Democratizar o conhecimento e socializar os saberes como ferramenta para transformação social e econômica. Democratizar e socializar para reduzir as desigualdades regionais. Democratizar e socializar para dar oportunidades. Democratizar e socializar para dar esperanças e certezas de um futuro melhor. O poder transformador do conhecimento, monopolizado e retido nas melhores Universidades Públicas, tem que ser disseminado, gratuitamente, para toda a sociedade.

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28/07/2008

Um canal entre Deus e o homem
O cérebro humano é uma máquina do mundo da matéria, um sistema do mundo de três dimensões, que realiza processos do mundo dos espíritos, da quarta dimensão. Esse sistema é a consciência humana. Consciência que movimenta energia, interagindo com a quarta dimensão, com a dimensão dos espíritos.

Certamente, existem bloqueios que impedem a fuga da energia da consciência para a quarta dimensão, prendendo-a dentro da cabeça de cada pessoa. COntudo, estes bloqueios são porosos e permitem algumas escapadelas da consciência para o mundo dos espíritos, para a quarta dimensão. Isto ocorre durante o sono, quando sonhamos ou temos pesadelos. Porém, basta religar o corpo material para que a energia da consciência volte para a cabeça humana.

Entretanto, quando a máquina humana é desligada, quando a pessoa morre, a energia da consciência, uma energia que se tornou semi-consciente ao longo da vida, parte definitivamente para a quarta-dimensão, para o mundo dos espíritos.

Portanto, a consciência humana é um portal entre o homem e o mundo dos espíritos; entre o homem e a quarta-dimensão. Há no sistema-consciência a realização de processos mentais, processos energéticos, que visam tornar a energia que aí circula em Energia Consciente. Quanto mais informação, mais conhecimento, mais processos mentais (pensamentos), maior é a iluminação da consciência, mais consciente se torna a energia que movimenta a consciência.

Inegavelmente, a qualidade da informação e do conhecimento afetam o processo de iluminação. Não bastam informações e conhecimentos religiosos, científicos, culturais, etc. É preciso ir além, é preciso buscar também algo de si mesmo. É o célebre "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e Deus".

Certamente, Deus é Energia Consciente. Ele não é uma energia em processo de consciência, em processo de iluminação, mas sim uma Energia Plenamente Consciente... Logo, a iluminação da consciência é um caminho para Deus...

Portanto, cada homem tem um canal direto com Deus. Possui uma consciência que pode levá-lo para o mundo dos espíritos, para a quarta dimensão. COntudo, o sistema-consciência não vem com um manual que diz como otimizá-lo, ou seja, como alcançar a plena iluminação em dez passos. Esse caminho é tão difícil quanto entrar na tropa de elite do Capitão Nascimento. Um caminho com alto índice de reprovação... Para piorar, cada pessoa tem o seu próprio caminho, um caminho individual entrecruzado com outros caminhos,o que dificulta ainda mais a longa jornada.

A consciência humana, por enquanto, não tem um manual de instrução. Contudo, Deus mostrou como andar no caminho da iluminação para se obter pleno sucesso na caminhada. Certamente, este ensinamento foi dado de forma diferente para sociedades diferentes, culturas diferentes, sistemas de consciência diferentes. Logo, cada padrão de consciência pode encontrar um modelo de caminho, um modelo de iluminação, que lhe seja mais adequado, com o qual identifique mais. Caminhos diversos para Deus...

Além de ensinar o caminho, Deus deu ao homem ferramentas para consultá-lo. Para isto existem os Profetas. Pessoas que estão em sintonia com a divindade, manifestando entre os homens os desígnios de Deus. Pessoas que agem como porta-voz da quarta dimensão e da vontade divina. Estes intermediários aparecem quando a maioria das consciências, por não seguirem as instruções divinas e abandonarem o caminho da iluminação, da justiça, da verdade e da retidão, se contaminaram com o mal e perderam força para se aproximar de Deus, ou seja, o excesso de impurezas nas consciências humanas afastaram a maioria dos homem de Deus. Logo, os torpedos divinos devem ser recebidos, abertos e lidos na Terra.

Os profetas são instrumentos da divindade nesta dimensão. Eles falam e escrevem por inspiração e instrução divina. Não apresentam suas vontades, mas sim a vontade que invade suas consciências, a vontade de um força superior que os controla e movimenta. As orientações divinas, assim como as profecias buscam evitar a disseminação do mal e, consequentemente, a destruição em massa de sociedades inteiras. Como foi o caso de Sodoma e Gomorra ou do mundo anterior a época de Noé... Consciências que somente podem ser limpas por arrependimento e conversão.

Mas, além dos profetas, Deus também mandou construir Templos de oração, súplica e adoração. Aqui também, cada sociedade, dada suas particularidades, recebeu instruções específicas sobre os Templos que deveriam construir. Templos que consideravam a tradição, a cultura, o modo de vida, enfim, o padrão de consciência e da percepção de Deus naquela sociedade. Templos que serviam para aproximar o homem de Deus, ou seja, um local específico onde o homem poderia ir buscar a ajuda divina. Ajuda que não conseguiu obter sozinho, só com a própria consciência, pois esta se encontrava contaminada/tomada pelo mal.

Para a nossa civilização judaico-cristã, o canal de ligação entre o homem e Deus, foi revelado aos Profetas do Velho Testamento e fixado pelos Judeus em Livros Bíblicos. O Rei Davi queria construir um Templo para Deus, mas foi impedido de fazê-lo, pois tinha derramado muito sangue sobre a terra. Porém, Deus deu a Salomão, filho de Davi, a tarefa de construir um Grande Templo.

O Templo construído por Salomão não foi um templo qualquer. Não é um templo fruto da vaidade ou do desejo humano de se imortalizar ou de um homem mostrar seu poder pessoal. Não foi um templo construído por capricho humano, mas sim uma obra instruída e orientada pelo próprio Deus. Nesta obra Deus determinou o lugar a ser construído e foi o Grande Arquiteto da obra.

Uma obra que, conforme a oração de Salomão na inauguração do Templo (Texto abaixo), era uma verdadeira embaixada de Deus na Terra. Porém, devido à contaminação e disseminação do mal entre os homens, o Templo foi destruído... Com isso, a civilização judaico-cristã perdeu a embaixada de Deus na Terra... Certamente, existem outros Templos dentro da civilização judaico-cristã, mas nenhum deles teve a participação direta da divindade em sua construção...

Hoje, a civilização judaico-cristã está afundando na corrupção, no consumismo patológico e em inúmeras outras perversões e degenerações. As coisas sagradas foram abandonadas e esquecidas. Poucos ainda cultuam a divindade, buscam um contato direto com Deus. A maioria das consciências estão contaminadas pelo e não conseguem, sozinhas, nenhum tipo de contato com a divindade. O ateísmo domina as consciências e empurra o homem para a própria destruição...

Portanto, tomando como referência a oração de Salomão (Texto abaixo), uma forma de reaproximar o homem de Deus, uma tentativa de regenerar a civilização judaico-cristã, é reconstruir a embaixada da divindade no local em que Ele indicou e seguindo as orientações que Ele deu para a construção. O Templo de Salomão tem que ser reconstruído...

Certamente, isto significa uma grande encrenca. Primeiro, porcausa do conflito entre Israel e os Palestinos. O conflito tem que ser resolvido antes de se reconstruir o Templo. Segundo, porcausa do conflito entre civilizações, de um lado a civilização judaico-cristã e do outro a civilização islâmica. Conflito que aparece na relação EUA x Irã (Não é o Irã Estado-Nacional que quer armas nucleares, mas sim o Irã Fundamentalista Islâmico, ou seja, os Aiatolás...) e também no fato de existir uma Mesquita, Al Aqsa, em cima do antigo Templo de Salomão...

Isto não deveria significar guerra, mas sim um caminho para entendimento e união. Contudo, os homens são fontes de discórdia e desentendimento. O mal que contamina suas consciências movimenta-os para a própria destruição.
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II Crônicas 6
1 Então disse Salomão: O Senhor disse que habitaria nas trevas.
2 E eu te construí uma casa para morada, um lugar para a tua eterna habitação.
(...)
18 Mas, na verdade, habitará Deus com os homens na terra? Eis que o céu e o céu dos céus não te podem conter; quanto menos esta casa que tenho edificado!
19 Contudo, atende à oração e à súplica do teu servo, ó Senhor meu Deus, para ouvires o clamor e a oração que o teu servo faz diante de ti;
20 que dia e noite estejam os teus olhos abertos para esta casa, sim, para o lugar de que disseste que ali porias o teu nome; para ouvires a oração que o teu servo fizer neste lugar.
21 Ouve as súplicas do teu servo, e do teu povo Israel, que fizerem neste lugar; sim, ouve do lugar da tua habitação, do céu; e, ouvindo, perdoa.
22 Se alguém pecar contra o seu próximo, e lhe for exigido que jure, e ele vier jurar perante o teu altar, nesta casa,
23 ouve então do céu, age, e julga os teus servos: paga ao culpado, fazendo recair sobre a sua cabeça o seu proceder, e justifica ao reto, retribuindo-lhe segundo a sua retidão.
24 Se o teu povo Israel for derrotado diante do inimigo, por ter pecado contra ti; e eles se converterem, e confessarem o teu nome, e orarem e fizerem súplicas diante de ti nesta casa,
25 ouve então do céu, e perdoa os pecados do teu povo Israel, e torna a levá-los para a terra que lhes deste a eles e a seus pais.
26 Se o céu se fechar e não houver chuva, por terem pecado contra ti; se orarem, voltados para este lugar, e confessarem o teu nome, e se converterem dos seus pecados, quando tu os afligires,
27 ouve então do céu, e perdoa o pecado dos teus servos, e do teu povo Israel, ensinando-lhes o bom caminho, em que devem andar, envia chuva sobre a tua terra, que deste ao teu povo em herança.
28 Se houver na terra fome ou peste, se houver crestamento ou ferrugem, gafanhotos ou lagarta; se os seus inimigos os cercarem nas suas cidades; seja qual for a praga ou doença que houver;
29 toda oração e toda súplica que qualquer homem ou todo o teu povo Israel fizer, conhecendo cada um a sua praga e a sua dor, e estendendo as suas mãos para esta casa,
30 ouve então do céu, lugar da tua habitação, e perdoa, e dá a cada um conforme todos os seus caminhos, segundo vires o seu coração (pois tu, só tu conheces o coração dos filhos dos homens)
31 para que te temam e andem nos teus caminhos todos os dias que viverem na terra que deste a nossos pais.
32 Assim também ao estrangeiro, que não é do teu povo Israel, quando vier de um país remoto por amor do teu grande nome, da tua mão poderosa e do teu braço estendido, vindo ele e orando nesta casa,
33 ouve então do céu, lugar da tua habitação, e faze conforme tudo o que o estrangeiro te suplicar, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, e te temam como o teu povo Israel, e saibam que pelo teu nome é chamada esta casa que edifiquei.
34 Se o teu povo sair à guerra contra os seus inimigos, seja qual for o caminho por que os enviares, e orarem a ti, voltados para esta cidade que escolheste e para a casa que edifiquei ao teu nome,
35 ouve então do céu a sua oração e a sua súplica, e defende a sua causa.
36 Se pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles, e os entregares ao inimigo, de modo que os levem em cativeiro para alguma terra, longínqua ou próxima;
37 se na terra para onde forem levados em cativeiro caírem em si, e se converterem, e na terra do seu cativeiro te suplicarem, dizendo: Pecamos, cometemos iniqüidade, procedemos perversamente;
38 se eles se arrependerem de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra do seu cativeiro, a que os tenham levado cativos, e orarem voltados para a sua terra, que deste a seus pais, e para a cidade que escolheste, e para a casa que edifiquei ao teu nome,
39 ouve então do céu, lugar da tua habitação, a sua oração e as suas súplicas, defende a sua causa e perdoa ao teu povo que houver pecado contra ti.
40 Agora, ó meu Deus, estejam os teus olhos abertos, e os teus ouvidos atentos à oração que se fizer neste lugar.

