também reduzir as conexões descobertas ao menor número possível de elementos conceituais mutuamente independentes.

E nessa busca da unificação racional do múltiplo que a ciência logra seus maiores êxitos, embora seja precisamente essa tentativa que a faz correr os maiores riscos de se tornar uma presa das ilusões. Mas todo aquele que experimentou intensamente os avanços bem-sucedidos feitos nesse domínio é movido por uma profunda reverência pela racionalidade que se manifesta na existência. Através da compreensão, ele conquista uma emancipação de amplas conseqüências dos grilhões das esperanças e desejos pessoais, atingindo assim uma atitude mental de humildade perante a grandeza da razão que se encarna na existência e que, em seus recônditos mais profundos, é inacessível ao homem. Essa atitude, contudo, parece-me ser religiosa, no mais elevado sentido da palavra. A meu ver, portanto, a ciência não só purifica o impulso religioso do entulho de seu antropomorfismo, como contribui para uma 'espiritualização' religiosa de nossa compreensão da vida.

Quanto mais avança a evolução espiritual da humanidade, mais certo me parece que o caminho para a religiosidade genuína não passa pelo medo da vida, nem pelo medo da morte, ou pela fé cega, mas pelo esforço em busca do conhecimento racional. Neste sentido, acredito que o sacerdote, se quiser fazer jus a sua 'sublime' missão educacional, deve tornar-se um professor.
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"Ciência e Religião" (1939-1941) - Págs. 25 a 34. Einstein, Albert, 1870-1955 Título original: "Out of my later years."

Escritos da Maturidade: artigos sobre ciência, educação, relações sociais, racismo, ciências sociais e religião. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges - Rio de Janeiro : Editora Nova Fronteira, 1994.

SOBRE A LIBERDADE
Albert Einstein
Sei que é inútil tentar discutir os juízos de valores fundamentais. Se alguém aprova como meta, por exemplo, a eliminação da espécie humana da face da Terra, não se pode refutar esse ponto de vista em bases racionais. Se houver porém concordância quanto a certas metas e valores, é possível discutir racionalmente os meios pelos quais esses objetivos podem ser atingidos. Indiquemos, portanto, duas metas com que certamente estarão de acordo quase todos os que lêem estas linhas.

1. Os bens instrumentais que servem para preservar a vida e a saúde de todos os seres humanos devem ser produzidos mediante o menor esforço possível de todos.

2. A satisfação de necessidades físicas é por certo a precondição indispensável de uma existência satisfatória, mas em si mesma não é suficiente. Para se realizar, os homens precisam ter também a possibilidade de desenvolver suas capacidades intelectuais artísticas sem limites restritivos, segundo suas características e aptidões pessoais.

A primeira dessas duas metas exige a promoção de todo conhecimento referente às leis da natureza e dos processos sociais, isto é, a promoção de todo esforço científico. Pois o empreendimento científico é um todo natural, cujas partes se sustentam mutuamente de uma maneira que certamente ninguém pode prever.

Entretanto, o progresso da ciência pressupõe a possibilidade de comunicação irrestrita de rodos os resultados e julgamentos - liberdade de expressão e ensino em todos os campos do esforço intelectual. Por liberdade, entendo condições sociais, tais que, a expressão de opiniões e afirmações sobre questões gerais e particulares do conhecimento não envolvam perigos ou graves desvantagens para seu autor. Essa liberdade de comunicação é indispensável para o desenvolvimento e a ampliação do conhecimento científico, aspecto de grande importância prática.

Em primeiro lugar, ela deve ser assegurada por lei. Mas as leis por si mesmas não podem assegurar a liberdade de expressão; para que todo homem possa expor suas idéias sem ser punido, deve haver um espírito de tolerância em toda a população. Tal ideal de liberdade externa jamais poderá ser plenamente atingido, mas deve ser incansavelmente perseguido para que o pensamento científico e o pensamento filosófico, e criativo em geral, possam avançar tanto quanto possível.

Para que a segunda meta, isto é, a possibilidade de desenvolvimento espiritual de todos os indivíduos, possa ser assegurada, é necessário um segundo tipo de liberdade externa. O homem não deve ser obrigado a trabalhar para suprir as necessidades da vida numa intensidade tal que não lhe restem tempo nem forças para as atividades pessoais. Sem este segundo tipo de liberdade externa, a liberdade de expressão é inútil para ele. Avanços na tecnologia tornariam possível esse tipo de liberdade, se o problema de uma divisão justa do trabalho fosse resolvido.

