Democratizar o conhecimento e socializar os saberes como ferramenta para transformação social e econômica. Democratizar e socializar para reduzir as desigualdades regionais. Democratizar e socializar para dar oportunidades. Democratizar e socializar para dar esperanças e certezas de um futuro melhor. O poder transformador do conhecimento, monopolizado e retido nas melhores Universidades Públicas, tem que ser disseminado, gratuitamente, para toda a sociedade.

13/05/2009

QI

Tenho observado que andam disseminando, na web, testes de QI... Pelo visto estão interessados em descobrir pessoas com QI alto... Por que será ???

De uma forma ou de outra considero os testes de QI uma estupidez... Acertar esses testes é uma questão de técnica e de fazê-los antecipadamente... Basta obter os modelos dos testes para acertar todas as questões... O que mostra que tais testes não medem inteligência.

Além disso, é válido considerar que grandes cientistas tem, supostamente, QI alto. Porém, a maioria daqueles que tem QI alto não são grandes cientistas ou coisa parecida...

E eu iria além...faria a intersecção de dois grupos: de um lado aqueles que tem QI alto, do outro lado aqueles que fizeram coisas relevantes para a humanidade... Bem, se há relação entre ambos, os números devem ser próximos... Contudo, certamente, se observará que o número daqueles que fizeram coisas relevantes para a humanidade é infinitamente menor do que o número daqueles que tem QI alto...

Portanto, tem muita gente que tem QI alto que não faz nada relevante para a humanidade e nem são melhores do que as demais pessoas...

Isso mostra que ter QI alto não significa nada... Não significa que o indivíduo é mais inteligente e nem que fará alguma coisa relevante para a humanidade... As motivações são outras !!!

Inclusive, acho que é uma estupidez relacionar testes de QI com inteligência... Na minha perspectiva inteligência é capacidade de estabelecer conexões, de estabelecer novas conectividades, de conectar coisas não conectadas... Inteligência é ver as coisas de uma forma diferente e resolver problemas de forma otimizada, com perdas e danos mínimos...

Por um fio
Alexandre Calandra

Há algum tempo, fui procurado por um colega que me perguntou se eu estaria disposto a ser árbitro numa disputa com um aluno de física num exame final. Ele queria dar nota zero na prova, enquanto o aluno insistia que deveria receber nota dez se o sistema fosse justo. O professor e o aluno concordaram em submeter a questão a um árbitro isento, e eu fui escolhido.

Fui à sala do meu colega e li a questão: "mostre como é possível determinar a altura de um prédio de vários andares com o auxílio de um barômetro."

O estudante havia respondido: "leve o barômetro ao topo do edifício, amarre um fio e deixe o barômetro descer até o chão. Traga-o para cima medindo o comprimento do fio. O comprimento do fio será igual à altura do edifício".

Eu disse ao meu colega que o aluno tinha razão de exigir a nota máxima, pois tinha respondido a questão correta e completamente. Por outro lado, a nota dez indicaria uma alta competência em física, o que não parecia ser o caso. Sugeri então que fosse dada uma nova oportunidade ao aluno. Meu colega concordou mas, surpreendentemente, o aluno reagiu. Afinal, aceitou, e dei a ele seis minutos para uma nova tentativa, não sem antes alertá-lo de que a resposta deveria demonstrar algum conhecimento de física.

Ao final de cinco minutos o aluno não havia escrito nada. Perguntei-lhe se queria desistir e ele respondeu que não. Disse que tinha várias respostas ao problema e estava pensando qual delas seria a mais adequada. No minuto seguinte, escreveu a resposta: "leve o barômetro ao topo do edifício. Deixe o barômetro cair, cronometrando o tempo que leva para atingir o solo. A altura do edifício é a aceleração da gravidade vezes o quadrado do tempo que o barômetro levou na queda livre."

Perguntei então ao meu colega se ele queria desistir. Concordou e dei ao aluno nota oito.

Saindo da sala, lembrei-me que o aluno havia dito que tinha outras soluções para o problema e quis saber quais eram.

"Bem”, disse ele, “há muitas formas de se conseguir medir a altura de um edifício alto com ajuda de um barômetro. Por exemplo, você poderia pegar o barômetro em um dia ensolarado, colocá-lo de pé, e medir a sua sombra. Depois medir a sombra do edifício e, através de uma simples regra de três, concluir a altura do edifício."

"Muito bem", disse-lhe," e as outras?"

"Sim, tenho uma solução que vai agradá-lo. Comece a subir as escadas marcando na parede o tamanho do barômetro. Quando chegar ao topo conte quantas marcas fez na parede e terá a altura do edifício em unidades de barômetro. Depois é só multiplicar pela altura do barômetro. Um método bastante direto. E se você quiser um método mais sofisticado, é só amarrar o barômetro com um fio, balançando-o como um pêndulo e determinar a aceleração da gravidade ao nível do solo, depois repetir a operação no topo do edifício. Pela diferença de g você pode, em princípio, determinar a altura do edifício. Há muitas maneiras de medir a altura do edifício, talvez a melhor seja ir ao subsolo e procurar a sala do síndico. Bata na porta, e quando o sindíco atender, diga-lhe: Senhor síndico, eu tenho aqui um excelente barômetro. Se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro."

A estas alturas, perguntei ao aluno se ele realmente não conhecia a resposta convencional a este problema. Ele confessou que sabia, mas estava cansado de professores que queriam ensiná-lo a pensar usando o enfoque científico de uma forma padronizada, explorando as soluções de forma previsível, ao invés de ensinar a estrutura dos assuntos abordados.

Alexandre Calandra é membro do Departamento de Física da Universidade Washington, St. Louis, Missouri. Este artigo foi extraído do seu livro "The Teaching of Elementary Science".

Significado
Isaías 65-25: "'O lobo e o cordeirinho é que pastarão como se fossem um, e o leão comerá palha como o touro; e quanto à serpente, seu alimento será o pó. Não farão dano nem causarão ruína em todo o meu santo monte', disse Jeová".

É interessante observar que o lobo continuará existindo, assim como o leão e a serpente. Contudo, a natureza de opressão que possuíam foi eliminada. O lobo não come o cordeiro, mas pastam juntos. O leão não come o touro, mas sim palha. A serpente não come outro ser vivo, mas sim pó.

Inegavelmente, esse versículo mostra o fim da opressão, fim de toda dominação e tirania. O forte e o fraco vivem juntos e comem da mesma comida. São irmãos e não predador e presa...

Mais do que isso, a mudança de natureza não aconteceu no fraco, mas sim no forte... Não foi o cordeiro que aprendeu a comer carne, mas sim o lobo que aprendeu a pastar. Não foi o touro que se tornou carnívoro, mas sim o leão que aprendeu a comer palha e a serpente a comer pó...

Essa mudança de natureza resulta de uma profunda mudança na consciência... O corpo material é o mesmo. O lobo é lobo. O leão é leão. A serpente é serpente. Contudo, no plano espiritual, na consciência, modificaram sua natureza de opressores, dominadores, corruptos e mentirosos. Tornaram-se seres iluminados, tolerantes e justos...

Nossa !!! Poderia escrever um tese de doutorado sobre esse versículo !!!

Repetindo 3 posts
Estou repetindo, propositalmente, três posts publicados recentemente... Se estou repetindo, é porque são essenciais... Quero que estejam no topo por mais algum tempo. 
Evolução
O homem escapou da evolução biológica. Agora ele é regido pela evolução cultural, evolução da consciência... Isso dá ao homem a possibilidade de ditar o ritmo de sua própria evolução, o controle quase completo sobre seu corpo material.

Já os macacos, por exemplo, continuarão sujeitos à evolução biológica, à ação da natureza sobre eles. Isso significa que quaisquer mudanças genéticas entre eles poderá levar milhões de anos ou nunca acontecer... Já o homem, em pouco tempo, pode promover várias evoluções na espécie, atuando geneticamente, atuando culturamente, etc...

Certamente, esse poder pode ser utilizado tanto para o bem quanto para o mal... É um poder controlado, diretamente, pela consciência. Uma consciência iluminada vai direcionar esse poder para o bem... Uma consciência contaminada pelo mal, pela mentira, pela corrupção, pelo egoísmo vai usar esse poder para o mal, para dominar, para excluir e oprimir...
O trabalho de Noé
Às vezes fico pensando sobre Noé... Noé era um homem justo. Sua família era composta de pessoas justas. Por isso, recebeu a visita de Deus e foi protegido por Ele. Lembre-se que Deus habita na linhagem dos justos...

Contudo, Noé não ficou de braço cruzado. Não era um justo preguiçoso que esperava as coisas cairem do céu para ele. Em outras palavras, além de justo teve que trabalhar, e muito, para salvar a si e aos seus.

Primeiro, teve que pregar/disseminar a Palavra de Deus, avisando os ímpios sobre a destruição que viria, caso não retrocedessem de suas ações iníquas... Não obteve sucesso em sua pregação. Pior, foi ridicularizado.

Segundo, teve que pôr a mão na obra, ou seja, teve que construir a Arca, madeira por madeira, peça por peça...

Isso mostra, claramente, que o justo tem que trabalhar, e muito, não só para merecer a salvação, mas também para construí-la, segundo a Palavra de Deus, de acordo com as orientações de Deus. Esperamos uma Nova Era, um Novo Céu e uma Nova Terra... Logo, temos que trabalhar para que essa Nova Arca seja construída...

Eu estou fazendo o meu trabalho... E você, está fazendo o seu ???
São os homens que determinam a realidade
Parafraseando Henry Thoreau, pode-se dizer que: um mundo de homens conscientes é um mundo que tem consciência... Um mundo de pessoas iluminadas, é um mundo iluminado... Um mundo de pessoas abençoadas, é um mundo abençoado...

Hoje vivemos em um mundo de injustiças, corrupção, mentiras... Um mundo caótico, violento, individualista, egoísta. Logo, podemos determinar, com boa aproximação, as características que marcam a maioria das pessoas desse planeta.

Para mudar o mundo é preciso mudar as características principais da maioria dos homens que habitam este mundo. Torná-los conscientes, iluminados, abençoados...

10/05/2009

Além da imaginação
A gripe do pato, também chamada de gripe da anta... Só dá em quem acredita na gripe do porco !!!

Alternativas:
(Vale 3.0) A gripe suína :

(a) serve para tirar de foco a crise econômica;
(b) é uma conspiração contra a carne de porco;
(c) serve para encobrir o filme "Anjos e Demônios";
(d) é um teste para substituir o terrorismo do Bin Laden pelo terrorismo das doenças;
(e) é uma simulação para testar os sistemas de controle no caso de uso de armas biológicas por grupos radicais.
(f) foi construída e disseminada pelos laboratórios farmacêuticos (vendedores de doenças).

Só para completar:
Se eu fosse um terrorista biológico radical, ficaria muitíssimo interessado nesse tipo de vírus, assim como na sua forma de disseminação... Inclusive, usaria os abundantes dados da mídia para planejar ataques...

E a inofensiva gripe suína se transforma em um laboratório para planejamento de ataques biológicos... Ainda bem que o "suposto" terrorismo está em extinção e o diálogo está assumindo o controle...