25/07/2008

Quando o mal contamina a consciência
Quando o mal contamina e assume o controle da consciência de um indivíduo ou da consciência coletiva de um grupo ou sociedade, pouca coisa pode ser feita para recuperá-la... A consciência é a essência do homem. E a contaminação da essência contamina todos os processos mentais, todas as sentenças da consciência. Se uma fonte está contaminada, tudo aquilo que brota dela vem contaminado.

Isto significa que os corruptores e os corruptos não vão combater a corrupção. Significa que os exploradores não vão combater a exploração. Significa que os opressores não vão combater a opressão. Todos estes tipos possuem uma consciência contaminada e dominada pelo mal que produzem e do qual se alimentam. Logo, a tendência lógica é que cada um deles trabalhará para que suas respectivas área se expandam e suas ações ilícitas, ilegais e ilegítimas sejam cada vez mais camufladas, dissimuladas e lucrativas.

Somente o arrependimento e a respectiva conversão do homem, para o lado oposto daquilo que ele fazia, é capaz de limpar e regenerar a consciência. Sem arrependimento e conversão, não há como limpar a consciência, não há como regenerá-la.

O arrependimento modifica a consciência, refaz ligações mentais, restaura processos mentais, regenera pensamentos. Logo, é um fenômeno que ocorre no mundo do espírito. A conversão transforma o arrependimento em ação, em prática, em comportamento, revelando-o para os homens. Onde não há arrependimento e conversão, não há salvação.

O mundo antes Noé possuía uma consciência coletiva contaminada pelo mal. Somente Noé e sua família escapavam dessa dominação. Sodoma e Gomorra também tinham uma consciência coletiva contaminada pelo mal. Inclusive, Ló procurou e não conseguiu encontrar nem uma dezena de consciências sadias no meio daquele povo. E, na atualidade, o exemplo mais marcante de uma sociedade com uma consciência coletiva dominada pelo mal foram os nazistas na Alemanha de Hitler. Todas essas sociedades foram destruídas e riscadas do mapa, pois a contaminação da consciência coletiva ocasiona, inevitavelmente, a extinção da sociedade e de seus integrantes....

Hoje, o mal está se disseminando e dominando as sociedades atuais. Mal que tem várias faces e muitos tentáculos, por exemplo, o consumismo patológico, a corrupção desenfreada, a exploração dos mais fracos, a escravidão dos mais pobres, a exclusão dos marginalizados, as violações de Direitos Humanos, a indiferença da maioria, anestesiada pela mídia e pela propaganda, diante de tudo isso...

Enfim, vivemos uma época de intensa e ampla banalização do mal, banalização da humanidade, banalização do homem. Uma época de consciências resignadas, indiferentes, corrompidas. Uma época onde as consciências estão sendo contaminadas e dominadas, cada vez em maior número, pelo lado sombrio da força. Caminhamos a passos largo para a destruição.

E quando um grande número de pessoas adotar o mal como costume diário, como coisa corriqueira, como coisa banal. Quando um grande número de pessoas achar normal e inevitável a corrupção, as violações de Direitos Humanos, a exploração dos mais fracos, a escravidão dos mais pobres. Época de gente indiferente ao próximo, de gente desumana.

Nesta hora estaremos diante de uma consciência coletiva dominada pelo mal e da inevitável eliminação coletiva dessas consciências, eliminação dessa sociedade corrompida. Somente depois dessa limpeza haverá um Novo Céu e uma Nova Terra...

23/05/2008

Livros do Leonildo
Meu primeiro livro (80% pronto) é "Teoria da Consciência e Liberdade". O segundo livro (60% pronto) é "O Direito de Ocupação: a coletividade contra o Estado".

A minha meta, com estas obras, é romper o excesso de mesmice e mediocridade que predominam na atualidade. Mesmice e mediocridade que não derivam de ignorância dos intelectuais dos grupos dominantes. Não é falta de informação ou de conhecimento, mas sim um ardil, um artifício de dominação. Este método dos grupos dominantes é conhecido como "mudar tudo sem mudar nada".

Eles conhecem cristalinamente as soluções para os problemas sociais, porém, descartam estes caminhos, desviando as atenções para coisas irrelevantes e insignificantes. Perpetuando, desta forma, os interesses que geram e alimentam as desgraças sociais.

Alguns agem dolosamente a favor do sistema. Outros agem por omissão. Para estes últimos vale a pergunta do Osmair Camargo Cândido: “do que têm medo muitos que se dizem ‘- solidários’ e ‘cristãos’, mas não fazem o que eu, que creio pouco, faço por consciência do dever?” (Texto completo aqui)

Mais do que isto... com estas obras busco estabelecer, definitivamente, a supremacia da maioria na sociedade. Governo da maioria, direito das minorias. O poder emana do Povo e por ele deverá ser exercido. E o Povo somente pode exercer diretamente o poder em uma Democracia Direta. 513 deputados não são o Povo. Não representam os interesses e a vontade de 185.000.000 de pessoas. A Democracia Representativa é um engodo que tem que ser extinto.

Inclusive, lendo o livro primeiro da obra "República" de Cícero, percebi, claramente, que a idéia de Cipião, apresentada no texto, é corretíssima. Ele considera que o melhor governo para a sociedade tinha que ser uma mistura das três formas de governo: monarquia, aristocracia e democracia.

Inegavelmente, esta idéia de Cipião é o caminho que seguimos quando falamos em República com Democracia Direta. Um executivo usando regras da monarquia, um legislativo exercido diretamente pelo Povo e um judiciário com regras da aristocracia. Porém, as regras para o judiciário devem ser calcadas no mérito, na garantia de igualdade de acesso e na aprovação dos nomes pelo Povo.

12/05/2008

Teoria da Consciência e Liberdade em livro
Como já escrevi a maior parte da Teoria da Consciência e Liberdade, estou considerando, neste momento, a possibilidade de publicá-la em livro de papel, principalmente, para distribuição em bibliotecas públicas.

Além disso, o livro de papel facilita a vida de quem pretende estudar esta idéia mais detalhadamente.

Eu pretendia manter a Teoria somente na internet, mas as barreiras e as filtragens que estão sendo impostas ao meu site e blog, levam-me a buscar outras alternativas para burlar o controle do sistema.

Certamente, este livro entrará, automaticamente, no "index librorum proibitorum" de algumas organizações. Mas isto será inútil, pois a Teoria da Consciência e Liberdade tem força suficiente sobreviver e imortalizar-se. Apesar de tudo e de todos. Que assim seja !!!

16/02/2008

A Teoria da Consciência e Liberdade
Através da Teoria da Consciência e Liberdade é possível explicar a maioria das ações, para não dizer todas, realizadas pelo Homem. Começando na Filosofia, Política, Direito, Religião, etc. É possível reescrever todos os conceitos de diversas áreas a partir da perspectiva da Consciência e Liberdade...

Isto porque toda a ação humana deriva de um decisão, de uma sentença emitida pela consciência daqueles que estão envolvidos na ação, inclusive todos os antigos conceitos de liberdade podem ser explicados por meio da atribuição de relevância a determinados fatores escolhidos pela consciência individual ou coletiva...
Inegavelmente, o que eu estou dizendo é que, até hoje, pensávamos que era o homem que construia toda a História, porém, o que não percebíamos é que por trás do Homem há a Consciência (individual, coletiva, política, social) determinando como tudo deverá ser feito. 

Consciência que é movida por informações e conhecimentos. Consciência que é um sistema e dentro do qual existem processos mentais analíticos de informações e conhecimentos, processos mentais que conhecemos como pensamentos.

Eu vou fazer isto. Vou reescrever tudo da perspectiva da Consciência e da Liberdade. Consciência e Liberdade que dependem, portanto, de informação, conhecimento. Dependem da educação e do acesso ao conhecimento. Por isso, quando democratizamos e socializamos o conhecimento, novos caminhos e novas portas se abrem, e revoluções acontecem...

Para refutar esta Teoria terão que provar que o Homem não é regido por sua Consciência e que é possível separá-lo dela. Como isto não é possível... a Consciência se faz presente em todas as ações e construções humanas. 

01/02/2008

Só me faltava esta...
Depois dessa, como gostam de me culpar por aí, só falta me acusarem de ter promovido o apocalipse, ou seja, ter acelerado o fim do mundo... 

Contudo, eu não me arrependo e não volto atrás.  A Teoria da Consciência Liberdade faz a Humanidade avançar. E o apocalipse faz parte do percurso. Não há como fugir. Para se chegar ao novo Céu e à nova Terra é necessário que o velho Céu e a velha Terra não existam mais.
Há um propósito em minha vida e ele será cumprindo até o fim. 
 
Seja no papel de João Batista, seja no papel de Judas Escariotes. É isto que diz a minha Consciência. 
Para que uns se salvem, outros terão que se sacrificar. E eu sempre estou no lado do sacrifício.
Enfim, preciso consultar os religiosos sobre estas questões.

Só falta jogarem água benta na minha pessoa...

Estou paralisado...
Eu estava escrevendo a Teoria da Consciência e Liberdade para explicar a escravidão totalitária e preveni-la. Não havia uma razão religiosa nesta Teoria. Como eu já disse, eu sempre fugi de religião e das interpretações que fazem das religiões. Porém, Deus sempre está comigo, assim como está com todos que tem fé Nele.

Então surgiu um elemento religioso na Teoria. Um elemento religioso fortíssimo que pode precipitar uma série de eventos e fazer cumprir profecias em várias religiões.

A consciência pode unir todos os seres humanos. È o que há de comum entre os Homens. A Consciência movimenta energia. E Deus é energia Consciente. Pela Consciência o Homem se aproxima de Deus. Através da Consciência, Deus se manifesta entre os Homens, assume um corpo material ou inspira seus Profetas. A energia da consciência é a chama divina que Deus deu aos Homens. É o que há de divino no Homem. Vida, todos os animais têm. Consciência, só os seres feito à imagem e semelhança de Deus.

O mecanismo da consciência e Deus como energia consciente explica tudo em todas as religiões. Logo, pode unir tudo. E este "unir tudo" é que pode precipitar as profecias messiânicas que existem na maioria das religiões...

Porém, eu não estava atento às conseqüencias desse aspecto religioso. Estava escrevendo as coisas como elas são produzidas/sugeridas em minha Consciência. E, inegavelmente, empolgado com tudo, pois as coisas, os aspectos da Teoria, se mostram de uma forma tão lógica e evidente que a grande pergunta que eu fazia era: como não viram isto antes ? Por que não escreveram isto antes ?

Contudo, a resposta sempre estava em minha consciência: "Para tudo há um tempo determinado. E há um tempo para todo propósito embaixo do Céu." Há algo escapando à minha percepção. Ouvia certas frases, certas referências... Enfim, resumindo a história toda, se a minha Teoria vai ajudar a precipitar o apocalipse, quero saber de todos os detalhes e de todas as versões...

Portanto, quero saber de tudo... de todas as profeciais que falam de um Messias, que falam do fim dos tempos, da união das religiões, etc...Poderíamos começar pela Cabala e pelos Rabinos Hassídicos, pela profecia do Retorno do "Imame Mahdi", sobre o anticristo, etc.