O desenvolvimento da ciência e das atividades criativas do espírito em geral exige ainda outro tipo de liberdade, que pode ser caracterizado como liberdade interna. Trata-se daquela liberdade de espírito que consiste na independência do pensamento em face das restrições de preconceitos autoritários e sociais, bem como, da "rotinização" e do hábito irrefletidos em geral. Essa liberdade interna é um raro dom da natureza e uma valiosa meta para o indivíduo.

No entanto, a comunidade pode fazer muito para favorecer essa conquista, pelo menos, deixando de interferir no desenvolvimento. As escolas, por exemplo, podem interferir no desenvolvimento da liberdade interna mediante influências autoritárias e a imposição de cargas espirituais aos jovens excessivas; por outro lado, as escolas podem favorecer essa liberdade, incentivando o pensamento independente. Só quando a liberdade externa e interna são constantes e conscienciosamente perseguidas há possibilidade de desenvolvimento e aperfeiçoamento espiritual e, portanto, de aprimorar a vida externa e interna do homem.

Albert Einstein

Windows 7
Estou rodando o windows 7 e tive outros travamentos.
1 - O sistema travou várias vezes na transferência de arquivo gigantes (mais de 1GB) de um pendrive para o notebook;
2 - O sistema travou várias vezes com software de edição de site, principalmente o NVu... Com esse software o sistema não deixa nem salvar...
3 - E também travou com software de OCR, principalmente o Fineread..

É válido observar que esses travamentos não aconteciam no Windows XP, portanto, é problema do sistema...

Vapores das injustiças
Há muita injustiça acumulada, fermentando, dentro do sistema... E todos respiram os vapores dessas injustiças e com eles se contaminam... Vapores que formam uma neblina e pouca coisa pode ser vista ao redor...

Acostumamos-nos com os vapores e, por decorrência, com as injustiças... Logo, achamos normal a prática do mal, a prática da opressão, da exclusão, da escravidão... E ninguém ousa fazer a pergunta: por que as coisas são assim ??? E se alguém faz a pergunta, logo vem a resposta: porque sempre foi assim...

Mas não foram sempre assim...Por que a maioria dos negros são pobres ??? Por que sempre foi assim ou por causa da escravidão que os impedia de possuir e acumular riquezas ??? Por que existem favelas ??? Por que sempre foi assim ou por que os trabalhadores foram expulsos do campo (mecanização, concentração de terras) e não foram recebidos nas cidades ???

A questão social, os problemas sociais, são construções, consequências, do sistema econômico... Não são problemas naturais da sociedade humana, são problemas artificiais oriundos da implantação de sistemas e políticas que beneficiam uns e abandonam outros...

Os vapores das injustiças nos entorpecem e nos tornam ébrios... A justiça é raridade, quando acontece vira até notícia... As injustiças são parte do dia-a-dia. O mal é banal e a sociedade atual está tomada pela banalidade do mal...

Se não houver justiça, não haverá paz... E a justiça tem que ser feita, mesmo que o céu desabe...

02/07/09

Preste atenção, estúpido
Qualquer cidadão tem poder suficiente para abrir a sucessão em quaisquer órgãos da república... Basta querer e agir... Lembra do caso Kennedy ???

Por que os cidadãos não fazem isso ??? Eu apontaria duas travas: religião e direitos humanos... Contudo, essas travas estão sendo quebradas/dissolvidas pelo sistema...

Julgamento dos corruptos
Os tribunais estatais não são capazes de julgar/condenar/punir os corruptos, dada a extensão da contaminação e dominação da corrupção. Nesse contexto, surge a questão: quem poderá julgar/condenar/punir esse tipo de gente ??? Em outras palavras, essa função caberá:
A( ) Tribunais populares;
B( ) Tribunais militares;
C( ) Tribunais do tráfico;
D( ) Justiceiros;
E( ) Todas as alternativas anteriores.

Grupos radicais
Eu pretendo ingressar em um grupo radical... Pode ser nacional ou global... Tenho uma queda natural por esses grupos e pela coragem que demonstram... Quero estar com gente que não teme o tamanho e nem a força do inimigo...

Enfim, cansei de andar com covardes, andar com gente que diz que é chumbo quente, mas na hora da luta fogem e deixam você sozinho na frente de batalha...

Identidade e reputação não significam nada para mim... Posso queimar todos os documentos, mudar de cara, mudar de nome, etc... sem nenhum problema... O que importa é o conhecimento que possuo e isso sempre estará comigo...

