Democratizar o conhecimento e socializar os saberes como ferramenta para transformação social e econômica. Democratizar e socializar para reduzir as desigualdades regionais. Democratizar e socializar para dar oportunidades. Democratizar e socializar para dar esperanças e certezas de um futuro melhor. O poder transformador do conhecimento, monopolizado e retido nas melhores Universidades Públicas, tem que ser disseminado, gratuitamente, para toda a sociedade.

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15/08/2008

Concurso viciado da Abin
Eu pretendia prestar o concurso da Abin, mas lendo o edital, percebi claramente que ele foi montado para aprovar pessoas que já foram escolhidas... Vejam o art. 8 de uma das instruções normativas que regulamentam esse concurso viciado.

Não sei se é um concurso para inteligência ou se é um concurso para santo. Certamente, eles buscam um indivíduo que seja inteligente, dócil e domesticado... E eu achava que Abin era um órgão de inteligência... Parece-me que a definição de inteligência no mundo de mentalidade subdesenvolvida é diferente da definição que se usa no primeiro mundo...

Mas o que eu acho mais interessante é que são os torturadores da ditadura que estão dizendo isso, ou seja, que estão exigindo este excesso de subserviência. É um concurso feito para aprovar gente subserviente, gente que só sabe obedecer, abaixar a cabeça e se dobrar a todo tipo de autoritarismo e imposição... Um modelito que vem direto da ditadura para o século XXI.

Art. 8º São fatos que afetam a idoneidade moral e a conduta ilibada:

I - habitualidade no descumprimento dos deveres de assiduidade,pontualidade, discrição e urbanidade;
II - prática de atos de deslealdade às instituições legalmente instituídas;
III - manifestação contumaz de desapreço às autoridades e a atos da administração pública;
IV - habitualidade em descumprir obrigações legítimas;
V - relacionamento ou exibição em público com pessoas de notórios e desabonadores antecedentes criminais ou morais;
VI - prática de ato que possa importar em escândalo ou comprometer a atividade de Inteligência;
VII - uso ou dependência química de drogas ilícitas de qualquer espécie;
VIII - embriaguez contumaz;
IX - prática de ato tipificado como infração penal ou qualquer prática atentatória a moral e aos bons costumes;
X - contumácia na prática de transgressões disciplinares;
XI - participação ou filiação como membro, sócio ou dirigente de entidade ou organização cujo funcionamento seja legalmente proibido ou contrário às disposições da Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito;
XII - participação em inquérito policial, envolvido como autor em termo circunstanciado de ocorrência, ou respondendo a ação penal ou a procedimento administrativo disciplinar;
XIII - existência de registros criminais devidamente fundamentados;
XIV - demissão de cargo público e destituição de cargo em comissão, no exercício da função pública em órgão da administração direta e indireta, nas esferas federal, estadual, distrital e municipal, mesmo que com base em legislação especial;
XV - demissão por justa causa nos termos da legislação trabalhista; e
XVI - existência de outras sanções aplicadas ao candidato em função de práticas delituosas.
Parágrafo único. Se antes da publicação do resultado final do concurso ocorrer com o candidato qualquer fato relevante para a investigação social e funcional, o mesmo deverá, de imediato, informar o fato circunstanciada e formalmente à ABIN.

O edital da Abin é um típico edital produzido ao gosto do freguês... Feito para aprovar gente que já foi escolhida. Uma farsa completa... Quantos agentes da Abin vieram da ditadura ??? Também vejo indícios de que jornalistas, de jornais importantes, são arapongas da Abin...

15/07/2008

Pequenos detalhes do Gilmal Mente
O Juiz Federal de São Paulo que acompanha as investigações do caso Dantas decidiu mandar prender a máfia do banqueiro. Certamente, o juiz tomou esta decisão porque acompanha o caso ao vivo e a cores. Viu a periculosidade e o poder de corrupção da máfia, o poder de destruição das instituições públicas e do Estado Democrático de Direito. Uma máfia que oferece $ 1.000.000 (Um milhão) de dólares para corromper um delegado, ofereceria quanto para corromper um Ministro ?

O juiz vendo o poder destruidor dessa máfia decretou a prisão dos elementos. Porém, o banqueiro impetrou uma ação de habeas-corpus. Parece-me que o TRF negou o habeas-corpus. Isto também ocorreu no STJ. E se negaram foi porque viram a periculosidade e o poder destruidor da máfia. Porém, o Gilmal Mente, contrariando todo mundo, concedeu o habeas-corpus.

Quem está errado ? Quem está alinhado com a criminalidade organizada ? O Juiz prendeu. O TRF confirmou a decisão do Juiz. O STJ também confirmou... Porém, o Gilmal Mente contrariou todo mundo e deu a decisão solicitada pelo banqueiro. Seria o Gilmal o único sabidão da história, enquanto os demais não sabem nada ?

Mas o aspecto mais surpreendente foi uma notícia que vi na TV. Dizia ela que o segundo habeas-corpus foi protocolado às 15:00 e a decisão do Ministro Gilmal saiu às 17:30. Não consegui confirmar a notícia, porém, se ela for verídica, o Ministro escreveu uma decisão de 11 páginas em menos de duas horas. Considerando a burocracia do judiciário, a velocidade e a disposição do ministro em decidir a favor da criminalidade organizada é muito, é excessivamente, suspeita.

Certamente, os mais céticos sempre perguntariam: ele escreveu ou já estava com a decisão pronta antes do segundo habeas-corpus ter sido protocolado? Será que a sentença do Gilmal foi produzida antes de existir a ação de habeas-corpus? Será que ele recortou e colou, ou seja, pegou o primeiro e colou no segundo ?

Isto chama a atenção porque juristas famosos consideravam que a prisão preventiva estava bem fundamentada. Mesmo assim, numa canetada de 11 páginas e em menos de duas horas, o Ministro salvou o chefão da máfia. Isto mostra que a criminalidade organizada tem ampla supremacia dentro do Estado e movimenta o Estado de Direito na hora que quer, da forma que quer e para o que quiser.

A versatilidade do Ministro em beneficiar a criminalidade organizada é um atentado contra os cidadãos comuns, contra a maioria dos cidadãos que, muitas vezes, esperam décadas para obter um decisão judicial. Outros morrem esperando...

Nas palavras de Konstantin Gravos: "Qual é o melhor cidadão? O que se submete às leis em cuja elaboração ele não foi - e jamais será! - chamado a opinar; aquele que se deixa escorchar pelas taxas e pelos impostos injustos ou abusivos, mentindo a si mesmo que, sim, o Estado nos suga, mas para beneficiar a todos igualmente; e o estúpido crédulo que, sentindo-se injustiçado, mas confiante nas leis, feitas apenas para uma minoria, contrata um advogado, abre um processo no Fórum mais próximo, e vê sua vida e suas economias definharem ao longo dos anos, enquanto a Justiça lhe sorri." (Texto completo no final)

Além disso, o indivíduo que tentava corromper o delegado federal disse claramente, nas gravações da PF, que o STJ e o STF já estavam dominados. Esta afirmação não decorre de inferência lógica dos eventos observados, mas sim de uma confirmação do corruptor de que as instâncias superiores já haviam sido corrompidas e apenas esperavam o momento para agir, concedendo habeas-corpus, trancando ação penal, enfim, agir garantindo a impunidade da máfia.

Mas por que é que a máfia domina o STF e não consegue dominar os delegados ou os juízes de primeiro grau ? A resposta está na política. O STJ e o STF são tribunais políticos. São tribunais formados por Ministros indicados por políticos. Logo, há uma íntima ligação entre estes tribunais e os políticos, fazendo que os mesmos sejam sujeitos a pressão política ou alinhem suas decisões com os interesses políticos.

Como esta máfia é especializada em lavar dinheiro sujo oriundos de corrupção política ou de desvios de recursos do patrimônio público (privatizações, fraude em licitação, etc), assim como em administrar contas de dinheiro sujo no exterior (aqui entra o Naji Nahas), sendo o Pitta o melhor exemplo, há muitos políticos presos na teia do Dantas. E são estes políticos que dão poder para o Dantas afetar/dominar as decisões do STJ e do STF

Se o Dantas cair, os políticos grudados nele caem juntos. E na mesma queda arrastam os Ministros que indicaram para o STJ e para o STF. Logo, a teia de corrupção trabalha unida para garantir a impunidade de todos: os Ministros livram a cara do Dantas, garantindo a sua impunidade, e ele, por sua vez, salva os políticos que possuem dinheiro sujo guardados, pela máfia, no exterior ou administrado por ela no banco mafioso...

E o Greenhalgh, que lutou tanto contra a ditadura militar e contra as violações de Direitos Humanos, pelo visto, não conseguiu resistir ao poder de corrupção da criminalidade organizada. Foi seduzido pelo dinheiro sujo do Dantas.

Certamente, o Dantas contratou o Greenhalgh para ser mais do que um advogado ou assessor. Contratou ele para ser uma fonte de informações privilegiadas. As gravações da polícia federal mostram isso claramente. Mostram o Greenhalgh tentando obter informações privilegiadas do assessor da Presidência da República. Informação esta que, certamente, seria repassada para a máfia.

Inclusive, deve ter sido dessa forma que o Dantas ficou sabendo, antecipadamente, das descobertas da Petrobrás...

O Dantas tem um poder de corrupção muito maior do que o poder que tinha o Renan Calheiros. O Renam saiu impune, para vergonha da nação, e o Dantas segue o mesmo caminho, segue o caminho da impunidade...
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Dogville: o inefável sabor da vingança
Konstantin Gavros
Donatien-Alphonse-François, o marquês de Sade, conta - em A filosofia na alcova - que Luís XV, ao dirigir-se a Chardolais, "que matara um homem para se divertir", lhe diz: "- Eu vos perdôo, mas também àquele que irá matar-vos."

Há uma ética a ser dissecada na fala de Luís XV. Uma ética que coloca todos os homens em pé de igualdade. Uma ética que não faz distinção entre fortes e fracos, entre poderosos e submissos, entre homens livres e escravos. Uma ética cujo princípio é o da mais pura igualdade, pois todos estão perdoados de antemão, mas devem também estar preparados para arcar com as conseqüências de seus atos. Uma ética que pressupõe o direito de vingança e o referenda como algo justo - e justo exatamente por igualar o assassino e, no caso, o provável justiceiro que o perseguirá: colocados um diante do outro, eles resolverão entre si, da maneira mais pura e mais digna, o acerto de contas pela violência que o primeiro cometeu gratuitamente.