O que eu sei, até agora, sobre o assunto é o que li na Bíblia e o que li em:

1- http://www.espada.eti.br/n2108.asp

2- http://www.espada.eti.br/rv133.asp

3- http://www.espada.eti.br/n1516.asp

Que Deus me dê entendimento e sabedoria para saber diferenciar o joio do trigo...

Coisas da minha cabeça...
A busca pelo escolhido disseminada nos filmes e livros...  O Messias retornará, diz a profecia... Mas como identificá-lo ? É o Messias, um Profeta ou um impostor ?

Akhenaton... Moisés, Davi, Jesus, ... Maomé... Buda... Krishna... Consciência divina entre os homens ... Consciência divina em corpo de homem.
Krishna disse:
(...)
5. Tanto você como Eu já vivemos muitas vidas, posso lembrar-Me de todas; você, no entanto, não pode, ó vencedor de inimigos!
6. Mesmo sendo não nascido e Meu corpo imperecível não possa se corromper; embora Eu seja Senhor de todos os seres vivos; ainda assim Eu manifesto Minha forma original quando se faz necessário.
7. Em qualquer lugar e sempre que a verdade vacilar e a mentira dominar, Eu me manifestarei, ó descendente de Bharata.
8. Para restabelecer os princípios religiosos, para salvar os devotos e aniquilar os canalhas, Eu surjo em cada milênio.
(...)

28/01/2008

Um pedaço da minha Liberdade
As coisas que eu estou escrevendo poderão ser corrigidas em alguns pontos. Contudo, isto será feito quando houver um erro ou uma contradição oriundos de dados errados que utilizei. Estamos sujeitos a utilizar dados errados, principalmente, nas traduções, interpretações equivocadas, etc. Eu escrevo as coisas como elas se revelam para a minha consciência, não de acordo com vontades ou interesses alheios.

Portanto, se gostam ou se não gostam, a Teoria será escrita até o fim e se fechará em um sistema que explica o Homem, a Consciência, a Vida e a Liberdade. Uma Teoria que aproximará o Homem de seu Criador: Deus, pelo caminho que foi dado: a consciência.

Eu não estou preocupado com o que pensa os pseudo-intelectuais que estão ao meu redor e que usam a ciência para destruir a essência do Homem e até mesmo para destruir o próprio Homem. Também não me interessa as críticas dos falsos profetas que usam a religião como instrumento de dominação, poder e negócio para ganhar dinheiro.

O que esta Teoria busca é libertar o Homem de todas as amarras que o impedem de ser livre e de se aproximar de seu Criador. É uma Teoria da Consciência e Liberdade. Teoria que separa o joio do trigo. Para cada Homem foi dada uma Consciência Individual. Cada um tem a sua. Cada um dará conta dos seus atos. Dos atos que praticou no exercício de sua Liberdade. Aqui não há espaço para o domínio de uns sobre os outros. Não há espaço para imposições.

Há espaço para diálogos e busca do melhor caminho. Mas este diálogo e esta busca dependem de cada um, de cada consciência. Inclusive, Deus não obriga o Homem a nada, deu lhe livre-arbítrio para escolher e decidir...

Inclusive, esta Teoria nasceu de minhas percepções da opressão totalitária. É uma Teoria que nasceu da dor que senti ao ver os extermínios, as perseguições e a banalidade do mal. Ela não nasceu para explicar coisas religiosas. A religião surgiu como corolário de alguns pontos...

Inegavelmente, esta Teoria é uma revelação. É uma epifania. O que é epifania ?
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Wikipedia: "Epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa" do problema. O termo é aplicado quando um pensamento inspirado e iluminante acontece, que parece ser divino em natureza (este é o uso em língua inglesa, principalmente, como na expressão I just had an epiphany, o que indica que ocorreu um pensamento, naquele instante, que foi considerado único e inspirador, de uma natureza quase sobrenatural).

Epifania também possui o significado de manifestação ou aparição divina. Diversos personagens históricos, na maioria líderes religiosos, filósofos, cientistas, místicos, escritores, teriam tido experiências epifânicas."
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Enfim, é uma Teoria da Consciência e Liberdade. E Liberdade é o poder do indivíduo de expressar a própria consciência. Esta Teoria, portanto, é a manifestação da minha consciência. Logo, é um pedaço da minha Liberdade.

A vida e a consciência no Livro de Gênesis
Vamos fazer a seguinte experiência. Vamos raptar um Pajé de um tribo indígena isolada. Vamos levar este Pajé até um cinema e vamos lhe mostrar o documentário da BBC sobre a Origem e Evolução da vida. Pedimos para o Pajé anotar tudo para transmitir aos seu Povo. Em seguida o levamos de volta à sua tribo.

Este Pajé irá transmitir a revelação ao seu Povo ? Certamente, irá. Porém, com qual linguagem ? Como ele irá explicar o que viu ? Como ele irá descrever o que viu ? Como ele irá exemplificar o que viu ? Isto também ocorre quando a consciência humana é levada à presença de Deus. Quando Deus revela a sua verdade. Nem sempre nós temos palavras ou linguagem para descrevermos o que estamos vendo. Nem sempre compreendemos o que vemos e, muita vezes, não conseguimos nem exemplificar a revelação divina. Isto também se aplica à revelação do Gênesis e outras revelações, por exemplo, o apocalipse.

O tempo de Deus é diferente do tempo do Homem. Deus é energia consciente. Logo, podemos ter uma noção do tempo de Deus olhando para a fórmula de Einstein E= M.C.C, onde E é a energia, M é a massa e C é a velocidade da luz. Massa acelerada à velocidade da luz ao quadrado... é a nossa matéria se aproximando da natureza de Deus. Contudo, Deus não é uma forma qualquer de energia. É energia consciente. Logo, algo muito superior à energia comum.

Sobre os livros sagrados... Há muito conhecimento nos livros sagrados. Inclusive, é importante observar, os livros sagrados foram escritos sob orientação e inspiração divina. Deus revelou a verdade ao homens. As verdades foram ditas claramente por Deus, mas os homens nem sempre tinham, e talvez ainda não tenhamos, um conhecimento e uma linguagem adequada para compreender/traduzir a revelação divina.

Os livros sagrados, tendo a mesma origem e a mesma inspiração e orientação, não se excluem, mas se complementam... Há uma linha comum que transpassa todos eles. Lembrem-se, porém, que as interpretações, traduções, etc, são humanas, nem sempre são divinas. Logo, uma pessoa sob inspiração divina é capaz de juntar todos os livros sagrados em um só. Assim como capaz de eliminar tudo aquilo que foi inserido nos livros sagrados pelo interesse e pela vontade humana. Inseridos pelo Homem, não por orientação ou inspiração divina.

Mas agora eu quero falar de outra coisa. Quero falar do Gênesis, capítulo I. Este capítulo descreve a criação do mundo. Certamente, há muitos símbolos e muitas coisas neste livro que fogem à nossa compreensão ou escapam à nossa percepção. Mas alguns pontos podemos compreender à luz da ciência de hoje.

Vou falar da separação entre vida e consciência. Isto está no Gênesis. Não acredita ? Vou mostrar.

A vida surge em Gênesis, capítulo I, versículo XI:"E disse Deus: Produza a terra relva, ervas que dêem semente, e árvores frutíferas que, segundo as suas espécies, dêem fruto que tenha em si a sua semente, sobre a terra. E assim foi."

Em seguida aparece o versículo XX - " E disse Deus: Produzam as águas cardumes de seres viventes; e voem as aves acima da terra no firmamento do céu." e XXI - "Criou, pois, Deus os monstros marinhos, e todos os seres viventes que se arrastavam, os quais as águas produziram abundantemente segundo as suas espécies; e toda ave que voa, segundo a sua espécie. E viu Deus que isso era bom."

Eu observo, neste ponto, que a ordem dos versículos pode ter sido trocada, ao longo do tempo, pelos homens que copilaram ou traduziram o livro. A ordem pode não ter sido considerada importante, apenas buscaram registrar a verdade como um todo: a criação das coisas e do mundo por Deus. A ordem não muda esta verdade. Muda apenas a seqüência dos fatos, pois muda a seqüência dos versículos.

É preciso olhar os manuscritos antigos e ver se houve alteração da ordem por ordem de pessoas que tentavam inserir uma seqüência lógica, para seu tempo, no livro sagrado.

Por que eu estou dizendo isto ? Porque se reordenarmos os versículos do Gênesis, teremos a seqüência da Teoria da Evolução. Fatos da Teoria da evolução estão descritos no Gênesis. Não foi Moisés que copiou Darwin, mas Darwin pode ter visto a seqüência correta da criação na Bíblia e saiu à procura dos fatos, que comprovasse a sua Teoria da Evolução. Há no Gênesis fatos importantes da evolução, na natureza.

Por exemplo, os primeiros animais, criados por Deus, surgem no mar, são os peixes. Outro exemplo, o homem é o último ser da criação. As plantas são criadas na Terra. As aves no céu, etc. A criação dos seres são as novas ramificações genéticas da árvore da vida. Cada novo ramo foi induzido pela vontade divina.

Isto tudo, para a natureza divina, pode ter durado apenas seis dias, mas para a natureza humana pode ter durado milhões de anos. Não esqueçam do E=M.C.C. O tempo da energia é muito diferente do tempo da matéria. O tempo da energia é o tempo de Deus. O tempo da matéria é o nosso tempo.

E Deus contando isto para um homem de milhares de anos atrás teria que, necessariamente, resumir a história. Não teria como falar em DNA, hereditariedade, genes, evolução, genética, etc; ou então, o homem de milhares de anos atrás só tinha estas palavras para descrever aquilo que Deus estava lhe contando.

A consciência do homem que captou e escreveu a revelação divina não tinha as ferramentas, informação e conhecimento, que nós temos hoje para compreender a criação. Além disso, se o homem que escreveu a revelação tivesse as ferramentas que nós temos, ele também não escreveria a revelação usando tal linguagem. Ninguém compreenderia. E a história da criação tinha que ser contada ao Povo. Por isso, que ela foi revelada.

Eu considero um erro pensar a ciência como inimiga da religião e de Deus. A ciência busca, ao contrário do que pensam os ateus, compreender a natureza e as ações de Deus. Não há como afastar Deus do Universo. Não há como afastar Deus do Homem, pois nós carregamos, dentro de nós, em nosso âmago, a essência divina.

E isto aparece na criação do Homem, que ocorre no versículo XXVI do capítulo I do Gênesis: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra."

E como Deus fez esta criação ? Isto aparece no capítulo II, versículo VI:"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente."

Portanto, a vida foi criada antes do Homem. Primeiro Deus criou os animais. Logo, criou primeiro a vida. Mas o homem não era só um animal. Ele é um ser com consciência. Um ser semelhante ao seu criador. Semelhante em quê ? Na vida não era, pois os animais foram criados antes, ou seja, os animais já tinham vida e não eram semelhantes ao criador. Semelhante em consciência.

É a consciência que torna o Homem semelhante a Deus. Como Deus faz isto ? Deus insere a consciência no Homem com um sopro em suas narinas. Certamente, o sopro de Deus não é vento, mas sim energia. O sopro de Deus é a energia que movimenta a nossa consciência. Por isso, a nossa consciência é um sistema que movimenta a energia divina. Por isso, somos alma vivente, somos consciência vivente, somos matéria com um pedacinho da consciência. Um pedacinho da consciência divina presa na matéria.