Mesmo assim, esse caso evidencia, claramente, que nenhum Estado tem força suficiente para impedir a disseminação de uma doença... Se não consegue conter uma simples gripe, o que dirá a disseminação de uma arma biológica construída em laboratório e com alto poder de destruição...

Uma porta para o Apocalipse !!!

Observação
Eu não concordo com algumas coisas que estão escritas no post abaixo... Porém, estou alinhado com a maioria delas... Falaram besteira quando citaram a Bíblia !!!

Inclusive, alguns pontos do texto explicam, brilhantemente, algumas notícias inventadas pela mídia para amedrontar a população e desviar as atenções...

Consenso Fabricado - Noam Chomsky e a Mídia
Data : 16/07/2007
Versão: 17/07/2007
Autor : Leandro Salvador (leandrosalvador.com.br)

* Produtores
- Necessary Illusions
- http://www.necessaryillusions.ca/
- The National Film Board of Canada

* Comentários
- controle do pensamento
- repressão x mentira
- relacionamento
- propaganda --> democracia
- violência --> ditadura
- sociedade doutrinadora
- verdades elementares são escondidas
- formas de autoridade/coerção
- devem ser justificadas
- tão sedimentadas que não são percebidas
- devem ser discutidas
- democracia
- entreter
- controlar
- Reinhold Niebuhr
- livro --> Moral Man and Immoral Society: A Study of Ethics and Politics, Charles Scribner's Sons (1932), Westminster John Knox Press 2002: ISBN 0-664-22474-1
- Wikipedia --> http://en.wikipedia.org/wiki/Reinhold_Niebuhr
- manter homem comum sob
- ilusão
- controle
- "marginalizar as pessoas e reduzi-las à apatia"
- democracia = doutrinação
- personalidades públicas --> promovidas como estrelas
- meios de comunicação
- mobilizar apoio popular para os interesses
- governo
- setor privado
- 2 grupos de pessoas
- 20% --> consenso fabricado
- 80% --> entretido
- embotar cérebro
- esportes
- distrair das coisas importantes
- reduzir a capacidade deles de pensar
- "debates com limites determinados"
- esporte
- oferece às pessoas alguma coisa em que prestar atenção
- algo que não é importante
- evita que se preocupem com as coisas que são importantes para suas vidas
- e reflitam sobre o que fazer
- esportes competitivos
- forma de construir
- submissão à autoridade
- sentimento de grupo camuflando elementos de liderança
- treinamento de xenofobia irracional
- Rosa de Luxemburgo
- Wikipedia --> http://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_Luxemburgo
- Wikipedia --> http://en.wikipedia.org/wiki/Rosa_Luxemburg
- democracia x liberdade
- aqueles que acreditam na democracia e na liberdade
- têm uma tarefa muito séria a cumprir
- ajudar as pessoas enganadas a lutar pelos seus direitos
- entender os objetivos democráticos
- ajudar não o poder e os privilégios
- mas as vítimas deles
- liberdade e democracia
- não significam apenas valores que devem ser mantidos
- mas sim pré-requisitos de sobrevivência
- análise institucional (da mídia) x teoria da conspiração
- sistema para controlar uma determinada percepção de mundo
- marginalização do público para que ele não interfira no caminho das elites
- a mídia não estaria cumprindo seu papel se permitisse que as verdades fossem questionadas
- mídia tende a eliminar qualquer discussão mais crítica
- mídia exige concisão das pessoas ==> só permite pensamentos convencionais
- afirmações controvertidas
- as maiores operações terroristas conhecidas são dirigidas de Washington
- os melhores líderes políticos são os corruptos e os preguiçosos
- se as leis de Nuremberg fossem colocadas em prática todos os presidentes dos EUA no pós-guerra deveriam ser enforcados
- a Bíblia é o livro mais genocida que conhecemos
- a educação é um sistema que impõe a ignorância
- não existe relação entre
- liberdade interna de uma sociedade
- seu comportamento externo
- não é possível afetar a estrutura do poder
- sem provocar uma revolução social
- entender o sistema
- não há como se defender das difamações
- quem acusa sempre ganha
- estaremos prestando um desserviço à memória das vítimas do holocausto se adotarmos a doutrina principal dos seus assassinos
- livros de história
- sempre falam de líderes
- mas líderes não são o movimento
- cursos de autodefesa intelectual
- pessoas deveriam ter uma mente independente
- é difícil de ser feito individualmente
- nosso sistema deixa todo mundo isolado
- cada um fica sozinho na frente da TV
- e nessas circunstâncias é muito difícil ter idéias ou pensamentos
- não podemos lutar sozinhos contra o mundo
- a forma de se fazer isso é através da organização
- por isso os cursos de autodefesa intelectual devem estar no contexto de qualquer organização
- pessoas com preocupações paralelas
- talvez com enfoques diferentes
- mas com valores semelhantes
- interesses similares ensinam as pessoas a se defender contra o poder externo e controlar suas vidas
- podemos aprender a partir dos nossos valores
- e descobrir meios de defesa em conjunto
- acho que tenho um bom entendimento de como funcionam as coisas
- o sistema político funciona cada vez mais sem a participação do público
- as pessoas não se dão ao trabalho de ratificar as decisões que lhes são apresentadas
- assumiram que essas decisões serão tomadas independentemente do que resolvam na cabine eleitoral
- as pessoas não devem ser forçadas a se vender para sobreviver
- as instituições econômicas devem ser regidas de forma democrática
- pelos seus membros
- pelas comunidades
- e assim por diante
- poucas pessoas têm tempo ou energia
- para levar adiante a luta permanente e necessária
- para cair fora do mesmismo
- a coisa mais fácil de fazer quando voltamos cansados do trabalho para casa
- não é trabalhar em qualquer tipo de pesquisa
- é muito mais fácil sentar na frente da TV e pensar
- "bem, devem ter razão"
- ou olhar para as manchetes dos jornais e depois assistir os esportes
- é assim que funciona o sistema de doutrinação
- a verdade está ali
- mas a pessoa terá que trabalhar bastante para encontrá-la
- civilização industrial
- a moderna civilização industrial desenvolveu-se dentro de um sistema de mitos convenientes
- a força motriz da civilização industrial tem sido o ganho material individual
- que é aceito como legítimo e até valorizado com base na formação clássica de que as empresas privadas proporcionam benefícios públicos
- há muito tempo sabemos que uma sociedade com base nesses princípios irá se auto-destruir em um determinado tempo
- sua única chance de continuar com todo o sofrimento e injustiça que causa
- é fingir que as forças destrutirvas criadas pelos seres humanos são limitadas
- que o mundo tem recursos infinitos
- e que a Terra é uma lata de lixo de capacidade ilimitada
- 2 destinos
- 1. população controlará seu próprio destino
- e se preocupará com os interesses da comunidade
- guiada por valores de
- solidariedade
- compreensão
- preocupação pelos outros
- 2. não haverá destino nenhum a ser controlado
- futuro da humanidade
- enquanto uma determinada classe estiver em uma posição de autoridade
- determinará políticas que vão de encontro aos seus próprios interesses
- mas as condições para a sobrevivência
- sem falar na justiça
- necessitam de um planejamento social racional da comunidade como um todo
- e isso hoje em dia significa a comunidade global
- a pergunta é se as elites privilegiadas poderão dominar os meios de comunicação de massa
- e se usarão esse poder da forma como dizem que devem fazê-lo
- para infringir as necessárias ilusões para
- manipular e enganar à maioria
- e mantê-la afastada do terreno público
- democracia e liberdade são valores a serem presentes ou ameaças a serem neutralizadas?
- nesta provável fase terminal da existência do ser humano
- a democracia e a liberdade são muito mais do que valores a serem preservados
- podem ser essenciais para a sobrevivência

Satyagraha

O post abaixo fala do significado da palavra "satyagraha"... Inegavelmente, a lembrança mais rápida que vem, quando ouvimos essa palavra, é a operação da Polícia Federal denominada de "satiagraha"...

Nesse contexto, uma coisa que eu gostaria de saber é: quem atribui os nomes às operações da PF ??? E a pergunta mais importante: por que escolheram esse nome ???

21.3 Gandhi e a não-violência

Curso de Filosofia do Direito - Eduardo C. B. Bittar, Guilherme Assis de Almeida - 4.ed - São Paulo: Atlas, 2005. 

Defende-se a idéia de que, no decorrer do século XX, a personagem que exerceu, de forma prática, a teoria sobre o poder, de Hannah Arendt, foi Mahatma Gandhi. A não-violência ocupa um papel central no pensamento político de Mahatma Gandhi; ele a define fazendo uso de uma palavra em sánscrito, ahimsa:

"O ahimsa é a base da busca da Verdade. Todos os dias percebo que a busca é vã, a menos que seja apoiada no ahimsa. É apropriado oferecer resistência e atacar um sistema, mas oferecer resistência e atacar seu autor é equivalente a oferecer resistência e atacar a si próprio. Pois somos todos farinha do mesmo saco, e filhos do mesmo Criador, e portanto os poderes divinos em nós são infinitos. Menosprezar um único ser humano é menosprezar aqueles poderes, e assim prejudicar não apenas aquele ser, mas também o mundo inteiro."2

************
2. Gandhi, Autobiografia: minha vida e minhas experiências com a verdade, 1999, p. 244.
***********

Gandhi criou o termo satyagraha, formado da união de duas palavras sánscritas, satya (verdade) e agraha (estar conectado), para definir sua doutrina política. Ele deixa claro que a ahimsa é a forma de ação da satyagraha e que esta diferencia-se de modo radical da resistência passiva:

"Satyagraha, then is literally holding on to Truth and it means, therefore, Truth-force. Truth is soul or spirit. It is therefore, know as soul force. It excludes the use of violence, because man is not capable of knowing the absolute truth and, therefore, to punish. The word was coined in South Africa to distinguish the nonviolante resistance of The Indians of South Africa from the contemporary 'passive resistance' of the suffragettes and others. It is not conceived as a weapon of the weak.

For the past thirty years I have been preaching and practicing Satyagraha. The principles of Satyagraha, as I know it today, constitute a gradual evolution. Satyagraha differs from Passive Resistance as the North Pole from the South. The latter has been conceived as a weapon of the weak and does not exclude the use of physical force or violence for the purpose of gaining one's end, whereas the former has been conceived as a weapon of the strongest and excludes the use of violence in any shape or form... In the application of Satyagraha I discovered in the earliest stages that pursuit of truth did not admit of violence being inflicted one one's opponent but that he must be weaned from error by patience and sympathy. For what appears to be truth to the one may appear to be error to the other. And patience means self-suffering. So the doctrine came to mean vindication of truth not by the infliction of suffering on the opponent but on one's self."1

*************
1. Apud Dalton, Mahatma Gandhi nonviolent power in action, 1993: "SATYAGRAHÁ é literalmente agarrar-se à verdade e isso significa, portanto, a força da verdade que vem da alma ou espírito. Isso exclui o uso da violência, porque o homem não é capaz de punir conhecendo a força absoluta da verdade. Essa palavra foi cunhada na África do Sul para distinguir a resistência não violenta dos indianos da África do Sul da contemporânea "resistência passiva" dos eleitores e outros. Ela não foi concebida como uma arma do fraco.