Essa é, contudo, uma ética incompreensível para nós, educados em uma civilização cujos pilares nascem do direito romano e do cristianismo. Para muitos de nós, as palavras de Luís XV são tão incompreensíveis quanto a última parte do filme Dogville, de Lars Von Trier.

De fato, a vingança está exilada de nossas vidas, como se ela fosse um gesto que nos diminuísse, nos inferiorizasse, ou nos tornasse moralmente fracos. O ultrajado que ousa escolher o caminho da vingança é, entre nós, punido pelo Estado, pela religião e pela sociedade. Claro, fomos educados para perdoar e amar, ainda que o mundo nos apedreje...

O que todos escondem, no entanto, é que vivemos em uma sociedade hipócrita, na qual, de um lado, nos consumimos, impotentes e em silêncio, em nossos desejos de vingança, e, de outro, somos treinados, desde muito cedo, a reprimir o que sentimos, pois nos ensinam que seremos considerados bons e exemplares apenas quando nos comportarmos de maneira servil.

Quem é o melhor empregado? O que corteja, de maneira sóbria e gentil, equilibrando-se entre a subserviência e um falso ar de responsabilidade; ou mesmo o bajulador declarado, um tipo que é sempre vencedor.

Qual é o melhor cidadão? O que se submete às leis em cuja elaboração ele não foi - e jamais será! - chamado a opinar; aquele que se deixa escorchar pelas taxas e pelos impostos injustos ou abusivos, mentindo a si mesmo que, sim, o Estado nos suga, mas para beneficiar a todos igualmente; e o estúpido crédulo que, sentindo-se injustiçado, mas confiante nas leis, feitas apenas para uma minoria, contrata um advogado, abre um processo no Fórum mais próximo, e vê sua vida e suas economias definharem ao longo dos anos, enquanto a Justiça lhe sorri.

Qual é o melhor filho? O mais obediente, o mais submisso, o que acata todos os "nãos" como se fossem uma bênção; o que - semelhante a um cão - lambe as mãos de quem o castra e humilha.

O filme de Lars Von Trier nos escandaliza somente por uma única razão: ele é o espelho do mundo que construímos com nossa covardia. Nós somos Dogville. Cultivamos nossas mesquinharias, nossas frustrações e nossos medos, fruindo desse prazer masoquista que nos foi inculcado desde o ventre de nossas mães. Mas sempre prontos a, no silêncio da nossa falsa bondade e esboçando o sorriso de um tartufo, espoliarmos, abusarmos e violentarmos a primeira Gracie que aparecer em nossas vidas. Realmente, não há maior lucidez do que a do marquês de Sade, quando - também em A filosofia na alcova - ele nos diz que "aquilo que os idiotas chamam de humanidade não passa de uma fraqueza nascida do temor ou do egoísmo".

Mas o que ocorreria ao mundo se cada um de nós pudesse exercer, sem censura ou medo, as suas pulsões de vingança, por mais cruéis que elas fossem? Regrediríamos, certamente, ao que os filósofos chamam de "estado de natureza", o suposto estágio que antecede o início deste em que vivemos, e que os filósofos apreciam chamar de "contrato social". Um contrato de cláusulas leoninas, segundo as quais a imensa maioria deve servir e apodrecer na miséria, na fome e na doença, enquanto uma minoria legisla e governa em causa própria, além, é claro, de enriquecer. E denominamos esse estado de absoluta discrepância de poderes com um outro adorável eufemismo: "democracia". Uma palavra que de tão falsa chega a me provocar pruridos anais...

As regras, como vemos, são muito simples: eu te exploro e você me agradece (ou, como é o costume, finge agradecer). Se, por alguma incontrolável razão, você decidir se vingar... bem... para isso existem as prisões e os hospícios...

Contudo, um alerta: até agora falamos, neste artigo, daqueles 40% da população brasileira que não mora em favelas e alimenta-se três vezes ao dia, pois o restante vive à margem do sistema em que as regras da hipocrisia legal vicejam. Seria um exercício saudável aos nossos intelectuais - de esquerda e de direita - uma estadia de quatro semanas em uma favela - todas elas, aliás, comandadas pelo narcotráfico -, pois descobririam um outro país, no qual a vingança fria e calculada - ou seja, o direito de retribuir em igual medida o mal que foi cometido - comanda as relações sociais, criando um equilíbrio e uma harmonia só comparáveis aos que usufruíamos quando ainda habitávamos a selva.

E a história não nos desampara neste momento: compulsemos os melhores tratados e veremos que a verdade só triunfa quando escolhe, como aliada, a violência. Os servos só deixaram de ser espoliados quando encostaram a faca na garganta dos seus opressores. Da mesma forma, certamente também nós guardamos a lembrança dos poucos momentos em que ousamos erguer a cabeça e nos revoltamos. Aqueles minutos de prazer, semelhantes em tudo a uma deliciosa sucessão de orgasmos, foram os únicos em que ousamos ser verdadeiros, e são eles, hoje, que nos salvam do completo embotamento.

É exatamente o que Dogville nos ensina. Ao final do filme, inebriados pela correta decisão de Grace, alegres por ela ter feito o que não temos coragem de fazer, recordamos outro trecho de Sade: "Só a piedade e a beneficência são perigosas no mundo. A bondade é apenas uma fraqueza cuja ingratidão e a impertinência dos fracos forçam sempre as pessoas honestas a se arrependerem." O prêmio de Grace por sua absoluta bondade foi apenas a sua queda. Uma derrocada, aliás, orquestrada por Tom, o arquétipo de todos os moralistas.

Na verdade, o que Dogville nos mostra é que o chamado "contrato social" precisa ser urgentemente reescrito. E se eu vier a ser consultado sobre o teor das novas cláusulas, recomendarei que haja apenas uma: "Olho por olho, dente por dente." Essa é a única regra capaz de instituir justiça e igualdade entre os homens.

14/07/2008

M3C (Milícia contra corrupto e corruptores)
Basta falar da criminalidade organizada para começarem a bloquear o meu site. Contudo, se acham que possuem força suficiente para se impôr e querem radicalizar o negócio, eu aceito o desafio. Inclusive, tenho várias idéias para desmantelar a criminalidade e atingir a corrupção no miolo.

Começo sugerindo a criação de uma milícia privada para atacar os corruptores e os corruptos. Atacá-los em todas as áreas e em todos os lugares... Atacar não só eles, mas toda a organização, incluindo aqueles que se alimentam dessas organizações criminosas... Uma milícia privada que tome de volta, usando força bruta se preciso, todos os recursos que eles roubaram/roubam da coletividade. Não adianta esperar por ação da polícia ou o judiciário, pois os criminosos dominam as autoridades e pagam ministros para defenderem seus interesses.

Dizem que Beira-mar, Marcola ou o Abadia é gente da criminalidade organizada. Mentira cabeluda, pois a verdadeira criminalidade organizada tem coleção própria de políticos, de juízes, de policiais e Ministros em sua folha de pagamento... Beira-mar, Marcola e Abadia não possuem essas regalias, não possuem o Estado de Direito nas mãos, torcendo as leis para que elas os beneficiem... A verdadeira criminalidade organizada é uma empresa dúbia, camuflada, que age tanto nos negócios lícitos quanto nos ilícitos, pegando dinheiro ilícito e jogando para atividades lícitas. Fazem isto na frente de todos, pois são empresas comuns da era globalizada: bancos, corretoras, casas de câmbio, comércios em geral, etc...

Eu vejo, como única saída contra o domínio do Estado pela criminalidade organizada, a ação de uma milícia privada que promova a justiça como ela deve ser feita. Uma justiça privada que não se dobre ao dinheiro e nem aos poderosos e castigue, com a mesma força tanto, os corruptos quanto os corruptores. O Dantas escapa facilmente da polícia e do judiciário, pois estas instituições estão nas mãos deles e em sua folha de pagamento... Mas ele não escaparia de uma milícia disposta a fazer justiça a qualquer preço...

se autoridades corruptas escapam de uma policia corrupta e de um judiciário corrupto, mas não escapariam de milicianos dispostos a capturá-los onde quer que estejam e a recuperar tudo o que eles furtaram e mandaram para o exterior. Sabemos onde os corruptos e os corruptores estão, onde moram, onde trabalham, onde estão suas famílias e suas empresas... Precisamos apenas agir contra eles. Precisamos apenas levantar as mãos e bater na cara deles...

Inclusive esta milícia privada pode ser financiada com o próprio dinheiro que eles furtaram/furtam do patrimônio coletivo ou de dinheiros confiscado de seus negócios ilícitos. São bilhões que podem ser tomados de volta e aplicados na milícia privada. Dinheiro que pode ser usado para destruir aqueles que trabalham contra o interesse coletivo, contra a sociedade, corrompendo a justiça, as leis e o Estado de Direito. Essa gente tem quer ser tirada de circulação e receber a punição que merecem... Devem ser punidos em praça pública e diante dos olhos do povo...

Somente uma milícia privada... uma milícia que promova a justiça privada pode atingir essa gente no cenário atua em que nos encontramos. Não podemos respeitar as regras de um Estado de Direito corrompido, um Estado deste tipo é um mal que tem que ser combatido. Somente a ação direta de cidadão, buscando a justiça, é capaz de restaurar a ordem e descontaminar a sociedade da presença nefasta destes indivíduos e destas autoridades que promovem abertamente a idéia de que o crime compensa e remunera muito bem...

Enfim, um Estado de Direito corrompido é um mal que tem que ser exorcizado e combatido. Isso somente pode ser feito por uma organização que não se dobre ao dinheiro e ao poder... O ente estatal perde, dia após dia, a sua legitimidade em fazer cumprir as leis e em fazr todos os cidadãos iguais perante a lei. Se o ente estatal perde a legitimidade, o Povo tem que agir por conta própria...

11/07/2008

Crime Organizado 3 X Polícia 0
As ações da Polícia Brasileira, seja ela qual for, contra a criminalidade organizada é de uma ingenuidade espetacular. E, por mais incorruptíveis que sejam alguns policiais e alguns juízes, o sistema é corrupto. O sistema privilegia a corrupção...

O banqueiro Dantas é uma pequena peça de uma estrutura. Uma peça que não tomou os devidos cuidados em suas práticas criminosas, logo, foi detectado pela parte boa da polícia... Mesmo assim, o uso de celular internacional e o uso intensivo de laranjas mostram que a estrutura criminosa é extensa e com fortes ligações na política e na administração pública.