Outro coisa interessante do versículo VI, capítulo II, é o fato de estar escrito no Gênesis que Deus formou o homem do pó da terra. Inegavelmente, somos pó da terra. O nosso corpo pode ser reduzido e separado em pó, em elementos químicos que constam da tabela periódica. O nosso corpo é, na mais, nada menos, do que elementos químicos reunidos.

Enfim, o primeiro dom de Deus foi a vida. A vida que os demais animais também possuem. Contudo, temos outro dom de Deus. E é este dom que nos torna semelhantes a Deus e que é um pedaço da essência divina dada a nós. Um pedaço da essência divina presa na matéria: a consciência. Uns chamam de alma, outro de espírito, mas é a mesma coisa.

Papa diz que ciência não pode ser único critério do bem
Para o papa, é mais do que nunca importante 'educar as consciências de nossos contemporâneos'

ROMA - Em audiência aos participantes do convênio acadêmico "A identidade mutável do indivíduo", o papa Bento XVI advertiu para a importância de, nesta época em que "o desenvolvimento das ciências fascina e seduz pelas possibilidades oferecidas", evitar que o homem se torne "o objeto de manipulações ideológicas, de decisões arbitrárias ou de abuso do mais forte sobre o mais fraco".

Vaticano lança turnê mundial contra o aborto

O convênio acadêmico foi realizado nos dias 24 e 25 de janeiro em Paris, por iniciativa da Academia de Ciências Morais e Políticas e da Academia de Ciências da França, junto com a Pontifícia Academia de Ciências.

Para o papa, é mais do que nunca importante "educar as consciências de nossos contemporâneos para que a ciência não se torne o critério do bem e para que o homem seja respeitado como o centro da criação". Bento XVI procurou prevenir contra os "perigos dos quais nós pudemos conhecer as manifestações no curso da história humana e em particular no curso do século 20".

"Todo o caminho científico deve ser também um caminho de amor, criado para colocar-se a serviço do homem e da humanidade, e para dar sua contribuição à construção da identidade das pessoas", disse o papa. "O homem não é fruto de um acaso, nem de uma série de coincidências, nem de determinismos, nem de interações fisico-químicas; é um ser que goza de uma liberdade que, tendo consciência de sua natureza, transcende esta última e aquilo que é o sinal do mistério da alteridade que a habita", declarou Bento XVI.

Segundo o pontífice, "essa liberdade, que é própria do ser humano, faz com que este possa orientar sua vida até um final, que possa, através de seus atos, caminhar em direção à felicidade à qual é chamado pela eternidade".

"Essa liberdade faz parecer que a existência do homem tem um senso. No exercício de sua autêntica liberdade, a pessoa realiza sua vocação; completa-se; dá forma à sua identidade profunda. A dignidade particular do ser humano é ao mesmo tempo um dom de Deus e a promessa de um futuro", acrescentou.

Bento XVI declarou ainda que "o homem leva em si uma capacidade específica: discernir o que é bom e o bem, em uma capacidade que o incentiva a fazer o bem". "Movido por isso, o homem é chamado a desenvolver sua consciência através da formação e do exercício, para guiar-se livremente na existência, baseando-se nas leis existenciais que são a lei natural e a lei moral".

21/01/2008

A doxa, a consciência, a internet e os direitos individuais

É isso mesmo... vou fundamentar um modelo de Democracia Direta para a atualidade nas idéias de Hannah Arendt. Nós temos tecnologia, temos disposição, só falta o modelo que eu estou construindo...

Reescrevendo a definição citada na série Arquivo X, digo que, precisamos buscar as conectividades da vida e conectar o não conectado. Precisamos fazer justaposições e buscar relações e padrões nas coisas e na natureza. Mais do que isto, precisamos buscar avenidas imprevistas de pensamentos e virar novas esquinas. Precisamos fazer tudo isto para promover a evolução da humanidade e alcançar novos patamares de desenvolvimento e conhecimento.

Neste texto busco ligar o presente ao passado e mostrar que podemos reproduzir hoje, com novos parâmetros e métodos, mas preservando a mesma essência, a vida na polis grega. Para isto vou relacionar a doxa com a consciência, a esfera pública com a internet. Para estabelecer estas conexões e relações vou utilizar textos que já escrevi sobre a questão, assim como fazer uso dos especialistas no assunto, incluindo Hannah Arendt, cujas idéias são o teorema fundamental na construção destas conectividades.

Inicialmente vamos refletir sobre alguns pontos da obra "Política e Liberdade em Hannah Arendt", escrito por Francisco Xarão (Ed. UniJuí - RS - 2000). Estes pontos explicam bem a visão ateniense da política. E, a partir dessa explicação, posso construir as relações propostas, trazendo a construção ateniense para a atualidade.

De acordo com o livro citado:

"Persuadir não era, para os atenienses, tão somente sujeitar por palavras a opinião de outros à sua própria opinião. Persuasão era o meio pelo qual os atenienses trocavam as suas 'doxai'. Para Sócrates, como para seus concidadãos, a 'doxa' era a formulação em fala daquilo que 'dokei moi', daquilo que me parece. A 'doxa' não era algo que seria provável ou semelhante em referência a algum padrão definido, mas sim a forma pela qual o mundo se revela aos olhos de cada um.

O pressuposto dos habitantes da 'polis' era de que um mesmo mundo se abre a todos de maneira diferente pelo fato de que cada um ocupa nele um lugar distinto. Conseqüentemente, apesar das variedades de opinião, pela multiplicidade de posição que os homens ocupam em um mundo comum, era natural para os atenienses que todos os que possuíssem 'doxai' fossem considerados humanos." (Xarão, pag.58).

Antes de analisar esta instituição grega, vou buscar, na Teoria da Consciência e Liberdade (Texto aqui), a definição que utilizo para a consciência:

"A Consciência é um sistema analítico que avalia informações e conhecimentos e emite, após esta análise, uma sentença, uma decisão. A consciência pode ser comparada a um juízo ou uma vara judicial. O juízo ou vara judicial através do processo judicial analisa provas, fatos, etc. A consciência, através de processos mentais, analisa informações e conhecimentos. Os processos mentais são conhecidos por pensamentos. Quando pensamos estamos analisando informações e conhecimentos.

Portanto, a consciência, através de processos mentais (pensamentos), analisa informações e conhecimentos emitindo, como resultado dessa análise, uma sentença que poderá formar uma nova informação ou um novo conhecimento, ou então, a decisão é uma ordem que deve ser executada.

A ordem da consciência é a vontade. E esta ordem, decisão (uma sentença) interna, própria do indivíduo, é gerada por conhecimentos e informações que o indivíduo recebeu ao longo do tempo e de sua vida, assim como dos valores que aprendeu, dos costumes de onde vive, etc."

A 'doxa' tem ligação direta com a consciência. A 'doxa' era a formulação em fala daquilo que 'dokei moi', daquilo que me parece. A formulação em fala daquilo que me parece é a formulação em fala da sentença emitida pela minha consciência. A 'doxa', portanto, é a própria expressão da consciência da pessoa, pois a formulação em palavras daquilo que me parece é a formulação em palavras da sentença emitida pela consciência humana. E a sentença emitida pela consciência do indivíduo é a opinião do indivíduo.

A forma como o mundo se revela aos olhos de cada um é a forma como a consciência humana capta e vê o mundo ao seu redor. Enfim, a consciência humana constrói e profere a 'doxa'.

E a visão dos atenienses que considerava humano somente quem possuía 'doxa' está corretíssima, pois somente os humanos possuem consciência. E somente quem tem consciência pode formular em fala aquilo que 'dokei moi', aquilo que lhe parece.

Continuando no texto de Xarão, sobre Hannah Arendt, lemos que:

"A palavra 'doxa' significa não só opinião, mas também glória e fama. Como tal, relaciona-se com o domínio político que é a esfera pública em que qualquer um pode aparecer e mostrar que é. Nesta possibilidade de aparecer e brilhar dos outros, considerada pelos atenienses como privilégio do domínio público, é que os homens atingem sua plena humanidade. Todos aqueles que viviam somente no domínio privado - a família (mulher e filhos) e os escravos - não eram, por isso, reconhecidos como plenamente humanos." (Xarão, pag.58).

Portanto, para os gregos somente alcançava a plena humanidade quem expressava plenamente a sua consciência no espaço público, quem refletia e formulava em palavras o 'dokei moi', aquilo que lhe parecia. Quem revelava aos outros a sua consciência, a sua opinião.

A segunda relação que estabeleceremos e da "vida na 'polis' com a internet. A 'vida na 'polis' constituía-se no aparecer, com atos e palavras, em um espaço público projetado para isso, onde os cidadãos podiam trocar as suas 'doxai'."(pag.86)

"A 'polis' era o lugar do agir e falar em conjunto, o espaço de aparição, no mais amplo sentido da palavra, ou seja, o espaço no qual eu apareço para os outros assim como os outros aparecem para mim, onde os homens existem não meramente como coisas vivas ou inanimadas, mas fazem sua aparição explicitamente."(Xarão, pag.86).

Portanto, a 'vida na polis' é o lugar onde o indivíduo aparece para revelar a sua consciência, para mostrar a sentença que a sua consciência proferiu em determinado caso, ou seja, a sua opinião. A 'vida na polis' é o espaço de revelação da consciência individual.

Como é que eu relaciono isso com a atualidade. A internet nada mais é do que a polis grega, ou seja, um espaço onde nós aparecemos para defender as nossas idéias, as nossas visões, etc. Um espaço onde, através dos nossos sites, blogs, orkut, chat, vídeos, etc formulamos aquilo que 'dokei moi', aquilo que nos parece. A internet é um espaço, existem muitos outros, de revelação da nossa consciência, de revelação da nossa opinião.

E assim, como a polis grega, a internet nos dá a possibilidade de falar e sermos ouvidos, de falar e sermos rebatidos, de falar e sermos questionados. Não há indiferença na internet. Há sempre interação, pois todo texto é lido. Podem até não respondê-lo ou não comentá-lo, mas o texto é lido. E aquela leitura irá aparecer em algum outro lugar, na fala de alguém...

Mas o mais interessante é que a internet está aberta para todos. É uma 'polis' universal. Não faz distinção, nem vê diferenças. Todos tem a mesma possibilidade de trocar as suas 'doxai', expressar o seu 'dokei moi', aquilo que lhe parece... É isso que fazemos aqui com os nossos textos, com as nossas idéias, etc.

A 'doxa' se transforma em um problema para os filósofos gregos quando Sócrates é julgado e condenado, na Ágora, pelos diversos 'dokei moi' (me parece) dos atenienses.

É importante lembrar que a Ágora era a praça pública onde os antigos gregos atenienses reuniam-se para debater e deliberar acerca de suas questões políticas. Era ali que tomava corpo a ecclèsia, a assembléia dos cidadãos para decidirem sobre os destinos de sua polis, da sua cidade.

"Platão teria concluído desse fato que o filósofo não está seguro na 'polis' Para confirmar essa conclusão basta lembrar a opinião que os gregos tinham dos 'Sophoi' os sábios, como pessoas que não sabiam o que era bom para eles (um bom exemplo disso é o fato pitoresco de Tales ter caído em um poço sob seus pés enquanto olhava para o céu). Ora, os 'Sophoi' eram os que estavam mais interessados com os assuntos externos à vida diária (com as questões eternas e imutáveis) e, por isso, não possuíam aquele tipo de sabedoria prática, que Aristóteles chamou de 'Phronésis'.