Pelos últimos 30 anos eu venho pregando e praticando SATYAGRAHÁ. Os princípios da Satyagrahá, como eu os concebo hoje, constituem uma evolução gradual. SATYAGRAHÁ difere da resistência passiva como o Pólo Norte do Sul. Essa última foi concebida como uma arma do fraco e não exclui o uso da força física ou violência com o propósito de alcançar determinado fim, enquanto que a SATYAGRAHÁ foi concebida como uma arma forte e exclui o uso de violência em qualquer forma ou feitio.

Na prática do SATYAGRAHÁ eu descobri nos primeiros momentos que a busca da verdade não admite que a violência seja utilizada contra um oponente, mas que ele deve ser avisado de seu erro pela paciência e simpatia. Porque o que parece ser verdade para um pode ser erro para outro, e paciência significa autosofrimento. Assim, essa doutrina pretende ligar-se à verdade não pela inflingência de sofrimento em seu oponente, mas nele mesmo."
*************

A finalidade da doutrina da satyagraha é a conquista da libertação tanto coletiva, como individual. O termo usado por Gandhi para expressar essa libertação é: swaraj. Essa palavra sánscrita significa, literalmente, liberdade. E tem uma conotação espiritual, significando a liberdade da ilusão, do temor e da ignorância, o que implica um autoconhecimento e um domínio de si próprio. Gandhi aplica a idéia dessa libertação espiritual do indivíduo para o campo da libertação política coletiva.

Embora muitos classifiquem Gandhi como um dos idealizadores da desobediência civil, ele foi muito mais do que isso. O que ocorre é que, em algumas ocasiões, a doutrina política do satyagraha assume a forma de uma campanha de desobediência civil.

Um dos grandes momentos da vida de Gandhi como líder político, na índia, foi a Marcha do Sal, também conhecida como a Marcha de Dandi. Esse movimento popular foi uma campanha de desobediência civil que mobilizou toda a índia, no ano de 1930.

"En tanto que la desobediência común es un acto que desintegra el ordenamiento y, por esa razón, há de ser evitada o reprimida para devolver aquél a su estado primitivo, la desobediência civil es un acto que pretende en última instancia cambiar el ordenamiento; es en definitiva, un acto no distributivo, sino inovador. Se llama 'civil' precisamente porque quien la pratica no cree transgredir los deberes que impone la ciudadanía; por el contrário, se tiene por mejor ciudadano desobedeciendo en esa precisa circunstancia. Por esse carácter demonstrativo y esta finalidad innovadora, el acto de desobediência civil tiende a darse el máximo de publicidad."1

************
1. Bobbio, El tercero ausente, 1997, p. 117.
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Gandhi tinha clara ciência dessa necessidade, tanto é assim que, antes de iniciar a campanha, escreve uma carta ao Viceroy, Lord Edward Irwin, contando detalhes da futura marcha.

No dia 12 de março de 1930, aos 60 anos de idade, Gandhi parte de Dandi, uma pequena vila localizada na província de Gujarat, ao oeste da índia, acompanhado de 78 seguidores. O objetivo dessa marcha era protestar contra a taxa que incidia sobre a coleta do sal. 

Conforme a regulamentação do Indian Salt Act, de 1882, a representação do governo britânico, na índia, assumiu o monopólio da coleta e da manufatura do sal. Os depósitos de sal foram controlados pelo governo britânico, que cobrava uma taxa de 46 cents para cada maund (82 libras); isso equivalia a um imposto pesadíssimo para o povo indiano.

Gandhi escolheu o sal como objeto da marcha porque era um artigo de primeira necessidade das camadas populares e oprimidas da população indiana.

Ele mesmo teceu o seguinte comentário: "Next to air and water, salt is perhaps the greatest necessity of life. It is the only condiment of the poor...There is no article like salt outside water by taxing wich the state can reach even the starving millions, the sick, the maimed and the utterly helpless. The tax constitutes therefore the most inhuman poll tax that ingenuity of man can devise."2

***********
2. Dalton, Op. cit., p. 100, "Próximo do ar e da água, o sal é talvez a maior necessidade da vida. Este é o único condimento do pobre. Não existe nenhum artigo como o sal (com exceção da água), pelo qual, ao taxá-lo, o Estado possa atingir mesmo os milhões de famintos doentes, completamente miseráveis e mutilados. Essa taxa constitui portanto a mais inumana taxa que a ingenuidade do homem poderia imaginar."
***********

A desobediência civil foi iniciada por Gandhi, que desafiou o monopólio do governo britânico e desrespeitou a lei, ao simplesmente coletar sal natural da costa da índia, no dia 6 de abril de 1930.

"Thousands of people followed him and so sanctified themselves, an extraordinary sight beyond description. Finally, at 6:30, Gandhi stooped on the shore and picked up the symbolic salt and so offered civil disobedience. The deed was done. 'With this', he said, 'I am shaking the foundations of the British Empire'. A sweeping claim to be sure, but by the end of the year, more than 60.000 Indians (by government estimate) suffered imprisionment for committing an act no more or less than this."1

*********
1. Ibidem, p. 115. "Milhares de pessoas seguiram-no e também santificaram-se a si próprias, um extraordinário sinal além de qualquer descrição. Finalmente, às 6:30 Gandhi parou na costa e, simbolicamente, pegou o sal, concretizando a desobediência civil. 'Com esse ato - disse Ghandi -, eu estou balançando as fundações do Império Britânico.' Uma reivindicação para não deixar dúvidas, mas, até o final do ano, mais de 60.000 indianos (segundo estimativas do governo) foram aprisionados por imitarem esse gesto de Gandhi."
*********

A marcha inicial, em Dandi, foi acompanhada por milhares de outros seguidores, nos mais diversos pontos do território indiano, e intensificou-se, no dia 5 de maio de 1930, como conseqüência da prisão de Gandhi. Segundo fontes históricas, houve mais de 5.000 (cinco mil) reuniões que aglomeraram, no mínimo, 5.000.000 (cinco milhões) de pessoas. Gandhi percorreu a pé mais de 500 km, durante 24 dias. A campanha só veio a terminar um ano depois, quando Gandhi e o Lord Eward Irwin, o Viceroy, mantiveram negociações diretas.

Ao eleger a ahimsa (não-violência) como princípio de ação, Gandhi opta, sem a menor sombra de dúvida, por uma ética de princípios, já que a conquista do resultado, por mais importante que seja, não justifica, em hipótese alguma, a violação da integridade psicofísica do ser humano. Ora, a satyagraha, doutrina política de Gandhi, tem como objetivo a libertação {swaraj), que só poderá ser conquistada pela ação não violenta. Dessa forma, o raciocínio de meios e fins perde a razão de ser, já que a forma de ação não violenta integra a finalidade que surge paulatinamente.2

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2. Parekh, Gandhi: past masters, 1997, p. 38. "Finalmente, para Gandhi, a dicotomia meios e fins, que está na essência da maior parte das teorias sobre a violência, é falsa. Na vida humana, os assim chamados meios constituem-se não de implementos ou brinquedos inanimados, mas de ações humanas, e por definição não podem estar fora da jurisdição da moralidade. Além disso, o método de lutar por um objetivo não só apenas externo, mas uma parte do todo. Todo passo na direção de um desejo formava seu caráter, e o máximo de cuidado deveria ser tomado, pois do contrário isso poderia distorcer ou danificar o objetivo. O objetivo não existia no final de uma série de ações realizadas para atingi-lo; elas o esboçam desde os primeiros momentos. Os assim chamados meios eram realmente os fins numa forma embrionária, como sementes, das quais os assim chamados fins eram um fluir natural. Desde que isso era assim, a luta por uma sociedade justa não pode ser conduzida por meios injustos."
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A ação política gandhiana é simples e inovadora. Gandhi estabelece, com clareza, os três pontos fundamentais de sua prática: um princípio da ação, uma forma de luta e um objetivo a ser alcançado. O princípio da ação é a não-violên-cia (ahimsá); a forma de luta (satyagrahá) apresenta diversos métodos (greve, desobediência civil, jejum etc.) e tem elementos permanentes: um criterioso exame dos fatos e um apelo de entendimento ao adversário e, logo após, o exercício da não-violência ativa para tentar evidenciar a injustiça da situação. 

O objetivo a ser alcançado é a libertação coletiva e individual (swaraj). Esses três pontos são interdependentes: ahimsa é o motor da satyagrahá, e a satyagrahá é o meio de se atingir swaraj. Gandhi tem plena consciência de sua responsabilidade instanciai; ele não age como um líder autoritário, mas lidera pelo exemplo, praticando, do modo mais rigoroso possível, a teoria por ele criada. Esse exemplo e os pontos essenciais da teoria gandhiana serão fonte de inspiração para os mais diversos pensadores e ativistas, entre eles o brasileiro Mário Carvalho de Jesus, o italiano Aldo Capitini, o Papa João XXIII, Marthin Luther King (Nobel da Paz - 1964), Dalai Lama.

Hannah Arendt: Poder, Liberdade e Direitos Humanos
Curso de Filosofia do Direito - Eduardo C. B. Bittar, Guilherme Assis de Almeida - 4.ed - São Paulo: Atlas, 2005. 

21.1 O poder não violento

Hannah Arendt (1906-1975), filósofa judia nascida em Linden, na Alemanha, perseguida pelo nazismo e exilada nos Estados Unidos desde 1941, onde vem a falecer após largo trabalho em universidades americanas no campo da filosofia política, em especial na New School for Social Research de New York, elaborou uma definição de poder que foge aos padrões convencionais, e que tem como marca distintiva a não-inclusão da violência como elemento constitutivo. Aliás, toda a sua obra é um imenso registro de luta contra o arbítrio do poder violento (As origens do totalitarismo] Eichmann em Jerusalém; A condição humana; Homens em tempos sombrios; Entre o passado e o futuro; entre outras). 

Assim: "Max Weber definiu o poder como a possibilidade de impor a própria vontade ao comportamento alheio. Hannah Arendt, ao contrário, concebe o poder como a faculdade de alcançar um acordo quanto à ação comum, no contexto da comunicação livre de violência. Ambos vêem no poder um potencial que se atualiza em ações, mas cada um baseia-se num modelo de ação distinto." 1
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1- Habermas: Sociologia. Freitag e Rouanet. São Paulo: Ática, 1980. p. 34.
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Na concepção arendtiana, a convivência pacífica entre os homens é o fator que propicia a ação conjunta e é esta ação que é geradora de poder. Como a própria Hannah Arendt conclui:"O único fator indispensável para a geração do poder é a convivência entre os homens. Todo aquele que, por algum motivo, se isola e não participa dessa convivência, renuncia ao poder e torna-se impotente, por maior que seja sua força e por mais válidas que sejam suas razões." 1

Para Hannah Arendt, a geração do poder não é um trabalho,2 mas a conseqüência da ação conjunta dos homens, a qual propicia, pelo discurso, a revelação de cada indivíduo em sua específica singularidade. A ação não violenta é a única forma de ação que possibilita o encontro dos homens pela palavra. A ausência de violência é necessária, pois, na atividade humana da ação, não se objetiva atingir determinado fim, mas a descoberta de uma meta comum que sirva como elemento aglutinador. Quando a palavra é usada tão-somente para atingir um fim específico, ela perde sua característica de revelação.