Nas palavras de Don Corleone: "Eu me recusei a ser um tolo, dançando conforme a música tocada pelos figurões."

30/06/09

"Preparar lulas ao molho de tomate fresco"
Vão atirar no Sarney para atingir o Presidente... Estão armando uma rede para fazer isso...
Talvez a coisa não avance muito, pois o Sarney e o Renan possuem nas mãos o rabo de muita gente... E podem vazar muitas coisas para a imprensa...
Contudo, vamos torcer, pensamento positivo, para que os corruptos se devorem...

Software livre, cultura hacker e ecossistema da colaboração

O 10º Fórum Internacional de Software Livre, realizado em Porto Alegre (RS), de 24 a 27 de junho, foi também ocasião para o lançamento do livro Software livre, cultura hacker e ecossistema da colaboração, já disponível para download (clique aqui).

Uma mesa de discussão de mesmo tema lançou o livro, na qual estiveram presentes três dos cinco autores da obra: o sociólogo e professor Sérgio Amadeu, Anderson Fernandes de Alencar, secretário de tecnologia e educação a distância do Instituto Paulo Freire e Vicente Macedo de Aguiar, da Cooperativa de Tecnologias Livres (Colivre). Murilo Machado e Rafael Evagelista, outros dois autores, não puderam participar. A obra é uma coletânea de textos em que eles abordam o software livre segundo a perspectiva do compartilhamento de ideias e de conhecimento, conforme a epígrafe escolhida para o livro:

Se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã,
e nós trocamos as maçãs,
então você e eu ainda teremos uma maçã.
Mas se você tem uma idéia e eu tenho uma ideia,
e nós trocamos essas ideias, então cada um de nós terá duas ideias
(George Bernard Shaw)

Segundo Sério Amadeu, é preciso atentar para a existência de "bens imateriais" e "não rivais", como é o caso do próprio conhecimento. “Esses tipos de bens podem ser usados por todos. A melhor forma de trabalhar com eles é por meio do compartilhamento e não pelo bloqueio do acesso. No caso do conhecimento, quanto mais gente usa, mais ele se valoriza. O bloqueio de fluxos de informação significa desigualdades, criando assimetrias e inequidades de acessos, por isso a liberdade de acesso significa igualdades”, explica o professor

Vicente Aguiar, organizador do livro, acredita que é importante trazer a discussão do uso do software livre para as diversas áreas da academia porque, cada vez mais, ele se insere em discussões da economia como alternativa sustentável num contexto de crise.

Anderson Alencar propõe uma discussão do uso de tecnologias livres de acordo com uma dimensão política, ética e estética a partir da experiência do processo de migração do uso de software proprietário para o livre, que teve início no Instituto Paulo Freire em 2005.

Um espaço foi criado para discussão do livro na rede social Software Livre Brasil.

Demonstration of two-qubit algorithms with a superconducting quantum processor
Revista Nature

L. DiCarlo1, J. M. Chow1, J. M. Gambetta2, Lev S. Bishop1, B. R. Johnson1, D. I. Schuster1, J. Majer3, A. Blais4, L. Frunzio1, S. M. Girvin1 & R. J. Schoelkopf1

  1. Departments of Physics and Applied Physics, Yale University, New Haven, Connecticut 06511, USA
  2. Department of Physics and Astronomy and Institute for Quantum Computing, University of Waterloo, Waterloo, Ontario N2L 3G1, Canada
  3. Atominstitut der Österreichischen Universitäten, TU-Wien, A-1020 Vienna, Austria
  4. Département de Physique, Université de Sherbrooke, Sherbrooke, Québec J1K 2R1, Canada

Correspondence to: R. J. Schoelkopf1 Correspondence and requests for materials should be addressed to R.J.S. (Email: robert.schoelkopf@yale.edu).

Quantum computers, which harness the superposition and entanglement of physical states, could outperform their classical counterparts in solving problems with technological impact—such as factoring large numbers and searching databases1, 2. A quantum processor executes algorithms by applying a programmable sequence of gates to an initialized register of qubits, which coherently evolves into a final state containing the result of the computation. Building a quantum processor is challenging because of the need to meet simultaneously requirements that are in conflict: state preparation, long coherence times, universal gate operations and qubit readout. Processors based on a few qubits have been demonstrated using nuclear magnetic resonance3, 4, 5, cold ion trap6, 7 and optical8 systems, but a solid-state realization has remained an outstanding challenge. Here we demonstrate a two-qubit superconducting processor and the implementation of the Grover search and Deutsch–Jozsa quantum algorithms1, 2. We use a two-qubit interaction, tunable in strength by two orders of magnitude on nanosecond timescales, which is mediated by a cavity bus in a circuit quantum electrodynamics architecture9, 10. This interaction allows the generation of highly entangled states with concurrence up to 94 per cent. Although this processor constitutes an important step in quantum computing with integrated circuits, continuing efforts to increase qubit coherence times, gate performance and register size will be required to fulfil the promise of a scalable technology.