O próprio Aristóteles concordava com essa opinião pública: tanto Tales quanto Anaxágoras eram sábios, mas não 'Phronimos'(homens de compreensão). A preocupação dos 'Sophoi' era com a verdade das coisa, com aquilo que é eterno e, portanto, não-humano. Conseqüentemente, eram vistos como inúteis para a 'polis'. Platão não discordava dessa opinião, mas recusava aceitar que isso tornasse os filósofos inúteis para a política". (p.59)

"A condenação de Sócrates fez com que Platão empreendesse uma busca de padrões absolutos, sem os quais o domínio político permanece sempre relativo e instável. Tais padrões tornaram-se, daí em diante, o impulso primordial de sua filosofia política, influenciando de forma decisiva até mesmo a doutrina puramente filosófica das idéias. Relacionada com a busca desses padrões está a desconfiança em relação à persuasão e, intimamente ligada a essa desconfiança, a condenação da 'doxa'. O conceito de verdade elaborado por Platão está em proporção inversa à noção de 'doxa', tão importante na Grécia. A distância entre opinião e verdade tornou-se então o abismo que viria a separar os filósofos dos homens comuns". (p. 60)

Se a 'doxa' é a própria expressão da consciência da pessoa, pois a formulação em palavras daquilo que me parece é a formulação em palavras da sentença emitida pela consciência humana, como foi possível a condenação de Sócrates ? Como explicamos isto a partir da Teoria da Consciência e Liberdade ?

O primeiro equívoco dos gregos foi confundir opinião (verdade subjetiva) com verdade (verdade objetiva), foi confundir a sentença emitida pela consciência, a 'dokei moi', com a verdade oriunda objetivamente das coisas e dos fatos.

A ordem emitida pela consciência do indivíduo é a vontade. E esta ordem, decisão (uma sentença) interna, própria do indivíduo, é gerada por conhecimentos e informações que ele recebeu ao longo do tempo e de sua vida, assim como dos valores que aprendeu, dos costumes de onde vive, etc. Por isso, esta ordem (sentença), a vontade, é uma verdade subjetiva.

A verdade objetiva advém das coisas e dos fatos independentemente da interferência humana, sendo comum a todos os seres humanos. São os dados 'in natura'. Por exemplo, o sol nasce. A planta cresce. O tempo passa. A pedra cai, etc.

A razão e a ciência são especializadas na produção de verdades objetivas. Verdades objetivas que também são captadas pela consciência humana e que, muitas vezes, não são tão objetivas, mas eram verdades subjetivas. Por exemplo, 'o sol gira ao redor da terra' já foi uma verdade objetiva. Porém um dia, Copérnico mostrou que esta verdade, tida como objetiva, era, na verdade, uma verdade subjetiva do Ptolomeu. A verdade objetiva era 'a terra gira ao redor do sol'.

A Teoria da Consciência e Liberdade define a Liberdade como poder do indivíduo de agir de acordo com a sua própria consciência, ou seja, agir de acordo com a ordem emanada da consciência. Esta ordem é formada pela consciência por meio de processos mentais (pensamentos) que analisam informações e conhecimentos.

Portanto, a Liberdade humana deriva de uma verdade subjetiva. Contudo, sendo a Liberdade um poder, e o poder é uma coisa objetiva, é uma verdade objetiva. Portanto, a Liberdade humana é uma verdade objetiva (um poder) que executa (põe em prática ou movimenta) uma verdade subjetiva (a sentença da consciência).

A Teoria da Consciência e Liberdade explica, ainda, o motivo pelo qual as pessoas possuem liberdades parecidas ou porque a percepção de liberdade entre os indivíduos é parecida. A resposta é: porque a nossa consciência se desenvolve sobre a mesma base cognitiva. Recebemos as mesmas informações, os mesmos conhecimentos, as mesmas regras, os mesmo costumes, valores, crenças, etc.

Logo, temos os mesmos conjuntos de dados que serão avaliados pelos processos mentais (pensamentos). Contudo, como existem pequenas variações nas cognições e nos pesos dados às informações e conhecimentos, temos liberdades individuais parecidas, mas jamais semelhantes. Cada pessoa tem a sua própria consciência e constrói a sua própria liberdade. Porém, faz isto dentro do mesmo sistema cognitivo social. Portanto, não existem grandes discrepâncias.

Disso decorre que onde há uma diferença acentuada na consciência, devido a diferenças no sistema cognitivo, valores e crenças há uma mudança acentuada na percepção da liberdade. É o caso da liberdade do oriente x a liberdade do ocidente. A liberdade dos cristãos x a liberdade dos muçulmanos x a liberdade dos budista, etc.

Portanto, tudo que incide e afeta a liberdade, incide e afeta a 'doxa'. Mais do que isto, a 'doxa', compreendida como expressão da consciência da pessoa, antecede a liberdade. É uma verdade subjetiva. É uma verdade que varia de pessoa para pessoa e depende das informações e conhecimentos que a pessoa possui e daquilo que ela aprendeu ao longo da vida, suas crenças, seus valores e seus costumes.

Um exemplo evidente disso é um referendo hipotético que podemos fazer sobre um mesmo caso. Um homossexual é levado à Àgora para julgamento. A primeira Àgora é no Irã. A segunda Àgora é no Brasil. E o referendo deve dizer se ele será condenado a morte ou não. As pessoas devem decidir livremente de acordo com a própria consciência. Muito provavelmente, no Irã ele será condenado a morte e, no Brasil, é absolvido e enviado para participar do Big Brother.

O que ocorreu com a 'doxa' ? Não há verdade na 'doxa' ? A resposta é: a verdade da 'doxa' é a verdade da consciência. A verdade da consciência é uma verdade subjetiva. Não é uma verdade objetiva, uma verdade matemática. Por isso a 'doxa', assim como a vontade da maioria, não é o instrumento adequado para emitir decisões onde se exige a existência de uma verdade objetiva.

Portanto, Sócrates foi condenado pela confusão entre a opinião e a verdade. Confusão entre a vontade da maioria e a verdade objetiva. A vontade da maioria é apenas a generalização de uma verdade subjetiva. Isto não a torna uma verdade objetiva. Em tese, a sentença de julgamento de um homem deve se aproximar o máximo possível de uma verdade objetiva. E, para isto, deve-se utilizar técnicas e métodos científicos e racionais. Contudo, se Sócrates tivesse sido julgado por um só Juiz ateniense, ele teria se salvado ?

A razão e a ciência produzem verdades objetivas, informações e conhecimentos, que são matérias-primas na construção da 'doxa'. A minha visão de mundo é construída a partir daquilo que eu sei sobre o mundo. Aquilo que me parece, a sentença da minha consciência, é formada pela análise das informações e dos conhecimentos que internalizei ao longo da minha vida. Informações e conhecimentos que vêm das mais diversas fontes: ciência, razão, religião, etc.

Portanto, os excessos e os desvios da 'doxa' podem ser corrigidos pela ciência e pela razão, com o estabelecimento de verdades objetivas, válidas para todos. Estas verdades objetivas ou convencionadas formam, dentro da consciência individual, os subsistemas. Por exemplo, a consciência coletiva que reúne regras e normas ligadas à estrutura familiar, ao aprendizado familiar, à educação, aos valores individuais, à moral, à ética, etc. É a consciência que se desenvolve nos pequenos grupos, na família, entre os amigos ou em numa pequena comunidade.

Quando a consciência, antes de emitir uma 'doxa', se depara com as normas e regras da consciência coletiva, ela pára e acata a decisão que é aceita e convencionada - por aquele grupo coletivo. Ela acata aquilo que está estabelecido. Logo, a 'doxa' se apresenta formatada pela convenção.

A consciência social é uma generalização, uma ampliação, da consciência coletiva. Enquanto a consciência coletiva estrutura e mantém um grupo pequeno e próximo ao indivíduo, a consciência social estrutura e mantém um grupo amplo, uma coletividade, uma sociedade. Na consciência coletiva os membros do grupo são conhecidos, pois estão próximos. Nesta consciência social os membros do grupo são, em sua maioria, desconhecidos um dos outros, porém estão sujeitos às mesmas normas e regras. Um exemplo disso é o ordenamento jurídico - costumeiro ou o Direito Positivo.

Quando a consciência, antes de emitir uma 'doxa', se depara com as normas e regras da consciência social, ela pára e acata a decisão que foi legitimada pelo grupo social e vale para todos. Por exemplo, uma lei ou um costume da sociedade. Logo, mais uma vez, a 'doxa' se apresenta formatada pela convenção.

Outro ponto importante é que a 'doxa', verdade subjetiva, caminha para a verdade objetiva, conforme o número daqueles que a detém. O termo 'caminhar' significa que se uma grande maioria vê a mesma coisa, há uma tendência desta coisa ser uma verdade objetiva. Porém, isto é uma tendência que a ciência e a razão irão testar para ver se ela se confirma ou não. A maioria pode estar redondamente enganada. Isto ocorre, por exemplo, quando há uma informação errada na base cognitiva, que leva a um processo analítico errado na consciência, logo, a uma 'doxa' errada. Ilustrativamente, uma gráfica imprime um livro com informações erradas. O livro é usado para uma prova que faz uma pergunta sobre aquela informação errada. O que acontece ? Todos que estudaram por aquele livro irão responder errado a questão, irão fazer comentários errados, etc.

Outro elemento inibidor dos excessos e desvios da 'doxa' é a instituição do Direito Natural. Mas antes disso, é preciso dizer que o Direito é sempre uma condicionante da consciência. Logo, uma esfera inibidora da liberdade. Isso porque a consciência do homem pode contrariar o Direito, pode contrariar as normas vigentes. Logo, o Direito limita e inibe a esfera de consciência. Portanto, inibe e limita a liberdade. Por isso, é válida a frase que diz: "Sempre que nasce um direito, morre uma liberdade". Morre uma liberdade porque uma consciência foi condicionada e os indivíduos não terão mais uma consciência livre naquele assunto. Terão que agir, não de acordo com a própria consciência, mas de acordo com a prescrição da norma que foi criada. A consciência tem que seguir a norma. A liberdade foi condicionada e limitada.

O Direito Natural é um conjunto de normas localizadas fora dos subsistemas, das demais consciências. São normas de rotina da consciência individual que inicializam a própria consciência e a mantém em funcionamento. A melhor ilustração é pensar no Direito Natural como um sistema operacional. Um sistema fundamental que permite o funcionamento de todos os subsistemas. Sem sistema operacional o computador não funciona. Sem Direito Natural, a consciência não tem estabilidade e nem proteção. Logo, o próprio indivíduo é transformado em coisa, perde a sua identidade e a sua individualidade, pois o Direito Natural é a garantia e a proteção da consciência, da identidade e da individualidade.

Portanto, diante de uma norma de Direito Natural a 'doxa' também fica paralisada ou vinculada. Não pode se sobrepor porque são normas essenciais que estão presentes em todas as consciências individuais. Normas que se referem e protegem a consciência e o indivíduo como um todo. E sem estas normas a consciência fica comprometida em seu funcionamento regular. Inclusive a norma fundamental que estabelece: "agir de acordo com a própria consciência" é uma norma do Direito Natural que está na consciência individual de toda pessoa, assim como as normas que protegem a vida humana.

Pulando do Direito Natural para os Direitos Individuais, caímos em uma sinuca de bico entre Direitos Individuais e Direitos Coletivos. Entre a Liberdade Individual, gerada pela Consciência Individual e a Liberdade Política gerada pela Consciência Política ou a Liberdade Coletiva gerada pela Consciência Coletiva. Pode as regras do subsistema sobrepor-se às regras de todo o sistema ?