"Isso ocorre sempre que deixa de existir convivência, quando as pessoas são meramente 'pró' ou 'contra* os outros, como ocorre, por exemplo, na guerra moderna, quando os homens entram em ação e empregam meios violentos para alcançar determinados objetivos em proveito de seu lado e contra o inimigo. Nessas circunstâncias, que naturalmente sempre existiram, o discurso transforma de fato em mera 'conversa', apenas mais um meio de alcançar um fim, quer iludindo o inimigo, quer ofuscando a todos com propaganda."3

Dessa forma, a não-violência é requisito essencial para a geração do poder advindo do agir conjunto.

"A violência destrói o poder, mas não o cria ou substitui, pois o poder, para ser gerado, exige a convivência, e a violência baseia-se na exclusão da interação/cooperação com os outros. Isso explica a combinação, que não é rara na experiência política, de violência e impotência, pois governantes e governados freqüentemente não resistem à tentação de substituir o poder que está desaparecendo pela violência."4

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1. Arendt, A condição humana, 1992, p. 201.
2. Termo utilizado como uma das três atividades fundamentais da condição humana; as outras duas seriam: a ação e o labor. Para um estudo detalhado do tema, ver Arendt, A condição humana.
3. Arendt, Op. cit., p. 193.
4. Lafer, A reconstrução dos direitos humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt, 1988, p. 209-210.
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21.2 O desvirtuamento do poder e a violência

O poder pode ser dito algo inerente às estruturas sociais. Onde há sociedade, há poder. Contudo, à idéia de poder por vezes ocorre estar acoplada àquela outra de violência. A equivalência não é perfeita, entre as duas idéias, e nem mesmo a coincidência histórica pode fazer disso uma verdade. O que se há de dizer, no entanto, é que o poder violento, ou seja, a associação de poder com violência é já uma demonstração do desvirtuamento conceituai da idéia de poder.1 Mais que isso, é já sinal de que o poder, que funciona na base de consensos e jogos de aceitação, encontra-se ameaçado de extinção, cedendo espaço para algo que lhe substitui, e que não depende de consentimento, mas da capacidade técnica de gerar sofrimento e submissão: a violência.

O poder, propriamente, deixa de existir, quando entra em ação um conjunto de aparatos cuja força representa uma aniquilação do poder de estar com, de discussão, de debate, de discurso, elementos que caracterizam o estar entre homens (inter homines essere). Ceder espaço ao advento da força é negar o princípio da ação e da busca de consensos por meio da ingerência de instrumentos de submissão e de abuso da condição humana:

"Aqueles que se opõem à violência com o mero poder rapidamente descobrirão que não são confrontados por homens, mas pelos artefatos humanos, cuja desumanidade e eficácia destrutiva aumentam na proporção da distância que separa os oponentes. A violência sempre pode destruir o poder; do cano de uma arma emerge o comando mais efetivo, resultando na mais perfeita e instantânea obediência. O que nunca emergirá daí é o poder" (Arendt, Sobre a violência, 1994, p. 42).

A potência que acompanha a violência é exatamente o que torna a sutileza da política algo de que se pode prescindir, algo de que se pode abrir mão, em momentos em que a violência predomina. Isso porque decisões acompanhadas de violência são pautadas pela capacidade de abafarem expectativas de contrariedade. Num confronto entre o poder e a violência, quem cede? Será que o poder e suas artimanhas complexas de atuação entre os homens são mais eficientes que a bala de canhão, ou que os incontáveis bandos de fanáticos dispostos a dar vida por um ideal, ou mesmo em função de ordens superiores?2

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1. Poder é definido com os seguintes termos por Hannah Arendt: "O poder corresponde à habilidade humana não apenas para agir, mas para agir em concerto. O poder nunca é propriedade de um indivíduo; pertence a um grupo e permanece em existência apenas na medida em que o grupo conserva-se unido. Quando dizemos que alguém está 'no poder', na realidade nos referimos ao fato de que ele foi empossado por um certo número de pessoas para agir em seu nome. A partir do momento em que o grupo, do qual se originara o poder desde o começo (potestas in populo, sem um povo ou grupo não há poder), desaparece, 'seu poder' também se esvanece. Em seu uso corrente, quando falamos de um 'homem poderoso' ou de uma 'personalidade poderosa', já usamos a palavra 'poder' metaforicamente; aquilo a que nos referimos sem a metáfora é o Vigor' [strenght]" (Arendt, Sobre a violência, 1994, p. 36).

2. "Politicamente, o ponto é o de que com a perda do poder torna-se uma tentação substituí-lo pela violência - em 1968, durante a Convenção Democrática, em Chicago, pudemos assistir a este processo pela televisão -, e esta violência por si mesma resulta em impotência" (Arendt, Sobre a violência, 1994, p. 43).
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"Em um conflito frontal entre a violência e o poder, dificilmente o resultado é duvidoso. Se a estratégia da resistência não violenta de Gandhi extremamente poderosa e bem-sucedida, tivesse encontrado um inimigo diferente - a Rússia de Stalin, a Alemanha de Hitler e mesmo o Japão do pré-guerra, em vez da Inglaterra, o resultado não teria sido a descolonização, mas o massacre e a submissão" (Arendt, Sobre a violência, 1994, p. 42).

Já restou afirmado, com isso, portanto, que violência e poder não são a mesma coisa. Mas não basta. Deve-se grifar ainda que poder e violência são conceitos opostos, pois quando um está forte (poder consensual forte; violência e opressão absolutas), o outro está ausente (violência inativa; poder ineficaz e desacreditado).1

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1. "Para resumir: politicamente falando, é insuficiente dizer que poder e violencia não são o mesmo. Poder e violência são opostos; onde um domina absolutamente, o outro está ausente. A violência aparece onde o poder está em risco, mas, deixada a seu próprio curso, ela conduz à desaparição do poder. Isto implica ser incorreto pensar o oposto da violência como a não-violência; falar de um poder não violento é de fato redundante" (Arendt, Sobre a violência, 1994, p. 46).
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Sociedade de massa e totalitarismo
José Élcio Batista

Pag. 208

O perecimento do mundo comum representa o aniquilamento da pluralidade humana - condição sine qua non para a vida política e para o agir humano - e, ao mesmo tempo, nega a capacidade humana para criar um mundo estável e permanente, que transcende a duração de uma vida humana mortal e a futilidade da vida em si.

É a esfera pública, local onde se é visto e ouvido por todos, que garante, evita e poupa a destruição, pelo tempo, do artefato humano.

Além disso, a sociedade de massa, na medida em que arrasta o mundo humano para o processo infindável do consumo e destrói os vínculos da comunidade política, provoca o isolamento e o conformismo - este último já referido anteriormente -, fenômenos correlatos, que indicam tão-somente a impotência humana para agir.

Uma vez perdido o caráter efetivo do mundo público, aspecto tão peculiar ao governo tirânico, inviabiza-se qualquer contato político e as capacidades humanas de ação e poder são frustradas.

Numa sociedade em que todos estão submetidos a formas homogêneas e arbitrárias de comportamento e pensamento, a política perde todo seu real sentido e significado, qual seja, de ser o lugar multiplicador das possibilidades humanas para, através de palavras, atos e eventos extraordinários, revelar a identidade singular e distinta dos homens. A negação do mundo como fenômeno eminentemente político só adquire validade sob a premissa de que o mundo não durará.

Pag. 209

O paroxismo e a atitude destrutiva da modernidade jazem justamente em sua forma mais extrema e anti-humana no fato da sociedade de massa ao privar os indivíduos das relações objetivas com os outros e de uma realidade garantida por intermédio destes últimos; priva-os, ainda, de um lugar no mundo e do lar privado, no qual todos podem resguardar-se da experiência fenomênica dos assuntos políticos.

Aspecto crucial para o entendimento da crítica de Arendt ao mundo moderno está no problema da propriedade privada. Segundo Arendt, no pensamento político clássico, a propriedade, embora situada na esfera privada, sempre houvera tido relevância para a sobrevivência do corpo político.

Isto se fazia necessário por que o pertencimento à política implicava que o indivíduo devia possuir um lugar determinado no mundo, no qual chefiasse e exercesse um domínio sobre uma família.

Ser proprietário, era ser visto e aceito como cidadão, além de poder viver sobre a proteção da lei, sendo o inverso, ou seja, não ter uma propriedade, estar destituído de cidadania. 

A importância da propriedade não estava associada à riqueza que dela podia advir, mas na fundamental distinção política que ela imprimia aos indivíduos. (Ao contrário, "caso o dono de uma propriedade preferisse ampliá-la em vez de utilizá-la para viver uma vida política, era como se ele espontaneamente sacrificasse sua liberdade e voluntariamente se tornasse aquilo que o escravo era contra a vontade, ou seja, um servo da necessidade.")

Pag. 213

O totalitarismo - a forma mais extrema de dominação política, uma vez que não se contenta em dominar o indivíduo exteriormente através do Estado e do controle dos meios de violência, mas atinge a interioridade, impedindo que o indivíduo aja ou pense e, ao mesmo tempo, destituindo-o de qualquer interesse, até mesmo do puro individualismo - encontra na sociedade de massas e no radical isolamento, solidão e caráter amorfo dos indivíduos, um ambiente extremamente adequado para a construçao de um mundo que, a despeito de toda sua horrenda crueldade, é irreal, pois somente tem existência na lógica e coerência de uma ideologia.

Desse modo, a solidão, o fundamento para o terror, a essência do governo totalitário e, para a ideologia ou à lógica, a preparação de seus carrascos e vítimas, tem íntima ligação com o desarraigamento e a superfluidde que atormentavam as massas modernas desde o começo da revolução industrial e se tornaram cruciais com o surgimento do imperialismo no fim do século passado e o colapso das instituições políticas e tradições sociais do nosso tempo.

Não ter raízes significa não ter um lugar no mundo, um lugar reconhecido e garantido pelos outros; ser supérfluo significa não pertencer ao mundo de forma alguma. É a experiência extrema da solidão do homem moderno, que se transformou em evento cotidiano de massas cada vez maiores, o perigo que ameaça devastar o mundo que conhecemos - um mundo que, em toda parte, parece ter chegado ao fim - antes que um novo começo, surgido desse fim, tenha tido tempo de firmar-se.

O surgimento de uma mentalidade que negava a permanência e durabilidade do mundo foi o fato decisivo para que ninguém mais se sentisse responsável por coisa alguma, mesmo que isto implicasse uma destruição total da condição humana. Nas condições de uma sociedade de massa, onde os homens já não se sentem à vontade na companhia de ninguém e nem em parte alguma, a vida em si, enquanto mero processo biológico da espécie, parece ser o único objetivo que ainda resta e é perseguido.

É digno de nota, que em regimes totalitários, nem mesmo esse objetivo permaneça, sendo substituído pela dialética ou a lógica de uma Idéia, que não segue o movimento do mundo erigido pelos homens, mas se coloca além deles; são apenas objetos, daí serem tão supérfluos; ecessários para uma finalidade muito maior, a História ou a Natureza: "Num perfeito governo totalitário...toda ação visa à aceleração do movimento da natureza ou da história, onde cada ato é a execução de uma sentença de morte que a natureza ou a história já pronunciou..."