O grande erro da polícia é acreditar que a criminalidade organizada corrompe políticos e gente graúda, da administração pública ou do judiciário, na hora em que a corda aperta o pescoço deles. Se estamos diante de criminalidade organizada, isto não vai acontecer, pois as autoridades públicas e os políticos já foram pagos, antecipadamente, em algum momento do passado, para proteger a máfia quando a casa cair.

Mas e a tentativa de comprar o delegado para parar a investigação ? Foi um dos principais erros do Dantas. Ele agiu precipitadamente, tentando abafar o caso na polícia, ao invés de deixar que o caso fosse abafado por seus contatos nos Tribunais Superiores. Errou feio e pagará caro por este erro. Porém, os negócios do bando continuará funcionando sem grandes prejuízos, pois o banqueiro, da cadeia, pode continuar dando ordens e administrando a máfia, sem contar que o resto do bando está fora da cadeia...

A corrupção faz parte dos negócios da máfia. Eles sabem que mais cedo ou mais tarde vão precisar da ajuda de gente importante, ou seja, necessitará que autoridades importantes atuem para protegê-los. Por isso, investem, antecipadamente, na cooptação de políticos e autoridades. E, quando a casa cai para os mafioso, os políticos e as autoridades já sabem o que fazer. Uns sobem na tribuna para reclamar, outros julgam pedidos, etc...

Portanto, se a polícia quer descobrir todos os integrantes da organização deve buscar provas no passado e no exterior... Eu olharia para pagamento passados, encontros passados, telefonemas passados, etc... Certamente, não é comum a máfia guardar recibo de pagamento. Só amador faz isso...

Além disso, eu perguntaria para o Dantas se ele tem alguma coisa a ver com o furto de dados da Petrobrás. Lembram daqueles notebooks, com dados das reservas de petróleo, que foram furtados ? Pois é, o Dantas tinha informações privilegiadas sobre a reserva Tupi... Talvez buscasse mais detalhes sobre o tamanho de outras reservas... buscasse mais informações privilegiadas... Será ? Bem, não custa nada perguntar...

Mas, apesar de toda essa barulheira, nós já sabemos o final dessa história: a criminalidade organizada vence, apenas muda alguns líderes e algumas táticas. Isto porque a criminalidade organizada faz parte da estrutura do Estado. Está intimamente ligada ao ente estatal. Há interdependência entre eles. Um não vive sem o outro...

Lembra da Máfia Siciliana, do Juiz Falcone, etc... Pois é, muitos mafiosos foram presos e condenados, porém, a "Cosa Nostra" continua existindo e trabalhando a todo vapor...
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Para saber mais sobre Lavagem de dinheiro
(Clique aqui)

01/07/2008

O futuro da liberdade: a democracia no mundo globalizado
Jean-Marie Guéhenno -- Capítulo 4 -- A Democracia Direta

Cidadãos que são, antes de tudo, consumidores/poupadores em um mercado; o Estado que se transforma em modesto prestador de serviços. As grandes estruturas que se interpunham entre o cidadão e a comunidade a que pertence perdem importância com o progresso da tecnologia, e a democracia representativa se torna, para algumas pessoas, um fenômeno transitório fadado ao desaparecimento. O resultado da desintermediação política não será, muito logicamente, a democracia direta ?

A mudança de escala das comunidades políticas acabara com a democracia direta dos antigos. A desmaterialização da informação e a reorganização dos circuitos do poder vão permitir restabelecer a democracia direta, seja num espaço virtual, seja até mesmo no espaço real do town hall, do encontro intermediado pela mídia, à moda americana, em substituição às reuniões nos espaços abertos de antigamente ?

A democracia direta, ainda ontem considerada como um arcaísmo reservado a alguns cantões suíços esquecidos do mundo moderno, reencontraria com as novas tecnologias a atualidade que parecia definitivamente ter perdido ?

Mas a ressurreição da democracia direta não escapa das ambiguidades que deturpam o sentido da palavra democracia. Trata-se de reencontrar no nível virtual o diálogo da razão que dava um sentido aos debates da Ágora e cujos parlamentos modernos quiseram reencontrar o eco ? Ou, mais modestamente, de estender para o conjunto dos cidadãos uma técnica de decisão majoritária até então reservada, por razões de comodidade prática, só para seus representantes ? Ou, ainda, de recriar, graças à conjunção da tecnologia e das mídias, o sentimento de fazer parte de uma comunidade política que a eleição de representantes, longe de reforçar, estaria tendendo a enfraquecer ?

Cada uma dessas hipóteses corresponde a uma definição diferente de democracia e não revela as mesmas pretensões. O desenvolvimento recente de formas novas de democracia direta é o indício de um novo progresso da democracia ou é o sintoma de sua decadência ?

Duas evoluções, aparentemente muito diferentes, se esclarecem mutuamente. De uma parte, a importância que adquiriram as pesquisas de opinião em todas as democracias; de outra, a prática, por enquanto essencialmente americana, dos "encontros em espaço aberto", transmitidos pela mídia em nível nacional (os town hall meetings, nos quais o presidente Clinton foi o primeiro a demonstrar competência).

Desde as origens da democracia representativa, admitiu-se, e até se julgou necessário ao bom funcionamento das instituições, que os representantes não fossem simples mandatários dos representados. A distância que guardavam de seus eleitores devia lhes permitir administrar, pela negociação ponderada, os conflitos de interesses privados e, assim, chegar a um interesse geral.

A mediação da democracia representativa era a condição do compromisso e era através dela que se podia alcançar o terreno comum da razão, afastado das paixões particulares e das paixões coletivas. Existia nessa bela teoria muito de ilusão e sonho, e os representantes evitavam enfatizar essa distância, na verdade necessária, que os separava dos representados. Muito pelo contrário, evocavam periodicamente, em especial à época das eleições, sua fidelidade aos eleitores.

Hoje em dia essa dupla linguagem se tornou quase impossível, pois se conhece cada vez mais precisamente, e quase sem interrupção, os pensamentos dos representados. Assim, os representantes não têm muito como escapar à cruel alternativa de passar, vis-à-vis seus eleitores, por traidores ou escravos. A ignorância sobre qual seria a opinião dos cidadãos entre duas eleições, que tornava possível a ambiguidade, não existe mais.

Esta aclaração tende a transformar os representantes em simples mandatários dos eleitores, modificando profundamente o significado do debate político. Cada vez que os representantes se afastam da opinião dominante, como os representantes se afastam da opinião dominante, como aconteceu na ocasião dos debates sobre a destituição do presidente Clinton, é necessário tentar justificar a traição.

A multiplicação e a profissionalização das sondagens de opinião permitem conhecer o teor das opiniões sobre todas as questões, quase no exato momento em que são colocadas. Quem, permanentemente, ousaria ir contra elas ? Ao mesmo tempo, os próprios aperfeiçoamentos das técnicas de pesquisa, ao torná-las precisas e seguras, acabam por modificar as opiniões que, até então, se pretenderia apenas descrever.

As opiniões marginais acabam inalteráveis em sua marginalidade pela fraqueza visível de sua sustentação, que desencoraja todos os indecisos preocupados em votar útil. Inversamente, um movimento que estiver obtendo grande apoio será ainda mais reforçado pela consciência coletiva de seu sucesso.

Estes efeitos são conhecidos há muito tempo, e alguns países, entre os quais a França, pretenderam limitar sua força, proibindo a publicação de pesquisas nos últimos dias que antecedem uma eleição importante. Esta proibição é descabida, pois é sempre difícil imaginar que a limitação de informações possa melhorar a qualidade do processo eleitoral, a não ser contestando os próprios fundamentos da idéia democrática.

É o mesmo que supor que os eleitores não são capazes de digerir as informações que recebem, bem como uma escolha só consegue ser racional se for feita em solidão, o que contradiz o próprio princípio que criou a democracia representativa: a convicção de que é o debate e a confrontação de opiniões que produz a verdade, e de que o encontro dos cidadãos num mesmo lugar só contribui para aclarar a decisão.

Os progressos da técnica devem conduzir a fazer dos representantes simples mandatários dos representados e a dispensar, o mais frequentemente possível, os representantes ? Por que o que se considera eficaz no comércio não seria na política ? Os leilões ou as sondagens diretas de opinião que passaram a ocorrer na Internet e na televisão são métodos transponíveis para o domínio da política: o Iraque deve ser bombardeado, o aborto legalizado, os impostos indiretos diminuídos e os diretos aumentados... ?

Todas estas questões são abordadas em campanhas eleitorais, mas os eleitores são obrigados a responder a elas em bloco, enquanto que o televoto lhes permitiria exprimir de modo muito mais preciso as preferências e aversões.

De fato, mesmo na Grã-Bretanha, onde o regime representativo foi inventado, a democracia direta atrai, e o princípio do plebiscito deixou de ser um tabu. Devemos concluir que apenas a inexistência de tecnologia adequada limitou, até o presente, o avanço da democracia direta e que esta deveria agora ser estendida a conjuntos muito mais vastos que os cantões suíços, onde ela sobreviveu à época da democracia representativa ?

Na verdade, tal evolução confunde perigosamente as duas definições de democracia - democracia como técnica de controle do poder e democracia como experiência de comunidade política. Se a democracia pudesse ser apenas uma modalidade de organização da decisão, o voto eletrônico em tempo real faria efetivamente do parlamento um órgão inútil e arcaico. Mas, assim como o mercado não cria uma comunidade-mundo, também o televoto não cria uma comunidade política.

Os que se ocupam da política bem o sabem, e a resposta dos mais criativos a essa objeção é multiplicar as experiências coletivas, como os town hall meetings. A pesquisa de opinião como técnica de decisão, o encontro intermediado pela mídia em espaço aberto: a democracia contemporânea estaria encontrando, com essa dupla resposta, a receita que lhe permite renovar-se e preservar sua dupla função.

E estas duas facetas da democracia contemporânea estariam de acordo, pois um town hall meeting bem-concebido tem características de pesquisa de opinião. A composição da assistência não é escolhida de forma aleatória, e os participantes são selecionados de modo a constituir uma amostra representativa.

A reunião pública pode, assim, se tornar um laboratório social (muito diferente dos meetings tradicionais, que juntavam de início só militantes) onde a expressão de uma linha política poderia ser ajustada. Enfim, um processo contínuo: do focus group - grupo de teste -, onde os especialistas da comunicação testam uma mensagem e identificam as prioridades dos eleitores.