Os Direitos Coletivos não podem se sobrepor ao Direito Natural, uma vez que esta sobreposição destrói a consciência humana e o próprio homem. Destruindo as partes do sistema, destrói-se o sistema. Portanto, o Direito Natural está acima dos Direitos Coletivos e de todas as demais normas e regras oriundas da própria consciência individual ou das demais consciências.

Os demais direitos individuais, que não são Direitos Naturais, por exemplo, o direito de propriedade, etc; estão sujeitos à gangorra democrática. Isto significa que regras convencionadas pela maioria podem se sobrepor à vontade pessoal, à consciência individual. Nestes casos deve-se buscar o equilíbrio entre a vontade da maioria e a vontade individual, a liberdade da maioria e a liberdade individual, o direito da maioria e o direito individual. Isto é a tal gangorra democrática.

A sociedade moderna, fruto do direito e da democracia, gravita em torno dos limites máximos da liberdade e dos direitos do indivíduo e se desenvolve em meio ao conflito entre os interesses da maioria, garantidos pela liberdade política, e os direitos individuais, ou seja, há duas esferas de interesses e de proteção, de um lado os interesses e a vontade coletiva e de outro o indivíduo como ser humano.

Olhando superficialmente, essa relação parece contraditória, uma vez que a liberdade política, concretizada na democracia e no governo da maioria, é inibida pela esfera dos direitos individuais; ao mesmo tempo, os direitos individuais são instituídos, limitados e garantidos pelo poder da maioria. Essa relação, algumas vezes de conflito, outras de complementação, é o que eu denomino de gangorra democrática, onde de um lado está a liberdade política, os direitos e interesses da coletividade, e do outro, as liberdades e os direitos individuais.

Dessa constatação deriva outras duas características das democracias modernas: o conflito e o debate público. Não existe democracia sem convivência com conflitos, seja entre indivíduos, seja entre o indivíduo e a coletividade; e sua solução através do compromisso e da argumentação, ou de uma combinação de ambos. Portanto, a sociedade democrática atual busca, incessantemente, o ponto de equilíbrio entre o poder governante da maioria e os direitos individuais, ou seja, busca equilibrar a gangorra no ponto médio.

Esse conflito entre liberdades e direitos não é coisa da atualidade, uma vez que foi vislumbrada nas considerações de Benjamin Constant que, em seu célebre discurso intitulado “De la Liberté des anciens comparée à celle des modernes”, comparou a liberdade dos antigos com a liberdade dos modernos.

A liberdade dos antigos, relata Constant, residia na participação dos cidadãos nas decisões públicas, ou seja,

"(…) consistia no exercício coletivo e direto de várias partes da soberania. Consistia em deliberar em praça pública sobre a guerra e sobre a paz, em concluir com estrangeiros tratados e alianças, em votar leis, em pronunciar julgamentos e examinar as contas, os atos e gestões dos magistrados, em fazer comparecer todo o povo, colocá-los sob acusação, condená-los ou absolvê-los; mas ao mesmo tempo que era isso que os antigos chamavam de liberdade, eles admitiam como compatível com essa liberdade coletiva a completa sujeição do indivíduo à autoridade do conjunto."

Percebe-se, portanto, que não existia entre os antigos uma esfera de liberdade do indivíduo protegida por direitos individuais. O poder exercido pelo conjunto dos cidadãos ,na Assembléia, era supremo e não respeitava qualquer limite.

Assim, o objetivo da organização política era assegurar a intervenção dos cidadãos nas decisões, garantir o seu poder, não havendo qualquer obstáculo ou limitação para essas decisões. Logo, havia a supremacia absoluta do coletivo, da vontade da maioria, sobre o individual. Em outras palavras, havia “a submissão completa do indivíduo à autoridade do todo”.

"Não encontrareis entre eles quase nenhum dos privilégios que vemos fazer parte da liberdade entre os modernos. Todas as ações privadas estão sujeitas a severa vigilância. Nada é concedido à independência individual, nem mesmo no que se refere à religião. A faculdade de escolher seu culto, faculdade que consideramos comum e nossos mais preciosos direitos, teria parecido um crime e um sacrilégio para os antigos. Nas coisas que nos parecem mais insignificantes, a autoridade do corpo social interpunha-se e restringia a vontade dos indivíduos." (CONSTANT, 1985).

A condenação do filósofo Sócrates, citada anteriormente, era um disso. Uma condenação que seria completamente impossível nas sociedades democráticas atuais, pois as decisões da maioria não adentram à esfera individual, ou seja, são limitadas e não autorizadas a violar liberdades e direitos individuais, principalmente os Direitos Naturais, como a vida, etc.

Portanto, de acordo com Constant, entre os antigos, o indivíduo, quase sempre soberano nas questões públicas, é escravo em todos seus assuntos privados. Como cidadão, ele decide sobre a paz e a guerra; como particular, permanece limitado, observado, reprimido em todos seus movimentos; como porção do corpo coletivo, ele interroga, destitui, condena, despoja, exila, atinge mortalmente seus magistrados ou seus superiores; como sujeito ao corpo coletivo, ele pode, por sua vez, ser privado de sua posição, despojado de suas honrarias, banido, condenado, pela vontade arbitrária do todo ao qual pertence.

Entre os modernos, assinala Constant, ao contrário, o indivíduo, independente na vida privada, mesmo nos Estados mais livres, só é soberano em aparência. Sua soberania é restrita, quase sempre interrompida; e, se, em épocas determinadas, mas raras, durante as quais ainda é cercado de precauções e impedimentos, ele exerce essa soberania, é sempre para abdicar a ela.

Em outras palavras, a plenitude da liberdade política dos antigos foi limitada e impedida de acessar o plano das liberdades individuais. E, para que não existam dúvidas sobre essas limitações e impedimentos especificou-se e firmou-se, em constituições formais e tratados internacionais, as liberdades e os direitos individuais. Assim, o governo democrático é da maioria, mas a maioria não pode tudo. Tem que respeitar os direitos individuais e os direitos das minorias.

Também foi essa limitação, imposta pelos direitos individuais, que invalidou o argumento de Platão de que a democracia caminhava, devido ao excesso de liberdade, para a auto-destruição.

A democracia, segundo Platão, era resultado da transformação da forma oligárquica de governo e a sua principal característica era a liberdade. Assim, os homens que viviam sob esse regime eram livres e prevalecia a liberdade de expressão na cidade. Contudo, ele não considerava a liberdade uma virtude da democracia, pois a identificava com licença, com a possibilidade de cada pessoa fazer o que quisesse. Nesse sentido, para apreciar todos os prazeres da vida o homem democrata necessitava de ampla liberdade e a aproveitava de modo desregrado.

Na visão de Platão a liberdade que caracterizava a democracia não gerava apenas homens democratas de modo desregrado, mas deixava espaço também para que cada um organizasse a sua vida como lhe aprouvesse, fosse de um modo aristocrático, oligárquico, democrático ou tirânico. Assim, o excesso de liberdade, que cada um tinha de organizar a sua própria vida da maneira que melhor lhe aprouvesse, terminaria em opressão para todos. E, do mesmo modo que nas outras formas de governo, a democracia seria dissolvida em função do excesso de sua principal característica, isto é, seria dissolvida pelo excesso de liberdade e pela negligência das pessoas. Transformando-se, então, em tirania. Para Platão, muita liberdade transformava-se em nada, a não ser muita escravidão para os homens privados e para a cidade.

Segundo Platão, a democracia era a forma de governo em que os pobres governavam. Como o número de pobres era muito grande, então, a democracia era o governo de muitos e tinha como principal característica a liberdade. A prevalência desta aliada ao governo de muitos conduziam a um regime em que as leis não eram valorizadas, já que constituíam obstáculos para o exercício da liberdade. Então, o excesso de liberdade fazia com que a democracia se degenerasse em uma tirania, que era a pior de todas as formas de governo.

O encadeamento lógico de Platão foi quebrado pelo advento dos direitos individuais que, ao mesmo tempo em que limitaram o poder da maioria, oriundo da liberdade política, sobre o indivíduo; também impuseram uma barreira ao excesso de liberdade individual. O Direito limitou a consciência, logo limitou a liberdade. Esta limitação, imposta tanto à liberdade do ente coletivo, quanto ao indivíduo, impediu o surgimento das conseqüências do excesso de liberdade em uma sociedade democrática.

Contudo, se escapamos da maldição de Platão por uma porta, nos deparamos com outra maldição: a corrupção das instituições públicas controlada por uma minoria de servidores públicos e de políticos profissionais, especializados em enganar a maioria nas eleições e camuflar os verdadeiros interesses que defendem: os interesses dos grupos econômicos dominantes. Resumindo, a maldição é a mesma, ou seja, a democracia se degenera em uma tirania.

Enfim, na atualidade, a liberdade política e os direitos individuais formam uma gangorra democrática, onde cada um dos lados da gangorra é constituído por uma dessas instituições. Assim, o aumento de um dos lados é acompanhado da respectiva diminuição do outro, ou seja, aumentando o poder da maioria ocorre uma redução da liberdade individual e vice-versa. Contudo, assim como a gangorra, o aumento ou a diminuição de cada um dos lados possui um teto e um piso, ou seja, o acréscimo ou decréscimo de poder, seja da maioria ou individual, ocorre dentro de uma faixa de tolerância, porém nunca fora dela. Com isso protege-se a coletividade do excesso de liberdades e direitos individuais, assim como protege-se o indivíduo do excesso de poder da maioria.

O teto e o piso da gangorra democrática são dados pelas constituições e pelos tratados internacionais de direitos humanos que determinam até onde vai o poder da maioria e quais são os direitos individuais invioláveis, ou seja, os Direitos Naturais positivados.

Portanto, a 'doxa' é uma das formas expressão da consciência individual. Era a formulação em fala daquilo que 'dokei moi', daquilo que me parece. A formulação em fala daquilo que me parece é a formulação em fala da sentença emitida pela minha consciência. Já a 'vida na polis' era o lugar onde o indivíduo aparecia para revelar a sua consciência, para mostrar a sentença que a sua consciência proferiu em determinado caso, ou seja, a sua opinião. A 'vida na polis' era o espaço de revelação da consciência individual. E a internet é um espaço, existem muitos outros, em que isto acontece, ou seja, em revelamos a nossa consciência, revelamos a nossa opinião.

A condenação de Sócrates, pelos diversos 'dokei moi' dos atenienses foi um equívoco ocasionado pela confusão entre opinião (verdade subjetiva) com verdade (verdade objetiva), foi confundir a sentença emitida pela consciência, a 'dokei moi', com a verdade oriunda objetivamente das coisas e dos fatos. A sentença de julgamento de um homem deve se aproximar o máximo possível de uma verdade objetiva.

Atualmente, a 'doxa' sujeita-se a uma série de correções que visam eliminar seus excessos e desvios. Essas correções derivam da razão e da ciência, de travas colocadas pelos diversos subsistemas da consciência individual, pelo Direito Natural e pelos Direitos Individuais. Correções que bloqueiam o poder da coletividade sobre certos aspectos dos seres humanos. A relação direitos individuais x direitos coletivos formas uma gangorra democrática que busca sempre o equilíbrio.

Além disso, estas travas que eliminam os excessos e os desvios da 'doxa' também invalidaram o argumento de Platão de que o excesso de liberdade destruiria a democracia. Contudo, a democracia atual ainda corre sérios riscos, podendo degenerar-se para uma tirania, devido à corrupção das instituições democráticas.

Neste ponto, eu acabo de estabelecer todas as premissas necessárias para o próximo texto, que é a Democracia Direta na atualidade.