O horror mais brutal do totalitarismo e sua conexão com uma sociedade de massa, que lhe fornecera com angelical singeleza indivíduos propícios para seu ideal de domínio total foi ter demonstrado aquilo que ninguém jamais houvera ter pensado e que desafiava o bom senso e a crença das pessoas normais, qual seja, que tudo é possível.

É aqui que reside toda a impotência do pensamento com que deparou Arendt em sua tentativa de compreender o fenômeno do totalitarismo. Isto porque a aceitação da idéia de que tudo é possível implica a recusa tácita do significado e sentido inerente a toda ação humana.

É neste ponto que reside a crítica de Arendt à sociedade de massa, uma vez, que ela abre a possibilidade muito concreta nos dias de hoje de o homem e o mundo perder todo sentido e significado inteiramente humanos.

Portanto, concluindo, como o processo de desenvolvimento da sociedade de massa parece irrefreável, vale ressaltar a advertência feita por Arendt nas Origens do Totalitarismo: "Pode até ser que os verdadeiros transes do nosso tempo somente venham a assumir a sua forma autêntica - embora não necessariamente a mais cruel - quando o totalitarismo pertencer ao passado."

09/05/2009

A Palavra do Senhor

Isaías 49:7-12

7 Assim disse Jeová, o Resgatador de Israel, seu Santo, ao que é desprezado na alma, ao que é detestado pela nação, ao servo de governantes: “Os próprios reis verão e certamente se levantarão, [bem como] príncipes, e eles se curvarão em razão de Jeová, que é fiel, o Santo de Israel, que te escolhe.” 

8 Assim disse Jeová: “Num tempo de boa vontade te respondi e num dia de salvação te ajudei; e eu te estive resguardando para te dar como pacto para o povo, para reabilitar a terra, para fazer que se reentre na posse das desoladas propriedades hereditárias, 

9 para dizer aos presos: ‘Saí!’, aos que estão em escuridão: ‘Revelai-vos!’ Pastarão junto aos caminhos e seu pasto será em todas as veredas batidas. 

10 Não terão fome, nem terão sede, nem se abaterá sobre eles o calor abrasador ou o sol. Porque Aquele que se apiada deles os guiará e os conduzirá junto às fontes de água. 

11 E eu vou fazer de todos os meus montes um caminho e as minhas próprias estradas principais estarão numa elevação. 

12 Eis que virão mesmo de longe, e eis estes do norte e do oeste, e estes da terra de Sinim!”

Isaías 49:22-26

22 Assim disse o Soberano Senhor Jeová: “Eis que levantarei minha mão até para as nações e erguerei meu sinal de aviso para os povos. E eles trarão teus filhos ao colo e carregarão tuas próprias filhas sobre o ombro. 

23 E reis terão de tornar-se tutores para ti, e as princesas deles, amas para ti. Com os rostos para a terra, curvar-se-ão diante de ti e lamberão o pó de teus pés; e tu terás de saber que eu sou Jeová, de quem não se envergonharão aqueles que esperam em mim.” 

24 Podem os já tomados ser tirados do próprio poderoso ou pode escapar o grupo de cativos do tirano? 

25 Porém, assim disse Jeová: “Até mesmo o grupo de cativos do poderoso será tirado e os já tomados pelo próprio tirano escaparão. E eu mesmo contenderei com aquele que contender contigo e eu mesmo salvarei os teus próprios filhos. 

26 E vou fazer que os que te maltratam comam a sua própria carne; e ficarão embriagados com o seu próprio sangue como que com vinho doce. E toda a carne terá de saber que eu, Jeová, sou teu Salvador e teu Resgatador, o Potentado de Jacó.”

Bento

Quando o novo Papa escolheu o termo "Bento", eu achei interessante e fiquei pensativo... Meu avô, assim como meu pai, também tem o termo "Bento" no nome. Meu avô se chama João Bento da Silva desde 1914, quando nasceu... E meu pai: Sebastião Bento da Silva...

Certamente, isso não quer dizer nada... Porém, fiquei pensativo porque a minha família tem, digamos, uma certa proximidade com o lado sagrado... E isso não é porque temos sangue azul, mas sim porque temos o dom de sentir, perceber, algumas vezes ver, certas coisas...

Inegavemente, para algumas pessoas isso é problema psiquiátrico que deve ser tratado com eletrochoque, como fizeram com a minha tia, ou então, coisa para ser ignorada, como fizeram com a minha avó... Ou, ainda, é melhor esconder, como nos casos de um tio que apanhava de chicote no meio da roça, sem que ninguém visse o chicote e quem chicoteava... Poderia ser um verdadeiro stigmata... Dizem que ele morreu de ataque cardíaco...

Quem acha que é problema psiquiátrico, não hesitaria em mandar para tratamento, se tivesse a oportunidade, o Pai da Fé, ou seja, Abraão, diriam que ele estava ouvindo vozes e, portanto, necessitava de antidepressivo, gardenal ou coisa parecida... 

É interessante observar que os homens desenvolveram boas técnicas, terapias, tratamentos e drogas, para fecharem os canais que os ligam com o mundo dos espíritos... Além disso, é interessante observar que a maioria desses casos aconteceram no século passado... Século no qual eram comuns as histórias de assombração, lobisomem, etc... Porém, aconteceu alguma coisa, num passado próximo, na fronteira do mundo dos homens com o mundo espiritual... As coisas do outro lado não se movimentam mais, com tanta liberdade como tinham antigamente, nessa dimensão...

Enfim, reunindo todos os casos, pode-se concluir que o mal marca cerrado, sem trégua, sobre a minha família... Inegavelmente, somos mais atormentados do que os outros... E isso não é por acaso...

08/05/2009

Roberto Carlos
Todos estão surdos




A Montanha



História da Matemática - Descartes
Biblioteca Científica Life - As Matemáticas - 1970
Em 1616 um jovem aristocrata francês, René Descartes, formou-se em Direito na Universidade de Poitiers e se lançou à reconstrução do mundo. Estava profundamente insatisfeito com o que aprendera sobre esse mundo, com os acadêmicos professores da universidade, cujo pensamento ainda se ligava à Antiguidade.

Descartes desdenhava a Filosofia antiga como inadequada. "Verifiquei — recorda êle depois — que vinha sendo cultivada, através dos tempos, pelos homens mais qualificados e que, contudo, nenhum de seus pontos se tornara isento de controvérsias."

Descartes confiava em colocar paradeiro nessa confusão. Embora tal ambição não seja rara em um jovem de 20 anos, em seu caso teria desfecho muito pouco comum. Estava destinado a fazer tudo com que sonhara, reformulando o pensamento humano como apenas uns poucos homens o fizeram ao longo da história da civilização.

Mais raro ainda, faria sua revolução com filosofia inédita, tirada da Matemática. E, ao fazê-lo, ainda desenvolveria novo ramo da Matemática: a Geometria Analítica, que fundiu, numa única técnica, toda a Aritmética, Álgebra e Geometria dos tempos antigos; consistia essa técnica em visualizar os números como pontos de um gráfico, as equações como formas geométricas, e as formas como equações.

Unificando as Matemáticas elementares, a Geometria Analítica foi o alicerce sobre o qual se construíram a maior parte das altas matemáticas modernas e muitas das ciências exatas.

O mundo no qual Descartes se lançou no inverno de 1616 estava cheio de idéias novas e façanhas audaciosas: os protestantes, proclamando seus rígidos padrões de consciência individual; os cavaleiros, defendendo seu abespinhado orgulho com hábeis espadas; nações rivais disputando impérios ultramarinos; mercadores de peles holandeses comerciando em Manhattan; colonos ingleses lutando pela sobrevivência em Jamestown. Os freqüentadores de teatro em Londres choravam a recente morte de Shakespeare.

Monteverdi compunha as primeiras grandes óperas. William Harvey mal iniciara sua série de ensinamentos, nos quais apresentava o coração não como a sede dos sentimentos, mas como umá bomba de sangue. Kepler preparava-se para publicar a terceira e última de suas leis, descrevendo exatamente o movimento dos planetas em redor do Sol.

A idéia de que o Sol era o centro de nosso sistema planetário — proposta pelo astrônomo polonês Copérnico — acabava de ser declarada herética pelo Santo Ofício em Roma; Galileu, cada vez mais entusiasmado com seu novo telescópio, fora alertado para desistir do apoio que emprestara a tal teoria.

Embalado por essa onda criadora, o jovem Descartes convenceu-se de que o mundo necessitava uma fórmula para disciplinar o pensamento racional e unificar o conhecimento. Volvendo as costas para a Filosofia do passado, tentou encontrar essa fórmula no "conhecimento de mim mesmo" e no "grande livro do mundo".

Depois de rápido mergulho nos prazeres de Paris, tornou-se gentil-homem soldado, primeiramente do príncipe holandês de Nassau e depois do duque alemão da Bavária. A maior parte do tempo em que serviu como soldado, passou-a, conforme sua própria descrição, "afundado até às orelhas no estudo da Matemática", ramo do saber humano que "deliciava. . . por causa da certeza de suas demonstrações e da clareza de seus raciocínios".

Ao fim de dois anos, com 22 anos de idade, começou a desenvolver sua "geometria analítica". Ao cabo de outro ano havia também elaborado seu "método de raciocinar corretamente", que o tornaria famoso como filósofo.

Uma sessão na fornalha

Esse "método", embora estivesse germinando por longo tempo, aflorou ao seu consciente durante um único dia de revelação, num acampamento do exército às margens do Danúbio. Era um dia frio, que Descartes passou em meditação numa pequena sala aquecida, à qual por vezes era dado o nome de "fornalha".

O que formulou nessa fornalha, e subseqüentemente elaborou mais longamente, foi a doutrina de que todo conhecimento — passado e futuro — deve ser calcado em termos de raciocínio matemático. Propôs Descartes que os sábios de seus dias deixassem de apoiar-se tão fortemente em idéias antigas, para recomeçar em bases novas. Concitou-os a tentar explicar a natureza por um esquema dedutivo científico.

Tal processo, julgava êle, devia começar com as verdades axiomáticas mais simples e prosseguir — com módico auxílio da experiência — para entendimentos mais complexos. "A longa cadeia de raciocínio simples e fácil pela qual os geómetras estão habituados a alcançar as conclusões de suas demonstrações mais difíceis — escreveu Descartes — levou-me a imaginar que todas as coisas que estão ao alcance do conhecimento humano são ligadas mutuamente da mesma forma."

Essa visão de Descartes tem inspirado o homem desde então e, na realidade, continua a ser a ambição da ciência moderna. Êle próprio, contudo, teve enorme dificuldade em estabelecer os axiomas básicos a partir dos quais seria construída sua genial elucubração. Quanto mais buscava verdades fundamentais, menos as identificava.

No final das contas, não ficou com nenhuma, com exceção da simples assertiva, Cogito, ergo sum — "Penso, logo existo" — pela qual afirmava não haver melhor base para compreender o mundo real de mesas e cadeiras do que a habilidade humana de usar a própria mente.