Pesquisadores criam processador quântico

SÃO PAULO - Um grupo de pesquisadores da Universidade de Yale criou o primeiro processador quântico em estado sólido, avançando no projeto de construção de um computador quântico.

Os cientistas também usaram o chip ainda rudimentar para rodar algoritmos básicos, demonstrando pela primeira vez o processamento quântico de informações. A descoberta foi relatada na edição da revista Nature de 28 de junho.

Segundo Robert Schoelkopf, professor de física aplicada de Yale, o chip executa tarefas simples, já demonstradas com núcleos, átomos e fótons. A diferença é que o time conseguiu executar esses processos em um único dispositivo eletrônico, mais parecido com o processador que usamos hoje.

O grupo conseguiu fabricar dois qubits – ou bits quânticos –, que funcionam como dois átomos artificiais, ocupando dois estados de energia diferentes.

Esses estados de energia equivalem aos valores 1 e 0 dos bits tradicionais, mas por causa dos efeitos quânticos, um qubit pode valer 1 e 0 ao mesmo tempo – o que amplia dramaticamente a capacidade de processamento e armazenamento de informação.

Nos testes feitos anteriormente, os pesquisadores conseguiam criar qubits, mas eles duravam muito pouco tempo – cerca de um nanossegundo.

O grupo de Yale conseguiu aumentar a duração do estado quântico para um microssegundo, o que já é suficiente para a execução de alguns algoritmos simples.

O próximo desafio do grupo é aumentar ainda mais a estabilidade do chip e também aumentar o número de qubits na placa, para poder assim avançar para operações mais sofisticadas.

Matemática quântica ajuda a busca na web

SÃO PAULO - Uma técnica utilizada para estudar a desordem em sistemas da matemática quântica pode melhorar as buscas por palavras-chave na internet.

Segundo um estudo publicado pela News Scientist, a técnica permite identificar padrões significativos dentro de uma grande massa de dados. Isso poderia ser usado também para páginas da web e documentos de texto, até mesmo em análise do genoma.

A busca por palavras-chave atual faz uma comparação a frequência das palavras de um documento em relação a um padrão pré-estabelecido. Ou seja, se uma palavra aparece mais vezes, ela é considerada importante.

A nova técnica analisa a importância da palavra pelo lugar onde ela aparece, não apenas levando em consideração a frequência com que ela é mapeada. De acordo com Pedro Carpena, físico da Universidade de Malaga, na Espanha, seria mais ou menos como identificar as palavras-chave de um livro sem precisar de outros livros para fazer uma comparação.

O estudo realizado pele Universidade de Malaga pode ser encontrado no site Physical Review E.

Ampliar acesso a banda larga eleva PIB do país, diz Bird

Um relatório do Banco Mundial afirma que facilitar o acesso a serviços móveis de internet e telefonia permite o desenvolvimento em todos os níveis da economia e da sociedade.

Segundo o relatório, cada aumento de dez pontos percentuais nas conexões de internet de banda larga de um país corresponde a um crescimento adicional de 1,3 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB).

“O acesso à banda larga completa o fundamento em termos de informação para uma economia moderna e deve ser prioridade nos planos de desenvolvimento nacionais” afirmou a vice-presidente do Banco Mundial para Desenvolvimento Sustentável, Katherine Sierra.

O estudo mostra como a mobilidade do acesso à informação já é uma realidade em muitos países e como os emergentes, em especial, terão um papel no futuro desse processo.

Celulares

Segundo o Banco Mundial, “praticamente todos os novos consumidores de tecnologias móveis virão dos países em desenvolvimento”.

Até o fim do ano passado o mundo já contava com quatro bilhões de telefones celulares – três bilhões nos países em desenvolvimento. Em 2000, a participação desses consumidores no total de consumidores de celulares era de 30%.

Entre 2000 e 2007, a velocidade de acesso per capita à internet na América Latina pulou de 8 bps para 1.250 bps.