A comunidade política, como bonecas russas que saem uma de dentro da outra, poderia passar a ser "representada" não por representantes, mas por maquetes dela mesma, modelo reduzido de sua diversidade e espelho aumentado de suas paixões.

Se esta concepção da representação política for aceita, reduzirá o debate democrático a um teatro de sombras onde a satisfação de se reconhecer será suficiente para criar o ela social: Narciso substituiria a deusa da sabedoria. Bastaria que os eleitores se enxergassem na imagem que estão vendo para que formassem uma comunidade política ! A maquete teria recriado a comunidade de cidadãos.

Contudo, as objeções que foram feitas às pesquisas de opinião valem igualmente para tal teatro democrático. Amplificação de opiniões - mesmo se representativas - não é o mesmo que debate, e se está longe do encontro de cidadãos à procura de conciliação de interesses através do debate e da reflexão.

Na falta de uma base comum de valores compartilhados, a "midiatização" de um pequeno grupo amplifica sentimentos particulares, mas não cria um verdadeiro espaço público. A proximidade real, feita de trocas entre cidadãos que compartilham as mesmas preocupações e têm o mesmo horizonte, que se estabelece na discussão pública da democracia direta clássica, é substituída pela proximidade fictícia da tela da TV, na qual o telespectador vê o debate que o "representa": milhares de isolamentos paralelos podem então compartilhar o mesmo agradável sentimento de intimidade, comungando a mesma experiência.

Mas a comunidade assim formada não é uma comunidade democrática, aquela que estabelece entre os cidadãos vinculações recíprocas e discussão. Parece-se mais, num estilo mais poderoso e intimista, com a comunhão coletiva que se apodera da massa que assiste a um grande acontecimento esportivo ou com um daqueles desfiles políticos que os regimes totalitários sabiam organizar. Descobrir nos outros a emoção que acreditávamos estar experimentando sozinhos é um sentimento agradável e por vezes embriagante.

Assim, as novas tecnologias de informação não fazem a democracia direta atingir um novo patamar. Na verdade, elas subdividem as possibilidades de manipulação, aumentando a distância entre a estrutura de decisão e a comunidade política. Tornam possível criar, no tempo de um debate ou de uma pesquisa, "maquetes" que criam a ilusão de uma comunidade política aumentada e permitem dar a uma decisão a legitimidade do número. A combinação de técnicas novas de democracia direta com estruturas políticas clássicas, organizadas segundo uma lógica hierárquica e piramidal, pode reconferir a um poder - cuja alteração de escala corria o risco de enfraquecer sua autoridade - a aparência de uma nova legitimidade.

Por não ser criadora de comunidade política, a "desintermediação" política não confere o poder aos cidadãos. Ela o transfere aos diretores do teatro político, que passam a adquirir uma influência tanto mais forte quanto maior for a ausência de comunidade política ou de convicções compartilhadas, quanto mais estiver disseminada aquela espécie de indiferença desiludida, que cria um terreno propício a todas as influências e aumenta a volatilidade das opiniões: os cidadãos/consumidores não pedem mais para serem convencidos, só pedem que sejam distraídos de seu isolamento.

As falsas comunidades políticas da globalização oferecem pouca resistência a políticos à procura de nova legitimidade, a diretores de grandes cadeias de mídia, apreciadores do gosto da influência que desfrutam. Por outro lado, as experiências de democracia direta nos casos de comunidades políticas reais, mesmo que em pequena escala, revelam, por si própria autenticidade, o caráter fictício da democracia direta virtual da globalização.
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Reflexões do Leonildo

Guéhenno, no texto acima, pensa a Democracia Direta em contexto no qual a mídia e os centros de pesquisa de opinião assumem o lugar atual dos parlamentares e governantes. Neste contexto a Democracia continua representativa. Saíram os parlamentares, mas entraram as mídias e os centros de pesquisa... Não há Democracia Direta onde há elementos com força suficiente para subverter e direcionar, a seu favor, as regras do jogo, atuando contra a vontade e os interesses da maioria...

A Democracia Direta que eu concebo parte da idéia de que aquilo que afeta a maioria tem que ser decidido diretamente pela maioria, sem intermediários, sem representantes. A Democracia Representativa funcionaria se cada pessoa tivesse seu próprio representante parlamentar, um representante pessoal e intransferível, numa escala de um para um, ou seja, um representante para cada representado.

Atualmente, estamos em uma escala de um representante para 360.623,782 pessoas. Um deputado vale 360.623,782 pessoas (Cento e oitenta e cinco milhões dividido por 513 deputados).

Certamente, estou considerando todos os habitantes, ou seja, um deputado encarna em si a vontade e os interesses de 360.623,782 pessoas. Isto não é só um absurdo, é uma estupidez. 185.000.000 de pessoas dominadas por 513 deputados. E quanto mais aumenta a população mais aumenta a distorção.

Penso em uma Democracia na qual o Povo decide diretamente todos os assuntos relevantes da República e do Governo, incluindo as leis. O que é bom para a maioria, é bom para o Povo Brasileiro e é bom para o Brasil. Isto só será feito pela maioria oprimida, pelos negros e pobres. A minoria branca e rica, certamente, fará tudo para sabotar e impedir o advento da Democracia Direta, pois isto significará, para esta minoria opressora, o fim do controle do Estado e do uso da máquina pública, dos interesses públicos, em benefício próprio.

A Democracia Direta que imagino deve substituir os deputados e os senadores da República. O poder pertence ao povo e por ele deverá ser exercido. Contudo, a meta não é eliminar o poder legislativo, mas sim acabar com o legislativo representativo. Nesse contexto a questão que surge é: como fazer isso ?

A minha idéia se baseia no uso intensivo da tecnologia. Hoje, com a internet, podemos reunir, simultaneamente, todas as vontades em um só local. Inclusive já temos o voto eletrônico e a urna eletrônica. Se o exercício da Democracia Direta era impossível por causa da distância e da dispersão da população. Hoje a distância e a dispersão já não constituem mais o problema.

Contudo, considero a urna eletrônica ultrapassada e obsoleta. Precisamos criar um método que permita às pessoas votarem de suas casas via internet. Se o indivíduo pode movimentar sua conta bancária pela internet, por que não poderia votar ? Se o indivíduo pode pagar contas e impostos, assim como fazer compras pela internet, por que não poderia escolher uma lei ? Portanto, o primeiro passo para a instalação da Democracia Direta é criar um mecanismo seguro que permita aos cidadãos votarem nas eleições pela internet.

O segundo ponto é estabelecer como será a apresentação de novas normas e leis. Considero que qualquer cidadão possa fazer uma apresentação, assim como os movimentos sociais em sentido amplo, as ONGs, as organizações de classe (Médicos, advogados, Juízes) e, certamente, o Governo. Contudo, a norma não deverá ser apresentada e ir diretamente para aprovação da população. Antes disso ela deverá passar por um conselho (juristas, juízes, advogados e representantes do governo) que irá analisar a constitucionalidade e as implicações sociais da norma. Nesse conselho também deverá ter assento a pessoa ou grupo que propôs a norma.

Contudo, esse conselho não tem poder de veto. Pode apenas fazer sugestões e retirar inconstitucionalidades. Uma vez sanada a inconstitucionalidade e analisada as repercussões sociais da norma, ela irá a votação popular via internet. Certamente, antes da votação, a população deverá ser informada sobre as repercussões, benefícios e desvantagens da norma que está sendo proposta.

No caso de discordância entre o proponente da norma e o conselho, ou seja, o conselho diz que a norma é inconstitucional e o proponente diz que não é, prevalecerá a decisão de quem propôs a norma. Ela vai para votação popular. Uma vez aprovada pela população, caberá ao STF dizer se a norma é constitucional ou não.

Depois de cumprido o tempo para divulgação da norma deverá será aberto o período para votação. Digo período porque nessa Democracia Direta que imagino não há necessidade de todo mundo votar no mesmo dia. Agora os cidadãos não votam mais em politiqueiros, mas sim para escolher as leis que irão regular suas vidas e restringir, ou ampliar, os poderes do Estado. Por isso, não precisam votar no mesmo dia. Podem fazê-lo em um período de 15 a 30 dias ou mais. Também não precisam votar em uma só norma a cada eleição, ou seja, podem votar em várias normas (5, 10, etc).

Certamente, aqui não está incluído as regras que devem ser produzidas com urgência. Assim, o poder executivo continua podendo emitir medidas provisórias para casos urgentíssimos. Contudo, esse poder deverá ser revisto e redesenhado para a nova era democrática. Além disso, somente será criada uma nova norma se aquela conduta ou ação não puder ser regulamentada de outra forma ou por outro meio. Também será função da Democracia Direta conter a voracidade legislativa dos legisladores, ou seja, somente deverá ser criadas normas estritamente necessárias.

Enfim, um cidadão ou grupo da coletividade propõe a criação da norma. O conselho de notáveis avalia a norma, corrige as inconstitucionalidades e prepara a votação. É realizada uma campanha de esclarecimento sobre a norma. Chega a eleição. O cidadão, de sua residência ou de algum órgão público, acessa a internet e vota na norma que escolheu. Os votos são computados e a norma é aprovada se o sim recebeu o maior número de votos. Caso seja o não a norma é rejeitada.

Também deverá haver proporções para escolhas, ou seja, um lei ordinária será aprovada se obtiver tantos votos, porém para aprovar uma emenda constitucional serão necessários x% de votos da população.

Portanto, para viabilizar a implementação da Democracia Direta temos que desenvolver um mecanismo seguro de votação pela internet, assim como um mecanismo de identificação segura do eleitor e fornecer acesso a internet para toda a população, principalmente instalando cybercafé em escolas públicas e demais repartições públicas.

Contudo, isso ficará muito, mas muito fácil, com a instalação da TV digital que permitirá aos televisores acessarem a internet. Assim, o número de acesso à internet crescerá exponencialmente.
Entretanto, não basta só pensarmos nos mecanismos de votação e na tecnologia que irá viabilizar a Democracia Direta.

Temos que pensar também nas picaretagens que poderão ocorrer para desvirtuar e manipular esse processo democrático. Assim, precisamos refletir sobre o uso da máquina estatal a favor do governo, sobre os desvios ocasionados pela mídia autoritária, sobre o poder dos grupos dominantes dentro do processo, as pesquisas de opinião, etc.
Enfim, temos que analisar todos os pontos que possam afetar e desvirtuar a Democracia Direta antes de implementá-la. Inegavelmente, uma coisa é incontestável, a Democracia Direta pressupõe a existência de uma sociedade sofiscada e avançada, uma sociedade com alto nível de educação e cultura. Uma sociedade onde a consciência dos cidadãos não está sujeita a nenhum controle, a nenhum tipo de dominação... Um ambiente onde todas as consciência podem se desenvolver livremente, sem empecilhos, sem desigualdades, exploração e opressão...