Somente 18 anos após sua revelação na fornalha é que Descartes compartilhou sua filosofia com o. público. Nesse ínterim, fêz uma tentativa de escrever um livro, mas desistiu, em deferência à sua fé católica, porque aceitava as idéias heréticas de Copérnico sobre o universo. Finalmente, a reiteradas instâncias de amigos, publicou em 1637 o seu Discurso do Método Para Bem Conduzir a Razão. Ainda considerado uma das grandes obras da filosofia, esse livro imediatamente o identificou como um dos grandes pensadores de seu tempo.

Descartes concluía o Método com três exemplos concretos de como podia ser aplicado. Os dois primeiros procuravam explicar o comportamento de lentes e estrelas cadentes. O terceiro era uma nota de 106 páginas, A Geometria, que os matemáticos ainda recordam afetuosamente pelo título francês original, La Géométrie. Esse alentado apêndice, que esboçava a Geometria Analítica, constituiu, segundo palavras do filósofo britânico do século XIX, John Stuart Mill, "o maior avanço individual jamais feito no progresso das ciências exatas".

É estranho que Descartes houvesse deixado essa jóia esquecida no final de seu livro. Nos três séculos que se seguiram, a Geometria Analítica superou a filosofia na criação da ciência com que sonhava êle. No entanto, nunca a explorou além desse resumo original.

La Géométrie apresentou a idéia de que um par de números pode determinar uma posição sobre uma superfície: um dos números como distância medida horizontalmente, o outro como distância medida verticalmente. Essa idéia, naturalmente, tornou-se depois muito familiar a quem quer que usasse papel para gráficos, estudasse um mapa de ruas ou examinasse linhas de latitude e longitude num atlas.

O papel milimetrado ou quadriculado para gráficos ainda não fora inventado no tempo de Descartes, mas o próprio conceito de gráfico, com linhas cruzadas como referência, estava contido em seu trabalho. Descartes mostrou que era possível construir, usando como guia um par de linhas que se interceptassem, um conjunto completo de linhas de referência, no qual os números podiam ser representados como pontos; que, se uma equação algébrica fosse representada como uma seqüência de pontos, apareceria como figura geométrica; e que, por seu turno, as figuras geométricas podiam ser traduzidas por seqüências de números, representadas como equações.

Em homenagem a Descartes, chamamos sistema de "coordenadas cartesianas" as linhas originais que se interceptam, sendo a linha vertical conhecida como eixo dos y e a linha horizontal como eixo dos x. A página ao lado mostra como funciona o gráfico cartesiano, usando um mapa de ruas como exemplo.

Com o conceito de coordenadas, com o qual lançou sua Geometria Analítica, Descartes deu a todos os matemáticos de então e da posteridade um meio novo e estimulante de encarar as informações matemáticas. Mostrou, por exemplo, que todas as equações quadráticas ou do segundo grau, quando traçadas como pontos ligados uns aos outros, se tornam linhas retas, círculos, elipses, parábolas ou hipérboles — as seções cónicas, nas quais Apolônio depositara tanto engenho 1.900 anos antes.

A equação x2 — y2 = 0, traçada no gráfico, se transforma em duas retas cruzadas; a equação x2 + y2 = 4 se torna um círculo; x2 — y2 = 4, uma hipérbole; x2 + 2y2 = 4, uma elipse e x2 = 4y; uma parábola (ilustrada, à direita). Descartes prosseguiu, ainda, mostrando que a equação geral representativa de todas as quadráticas, ax2 + bxy + cy2 = d, inevitavelmente se torna uma curva cónica, quando traçada no gráfico.

Avançando além da quadrática para as cúbicas, as quárticas e até equações de graus mais elevados, Descartes demonstrou que cada classe de equações revela novo conjunto de curvas — corações, colinas, pétalas, espiras, figuras de algarismo oito.

O grau da equação determina o número máximo de pontos de interseção que a curva dessa equação pode ter com uma linha reta. Uma curva do primeiro grau — isto é, a linha reta — pode interceptar outra reta em apenas um ponto. A curva cónica do segundo grau é cortada em dois pontos por uma linha reta. As curvas cúbicas, que a linha reta pode cortar em três pontos, geralmente têm forma de S.

As curvas do quarto grau, com quatro pontos de interseção possíveis, podem ter a forma de W ou do algarismo oito. Pode-se notar, de passagem, que a ampulheta, com sua figura feminina, pode ser traduzida algebricamente pela equação quártica específica (x2 + y2 + a2)2 — 4a2 y2 = c4.
As curvas que representam equações de qualquer grau têm várias características comuns — tantas, na realidade, que cada uma delas representa a sua classe e o matemático pode dizer a seu colega que tal curva é do "quinto grau" ou do "sétimo grau", evocando com isso um conjunto inteiro de peculiaridades geométricas inerentes a todos os membros da classe curvilínea em apreço.

Graças à Geometria Analítica, toda equação pode ser convertida em figura geométrica e toda figura geométrica em equação. Algumas figuras só podem ser representadas por equações infinitamente longas e algumas equações representam figuras difíceis de visualizar — cheias de ondulações. Mas cada figura tem o seu equivalente na forma algébrica.

Abrangendo todos os conhecimentos de Matemática do passado, a Geometria Analítica cresceu muito além da breve apresentação original de Descartes e transformou tudo da Matemática em que tocou. Alguns ramos do pensamento matemático que pareciam secundários foram incorporados à corrente principal. Um deles foi a antiga técnica da Trigonometria; o outro foi o astucioso dispositivo dos logaritmos.

O Rabino Sobel está certíssimo
"Diplomático, o rabino tenta adotar uma posição de equilíbrio com relação ao conflito. “Culpo os dois lados. Todo mundo perde com a guerra”. Para tentar unir judeus e palestinos, o rabino, que sempre trabalhou com jovens, pretende ir às escolas porque considera que as crianças são “a semente do futuro”. " (Texto completo aqui)

Precisamos impedir que armem e assimilem para a guerra, para a violência, dominação, opressão e exclusão, as futuras gerações... Em outras palavras, é preciso impedir a construção de indivíduos intolerantes, racistas, egoístas, individualistas, opressores e dominadores...

Contudo, essa construção deve ser feita dos dois lados... Não adianta disseminar a ideologia de subserviência, ideologia dos periecos, para uns e treinar o outro lado na ideologia dos esparciatas...

07/05/2009

Excentricidades
Inegavelmente, sou uma pessoa excêntrica... Por exemplo, não uso celular. Já tive vários e não usei nenhum deles por muito tempo...

Agora vou adotar mais uma excentricidade: não quero ter mais nenhuma conta bancária... Acho que existem outras formas, inclusive mais eficientes e seguras, para se guardar dinheiro ou investir...

O problema dos bancos é que terceiros acessam e monitoram a vida financeira das pessoas. Terceiros que, nem sempre, são autoridades estatais... Sigilo bancário é conto de fadas... Enfim, a coisa acaba sendo mais um instrumento de monitoramento e controle... Eu não confio em banco...

Sem perceber, as pessoas acabam entrando e se colando em teias e redes que podem emperrar e travar suas ações... Enfim, cada um com suas excentricidades !!!

06/05/2009

O Tibet me preocupa
Eu tenho falado reiteradamente sobre o Tibet. E os idiotas continuam ignorando, achando que é uma questão isolada, uma questão local de pouca importância para o cenário internacional... Eu digo claramente: a questão do Tibet é fundamental para a ordem internacional e para a construção de um futuro de paz, justiça, harmonia e prosperidade...

Mas por que é uma questão importante ??? Se o Tibet perder e for dominado pela força e pela violência, deixar de existir como país e como nação, ter todas as suas riquezas roubadas e tomadas a força... A primeira coisa que digo para o Brasil e para os Brasileiros é: precisamos de armas nucleares !!!

E para fundamentar a minha afirmação aponto o Tibet. Era uma nação que vivia e pregava paz e amor... Eram contra a violência e não se preocupavam com armas e nem em causar dor ou dominar quaisquer formas de vida... Um típico país herbívoro...

Vejam o que aconteceu com eles... Uma nação poderosa, com armas, com violência, com arrogância, foi lá e tomou tudo deles, destruiu tudo o que eles construíram, extinguiram a nação e dispersaram o povo pelo mundo... E as outras nações, o que fizeram para protegê-los ??? Não fizeram nada. Foram indiferentes. Ignoraram o sofrimento daqueles que pregavam a paz e a não-violência como forma e estilo de vida...

Portanto, não podemos descuidar das nossas defesas... Em um mundo cruel e perverso, onde a violência e as armas ditam as regras, ser um país herbívoros pode ser um caminho para a extinção, principalmente, se o país tem muitas riquezas e um povo que não gosta de guerras e violência...

Agora, se o Tibet vencer a parada e conquistar novamente a sua independência, preservando sua cultura e seu povo e seguindo com seu estilo de paz e não-violência, aí sim, podemos dizer: há espaço no mundo para uma nação rica, com um povo iluminado, ser herbívora. Ninguém virá aqui com armas e violência para tomar as nossas riquezas e dispersar o nosso povo pelo mundo. E se vierem, não prevalecerão, pois o Tibet venceu...

Até lá, devemos ser herbívoros, pero no mucho !!!

É preciso observar
Se o governo Fernando Henrique não conseguiu emplacar o Serra, então ministro do FHC, como sucessor, não é possível que, após oito anos de um governo de sucesso e conquistas do Presidente Lula, o Serra consiga se eleger Presidente...

O povo muda a sequência daquilo que é ruim, extremamente ruim, mas tende a manter aquilo que é bom e está dando certo... Certamente, há a possibilidade de manipulação da vontade popular, de usar a mídia para enganar o povo e emplacar mentiras como "vamos collorir o Brasil"...

O Serra não é sequência do governo Lula. Se ele for eleito muita coisa vai mudar, principalmente, nas relações internacionais do Brasil... Evo Morales, Hugo Chaves, Fidel, Irã, etc... não serão tratados da mesma forma...

O período paz e amor é característica do governo Lula, talvez da pessoa indicada por Lula para dar sequência a seu governo... Saiu dessa esfera, mudou a orientação e as regras do jogo...

05/05/2009

As petições
Redigindo algumas petições iniciais percebe-se coisas interessantes... Por exemplo, na Faculdade de Direito da USP estudamos as idéias do Professor Cândido Dinamarco, ou seja, a instrumentalidade do processo...

Olhando para uma petição inicial, principalmente para a adequação fato/norma, percebe-se que não é só o processo que é um instrumento, mas também as normas, ou seja, pode-se falar em instrumentalidade das normas jurídicas...

Curtindo um somzinho














Aviso para a cambada da USP
Reforcem as portas e janelas, estou pensando em voltar... Seguir na pós-graduação por mais um tempo e, certamente, aproveitar para fazer uns acertos de conta...

O que está me fazendo falta são os milhões de livros das Bibliotecas da USP... Inclusive, se eu pudesse escolher um local para morar, esse local seria uma biblioteca... As bibliotecas acumulam a maior do conhecimento e dos saberes humanos, aquilo que o homem aprendeu e descobriu ao longo de sua história, da história da humanidade...

Contudo, a maior parte do conhecimento e dos saberes humanos está fragmentado e disperso. É preciso juntá-los, reunir os pedaços e montar o quebra-cabeça...