O relatório elogia iniciativas de governos como o do Brasil, Gana e Índia, que oferecem serviços online e assim se tornam “mais eficientes, transparentes e dinâmicos”.

Além disso, no Chile a convergência de mídias já é uma realidade, com cerca de 60% dos 853 mil assinantes do serviço de TV a cabo da empresa VTR usando também serviços de telefone e Internet – o que elevou a receita da empresa em 44% entre 2005 e 2007.

Segundo o estudo, apenas 15% do mercado potencial global para serviços de tecnologia da informação está sendo explorado. Em 2007, esse mercado representou quase US$ 500 bilhões.

Para a economista que editou o estudo, Christine Zhen-Wei Qiang, os dados mostram que o setor de tecnologia da informação representa uma oportunidade tanto para o setor privado quanto para o governo, e deve ser incentivado.

“Os governos devem incentivar ativamente o desenvolvimento de serviços locais de indústrias de tecnologia da informação, por meio de políticas e incentivos dirigidos a empreendedores e o setor privado, e por meio de investimentos em qualificação e infraestrutura.”

29/06/09

Filme: V de Vingança
Dizem que esse filme exalta o terrorismo, etc... Contudo, eu discordo disso. Penso que o filme mostra um caminho para a realização da justiça em um ambiente onde todas as portas foram fechadas para que ela não acontecesse...
É um filme que faz refletir, principalmente pelas frases que são ditas...

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O Povo não deve ter medo do governo. O governo é que deve ter medo do povo.

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Lembre-se, lembre-se, do dia 5 de novembro. A pólvora, a traição e a conspiração. Não vejo razão para que a pólvora da traição jamais seja esquecida.

Mas e o homem ? Sei que se chamava Guy Fawkes. E sei que em 1605 ele tentou explodir as casas do Parlamento. Mas quem ele era na realidade ? Como era ?

Lembramos da idéia totalmente, mas não do homem. Pois um homem pode fracassar. Podem capturá-lo, matá-lo e esquecê-lo. Mas uma idéia, quatrocentos anos depois, ainda pode mudar o mundo.

Presenciei pessoalmente o poder das idéias. Vi pessoas serem mortas em seu nome...e morrerem defendendo-as.

Mas uma idéia não pode ser beijada, tocada ou abraçada. Idéias não sangram, sentem dor, ou amam.
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"É para a Senhora Justiça que dedico este concerto, honrando o feriado que ela parece ter tirado dessas partes e em reconhecimento ao impostor que tomou seu lugar."
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Discurso de V na TV
"Boa noite, Londres. Primeiro, quero pedir desculpas por utilizar esse canal de emergência. Como muitos de vocês, eu também aprecio os confortos da rotina diária, a segurança do que é familiar, a tranqüilidade do repetitivo. Gosto disso, como qualquer um.

No intuito de comemorar eventos importantes do passado, geralmente associados à morte de alguém ou o fim de alguma horrível luta sangrenta, vocês celebram um feriado legal. Achei que podíamos marcar esse dia 5 de novembro, um dia que certamente não é mais lembrado, tirando um dia das nossas vidas diárias para sentar e bater um papinho.

Claro que há alguns que não querem que falemos. Neste momento estão gritando ordens nos telefones e homens armados estão a caminho. Por que ?

Porque enquanto o cassetete é usado no lugar da conversa as palavras sempre manterão seu poder. As palavras expressam um significado e são para aqueles que aceitam ouvir a revelação da verdade. E a verdade é que há algo terrivelmente errado com este país, não é ?

Crueldade e injustiça, intolerância e opressão. Enquanto que antes vocês tinham a liberdade de objetar, de pensar e falar o que quisessem, hoje têm a censura e sistemas de vigilância coagindo vocês a conformidade e a submissão.

Como isso aconteceu ? De quem é a culpa ? Certamente uns são mais culpados que outros, mas serão responsabilizados. Mas o certo é que se quiserem achar o culpado, basta olharem no espelho.

Sei porque fizeram isso. Sei que estavam com medo. Quem não estaria ? Guerras, terror, doenças. Milhões de problemas conspiraram para corromper sua razão e roubar seu sentido comum. O medo os dominou. E em seu pânico, recorreram ao Alto Chanceler. Ele lhes prometeu ordem e paz. E a única coisa que pediu em troca foi seu consentimento calado e obediente.
Ontem à noite, busquei acabar com esse silêncio. Ontem à noite destruí o velho Barley (Edifício da Justiça) para lembrar este país o que está esquecido.