16/06/2008

A escravidão nos canaviais
A escravidão nos canaviais é uma verdade camuflada. Não só nos canaviais, mas nos rincões do Brasil ainda existe muita escravidão. E digo isto com a voz embotada, pois tenho irmãs que trabalham no corte de cana. E vejo diariamente a perversidade deste trabalho... Lembre-se que sou de uma família de pequenos agricultores do Paraná.

Certamente, elas escolheram este destino, pois elas se recusaram a continuar estudando e preferiram abandonar os estudos no ginásio ou no colegial. Sabiam que sem estudo, principalmente neste fim de mundo, sobra apenas trabalhos desta categoria, mas nada adiantou e desistiram da escola. E de nove irmãos, eu fui o único que terminou a Faculdade (Direito-USP) e há um irmão caçula que ainda está no ginásio e, certamente, tentando de todas as formas desistir da escola.

Esta questão é muito interessante... Acho que eles se espelharam no resto da família e sendo meus pais semi-analfabetos, os tios todos sem estudos, 99% da família não conseguiu concluir nenhum ensino. E olha que estou em uma das regiões mais desenvolvidas do Brasil e lugar onde vaga na escola não falta. O problema é a cultura de analfabetismo e falta de conhecimento que há dentro da minha família. Cultura que tenho tentado, desde quando estava no ginásio, remover e eliminar. Mas não tenho obtido muito sucesso. Espero conseguir salvar os sobrinhos que estão chegando agora.

Mas, voltando a questão do trabalho escravo. A falta de estudo não justifica a escravidão. Nos canaviais daqui elas trabalham por produção. Se cortam muita cana, ganham muito. Se cortam pouco, ganham pouco. Certamente, há a garantia do salário mínimo, mas não ganham muito acima disso, principalmente, porque é um trabalho que exige força física e mulher não tem muita força física. Mesmo assim, como é uma das poucas formas de trabalho neste fim de mundo, elas encaram. São mulheres de sangue forte.

A escravidão que vejo neste trabalho não está na falta pagamento dos direitos garantidos pela lei. Todos os direitos são pagos como manda a lei. Com exceção de uma certa contribuição confederativa que vem descontada todo mês (acho que é ilegal este desconto - por que pagar mensalmente uma confederação que elas não sabem nem qual é...), o resto está de acordo. O problema está no pouco pagamento. Enquanto a maioria dos cortadores de cana ganham uma mixaria, os donos da usina embolsam milhões e milhões. É esta equação que tem que ser balanceada. É aqui que está o trabalho escravo nos canaviais....

A minha solução para isto é, além do pagamento de salário, impor a divisão de uma porcentagens dos lucros obtidos com a venda/exportação do produto. Assim, além do salários, estes cortadores terão direito a uma participação direta nos lucros da usina e aumentarão seus ganhos de acordo com o mercado...

Esta questão não está sendo tratada com a prioridade exigida. Os salários e a qualidade de vida dos cortadores de cana tem que ser melhorada o mais rápido possível. Se isto não for feito, o etanol brasileiro pode perder terreno para o etanol de outros países em um futuro próximo. Digo isto porque a cana está sendo plantada em outras nações e se eles fizerem a lição casa de acordo com as exigências da comunidade internacional, nós seremos empurrados para fora do mercado. Isto será feito com o famigerado mecanismo da cláusula social da OMC... Logo, melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores tem que ser prioridade máxima, não só do governo, mas também dos empresários....

"Entre os diversos fundamentos apontados para a existência e desenvolvimento do Direito Internacional do Trabalho, encontramos os relacionados a fatores de ordem econômica. Estes se caracterizam por uma preocupação de universalização das normas protetivas aos trabalhadores, ao cabo de impedir que Estados com baixo nível de respeito às condições de trabalho aufiram vantagens comerciais a custa da exploração de seus obreiros. Diante do menor custo da produção, alguns países ofertam no mercado internacional produtos com preço competitivo, mas isto em decorrência de salários aviltantes, jornadas de labor intermináveis, trabalho infantil ou mesmo escravo. Denomina-se esta prática de dumping social, ou seja, a busca de vantagens comerciais através da adoção de condições desumanas de trabalho." (Texto completo)

Enfim, precisamos adotar medidas e mecanismos que distribuam as riquezas do Brasil. Não só nos biocombustíveis, mas em todos os demais planos, incluindo minérios extraídos de nosso solo (vou escrever um texto só sobre minérios) e propriedades rurais. Inclusive, eu defendo a limitação do tamanho das propriedades rurais em todo o Brasil (também vou escrever mais sobre isto).

Quanto às minhas irmãs e demais membros de minha família, já estou trabalhando na estruturação de um pequeno negócio da família. Negócio este que irá tirá-la da escravidão dos canaviais. Estamos emperrados no financiamento do BNDES. O BNDES financia empresa para os grupos dominantes, para os ricos. Quando o assunto é empresa familiar, não sai um centavo... Também vou escrever sobre isto....

Além disso, a opressão e a exploração dos trabalhadores rurais deste país é uma vergonha nacional. Esta opressão e exploração, se não for eliminada, trará para este país uma violenta e sangrenta revolução. Os trabalhadores rurais precisam apenas de um líder forte para os orientar e impulsionar...
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Texto que escrevi anos atrás
Leonildo Correa - Instituto OCW Br@sil --
O Presidente Lula tem afirmado que não há escravidão nos canaviais, assim como os biocombustíveis geram renda e emprego. Contudo, os empregos gerados são sub-empregos (bem próximos do trabalho escravo) e a renda advinda dessa produção são concentradas nas mãos dos usineiros que, dependendo da forma como se desenvolver a ampliação dos canaviais, tornar-se-ão verdadeiros Sheiks dos biocombustíveis. Resumindo: o Presidente Lula está sendo mal orientado sobre esse assunto. Provavelmente, seus orientadores são usineiros.

Os canaviais brasileiros sempre dependeram de mão-de-obra escrava. No início os escravos eram trazidos da África para plantar cana e, assim, produzir o açúcar vendido na Europa. Hoje não se busca mais escravos na África, pois não é necessário ir tão longe para encontrar mão-de-obra barata, ou seja, para encontrar gente que aceita um sub-emprego, ou trabalhe em troca de comida. As periferias e os trabalhadores sem-terra são reservatórios de mão-de-obra barata para os canaviais. Quem não acredita que há escravidão nos canaviais, basta ir até a Usina de açúcar e álcool mais próxima durante o corte da cana, ou então, basta perguntar para um cortador de cana quanto eles ganham, quanto tempo trabalham, quanto tem que produzir para receber. Os senhores de engenho e de escravos de ontem são os usineiros hoje. As senzalas de ontem são as periferias e as favelas de hoje.

Os biocombustíveis são essenciais para o Brasil e para o mundo. Não podemos perder essa oportunidade. Temos que ser os maiores produtores mundiais e controlar esse mercado, ou seja, temos que criar e comandar a OPEP dos biocombustíveis. Contudo, isso não pode ser feito encima de uma estrutura escravocrata. Não podemos produzir álcool misturado com sangue de trabalhadores rurais. E os lucros da venda do álcool não pode pertencer exclusivamente aos usineiros. Além disso, temos que impedir que os canaviais se expandam sobre as florestas, principalmente na região amazônica. Lembro que já existe uma Usina de Açúcar no Estado do Amazonas (clique aqui para ler sobre isso).

Hoje os trabalhadores das usinas canavieiras, principalmente do Estado de São Paulo, trabalham em rodízio com apenas uma folga por semana, ou seja, o indivíduo trabalha direto, inclusive sábado e domingo. Além disso, saem de casa por volta das cinco da manhã e somente retornam depois das dezenove horas, isso porque o tempo de viagem não é contado como horas trabalhadas e o percurso até o canaviais é longo. Sem contar as condições de trabalho que são as piores possíveis, inclusive para um melhor aproveitamento do terreno todas as árvores são arrancadas, logo não há sombra nessas áreas, ou seja, a pessoa trabalha o dia todo embaixo do sol quente, trabalha respirando fuligem e cinzas da cana queimada e a água para beber é quente.

Com isso a saúde do trabalhador é completamente destruída, ficando inválido antes dos cinqüenta anos e quem acaba pagando a conta é a previdência social: aposentadoria por invalidez, auxilio doença, pensão por morte, etc. Além disso, o cortador de cana é um profissional sem perspectiva de vida, pois trabalha muito, ganha pouco, não tem qualidade de vida e nem tempo para estudar e buscar uma vida melhor.

Também temos que impedir o avanço dos canaviais sobre as plantações de alimentos. Os produtores de feijão, arroz e milho não podem deixar de plantar alimentos para cultivar cana, pois se isso ocorrer haverá, certamente, um aumento no preço da comida. E por último não podemos permitir que os sub-produtos e as técnicas utilizadas na produção de biocombustíveis ocasionem desastres ambientais. Por exemplo, as queimadas devem ser proibidas, assim como a contaminação do solo e dos rios por produtos químicos utilizados nas plantações de cana, etc.

A primeira saída para quebrar a estrutura atual de trabalho utilizado nas lavouras de cana é acabar com o trabalho por produção ou tarefa. Hoje só há emprego nos canaviais para quem corta dez toneladas de cana por dia, ou seja, para os mais fortes. Além disso, o salário tem que ser fixo e mensal, assim como parte dos lucros das usinas devem ser dividido com os trabalhadores e produtores rurais que alugaram suas terras para os usineiros. E tudo isso tem que ser fiscalizado e acompanhado de perto pelo governo.

Os cortadores de cana também devem ser organizados em cooperativas, associações e sindicatos. Organizações que devem representar os interesses desses trabalhadores, logo não podem ser controladas, como ocorre hoje, pelos empregadores. Inclusive, eu penso até que o governo, ao invés de dar dinheiro para os usineiros ampliarem e montarem negócio particulares, deveria dar dinheiro para as cooperativas de trabalhadores e pequenos produtores construírem usinas comunitárias. Isso ocasionaria uma revolução nesse agronegócio, pois o meios de produção seria controlado diretamente pelos trabalhadores rurais. Assim, o lucro obtido seria dividido em partes iguais entre os trabalhadores. Isso sim, geraria renda e reduzirias as desigualdades. Dar dinheiro público, por meio de empréstimos a baixo custo, para usineiro é concentrar renda e aumentar as desigualdades, assim como incentivar a escravidão dos trabalhadores rurais.