Yale também tem uma bibliotecona....

02/05/2009

Uma questão técnica ???
Uma questão técnica ??? Você está dizendo que o aborto é apenas uma questão técnica ??? Esse é o grande perigo que está nos envolvendo: a tecnocracia e a burocracia desprovida de consciência, desprovida da capacidade de pensar...

Exatamente como Eichmann... Um técnico/burocrata perfeito, candidato ideal para o técnico/burocrata padrão, técnico/burocrata do ano... Faz exatamente o que lhe mandam fazer, segue as ordens a risca... Uma pessoa banal, incapaz de ver o mal em suas ações, em suas decisões técnicas...

A tecnocracia e a burocracia quando exercida sem o respaldo da consciência transforma-se em uma arma poderosíssima. Técnicos e burocratas se transformam em zumbis que praticam o mal sem peso na consciência, sem atinar para a destruição que promovem...

E esse mal se instala quando a ação é separada da consciência...Ação sem consciência é típico de máquinas e animais irracionais, não de homens... Logo, quando o homem pratica ação sem o respaldo da consciência age como máquina, como um animal irracional, logo, sua ação não tem limites, o mal que dissemina não tem limites...

O extermínio nos campos nazistas era apenas uma questão técnica tratada por burocratas... É exatamente isso que querem fazer com o aborto: reduzi-lo a uma questão técnica que dever ser tratada/resolvida pelos burocratas, cientistas e médicos... Dessa forma, podem exterminar a vontade, sem peso na consciência, apenas trataram de questões técnicas, questões de saúde pública...

A banalidade do mal...

Só para registro
A revista Isto É atacou o Ministro Carlos Alberto Direito (Texto aqui) e a Revista Veja tenta conciliar o aborto com religião na entrevista do Toffoli (Texto aqui)... Duas jogadas sutis a favor do extermínio de indefesos, ou seja, a favor do aborto...

Seria este o preço pela aprovação do fim da Lei de Imprensa... Essa aprovação não foi gratuita... Há um acordo por trás dela, seja formal, seja tácito... No começo considerei que era uma jogada para calar a imprensa e enterrar/encobrir o conflito Barbosa x Gilmar, mas agora acho que vai servir para mais coisa...

O mal está se movimentando, precisamos estar atentos !!!

YouTube. EDU
Já é possível assistir a aulas e palestras das principais universidades dos Estados Unidos. E tudo de graça, no portal de educação YouTube EDU...

Reportagem da Revista Época (Clique aqui para acessar)

A democratização do conhecimento e a sociaização dos saberes, se não for mais uma farsa midiática, está se instalando... Ainda é pouco, certamente, é preciso avançar mais, muito mais !!!

Agora a questão do aborto
Além disso, o Dr. Toffoli, na entrevista da Revista Veja - acesse aqui, trata da questão do aborto dizendo o seguinte: "Defendo uma política de saúde pública que procure evitar o aborto, mas que também dê condições dignas e seguras às mulheres que decidam abortar".

Eu concordo com a parte da política de saúde pública, mas rebato com veemência a parte de dar condições dignas para quem queira eliminar vidas humanas... Se o Estado que é o ente mais forte e poderoso da sociedade, um representante da vontade de todos, não tem o direito de eliminar vidas humanas a seu bel prazer, somente pode fazê-lo em casos excepcionalíssimos, por que as mulheres teriam esse direito ???

O problema da descriminalização do aborto de fetos anencéfalos é que vai abrir uma porta para a realização de todo tipo de aborto... Pode ter certeza, assim que for liberada vai crescer, ao menos no papel e nas estatísticas, o número de fetos sem cérebro... Vão dizer que estão abortando feto sem cérebro quando, na verdade, são fetos saudáveis que estão sendo triturados...

Além disso, vai ficar bem fácil defender, na justiça, pessoas que abortaram ilegalmente... Basta provar que o feto ainda não tinha desencolvido cérebro... Se não tinha desenvolvido cérebro quando foi abortado, a lei foi cumprida e ninguém cometeu crime... Primeiro começam com os anencéfalos, depois caminham para aqueles que ainda não desenvolveram cérebro e, por último, descriminalizam tudo... Esse é o plano, não é mesmo ???

Além disso, o conteúdo do post abaixo expressar uma idéia simples: nem tudo que está na lei, nem tudo que está no direito, é justo... Se o aborto virar lei ou passar pelo STF estaremos diante de uma situação desta: uma lei, uma jurisprudência, contra a Justiça... Tem legalidade, mas não tem legitimidade, não tem Justiça, exatamente, como as leis e jurisprudências da Alemanha Nazista que autorizavam o extermínio de Judeus...

"Direito não é fé"
Lendo a edição online das revistas semanais (sempre faço isso...) deparo-me, na Revista Veja, com a entrevista do Dr. José Antonio Toffoli (Entrevista aqui) que, de acordo com a Revista, pretende ser Ministro do STF...

Mas o que chamou a minha atenção foi o título dado à entrevista: "Direito não é fé". Se deram esse título é porque pretendiam chamar a atenção, não tanto para o entrevistado, mas sim para a questão direito x fé... Inegavelmente, é uma questão muito interessante...

Realmente, direito não é fé. Direito é uma codificação material de leis. A fé é um elemento intagível, um conjunto específico de pensamentos, que moldam e movimentam a consciência. Enquanto o direito é um ente externo, limitações comportamentais, introjetado na consciência, através da educação, etc... A fé já é inerente ao indivíduo que a desenvolve por si mesmo... Portanto, direito é uma coisa e fé é outra.

Contudo, agora vem o contudo, a fé movimenta os homens e determina a construção de um direito justo. A fé é um conjunto específico de pensamentos que moldam e movimentam a consciência. Esse conjunto específico de pensamentos são carimbados com a faixa de "inquestionável", ou na linguagem popular, "é nisso que eu acredito e é isso que me movimenta"...

A fé pode envolver elementos religiosos ou não, ou seja, tem gente que tem muita fé em Deus, outros, muita fé na ciência, outros no Ronaldo... etc. E também tem muita gente que muita fé em Deus, na ciência e no Ronaldo, não necessariamente nessa ordem... Cada consciência é um universo de possibilidades...

É preciso acreditar, ter fé, para agir... É preciso acreditar na justiça, para trabalhar/lutar e estabelecer um direito justo... Logo, quem não tem fé na justiça (não confunda justiça com judiciário) é incapaz de construir um direito justo, inclusive, deve ter muita dificuldade para ser justo e agir com justiça... Por isso, digo, claramente, que a fé determina o direito, não qualquer direito, mas o direito justo, uma codificação legal alinhada para a realização da justiça...

Essa questão do direito justo é antiquíssima. É válido observar que nem todo direito é justo, pois nem todo direito está orientado para fazer justiça, para concretizar a justiça. Os melhores exemplos disso são os regimes totalitários... Havia direito na Alemanha Nazista, porém aquele direito não estava orientado para fazer justiça, mas sim para fazer o mal...

Portanto, direito não é fé, mas a fé movimenta os homens e determina a construção de um direito justo... Quem não tem fé na justiça, é incapaz de construir um direito justo... Nem tudo que está na lei, nem tudo que é direito, é justo...

E eu vou além... A fé em um Deus justo, em um Deus defensor da justiça, também determina a construção de um direito justo, de uma sociedade de homens justos... Homens que seguem um Deus justo, que seguem um Deus defensor da justiça, obrigatoriamente, devem ser justos, devem seguir e praticar a justiça...

Certamente, a estratégia do mal, para desvirtuar isso, foi monopolizar, nas mãos de um pequeno grupo, as palavras e a vontade de Deus... Diziam que Deus os tinha feito intermediários e só falava com eles, logo, eles estavam investidos e expressavam a vontade de Deus... A partir de então, a justiça divina passou a ser filtrada e manipuladas pela vontade desses grupos que, muitas vezes, não tinham nenhum contado com Deus e aquilo que diziam ser a vontade Dele era, nada mais, do que a vontade particular de seus grupos...

Nesse contexto, a religião se transformou em uma arma de dominação, uma fonte de opressão, exclusão e tirania e voltou-se contra o próprio Deus....

Certamente, os seguidores dessas religiões, que realmente olhavam para Deus, reconheceram, imediatamente, que sua fé estava sendo usada pelo mal... Um Deus justo não pode ser fundamento, ou justificativa, para a prática de injustiça, arbitrariedades, exclusões e tiranias... Um Deus justo ama a Justiça e ama quem a pratica...
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Verbetes da Enciclopédia Leib Soibelman
Problema da legitimidade
O advento do nazismo, que atingiu o poder sem violar a legalidade constitucional alemã, mas que depois de estar no poder transformou-se no mais terrível regime político conhecido pela humanidade, colocou no terreno da discussão filosófico-jurídica o tema da legitimidade.

Dúvida não existe de que todo regime ilegal é ilegítimo, mas será legítimo todo governo legal?

Este é o problema, cuja solução ainda não foi encontrada. Pétain chegou ao poder legalmente, mas exerceu-o ilegitimamente. De Gaulle criou um governo ilegal no exílio, mas foi considerado legítimo pela opinião pública internacional.

A discussão envolve todo o conceito de direito e de justiça, e nela os jusnaturalistas estão bem mais à vontade que os positivistas, pois estes, ao contrário daqueles, partem da lei para diante, sem querer indagar das origens ou fins da lei.

Democraticamente falando o fundamento do poder está na opinião pública que o consagra. Ilegítimo é todo poder que não se baseia no consenso dos governados. Mas, e por aí se vê como a questão é espinhosa, após certo tempo de poder Ilegítimo os seus detentores conseguem também criar uma vasta opinião pública ou até mesmo mais de uma geração que o aceita e defende.

O critério menos duvidoso seria considerar como legítimos apenas os governos que defendem a liberdade humana através de eleições livres pluri-partidárias, garantindo o direito da minoria manifestar-se. Em épocas de crise vale a opinião popular espontânea.

B. - Paulo Bonavides, Ciência Política. F. G. Vargas. Rio, 1967.

Problema da lei injusta
Lei injusta é a que viola os princípios fundamentais da vida moral do homem, os valores sobre os quais se assenta uma sociedade. Há uma tremenda discussão entre os autores para saber até que ponto se distinguem leis injustas, opressivas, ilegais.

Uns e outros se digladiam para demonstrar que nem toda lei injusta é por isto mesmo opressiva, ou sendo opressiva não é ilegal. Ao lado desse problema, distinguem também as formas de resistência a estas leis, defendendo uns a idéia de que para reagir contra as leis injustas só se justifica a resistência passiva, porque a resistência ativa, que seria a chamada resistência à opressão (havendo também os autores que sinonimizam resistência às leis injustas ou resistência à opressão) caracteriza-se paradoxalmente pelo seu caráter conservador, isto é, pelo restabelecimento do direito violado, ao passo que para a instauração de uma nova ordem o instrumento não seria a resistência mas a revolução.

Esta, porém, não é admitida no estudo do direito pela maioria dos publicistas, apesar de que o jurista francês Burdeau vem insistindo em que ela deve ter o seu lugar nos tratados de direito constitucional. De tudo resulta que somente admitindo-se o direito natural, somente admitindo-se que os direitos subjetivos do homem são anteriores ao Estado e que não é ele que os cria, é que podemos concordar e devemos sustentar cada vez mais este direito de resistência.