Mais de 400 anos atrás um grande cidadão quis incrustar o dia 5 de novembro para sempre em nossa memória. Sua esperança era lembrar ao mundo que retidão, justiça e liberdade não são meras palavras. Elas são perspectivas. (...)"



Câmera na mão
Eu quero arranjar uma câmera para filmar algumas coisas que pretendo mostrar aqui no blog... Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, acho que filmar os excluídos e suas condições, principalmente de trabalho e vida, dará mais força para a minha argumentação...

Por que farei isso ??? Porque trabalho para que as coisas mudem...

Golpe em Honduras
Um golpe para evitar um plebiscito popular, para evitar a manifestação do povo... É um golpe contra a democracia, não um golpe para preservar a democracia...

Inegavelmente, o tempo curto de mandato para os governantes, nas democracias atuais, faz parte da estratégia dos grupos dominantes de se perpetuarem no poder... Dessa forma, um governante popular, não terá tempo suficiente para praticar ações que diminuem, anulem ou inviabilizem os sistemas de exploração e escravidão que movimentam os negócios dos poderosos...

Quando chega no ponto exato para dar a marretada final na cabeça do monstro da exploração, exclusão e opressão, acabou o tempo de governo e o próximo eleito é amigo do monstro... Logo, tudo volta ao estado inicial...

Por isso, a possibilidade do Povo dar mais tempo de mandato para governantes populares, governantes que atendem à vontade do Povo, que fazem a diferença, é refutada pelos grupos dominantes e seus papagaios... Inclusive, refutam essa possibilidade com um golpe de estado...

Terceiro, quarto, dez, cinquenta, etc... mandatos dado pelo Povo para um governante, não transforma esse governante em um monarca, pois o poder emanou do Povo e a vontade do Povo é a essência da democracia...

Contrariar a vontade do Povo, pior do que isso, impedir a manifestação popular em um plebiscito ou referendo, é uma evidência clara de autoritarismo e tirania... Não importa de onde venha a decisão, do executivo, do judiciário ou do legislativo, opôr-se à oitiva do Povo, impedir a manifestação do Povo, em uma democracia, é uma ação autoritária e tirânica... Se não é, então prove o contrário ???

Aprendam uma coisa, seus cabeças de bagre, na democracia todo o poder emana do Povo... É o Povo que dá as cartas e ditas as regras... Inclusive, o Povo pode se levantar em uma revolução e anular toda a Constituição, gerando o ambiente necessário para que outra seja forjada... O Povo pode !!!

Mais uma coisa, ouvir e seguir a vontade popular, a vontade da maioria da população, significa construir um ambiente de estabilidade e paz social... Fazer o contrário, ou seja, calar a multidão com armas e violência, multiplica a insatisfação popular, gera um ambiente de instabilidade e de intensos conflitos e manifestações sociais... Ninguém quer investir em um país dessa última categoria, um país instável politicamente...

CJF altera regras para Concurso de Juiz Federal

O Conselho da Justiça Federal (CJF), reunido nesta quarta-feira (24), sob a presidência do ministro Cesar Asfor Rocha, aprovou a alteração de dispositivos da Resolução nº 41/2008, que disciplina as normas para realização do concurso público para investidura no cargo de juiz federal substituto.

De acordo com o relator do processo no CJF, o corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Hamilton Carvalhido, as alterações foram necessárias para compatibilizar a norma aprovada pelo CJF em dezembro do ano passado com a Resolução nº 75, editada pelo Conselho Nacional de Justiça em maio último e que trata do mesmo tema. Segundo ele, a partir de agora, “os dois normativos podem viger de forma harmônica”.

Conheça as principais alterações aprovadas:

- Foi incluído no conteúdo programático da segunda etapa do concurso o tema Noções Gerais de Direito e Formação Humanística.

- A partir de agora, será considerado habilitado na prova objetiva seletiva o candidato que obtiver o mínimo de 30% de acertos das questões em cada bloco. Antes era exigido um percentual mínimo de 50% de acertos por bloco.

- Foi regulamentada a gravação da prova oral, seja em áudio ou outro meio que possibilite sua reprodução.

- Foi ampliado o número de candidatos habilitados para a segunda etapa do concurso. Agora, nos concursos com até mil e quinhentos inscritos, serão classificados os duzentos candidatos com as melhores notas. Em concursos em que seja superado esse número de inscritos, serão habilitados os trezentos melhores classificados.

- Foi estendido até o último dia das inscrições o prazo para pedido de isenção da taxa de inscrição.