Outra prática que deve ser incentivada são as cooperativas de pequenos produtores para plantação de cana-de-açúcar, ou seja, ao invés das usinas montarem e se apropriarem de latifúndios com milhares de alqueires de terra, os pequenos produtores plantam e vendem a cana para as usinas, de preferência para as usinas comunitárias; ou então, os pequenos produtores alugam suas terras para as usinas plantarem cana, etc. Essa prática, utilizada em alguns locais, incentiva o cooperativismo e divide os ganhos com a produção de biocombustíveis. Além disso, ela evita o ressurgimento das oligarquias da cana, assim como a concentração de poderes, econômico e político, nas mãos dos usineiros.

Outro elemento importante desse tema é a questão ambiental. Esse elemento se divide em dois itens: 1) os canaviais não podem avançar sobre a floresta ou ocupar espaço de outros agronegócios, empurrando-os para áreas florestais; 2) a produção da cana tem que abandonar as técnicas de queimadas; 3) Desertificação.

Como disse anteriormente, já tem usina de açúcar dentro da floresta amazônica. Portanto, já existem variedades de cana e tecnologia para desenvolver canaviais nessa região. Contudo, isso não pode ocorrer, pois a floresta com sua biodiversidade é mais lucrativa, para a coletividade, do que os biocombustíveis. Além disso, não é só o Brasil que precisa das riquezas da Amazônia, mas a vida no planeta depende da floresta.

Basta ver as derrubadas realizadas nas regiões canavieiras. Não há uma árvore sequer no meio dos canaviais. Derrubam tudo, até mesmo nas beiras de rio (matas ciliares), assoreando os leitos dos rios. Derrubam para ocupar melhor o terreno, pois as árvores atrapalham o plantio de cana e a movimentação de maquinários. Além disso, sem a mata e durante o plantio e crescimento da cana, o solo fica descoberto e desprotegido, logo o sol incide diretamente na terra, aumentando a temperatura do solo, matando os micro-organismos e ocasionando erosão.

Outro problema gravíssimo são as queimadas. Quem mora em cidades próximas dos canaviais conhece bem esse problema, principalmente quando a fumaça e as fuligem começam a tomar conta de tudo. Pior do que isso, as queimadas são feitas em círculos fechados nos talhões. Assim, os animais que se encontram dentro do círculo morrem queimados, pois não há como fugir. Morrem principalmente cachorro do mato, tamanduá, capivara, tatu, cobras, passarinhos (principalmente filhotes), etc.

Há ainda o problema da água utilizada para lavar a cana que chega na usina. Essa água é utilizada para irrigação das terras próximas, ou então, é jogada nos rios próximos. Como essa água é excessivamente ácida ela mata os microorganismos presentes na terra, causando desertificação. Por isso os usineiros arrendam as terras por apenas cinco anos, pois após esse período a terra não produzirá mais a quantidade esperada e o solo necessitará de correções químicas para voltar a produzir. Contudo, esse processo de recuperação pode levar mais de 5 anos e custará caro.

O Brasil é um país onde a concentração de riquezas chega a níveis insuportáveis. E a ampliação dessa concentração levará, certamente, a uma revolução social, pois a única forma de se quebrar os elos de dominação, opressão e exclusão será a violência e o extermínio das classes dominantes. Isso ocorreu na França onde a nobreza e o rei (grupos dominantes) foram exterminados. Isso ocorreu na Rússia, onde os Czares e seus aliados foram dizimados.

Também ocorreu na Alemanha, onde o partido nazista conseguiu canalizar o ódio social contra o povo judeu que eram os grupos dominantes do país. Basta lembrar que os Judeus controlavam o sistema financeiro e bancários, assim como as indústrias e o comércio na Alemanha.
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Sucesso do etanol do Brasil revela 'segredo sujo', diz 'LA Times'
A ascensão da economia brasileira, impulsionada pelo combustível obtido a partir da cana-de-açúcar, traz à tona "o segredo sujo do etanol": as condições primitivas de trabalho às quais são submetidos os cortadores da cana, afirma uma reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal americano Los Angeles Times.

O jornal afirma que o Brasil, "a Arábia Saudita dos biocombustíveis", tem mais de 300 mil trabalhadores temporários na indústria da cana vivendo sob condições que variam de "deploráveis à completa servidão".

Fontes do Ministério Público ouvidas pelo LA Times afirmam que "pelo menos 18 cortadores de cana morreram nos últimos anos, vítimas de desidratação, ataques cardíacos ou outros fatores ligados à exaustão em regiões onde a floresta passou a dar lugar à agricultura".

"Isto não inclui um número desconhecido de outros que morreram em acidentes, por excesso de trabalho. Até prisioneiros têm melhores condições de vida", disse o promotor Luis Henrique Rafael ao diário americano.

Cachaça

"A única forma de lazer deles é a cachaça", acrescentou ele.

O jornal cita o relatório divulgado no mês passado pela Anistia Internacional em que a organização denunciou que mais de mil cortadores de cana foram resgatados em junho de 2007 após serem submetidos a trabalho escravo por um grande produtor de etanol, Pagrisa, no Pará.

"Apesar de os casos de escravidão ganharem mais destaque, há casos de abusos diários, como baixos salários, longas horas de trabalho, baixos padrões de segurança, ausência de serviços sanitário e de saúde, além de exposição a pesticidas e outros produtos químicos".

O Los Angeles Times afirma que as crescentes críticas internacionais provocaram a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que o governo e produtores querem melhorar as condições de trabalho na indústria da cana.

O jornal destaca uma parte do discurso do presidente durante a conferência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO), em Roma, em que ele diz que "o trabalho nas lavouras de cana não é mais difícil do que nas minas, que foram a base para o desenvolvimento da Europa".

"Peguem uma faca para cortar cana e depois vão a uma mina a 90 metros de profundidade para explodir dinamite. Vocês verão o que é melhor", disse Lula na conferência.

Trabalhadores de cana entrevistados pela reportagem reclamaram do regime do trabalho, dizendo trabalhar 12 horas por dia, às vezes sete dias por semana sob um sol escaldante.

"Como migrantes de outros países, eles sucubem às suas reivindicações diante da falta de oportunidades de emprego", afirma o jornal.

11/06/2008

Testes do site da ABIN

Teste seu cérebro 1
Você é capaz de decifrar o texto abaixo?

*De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não
ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa
iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto
pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é
poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Teste seu cérebro 2

Sua mente é capaz de decodificar a mensagem?

M473M471C0 (53N54C1ON4L):

4S V3235 3U 4C0RD0

M310 M473M471C0.

D31X0 70D4 4 4857R4Ç40 N47UR4L D3 L4D0

3 M3 P0NH0 4 P3N54R 3M NUM3R05,

C0M0 53 F0553 UM4 P35504 R4C10N4L.

540 5373 D1550, N0V3 D4QU1L0...

QU1N23 PR45 0NZ3...

7R323N705 6R4M45 D3 PR35UNT0...

M45 L060 C410 N4 R34L

3 C0M3Ç0 4 F423R V3R505

H1NDU-4R481C05.

Outros testes: aqui

Comentários do Leonildo: A reestruturação da Abin é um passo interessante, porém eu continuo achando que falta inteligência no serviço de inteligência do Brasil e sobram sabotagens. Ao invés de infiltrarem arapongas nos movimentos sociais legítimos, deveriam infiltrar gente nas milícias do Rio, etc... Com o MST infiltrado não dá para diferenciar as ações dos trabalhadores rurais de ações de agentes do Estado infiltrados no movimento...

10/06/2008

Para internacionalizar a Amazônia
Nós sabemos que não há seriedade na política de proteção da Amazônia. Sabemos que naquela região os interesses econômicos falam mais alto do que a questão ambiental. (Vocês viram o madeireiro que foi preso pela Polícia Federal e saiu, duas horas depois, tomando cafezinho ?) Sabemos que a destruição da Amazônia não ocorre só de baixo para cima, do sul para o norte, mas também de dentro para fora (Rondônia, Acre, Amazonas, Pará).

Enfim, sabemos que caminhamos para a destruição completa da Amazônia. Tanto por incompetência e hipocrisia das autoridades públicas, que hesitam em fazer o que tem que ser feito, quanto por ação direta do poder econômico que age descaradamente contra os interesses públicos que exigem a preservação da biodiversidade ou a exploração sustentável da região.

Resumindo a ópera, não neste e talvez também não no próximo governo, mas depois de 2015 a pressão internacional para a internacionalização da Amazônia sairá do plano das palavras indiretas e entrará no plano da ação. Isto porque nesta época a destruição da Amazônia chegou no limite do suportável, ficando comprovado para o mundo que o Brasil, que os grupos dominantes brasileiros, destruirão completamente a Amazônia... Logo, a comunidade internacional decide intervir e abocanhar a região...

Alguns dirão que isto é uma ficção da minha cabeça. Mas não é... Este cenário de intervenção internacional não só é possível, como tem grande probabilidade de acontecer. E a intervenção não será feita arbitrária e nem ilícita, mas seguirá as normas internacionais estabelecidas pela ONU...

Primeiro, penso eu, será votada na ONU uma resolução que estabelece o tamanho mínimo que a floresta tropical pode chegar. Um tamanho que se for reduzido abalará o clima de todo o planeta, ocasionando uma série de catástrofes e destruição... Com esta resolução a destruição da Amazônia se torna um problema de segurança internacional, uma ameaça à paz mundial. Logo, o próximo passo é aplicar o capítulo VII da Carta das Nações Unidas...

Dessa forma a intervenção da ONU na região será legitimada perante a comunidade internacional. Certamente, haverá outros detalhes nesta história, mas a parte grossa da coisa é esta.

A Amazônia é patrimônio do Brasil e dos Brasileiros. Este patrimônio deve ser explorado racionalmente, com consciência. É um patrimônio que deve ser explorado, não destruído. É um patrimônio que se for destruído afetará o planeta inteiro. Não só isto, a Amazônia é um patrimônio que também pertence às gerações futuras. Logo, a turma do Maggi, que vê no lugar da floresta Amazônica lenha e madeira, assim como terras para soja, cana e gado, tem que ser inibida/afastada/ retirada, enquanto ainda temos tempo, daquela região.