No verbete "direito de resistência à opressão", o fato de afirmarmos o caráter utópico dos dispositivos constitucionais que o consagram não significa que não devamos lutar para a efetiva realização deste direito. V. também "problema da lei arbitrária".

B. - Georges Burdeau, Manuel de droit constitutionnel. Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence. Paris, 1947; Claude-Albert Colliard, Précis de droit public. Dalloz ed. Paris, 1950.

Direito justo
Todo direito positivo se pretende justo. Mas saber se é ou não é justo, é um problema crítico de todo direito em todas as épocas. O direito se orienta pela idéia da justiça, mas esta também sofre variações históricas. Todavia, como ideal, a justiça nunca encontrará a sua realização perfeita em época alguma, e daí só se poder falar em direito justo de uma determinada época, com o que se concilia o caráter absoluto da idéia da justiça e a relatividade das suas manifestações na história.

Mas até aí, ainda não resolvemos um problema que continua persistindo: como sabemos que o direito de uma época era o justo para aquela época? Pelo exame do conjunto dos valores que nortearam a vida daquela época e nunca pelo erradíssimo critério de tomar como guia a nossa concepção atual e considerar justas ou injustas as diversas épocas conforme se aproximem ou se afastem desta concepção.

Stammler, partindo de premissas da sua particular teoria do direito justo, que não podemos expor aqui, estabelece quatro princípios do que seria um direito justo, embora reconhecendo que todo direito é historicamente determinado e imperfeito:

a) uma vontade não depende nunca do arbítrio de outra;

b) toda exigência jurídica deverá ser de tal modo que se veja no obrigado o nosso próximo;

c) ninguém pode ser excluído da comunidade de homens livres por arbítrio de outrem;

d) o excluído seguirá sendo o nosso próximo, mesmo que a sua exclusão se tenha feito de acordo com as disposições legais.

B. - Rudolf Stammler, Tratado de filosofia del derecho. Reus ed. Madri, 1930; Luís Recasens Siches, Tratado general de filosofia del derecho. Porrua ed. México, 1970.

Teoria do direito justo
Rodolfo Stammler (1856-1938), grande figura do direito alemão, defrontou-se com o problema de como é possível conciliar a razão com a história: o racionalismo sustentando que o direito pode ser uma criação absoluta da razão, válida para todos os tempos, e o empirismo mostrando que a idéia da justiça varia historicamente.

Partindo da filosofia kantiana, ele escreveu que a justiça é o elemento formal de qualquer ordenamento jurídico, é a idéia ordenadora da vida coletiva, e a matéria ou conteúdo de cada direito é produto da realidade histórica e social de cada época ou local. Daí poder existir um direito natural ou direito justo de conteúdo variável, cada época tendo o seu ideal de justiça em relação ao qual se organiza o direito.

Toda idéia da justiça representa sempre uma comunidade de homens de vontade livre, autônoma, na qual o indivíduo é sempre um fim em si mesmo e nunca meio a serviço dos fins alheios, uma comunidade pura e harmônica da vida humana. Sendo a justiça um ideal, não é possível traduzir este ideal em urna fórmula concreta, mas no máximo estabelecer alguns princípios formais que sirvam de fundamento para avaliar se um direito é justo, isto é, se ele tem validez absoluta ou universal.

Estabeleceu os seguintes princípios para esta avaliação: princípios de respeito (uma vontade não deve ficar nunca à mercê da vontade arbitrária de outrem e o obrigado nunca perde a categoria de nosso próximo) e princípios de solidariedade (nenhum partícipe da comunidade humana pode ser excluído arbitrariamente dela e mesmo quando essa exclusão ocorra por força de um direito absoluto o excluído continua sendo nosso próximo).

B. - Abelardo Torré, Introducción al derecho. Perrot ed Buenos Aires, 1972; James Goldschmidt, Problemas generales del derecho. Depalma ed. Buenos Aires, 1944.

Drama de consciência do juiz perante a lei injusta
O direito natural sempre sustentou que o direito injusto não é direito: lex injusta non est lex. São Tomás de Aquino, Suárez, De Soto, Molina, Vitória, Alfonso de Castro, Vives, Vázquez de Menchaca, Quevedo e outros muitos não tinham dúvida em afirmá-lo. São Tomás de Aquino somente fazia uma restrição: é melhor cumpri-las quando o desobedecê-las pode trazer conseqüências piores ainda, sendo esta posição também seguida pela maioria dos jusnaturalistas, inclusive Dabin.

Todos igualmente admitem como última ratio o direito de resistência. Mas o juiz, que é um homem que por função tem de ser o primeiro a obedecer à lei, pode resistir individualmente ou aderir a uma resistência coletiva? Eis aí um problema desgraçado.

As soluções dos autores são as seguintes:

a) tendo de decidir contra a sua consciência, tem o dever de demitir-se: Taparelli, Cathrein;

b) o juiz tem de aplicar a lei injusta, pois ele tem de dar o exemplo da confiança no direito: Stammler;

c) tem de aplicar a lei, porque a segurança da sociedade está acima da justiça: Radbruch;

d) em geral tem de aplicar a lei, mas pode vez por outra contrariá-la para não sacrificar um inocente: Sauer;

e) somente os indivíduos atingidos pela lei injusta é que podem revoltar-se, mas nunca os servidores do Estado e o juiz é um deles: Geny;

f) dar direito ao juiz de nestes casos enviar o processo ao tribunal superior, que julgará livre dos preceitos legais: Angel Ossorio, que assim propôs no anteprojeto do C. Civ. Boliviano de 1943, de sua autoria;

g) tem de aplicar a lei como se fosse o direito, para evitar maiores males e preservação da segurança: Castan Tobeñas. Entenda-se como lei injusta em toda esta exposição a que viola os direitos inatos do homem por ser homem.

B. - J. Castan Tobeñas, Teoria de la aplicación y investigación del derecho. Reus ed, Madri, 1947.

Problema da lei arbitrária
O grave problema deste verbete consiste no seguinte: há leis que são perfeitas do ponto de vista formal, elaboradas com todas as regras constitucionais, comumente leis chamadas especiais porque passam a reger casos que fogem ao comum dos casos gerais, que são regulados por normas regulares que não apresentam problema algum. Mas, e aí começa a dificuldade, muitas vezes estas leis especiais contrariam todos os princípios gerais do ordenamento jurídico da nação.

Não se nega ao legislador o direito de regular casos especiais, mas o que não se pode permitir é que ele fira a consciência jurídica do país a pretexto de fazer leis deste tipo. Como distinguir a lei arbitrária da lei especial justificada?

O problema se complica porque o Judiciário não tem dificuldade alguma em anular os atos administrativos que violem as leis, mas quando se trata de atos legislativos só pode intervir quando eles firam preceito constitucional. Trata-se de um conflito entre o princípio da igualdade de todos perante a lei e os limites que deve ter o poder legislativo mesmo quando faz leis adequadas a casos particulares.

Nos países da common-law não existe o problema, porque para eles lei e direito não se identificam, como pensam os positivistas, havendo a admissão pacífica de que a lei pode ser contrária ao direito, e que esta interpretação os juristas norte-americanos usaram amplamente da doutrina do due process of law, que de simples garantia processual das liberdades individuais, evoluiu para se converter numa limitação constitucional dos poderes do Estado.

É hoje um dos grandes standards jurídicos usados pela Suprema Corte, na contenção ao arbítrio do legislativo, e que depende do tempo, da opinião pública e do lugar em que o ato terá de ser aplicado.

A solução do problema consiste em três premissas fundamentais:

a) a democracia é um Estado de Direito, no qual todos os poderes estão submetidos à lei;

b) toda lei tem que ter generalidade, isto é, aplicar-se a todos quantos se encontrem na mesma situação;

c) que a classificação ou diferenciação feita pela lei seja racional, corresponda ao sentido jurídico total do ordenamento da sociedade sem eiva de arbitrariedade, cabendo amplamente ao Judiciário o exame de todas as violações do princípio da igualdade proporcional dos homens perante a lei.

Todo este verbete foi baseado em San Tiago Dantas, Problemas de direito positivo. Rev. For. Rio, 1953.

Justo por lei
Desde Aristóteles e São Tomás de Aquino, passando por Hobbes, Montesquieu e Rousseau, que se vem sustentando que cabe à lei definir o que é justo e injusto. Justo é o que está permitido em lei, e injusto o que está proibido. Mas modernamente não se admite mais isso, depois que o fascismo mostrou o que é possível fazer de uma sociedade usando do poder legislativo de forma ilegítima. No passado esta concepção tinha um fundamento, que era o de acreditar que jamais o governante usava do poder para prejudicar o bem público ou o bem comum.

Não se tinha ainda noção de que uma classe social usa do poder em seu proveito exclusivo, instaurando um ordenamento jurídico que mais lhe convém, embora aparentando falar em nome de toda a sociedade.

Hoje não há mais dúvida alguma de que não cabe tão somente à lei definir o que é o justo, reconhecendo-se ao juiz moderno amplos poderes de interpretação dessa mesma lei face às circunstâncias sócio-políticas do caso concreto e das conjunturas históricas, como se sabe também que nem todo o direito de uma coletividade está nas leis, e que não é pelo fato de existir uma lei que toda situação ou hipótese que ela prevê passa a ser automaticamente justa.

Os filósofos do direito partidários do direito natural, tanto quanto outros, negadores desse direito, coincidiam em fazer do contrato social a fonte do poder do governante ou príncipe, vendo neste mesmo contrato a segurança de que o detentor do poder executivo não iria abusar do poder contra o povo.

Para os jusnaturalistas que acreditavam na existência de direitos naturais anteriores ao estado, o direito estabelecido pelo contrato social mais não era que a positivização desses direitos, e para os que não admitiam direitos naturais pré-estatais, como Hobbes por exemplo, a segurança de que o governante faria tudo em prol do bem comum estava no princípio de obediência ao contrato (pacta sunt servanda).

01/05/2009

Democracia

Em um país onde vigora a verdadeira democracia nenhum indivíduo deve temer dizer a verdade. Se o indivíduo teme dizer a verdade, é porque não há uma verdadeira democracia... O medo é característica de ambientes autoritários e totalitários, ambientes onde a mentira e os interesses particulares se sobrepõem à verdade...

O medo em proferir a verdade, geralmente, está presente em cenários onde as instituições públicas são fracas e não possuem força suficiente, ou foram corrompidas, para proteger a verdade e aquele que a profere...

Por decorrência, essas instituições, se não garantem a verdade, também não concretizam a justiça... Se a verdade não prevalece, a justiça não se realiza... Não há justiça no meio da mentira, em um cenário de mentiras...

Ilustrativamente, Noam Chomsky, nos EUA, diz a verdade nua e crua e é respeitado... Se ele fosse nacional e estivesse, por exemplo, na China, no Irã, na Coréia do Norte ou, até mesmo, em algum dos nossos vizinhos latinos-americanos que não gostam de ouvir a verdade, ele, certamente, ou estaria na prisão, ou estaria morto...