19/01/2008

Consciência, Liberdade e Direito Natural
Inicialmente, este texto tinha o nome de "Consciência, Liberdade e Responsabilidade", mas o termo "responsabilidade" não definiu exatamente a realidade que eu expressei. O termo correto para tal realidade é "Direito Natural". Certamente, terei que fazer alguns ajustes na definição tradicional deste termo. Contudo, ele se enquadra como uma luva na realidade descrita. Por isso, o texto foi reescrito.
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Uma questão importante que surge nesta Teoria da Consciência e Liberdade é: qual é a relação entre a consciência, a Liberdade e o Direito Natural ? Agir com consciência significa agir com responsabilidade? Ter liberdade significa ter responsabilidade?

Esta questão fica ainda mais interessante quando eu penso nos nazistas que construíram e operavam o sistema totalitário. Eles agiam de acordo com a própria consciência ? Agiam. Logo, eles eram livres. Além disso, eles tinham informação e conhecimento. Eram pessoas de extensa cultura, amantes da artes e conhecedores dos clássicos do pensamento. Inclusive, Eichmann lia Kant. Portanto, como se enquadra a ação dos nazistas que construíram e operavam o sistema totalitário nesta Teoria da Consciência ?

Vamos pensar, gafanhoto !!! A Teoria da Consciência e Liberdade define a Liberdade como poder de agir de acordo com a própria consciência. Agir de acordo com a própria consciência implica, necessariamente, em respeitar o outro, em respeitar a liberdade do outro, em respeitar a consciência do outro. Caso contrário, a Liberdade não é possível. Não é possível porque o agir de acordo com a própria consciência exige que os outros me deixem agir de acordo com a minha consciência. Se eles não deixarem que eu aja de acordo com a minha própria consciência, a minha Liberdade não é possível. A contrapartida é que eu deixe os outros agirem de acordo com suas próprias consciência.

O mecanismo encontrado pela consciência individual, para impedir os outros de interferirem na minha Liberdade, ou seja, impedir que eles interfiram no meu poder de agir de acordo com a minha consciência, assim como para obrigar-me a respeitar a Liberdade dos outros, respeitar a expressão da consciência dos outros, é o Direito Natural que dissemina normas, a partir da consciência individual, para todas os demais subsistemas, principalmente para a consciência coletiva (no âmbito familiar ou de grupos próximos - normas tácitas e costumeiras - moral, etc) e para a consciência social (no âmbito da sociedade, do país ou da comunidade internacional - normas tácitas e cogentes - Direito, etc).

Portanto, o mecanismo do Direito Natural é um conjunto de normas localizadas fora dos subsistemas, das demais consciências. São normas de rotina da consciência individual que inicializam a própria consciência e a mantém em funcionamento. A melhor ilustração é pensar no Direito Natural como um sistema operacional. Um sistema fundamental que permite o funcionamento de todos os subsistemas. Sem sistema operacional o computador não funciona. Sem Direito Natural, a consciência não tem estabilidade e nem proteção. Logo, o próprio indivíduo é transformado em coisa, perde a sua identidade e a sua individualidade, pois o Direito Natural é a garantia e a proteção da consciência, da identidade e da individualidade.

Inclusive, é válido ressaltar ilustrativamente, que os sistema totalitários quando removem a consciência natural dos indivíduos, substituindo-as pela consciência do sistema, eliminam o Direito Natural e inserem, em seu lugar, normas fundamentais de proteção e funcionamento do totalitarismo.

Hannah Arendt evidencia isto na p. 394-395 da obra "O Sistema Totalitário", tradução portuguesa de "The origins Totalitarianism":

Mas o que é desconcertante no sucesso do totalitarismo é o verdadeiro altruísmo dos seus adeptos. É compreensível que as convicções de um nazi ou bolchevista não sejam abaladas por crimes cometidos contra os inimigos do movimento, mas o fato espantoso é que ele não vacila quando o monstro começa a devorar os próprios filhos, e nem mesmo quando ele próprio se torna vítima da opressão, quando é incriminado e condenado, quando é expulso do partido e enviado para um campo de concentração ou de trabalhos forçados. Pelo contrário: para assombro de todo o mundo civilizado, estará até disposto a colaborar com a própria condenação e tramar a própria sentença de morte, contanto que o seu "status" como membro do movimento permaneça intacto.

Seria ingênuo pensar que essa obstinada convicção, que sobrevive a todas as experiências reais e anula todo o interesse pessoal, seja mera expressão de idealismo ardente. O idealismo, tolo ou heróico, nasce da decisão e da convicção individuais, mas forja-se na experiência. O fanatismo dos movimentos totalitários, ao contrário das demais formas de idealismo, desaparece no momento em que o movimento deixa em apuros os seus seguidores fanáticos, matando neles qualquer resto de convicção que possa ter sobrevivido ao colapso do próprio movimento.

Mas, dentro da estrutura organizacional do movimento, enquanto ele permanece inteiro, os membros fanatizados são inatingíveis pela experiência e pelo argumento; a identificação com o movimento e o conformismo total parece ter destruído a própria capacidade de sentir, mesmo que seja algo tão extremo como a tortura ou o medo da morte. (p. 394-395)

Portanto, o Direito Natural engloba normas essenciais que estão presentes em todas as consciências individuais. Normas que se referem e protegem a consciência e o indivíduo como um todo. E sem estas normas a consciência fica comprometida em seu funcionamento regular. Inclusive a norma fundamental que estabelece: "agir de acordo com a própria consciência" é uma norma do Direito Natural que está na consciência individual de toda pessoa, assim como as normas que protegem a vida.

Nesta perspectiva, de acordo com a Enciclopédia Jurídica Leib Soibelman, verbete "Direito Natural":

A idéia de que acima das leis positivas existe um direito que serve de modelo às leis humanas, vem desde a Grécia. Atravessou a história humana e não vai desaparecer nunca, porque ela se confunde com a própria noção de justiça.

O homem nunca se conformou em reconhecer que a lei tem um caráter puramente estatal, independente de um conteúdo ético.

O direito natural teve a sua concepção apoiada sobre as mais diversas bases: originário de Deus (direito natural teológico), de um contrato social em que os homens convencionaram formar uma sociedade justa, nenhum dos contratantes, enunciando ao direito de resistência à injustiça (direito natural racional) e outras variantes.

Opondo-se aos que alegam o relativismo histórico da moral e das idéias, criou-se um "direito natural de conteúdo variável". Gény falou do "irredutível direito natural", outros falam do "renascimento do direito natural".

O julgamento de Nuremberg foi uma inequívoca vitória do direito natural, pois pelas leis positivas não havia base legal para processar vencidos numa guerra. Em suma, o direito natural é idéia e é sentimento. Não há revolução que não apele para ele. Apoiou revoluções e reações. Nem sempre foi democrático. Mas, seja como for, o dia em que ele desaparecer, morre a filosofia do direito, e talvez não haja mais razão de continuar vivendo como ser humano. É um direito que brilha quando mais se precisa dele: em épocas de crise. É o direito da crise contra a crise do direito.

Inclusive Cícero, no terceiro livro de sua "República" fala do Direito Natural:

"Existe, pois, uma verdadeira lei, a reta razão congruente com a natureza, que se estende a todos os homens e é constante e eterna; seus mandamentos chamam ao dever e suas proibições afastam do mal. E não ordena nem proíbe em vão aos homens bons nem influi nos maus. Não é lícito tratar de modificar esta lei, nem permitido revogá-la parcialmente, e é impossível anulá-la por inteiro.

Nem o senado nem o povo podem excluir-nos do cumprimento desta lei, nem se requer ninguém que a explique ou interprete. Não é uma em Roma e outra em Atenas, uma agora e outra depois, senão uma lei única, eterna e imutável, que obriga a todos os homens e para todos os tempos: e existe um mestre e governante comum de todos, Deus, que é o autor, intérprete e juiz dessa lei e que impõe seu cumprimento. Quem não obedece foge de si mesmo e de sua natureza de homem, e por isso se faz merecedor das penas máximas, embora escape aos diversos suplícios comumente considerados como tais".

Cícero considerava ainda que era uma insensatez acreditar que tudo o que está regulado pelas leis é justo, pois as maiorias podem aprovar leis injustas, como acontece nos regimes tirânicos. A única lei justa é a que segue a natureza das coisas, a lei natural. A vontade dos povos não faz a lei justa, pois os povos podem aprovar atos ilícitos ou criminosos. A natureza das coisas tem uma tendência para seguir a justiça. A única regra para distinguir uma lei boa de outra má é a natureza.

Esta visão de Cícero é reforçada pela visão do fenômeno totalitário, principalmente pelo direito criminoso aprovado e utilizado pelo nazismo e pelo stalinismo.

É importante diferenciar o Direito Natural, nesta concepção da Teoria da Consciência e Liberdade, do Direito Positivo. O Direito Natural reúne normas que estão presente e coladas na consciência individual. Normas de rotina que regulam o funcionamento da própria consciência e dos seus subsistemas, ou seja, as demais consciências (política, social, coletiva, etc) estão abaixo do Direito Natural.

O Direito Positivo engloba normas que estão dentro da consciência social, são normas e regras reunidas em um subsistema que passou pelo crivo e foi criado pela reunião de consciências individuais. Como a consciência social depende da sociedade em que está, do país em que se vive, etc. As normas do Direito Positivo pode variar de sociedade para sociedade e de Estado para Estado. Logo, o Direito Positivo, o que é fato, é variável e passageiro. Muda conforme o vento.

Contudo, as normas e regras do Direito Natural não variam e nem mudam de acordo com o vento, pois são normas fundamentais de funcionamento e proteção da consciência. Onde há consciência individual, há Direito Natural. Onde há seres humanos, não consciência individual. Logo, há Direito Natural. São normas relacionadas à consciência individual, ao funcionamento dessa consciência, ao funcionamento do próprio indivíduo como pessoa e como ser humano. Portanto, onde há uma pessoa, onde há um ser humano, aí estão presentes as normas e regras do Direito Natural. Direito Natural, portanto, que é universal e que está acima do Direito Positivo.

Eu posso tirar o Direito Positivo, posso modificá-lo, refazê-lo, etc, e o indivíduo continua funcionando normalmente, sem grandes modificações ou avarias. Contudo, quando afeto, modifico ou elimino o Direito Natural atinjo o indivíduo diretamente no seu âmago, arranco um pedaço dele, corto uma fatia do seu ser, ou então, extermino-o. Um dos Direitos Naturais básicos é o Direito a vida e quando ataco e elimino este Direito, ataco e elimino o próprio indivíduo, elimino o ser humano. Se não há vida, não há pessoa. O segundo Direito Natural básico é o que garante o funcionamento da consciência, logo, determina a Liberdade do indivíduo. Se não há o funcionamento livre da consciência, não há Liberdade.

Portanto, nesta concepção, o Direito Natural engloba regras e normas que garantem o funcionamento natural do homem como ser humano, o funcionamento natural da própria consciência. Por exemplo, que garantem a vida, a saúde, a integridade da consciência e o seu regular desenvolvimento e funcionamento, etc.

A consciência individual de todos os homens necessita do Direito Natural para sobreviver e manter o ser humano vivo e em ação. Esta identidade existente na consciência individual levou à reunião das normas básicas do Direito Natural e à implantação dessas normas, como uma forma de proteção do ser humano, na consciência coletiva. Assim, o Direito Natural se tornou parte da Moral, da ética e dos costumes. O grupo próximo assumiu regras que o obriga a respeitar o Direito Natural. Direito este que é igual para todos e que coloca todos no mesmo nível, ninguém tem mais do que o outro. Com isto, o Direito Natural passou a ser uma norma ou uma regra de contenção da voracidade do grupo em atentar contra a identidade de um dos membros.