- Passam a ser aplicados aos membros das comissões os motivos de suspeição e de impedimento previstos nos artigos 134 e 135 do Código de Processo Civil, conforme previsto no art. 20, da Resolução 75/09 do CNJ.

- Foi retirada a exigência de apresentação de cópia autenticada do comprovante de inscrição no CPF para a inscrição preliminar no concurso.

- Nos casos de indeferimento de inscrição preliminar, o prazo para recurso foi reduzido para dois dias úteis.

- O examinador passa a ter 10 minutos para argüir o candidato, antes esse tempo era de 15 minutos.

- Na apuração dos títulos, passa a valer a pontuação determinada no artigo 67, da Resolução 75/CNJ.

Fonte: Imprensa CJF

Excluídos da Previdência Social
O governo diz que está fazendo mudanças na previdência social. Diz que agora a aposentadoria sai em 30 minutos. Diz que algumas pessoas não vão precisar nem ir procurar a previdência para saber da aposentadoria, pois a própria previdência vai avisar a pessoa que ela já possui todos os requisitos para se aposentar... Olhando por cima a coisa parece perfeita, mas observando mais atentamente percebe-se que são mudanças irrelevantes, pois atendem, justamente, quem já era atendido pela previdência, quem tem a carteira assinada ou paga as contribuições...

Essas pessoas não são o grande problema da previdência social. O problema da previdência são os excluídos. Por exemplo, os trabalhadores rurais bóia-fria.

Vejo o problema claramente aqui na cidade onde estou. É uma cidade agrícola. Grande produtora de café. E a maior parte da população da cidade é composta de trabalhadores rurais bóia-fria. Pessoas que trabalham muito (saem de casa às 5 da manhã e retornam às 20 horas), são remunerados por dia de serviço, ganham, no máximo, um salário e meio mensal, não possuem registro em carteira e não existem para a previdência social.

Noventa por cento da produção de café do município e dos arredores são colhidos por essas pessoas. Portanto, a participação delas na produção de riquezas para o país é inquestionável. Não só o café, mas o feijão que elas arrancam, a cana que cortam, o pinus que plantam e carpem, etc... Mesmo com a mecanização de algumas atividades as fazendas não produzem se não usarem esses trabalhadores.

Pessoas que trabalham a vida inteira em um serviço pesado e extremamente desgastante. Produzem riquezas para os donos do agronegócio. Porém, não participam dessa riqueza. Recebem apenas o suficiente para sobreviver e continuar trabalhando. Envelhecem nesse caminho e estão fora da previdência social, pois não existem para o governo...

De quem é a culpa ??? Dos trabalhadores rurais que mal sabem ler e escrever e que, no dia da eleição, trocam seus votos por uma cesta básica, elegendo como seus representantes os donos do agronegócio ???

O governo tem que resolver o problema dessas pessoas, desses excluídos... Deve criar uma forma de integrá-los nos benefícios da previdência social.

Uma forma de fazer isso é cadastrar as fazendas que usam essa mão-de obra barata e negociar com elas uma forma de contribuição previdenciária para os trabalhadores. Certamente, obrigar o registro em carteira dessas pessoas inviabiliza a produção agrícola das fazendas, logo, é preciso ter alternativas. O que não pode é deixar esse grupo de pessoas à margem da sociedade, excluídos da previdência social...

Além disso, penso que todos os trabalhadores rurais que possuírem 60 anos de idade devem ter direito, independentemente de contribuição, a aposentadoria por idade. É o mínimo que o Brasil pode fazer para quem passou a vida inteira trabalhando para produzir alimentos para o país... Se os trabalhadores rurais cruzarem os braços, as cidades morrem de fome.

E a perversidade não ocorre só com os trabalhadores rurais que não tem registro em carteira. Nos últimos meses a usina de açucar aqui do município demitiu centenas de cortadores de cana. Pessoas com registro em carteira e com mais de um ano de serviço. Pasmem: receberam R$ 100,00 de acerto... O agronegócio ainda é uma vertente do capitalismo selvagem e tem que ser domado...

Além disso, os trabalhadores dessa usina, contratados por produção, contam que alguns serviços (carpa, enleiração de palha, catação de bituca, por exemplo) eram pagos com base na média de todos os trabalhadores, calculada no final do dia e não pela produção individual da pessoa. Assim, quem ultrapassava a média perdia o trabalho a mais, pois o fiscal anotava o valor da média como se fosse a produção daquele trabalhador. Ou, então, quando não fazia isso, reduzia o preço do serviço prestado. Essas ações visavam restringir o valor ganho pelo trabalhador.