Ou radicalizamos agora, ou vamos chorar o leite derramado depois. A questão é simples e direta: se não é sustentável, não tem espaço no mundo atual. E desmatamento não é sustentável... Logo, a única discussão possível sobre desmatamento é o que fazer com aquilo que foi desmatado.

Na minha opinião todas as terras oriundas de desmatamento devem ser distribuídas para pequenos agricultores. Quem desmatou tem que ser expulso da região. Caso contrário ele colherá os frutos do crime que cometeu. Inclusive, isto parece ter virado costume no Brasil, ou seja, o indivíduo pratica um crimão (crime bem grandão); esconde o produto do ilícito; vai na justiça; cumpre a pena; saí com a cara limpa e vai gastar o dinheiro que ganhou ilicitamente...

Se o indivíduo roubar cem milhões de reais, esconder o dinheiro bem escondido e for condenado a dez anos de prisão, ele cumprirá a pena alegremente, ou seja, ficará dez anos sem trabalhar, comendo nas costas do povo e esperando chegar a hora de gastar o dinheiro. Certamente, sairá da prisão, entrará no avião e irá desfrutar o resto da visa em alguma ilha grega.

Já o coitado que é honesto e trabalha por dez anos, certamente, não conseguiu ganhar nem um milhão. Além disso, passará dez anos de sua vida se matando para nada. Inegavelmente, o sistema econômico atual, fundado na exploração e opressão dos grupos dominantes (uma minoria) sobre a maioria, potencializa e premia a desonestidade e a criminalidade.

Enfim, a destruição da Amazônia está dentro desta lógica: o crime ambiental compensa e remunera muito bem. E esta lógica empurra para a internacionalização da região...

Mais uma coisa, é fundamental, na região amazônica, a limitação do tamanho das propriedades. Não podemos repetir o modelo de latifúndio que existe no sul. Não podemos deixar que promovam, como estão promovendo, uma concentração absurda de terras. Um exemplo dessa concentração é o empresário sueco que possui mais de cem mil hectares na região...

05/05/2008

A marcha da maconha
Eu não defendo a legalização da maconha, mas sim a descriminalização das drogas. São coisas diferentes. Mesmo assim considero a proibição da marcha, imposta pelo judiciário, uma limitação grave da liberdade de expressão.

Comparo a marcha da maconha com a marcha do aborto. O aborto é crime. E as manifestações públicas a favor da descriminalização do aborto são notórias. A questão que surge é: porque as manifestações a favor do aborto são permitidas, enquanto as manifestações a favor da legalização da maconha são proibidas ? O Judiciário está usando dois pesos e duas medidas ? Por que ? Quais interesses o judiciário está defendo quando impõe a proibição das drogas ?

Interesses da maioria da população não é, pois a maior parte dos mortos na guerra das drogas são membros da maioria (negros pobres). São pessoas marginalizadas e excluídas. Por isso, matam centenas dessas pessoas nas periferias e favelas e ninguém se preocupa. Há um genocídio silencioso sendo executado bem diante de nossos olhos. Um genocídio concretizado pelo Estado, pelas instituições e autoridades públicas.

Tem dia que matam mais de dez pessoas no Rio de Janeiro e ninguém faz nada para parar a matança. Inegavelmente, o problema das drogas só será resolvido quando a violência da proibição deixar de atingir, exclusivamente, as classes baixas e passar a acerta a classe dominante em cheio. No dia em que dez juízes forem mortos em um único dia, por causa das drogas, aí sim, irão ver os mortos e discutir soluções efetivas para o problema... Enquanto negros pobres estiverem sendo mortos, a questão será ignorada e considerada eficiente como controle de natalidade nas periferias e favelas...

Vou escrever mais sobre isto...

Extrema direita no Brasil - À espera do pior
Antônio Carlos Fon - Retratos do Brasil, Ed. Política, 1984, Vol. II, p. 453-454

Nos anos 80, a extrema direita, sem apoio oficial, debatia-se em busca de fórmulas para voltar ao poder, do qual fora afastada, segundo seus militantes, em 1974.

"Em 1964, a direita ganhou, mas não levou, chegou ao poder em 1968 e foi afastada em 1974", garantia, em 1984, o "Panzer", nome de guerra dado por seus companheiros devido a sua profissão de fé nazista. Fundador e principal dirigente nacional do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), o "Panzer"- um advogado de 44 anos, 1,90 m de altura, ex-campeão paulista de judô, ex-assessor da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, ex-chefe de Gabinete do então ministro da Justiça, Luís Antônio Gama e Silva -, nos anos 80 um modesto microempresário, confessava-se decepcionado com a extrema direita, que ele preferia chamar de "direita ideológica", para diferenciar do que considerava "direita de traseiro lustroso: o empresário que fica lustrando o fundo das calças numa poltrona e se diz de direita para se beneficiar do dinheiro do governo".

"Panzer" tinha, certamente, motivos para estar decepcionado. Afinal, em 20 anos de poder, a ultradireita não teve competência política para transformar-se na força hegemônica no País, mesmo num período de mínima abertura. Ao contrário, chegava ao final de 1984 ainda mais fracionada e enfraquecida por suas divergências que seus arquiinimigos da esquerda. Eram cerca de 50 grupos, a maioria com apenas quatro ou cinco militantes, que tentavam, desde 1982, acertar uma estratégia comum de atuação, que ficou conhecida nos círculos direitistas como "Pacto Nacional".

Superada a luta interna entre "bombistas" - os terroristas da Falange Pátria Nova, a maioria encastelada nos órgãos de segurança - e "moderados", a direita procurava estabelecer um plano de trabalho para os próximos anos. No campo interno, as prioridades eram a formação de novos quadros e a construção de uma infra-estrutura logística; no externo, a constituição de um parido e a "ação política de massas".

Para a formação de quadros, a extrema direita investia, nos anos 80, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, cujo controle assumira no início da década, através de uma manobra conduzida pelo advogado Carlo Barbieri, exepresidente da WACL (World Anti Communista League), movimento anticomunista internacional financiado pelo governo de Formosa, a China Nacionalista. A questão da formação ideológica dos militantes era considerada pelos dirigentes da ultradireita como um de seus principais problemas. A verdade, no entanto, é que os ultradireitistas haviam envelhecido quase tanto quanto suas idéias.

Apesar de ter nas Forças Armadas uma de suas três fontes básicas de recrutamento, do ponto de vista ideológico seus líderes não confiavam então nos militares brasileiros, por considerá-los excessivamente simpáticos aos Estados Unidos. E o movimento estudantil e a Igreja já não produziam quadros em quantidades e da mesma qualidade de antes. Assim, segundo estimativa de um líder ultradireitista, restariam no Brasil menos de cinco mil militantes com suficiente "consistência ideológica": 1800 sexagenários cadastrados pela antiga Ação Integralista Brasileira, dois mil militantes da Sociedade de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) - desprezados pelos outros ativistas por seu fanatismo religioso - e cerca de 500 militantes dos grupos paramilitares.

Se esse pequeno contingente facilitava a tarefa de construção da infraestrutura logística - uma rede de microempresas capaz de garantir-lhes a auto-suficiência econômica -, ele era, também, o principal empecilho para o cumprimento das duas metas do campo externo: a formação de um partido e o trabalho de massas. Sem condições de constituir sua própria legenda, os ultradireitistas participaram das eleições de 1982 infiltrando-se no Partido Trabalhista Brasileiro, que atraiu suas simpatias devido à presença do ex-presidente Jânio Quadros. Em 1984, as preferências eram dirigidas à Frente Liberal, que se movimentava para formar um partido.

A falta de quadros havia adiado, também, o principal objetivo da extrema direita em seu "trabalho de massas": a criação de uma "CNBB de direita" que, segundo o administrador de empresas Ney Mohn, ex-agente do CENIMAR (Centro de Informações da Marinha) e do SNI (Serviço Nacional de Informações), deveria chamar-se Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros, para impedir a entrada dos Bispos não nascidos no Brasil, que eram, em sua opinião, os principais divulgadores no País da chamada Teologia da Libertação.

Sem forças suficientes para sair às ruas de mãos desarmadas, a ultradireita apostava na tese do "quanto pior, melhor", desenvolvida pelo estudante profissional Alexandre Inojosa, um dos principais articuladores políticos da extrema direita brasileira na década de 80. Somente essa tese poderia dar sentido a certos fatos relatados pelos direitistas e que de outra forma seriam inexplicáveis. Eles diziam, por exemplo, que mobilizaram agentes do SNI, entre eles Ney Mohn - líder, também, do grupo Vanguarda Nacionalista Popular -, para ajudar a direção do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), organização de esquerda, na divulgação de uma nota oficial em Brasília; e dar proteção a grupos de pichadores do Partido Comunista do Brasil. A tese explicaria, ainda, a colagem de cartazes falsos do Partido Comunista Brasileiro por agentes do SNI, dando apoio a Tancredo Neves.

O argumento de Inojosa era de que a extrema direita só cresce e se organiza diante do aumento da ameaça esquerdista, tese de certa forma confirmada pelo Coronel Antônio Erasmo Dias, ex-secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo. "A direita é basicamente conservadora", explicava o coronel, "ela não age, só reage". E, com uma ameaça esquerdista nas mãos, os militantes da extrema direita poderiam, então, voltar a bater aos portões dos quartéis. Afinal, como os "direitistas de traseiro lustroso" - que odeiam -, eles também só conseguem sobreviver apenas com o apoio oficial.

02/05/2008

A discussão do terceiro mandato
A discussão do terceiro mandato deve ser feita pelos movimentos populares, organizações da sociedade civil e pela parcela da população que progrediu, mudou de vida, com o Governo Lula. O Executivo Federal, comandado por Lula, não pode entrar na discussão.

O terceiro mandato deve ser um presente, um voto de confiança, dado pela maioria dos brasileiros, ao Presidente Lula, autorizando-o a concorrer a mais um mandato.

Inclusive eu penso que a Constituição não deveria estabelecer um número fixo de mandatos, mas sim estabelecer expressamente a possibilidade do presidente em exercício requerer, quando tiver popularidade suficiente, autorização do Povo para concorrer a mais um mandato.

Assim, os melhores presidentes irão governar pelo tempo que o Povo achar necessário e aprovar, ou então, enquanto forem os melhores (terceiro/quarto/quinto/sexto/.../ n mandatos). Já os incompetentes ficam 1/2 mandato, 1/4 de mandato, 1/8..., 1/n mandatos. Os incompetentes são barrados no plebiscito que verifica a vontade popular e a aprovação popular aos projetos implantados e realizados pelo governante.

