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21/02/2006

Expectativas enganam o cérebro, diz estudo

Estadão Online - 21 de fevereiro de 2006 - 15:55


Washington - Expectativas exercem uma poderosa influência na forma como o cérebro interpreta os dados captados pelos sentidos. No fenômeno conhecido como efeito placebo, uma pílula de açúcar ou outra substância inócua pode se mostrar capaz de reduzir a dor - desde que quem a toma acredite estar engolindo um analgésico. Agora, um novo trabalho mostra que a manipulação das expectativas é capaz de mascarar até o intragável.

Em um trabalho que será publicado na edição de março do periódico Brain, Behavior, and Immunity, uma equipe da Universidade de Wisconsin-Madison descreve como utilizou algumas criações intragáveis, à base de quinino, e técnicas de última geração de produção de imagens para mostrar o cérebro no ato de enganar-se a si mesmo.

A pesquisa foi liderada pelo professor de psicologia e psiquiatria Jack B. Nitschke, mostra em detalhes como o sistema nervoso reage a uma manipulação para mitigar os efeitos de uma experiência desagradável. "Existe um impacto poderoso da expectativa", disse o cientista, segundo nota divulgada pela Universidade.

A experiência expôs 43 estudantes universitários a poções feitas com quinino, ou água com açúcar ou água destilada, enquanto os voluntários se encontravam num aparelho de ressonância magnética.

Os estudantes foram instruídos a associar símbolos aos líquidos que receberiam: se vissem um sinal de menos, deveriam esperar um gosto ruim; se um zero, um sabor neutro; se um sinal de mais, um sabor agradável. Esses símbolos eram projetados em óculos especiais, usados pelos voluntários. Durante a experiência, porém, o sinal nem sempre correspondia ao verdadeiro sabor.

Os pesquisadores verificaram que, quando o sinal indicava um sabor menos amargo, o sabor realmente era percebido dessa forma, e as regiões do cérebro que codificam sabor tinham uma ativação menor. "A resposta do cérebro ao símbolo enganoso permite prever a percepção do voluntário sobre como o gosto será. O voluntário antecipa um sabor menos ruim, e é assim que ele o descreve", disse Nitschke.