28/06/09

Esta é a regra
Voltaire dizia: "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizer." Eu generalizo essa frase para a seguinte: "Posso não concordar com o uso que você faz do seu livre-arbítrio, mas defenderei até o fim o seu direito de ter livre-arbítrio..."

O que eu faço na minha vida pessoal, vida privada, é problema meu. O que você faz na sua vida pessoal, vida privada, é problema seu... De uma forma ou de outra, você sempre paga o preço pelo que faz, pela decisão que toma, seja para o bem, seja para o mal... Além disso, você tem que viver a sua vida, não a vida que os outros querem que você viva...

Certamente, isso não se aplica à vida pública, a quem recebeu votos de confiança para gerenciar o interesse público, o interesse coletivo. Não há livre-arbítrio na vida pública, mas sim vinculação ao interesse público, à vontade popular... Na vida pública o mandatário não faz o que quer, da forma como quer, mas sim de acordo com a lei e o interesse público... Na vida pública, vida política, tem regras, reputação, etiqueta, formalismo, etc... E tudo tem que ser seguido a risca...

A corrupção faz o quê ??? Aplica na vida pública as regras da vida privada, transforma a coisa pública, o interesse público em coisa privada... Os escândalos no senado mostram exatamente isto: uso da coisa pública, do interesse público, para fins pessoais, particulares...

Eu sigo a minha consciência, o meu livre-arbítrio... E aconselho que você faça o mesmo... O resto é resto. Cada um na sua !!!
Nas palavras do mestre Raul:


O olhar da mídia
Quando a mídia olha para a sociedade, o que ela vê ??? Vê cidadãos ou vê consumidores ??? Inegavelmente, a resposta é: vê consumidores, pois para a mídia a informação é um produto e a sociedade é o consumidor desse produto...

Portanto, aqui está um dos principais problemas da sociedade da informação, da sociedade globalizada. A informação é um produto e a sociedade é um consumidor. Juntando a isso o fato de já estarmos imersos em uma sociedade de consumo (bens materiais), o problema cresce exponencialmente, pois a própria ideologia se transforma em mais um produto vendido pela mídia.

E a mídia não tem compromisso com ética e nem com valores, pois apenas vende um produto e adequa-o de acordo com a necessidades de seus consumidores. Necessidades que, muitas vezes, é ditada pelo autoritarismo governante. A mídia chinesa produz um produto (informação) adequada para o mercado do autoritarismo chinês. A mídia norte-coreana produz um produto adequado para o mercado do autoritarismo norte-coreano. A mídia iraniana produz informações adequadas para o mercado do autoritarismo iraniano.

Para a mídia, a informação é um produto, a sociedade é um consumidor, logo, vai produzir aquilo que rende mais lucro, que vende mais, que dá Ibope... Mais do que isso, vai produzir informação e disseminá-la, na sociedade, para quem paga mais, informações que não contrariem seus anunciantes, sejam as grandes empresas ou os governos...

Portanto, a mídia, como toda empresa, busca conquistar mercados, o maior número possível de consumidores, para o seu produto, visa transformar toda a sociedade em consumidor do seu produto.

Por enquanto guarde o que foi dito acima... Mais adiante vou aprofundar essa perspectiva, unindo-a às idéias do Prof. Milton Santos e Hannah Arendt...

A questão que deve ser respondida é: a democracia sobrevive em uma sociedade de consumidores, em uma sociedade banalizada ???
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Para ilustrar o que foi dito

Twitter, Facebook, New York Times, CNN. Todos os meio de comunicação deixaram o Irã de lado e, neste exato momento, cobrem apenas a morte do Michael Jackson. Jornalismo é assim. Uma pena. Tanto pelo falecimento como também pelo possível esquecimento do que ocorre no Irã. Os acontecimentos em Teerã, nos próximos dias, devem ficar em segundo plano. Neste período, os opositores correm o risco de perder o clímax nos protestos contra o governo.

Irônico, mas nunca imaginaria que a morte de Michael Jackson poderia influenciar, ainda que em escala pequena, a sobrevivência do regime islâmico do Irã. Uma estrela pop americana e o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamanei, dividem hoje as atenções do mundo.

27/06/09

Obra: Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal
Capítulos do livro do Professor Milton Santos no Google Books


Obra: Espaço do cidadão
Capítulos do livro do Professor Milton Santos no Google Books