E o que o Planalto faz enquanto se discute o terceiro mandato ? bem, o Presidente Lula deve continuar fazendo projetos sociais e fortalecendo a candidatura de sua sucessora (Dilma), pois, mais cedo ou mais tarde, ela será chamada a sucedê-lo e deve estar fortalecida para isto.

A idéia é chegar em 2010 com duas cartas fortíssimas na manga: autorização popular para que o Presidente Lula possa concorrer novamente e também uma sucessora fortíssima. É melhor ter duas cartas fortíssimas do que não possuir nenhuma.

Portanto, as duas frentes devem ser fortalecidas: um eventual terceiro mandado e a candidatura da Dilma.

Plebiscito para o terceiro mandato de Lula
A maior parte do fracasso do Brasil nas políticas públicas e sociais está relacionada com o excesso de mudança de governantes e tempo curtíssimo de mandato. Certamente, isto também se liga ao fato da política no Brasil ser feita com o fígado e ser tratada como oposição pessoal. A conseqÜência disso é que de quatro em quatro anos temos uma quebra da estabilidade e das políticas públicas. Ninguém sabia o que viria no próximo governo... Programas sociais são cortados, o modelo econômico é modificado, obras públicas são congeladas, etc, ou seja, a cada quatro anos ocorria um forte baque social.

Este problrema foi reduzido/relativizado com a inserção de um segundo mandato, que deu ao governante um tempo maior para a concretização dos projetos sociais. O resultado lógico disso foi a estabilidade/continuidade das políticas públicas (sociais e econômicas). Logo, estabilidade e crescimento do país. Avanço social e econômico sem traumas, rupturas ou mudanças drásticas.

Por isso, o advento de um terceiro mandato, nesta ótica, não é um problema ou quebra institucional. Mas, pelo contrário, significa a estabilização das instituições e de políticas públicas que estão dando certo e resolvendo os graves problemas sociais que sempre castigaram o país. Problemas sociais que contavam com um grande aliado: a efemeridade dos mandatos dos Governos, a oposição política confundida com oposição pessoal, incompetência administrativa de governantes, assim como governos que trabalharam/governaram para uma minoria ao invés de atuar em benefício da maioria.

Portanto, o terceiro mandato significa estabilização do País, continuidade de políticas públicas (sociais e econômicas) que estão resolvendo graves problemas sociais e promovendo o crescimento do Brasil, ou seja, estamos às portas do primeiro mundo. Porém, só vamos atravessá-la definitivamente quando houver a ampliação efetiva da participação popular nas decisões que afetam a maioria. Enquanto as decisões e os Governos continuaram pertencendo a um seleto grupo de escolhidos, corremos o risco de recuar. Basta que um incompetente da oposição assuma o Governo para fazer o País voltar no tempo...

Por isso, a participação popular no Governo e nas decisões do Governo é um fato essencial. O Povo pode dar poderes e pode retirar poderes. Pode dar um terceiro/quarto/quinto/sexto/etc mandato ou pode cortar a cabeça do governantes que em poucos meses de governo fez besteira e traiu os interesses e a vontade popular. Precisamos ter mecanismos que operacionalize a participação popular nas decisões do Governo e permite a Democracia Direta. Democracia Direta é a verdadeira Democracia. Democracia Representativa é um engodo, um golpe, uma tramóia contra os interesses e a vontade da maioria. Um mecanismo que tira o poder da maioria e dá a uma minoria que usa este poder para governar em causa própria.

Outro ponto que deve ser vislumbrado é: o que há contra o terceiro mandato ? A primeira resposta será: a Constituição de 88. Porém, a Constituição não é um entrave aos interesses e à vontade da maioria da população. Isto porque a Constituição expressa os interesses e a vontade da maioria. Ela está embaixo desses interesses e dessa vontade. Logo, a Constituição tem que responder e corresponder à vontade e aos interesses da maioria da população. O contrário disso ocorre em uma Constiuição autoritária que visa adequar os interesses e a vontade popular aos seus ditames.

Outro elemento contra o terceiro mandato é a sede de poder da oposição que quer recuperar o Governo Federal, o Governo do Brasil, para seus interesses e sua vontade. É uma minoria branca, rica e conservadora que vive incrustada, colada, na política brasileira. Esta minoria, quando governa, orienta o Estado para seus interesses e sua vontade. É uma minoria que governa em causa própria e esquece a maioria da população, os interesses coletivos. O exemplo mais evidente disso, atualmente, está na epidemia de dengue no Rio de Janeiro.

Inegavelmente, a sede de poder da oposição (tucanos + PFL), ou sua vontade patológica de recuperar o governo central, não é legítimo e nem tem força suficiente para obstar o advento de um terceiro mandato. Não há legitimidade na pretensão da oposição, ou seja, a única coisa que ele podem alegar ou opôr à idéia de terceiro mandato é o formalismo frio da Constituição Federal ou seus interesses pessoais, interesse em serem eles os governantes, interesse em fazer o Estado trabalhar/beneficiar a minoria que são e representam.

O que é bom para o Povo brasileiro e para o Brasil não é bom para a oposição (tucanos + PFL). Isto porque os interesses dos tucanos e do PFL é contrário ao interesse do Povo Brasileiro, é contrário ao interesse e à vontade da maioria da população. Além disso, tucanos e PFL representam um minoria, representam e são a elite branca e rica que vem explorando, excluindo e oprimindo a maioria dos brasileiros desde o descobrimento.

Isto aparece cristalinamente na questão do terceiro mandato de Lula. O interesse e a vontade do Povo Brasileiro é ter um governante que faça diferença, que faça as coisas acontecerem, que modifique a realidade social e leve o Brasil para a categoria de país do primeiro mundo. E o Povo Brasileiro descobriu que Lula é esta pessoa. Um governante que faz as coisas avançarem no rumo certo e de maneira correta.

O mal social, no Governo Lula, perde terreno, a miséria é reduzida, a pobreza cai e a população melhora de vida. Os indicadores sociais mostram que o Governo Lula faz diferença. Enquanto a oposição (tucanos e PFL) foram governantes, pouca coisa mudou. Isto porque eles sempre governam para uma minoria, para os ricos. Lula governa para a maioria da população, beneficiando a todos, inclusive os ricos. Em outras palavras, a oposição não possui a competência e a capacidade que tem o Governo Lula. É um Governo abençoado. Quem está perdendo com o Governo Lula ? Quem não quer que Lula continue governando ?

Portanto, Lula é um governante que faz diferença, que faz as coisas acontecerem, que modifica a realidade social e põe o Brasil nos eixos, rumo ao primeiro mundo. Basta olhar para os indicadores sociais e econômicos para ver isto acontecendo neste exato momento. Logo, o interesse e a vontade da maioria da população é que este governante continue dirigindo o país. Por que mudar aquilo que funciona perfeitamente, que está dando certo ? Por que mudar um time vencedor ?

Porém, alguém dirá, mas estas são as regras do jogo... E a minha resposta será: exatamente por tratar a coisa pública, o Estado e o Governo da sociedade, a gestão dos interesses públicos, como um jogo que o Brasil, por muito tempo, não conseguiu resolver os problemas sociais e as políticas econômicas eram baseadas em tentativa e erro. E, por tratarem a coisa pública como um jogo é que, apesar de sermos um país riquíssimo, vivíamos numa situação de terceiro mundo. A política não é jogo e os interesses sociais/públicos não são peças de uma mesa de cassino.

A concretização de um terceiro mandato de Lula não ocasiona nenhum trauma social ou institucional. Isto porque este terceiro mandato expressa a vontade social, a vontade da maioria dos brasileiros. Além disso, o terceiro mandato não será dado de mão beijada. Primeiro vem um plebiscito, uma consulta popular, que autorizará a terceira candidatura. Depois disso vem a eleição propriamente dita, na qual Lula figurará como candidato. Logo, o pleito eleitoral ocorrerá normalmente, dando, inclusive, à oposição, a oportunidade de buscarem o apoio popular para seus candidatos.

Portanto, o terceiro mandato não viola a Democracia, não ocasiona nenhuma quebra institucional e não é uma imposição autoritária, mas sim a expressão da vontade popular, a expressão da vontade da maioria. O Povo reconhecendo a competência do governante autorizou-o a continuar participando das eleições e, elegendo-o, significa que quer vê-lo governando o país or mais tempo.

Trauma social e quebra institucional será ocasionada se o país sair das mãos de um bom e competente governante e cair nas mãos autoritárias da oposição (tucanos e PFL). O retorno do país para estes elementos significará que o governo deixou de ser um governo da maioria e voltou a ser o governo de uma minoria exploradora, opressora e incompetente no trato das questões sociais. A máquina administrativa retornou aos parasitas que a utilizam para satisfazer vontade própria. Tucanos e PFL não governam para o Povo ou para a maioria, não respondem e nem correspondem à vontade da coletividade. Mas agem em vontade própria ou vontade de uma minoria rica, branca e exploradora.

Lembram do caso da CPMF ? A CPMF foi um exemplo cristalino das ações da oposição (tucanos e PFL) contra a maioria e a favor de uma minoria rica e branca. Outro exemplo é a dengue no Rio de Janeiro, as privatizações do Governo FHC, etc.

Inclusive, os tucanos governam São Paulo a décadas e as coisas não mudam e nem avançam. Não conseguem terminar o metrô. As favelas e a periferia, assim como os excluídos, crescem exponencialmente. É válido lembrar ainda a tentativa do Serra (Governo de São Paulo) de quebrar a autonomia das universidades públicas estaduais. Como a cúpula destas universidades (Reitora, Pró-reitores e Diretores) é gente de confiança ou ligada aos Tucanos e ao PFL, quase conseguiram concretizar o golpe. Só não concretizaram porque houve um levante dos estudantes e funcionários que ocuparam a Reitoria da USP.

As mudanças sociais existentes em São Paulo se devem mais às ações do Governo Federal e pouco, pouquíssimo às ações do Governo tucano. Certamente, os interesses e a vontade dos ricos são sempre satisfeitos e atendidos quando tucanos e PFL governam.

Enfim, o terceiro mandato, dado pela coletividade, ao Presidente, através de um plebiscito, uma consulta popular, é legítimo e significa a continuidade de políticas públicas, sociais e econômicas, de relevante interesse público. Significa também a estabilização do País e a certeza de que as coisas continuam seguindo o rumo atual.