O mesmo ocorreu com a consciência social que adotou as normas e regras do Direito Natural, inserindo-as em seu grupo de normas comuns. Assim, o Direito Natural se tornou parte do Direito Positivo e passou a ser protegido com sanção. Quem viola o Direito Natural de um dos membros da sociedade é punido com penas previamente estabelecidas.

Certamente, a entrada do Direito Natural nas demais consciências não foi uma coisa simultânea e nem aconteceu da noite para o dia. É um construção de milênios e milênios. Também não era uniforme. Dependia das convenções e das definições humanas daquilo que era igual e daquilo que era diferente. Assim, em certas sociedade um grupo tinha este Direito, enquanto outros grupos, por exemplo os escravos, não o tinham, pois eram considerados coisas e não gente. Por exemplo, durante o Império Roma.

Agora vamos ver como o Direito Natural opera dentro das consciências. A consciência coletiva e a consciência social, subsistemas da consciência individual, possuem um conjunto de normas, regras e valores que emitem sentenças prontas, em determinados casos ou diante de certas ações, para a consciência individual, inibindo comportamentos, ações e vontades que contrariem os interesses da coletividade, ou interesses da sociedade, ou que violem a liberdade do outro (Direito Natural). Este mecanismo de auto-proteção são regras do Direito Natural.

Além disso, as regras de proteção do grupo, por afetarem a vida do indivíduo, também podem ser consideradas regras de Direito Natural. Violando as regras da família, dissolve-se o grupo familiar. E a dissolução do grupo familiar implica em menos proteção, em menos alimento, em menor possibilidade de sobrevivência do indivíduo. Se todas as famílias abandonarem ou abortarem os bebês, a espécie humana se extingue. Portanto, o Direito Natural também protege o grupo.

O costume do Direito Natural, inegavelmente, é cultural. Porém, a regra cultural foi potencializada pela ação biológica. Mas como isso pode ter acontecido ? Biologicamente falando, quem atua contra o grupo tende a se isolar, a viver separado. Vivendo sozinho e separado tende a ser atacado e exterminado mais rapidamente, não passando adiante os genes que o induziu ao isolamento. Já quem vive em grupo tem uma maior chance de sobrevivência e de passar seus genes adiante. Há uma propensão genética nisso. E esta propensão genética, biológica, é potencializada pela propensão cultural. Basta lembrar que foi a sobrevivência em grupo, o trabalho em conjunto e a troca de informações que salvou os cerca de mil humanos (variedade genética existente) que sobreviveram ao cataclisma do vulcão Toba da Ilha de Sumatra, a cerca de setenta e cinco mil anos atrás. Você podem ver isto no documentário da BBC de Londres - "Aventura da Vida" - sobre o desenvolvimento e a evolução da vida na Terra (http://www.guba.com/user/pfilosofia).

Além disso, na evolução cultural, assim como na evolução biológica,a s normas que facilitam e melhoram a vida, seja individual ou em grupo, tende a ser perpetuada. Enquanto que as normas que inibem ou prejudicam a vida individual ou do grupo, tendem a ser abandonadas pelas gerações.

Enfim, o Direito Natural é um dos fundamento da Teoria da Consciência e Liberdade, pois é este Direito que garante o funcionamento adequado da consciência e dos seres humanos. São normas e regras que inicializam e mantém o sistema funcionando, são normas e regras de auto-proteção, ou seja, somente terei liberdade se respeitar a liberdade do outro; somente expressarei a minha consciência, se respeitar a expressão da consciência do outro.

Evolutivamente, primeiro, o Direito Natural entrou na consciência coletiva e se tornou parte do costume e, a partir deste costume, na mesma consciência coletiva, passou a ser uma crença do grupo. Antigamente, o Direito Natural era uma crença.

De acordo com o Prof. Celso Lafer (A Reconstrução dos Direitos Humanos, 1991, p. 16-17):

"O Direito Natural se contrapõe ao Direito Positivo, localizado no tempo e no espaço, e funciona, neste paradigma, como um ponto de Arquimedes para a análise metajurídica: tem como pressuposto a idéia de imutabilidade de certos princípios, que escapam à História, e a universalidade destes princípios, que transcendem a Geografia.

A estes princípios, que são dados e não postos por convenção, os homens têm acesso através da razão comum a todos, e são estes princípios que permitem qualificar as condutas humanas como boas ou más - uma qualificação que promove uma contínua vinculação entre norma e valor e, portanto, entre Direito e Moral.

No mundo moderno o paradigma do Direito Natural foi capaz de lidar, até o século XVIII, com os problemas da crescente secularização, sistematização, positivação e historicização do Direito, mas a intensidade destes processos levou à sua erosão. Daí o aparecimento de um novo paradigma: o da Filosofia do Direito.

O novo paradigma da Filosofia do Direito é uma resposta ao processo da crescente positivação do Direito pelo Estado - um processo que realçou o papel do Direito como instrumento de gestão e comando da sociedade através da técnica das ordens e proibições, dos estímulos e desestímulos às condutas humanas.

Por isso, o Direito deixou de ser encarado como algo dado pela razão comum e que permite qualificar condutas como boas ou más. Passou a ser visto como algo posto e positivado, direta ou indiretamente, pelo poder que estabelece, para distintas sociedades, de maneira não-uniforme, a diferença entre o lícito e o ilícito, e que assegura a governabilidade por meio da efetividade desta diferença garantida através do mecanismo da sanção.

Daí a mutabilidade do Direito no tempo e o seu particularismo no espaço, situação que, ao ser generalizada, diluiu a relevância do paradigma do Direito Natural."

Contudo, adotando a concepção desta Teoria da Consciência e Liberdade, percebe-se que, inegavelmente, houve uma quebra de paradigma entre as consciências coletiva e social. As normas e regras que eram crenças (consciência coletiva) foram positivadas pelo Direito (consciência social). Entretanto, esta positivação foi um movimento que aconteceu no âmbito dos subsistemas da consciência individual. Foi uma ampliação das garantias, não uma redução do Direito Natural. Isto porque as raízes das normas e regras de Direito Natural estão situadas fora da consciência social. Estão na consciência individual, logo, acima do Direito positivo.

A positivação também foi uma ampliação porque ocorreu fora da consciência coletiva, onde está a crença no Direito Natural, ou seja, o Direito Natural não deixou de ser crença do grupo, ele continua existindo como crença, e, além de crença, também passou a fazer parte da consciência social, integrando as normas aplicadas por toda uma sociedade ou Estado. A positivação não elimina a crença, pois estão em consciência diferentes.

A minha crença pode ser positivada ou não. Uma coisa não exclui a outra, pois estão em subsistemas diferentes. E no caso do Direito Natural, ele não está só nos subsistemas, as suas raízes estão na consciência individual. Portanto, pode-se eliminar a consciência coletiva, ou seja, as crenças, os costumes, a moral, etc; pode-se eliminar a consciência social, o Direito Positivo, os costumes da sociedade/Estado, etc, que o Direito Natural continua existindo. Ele pode perder força em sua aplicação, pois não é crença e nem está positivado, mas continua permeando a consciência individual como norma de estrutura, pois são normas e regras que dizem respeito ao ser humano como pessoa e ao funcionamento de sua própria consciência. Normas e regras que estão introjetadas e coladas no sistema operacional da própria consciência individual. Logo, acompanham o indivíduo onde quer que ele esteja.

Certamente, as normas e regras do Direito Natural se revelam e se tornam mais evidente com a evolução cultural do indivíduo e da sociedade. Por isso, todas as sociedades humanas possuem, mesmo que seja em nível rudimentar ou elementar, normas e regras de Direito Natural. Nestas sociedades rudimentares estas normas e regras estão mais ligadas às crenças e menos à razão, porém existem e são observadas. E, conforme estas sociedades evoluem, a sua cultura evolui e a sua percepção do mundo também evolui, assim como a consciência individual. Nessa evolução surgem os subsistemas, as outras consciências. Por isso, caminhamos para uma consciência cosmopolita onde as normas e regras do Direito Natural serão uniformes, reconhecidas e aplicadas, para todas as pessoas em todas as sociedades.

Portanto, com o advento da Filosofia do Direito, ocorreu uma mudança de paradigma no âmbito da consciência coletiva e da consciência social. O Direito Natural foi positivado, porém, ele não deixou de ser crença, no âmbito da consciência coletiva, e nem teve sua força reduzida no âmbito da consciência individual, que está acima de todos os subsistemas da consciência. Isto porque se refere a normas e regras que tratam do funcionamento da consciência e do ser humano como pessoa. Logo, a positivação do Direito Natural apenas ampliou o campo de atuação deste Direito, tornando-o mais evidente e mais obrigatório.

E, mais recentemente, o Direito Natural entrou na consciência social, tornando parte do Direito Positivo. Na consciência social recebeu o nome de Direitos Humanos.

O Direito Natural insere na Teoria a característica da responsabilidade, pois a partir da consciência coletiva e da consciência social, expressar a própria liberdade, agir de acordo com a própria consciência, significa também agir com responsabilidade, respeitando o outro, para que o outro me respeite. E a violação dessa responsabilidade, significa violação do Direito Natural que acompanha todos os indivíduos por todos os lugares. Significa violação da consciência coletiva e social. Logo, é uma violação das regras da Consciência Individual. Portanto, uma forma de inibição da liberdade. Isto significa que violar a liberdade do outro significa violar a minha própria liberdade. Desrespeitar a liberdade do outro é desrespeitar a minha própria liberdade. Atingir a consciência do outro é atingir a minha própria consciência. Atingir o Direito Natural é atingir a minha própria pessoa.

Então, alguém dirá: este é o tal do contrato social ? Eu respondo: não. Não existe contrato social. Isto é um paradigma cultural. Qual é a diferença ? Bem, a diferença é que contrato começa com c e paradigma começa com p (brincadeirinha... disse isto só para o meu cérebro chato parar de fazer perguntas.). A diferença é que um contrato é um acordo de vontades, estabelecido com a aceitação da partes e uma paradigma é uma ação padronizada que se perpetua no tempo, neste caso é um comportamento cultural, que pode ter começado com apenas duas pessoas e, a partir daí, se espalhou para todas as demais, independentemente de aceitação ou de acordos. Você assinou, quando nasceu, algum contrato social que transferia parte de sua vontade/liberdade ao governante para criar normas para te proteger? Não, não e não... O teste do pezinho não era um contrato...

Contudo, aprendemos, desde criancinhas, as regras e o comportamento social. Aprendemos a respeitar o outro. A respeitar a Liberdade do outro, a consciência do outro. As normas e regras fundamentais do Direito Natural são passadas/ensinadas naturalmente, são paradigmas sociais que passam de geração para geração. Certamente, este paradigma cultural começou com o desenvolvimento da consciência coletiva, com o desenvolvimento das regras na família. Em seguida, vieram as regras de convivência em uma tribo. Da consciência coletiva desenvolveu-se a consciência social. A consciência social exigiu o surgimento da consciência política. Esta levará ao desenvolvimento de uma consciência cosmopolita. Há uma evolução cultural da consciência. As regras vão sendo construída e aprimoradas ao longo dos séculos e milênios. E o Direito Natural passa de geração para geração, algumas vezes relativizado, outras mais duro e conservador.

Com isto, podemos retornar ao caso dos nazistas que operavam o sistema totalitário. Agora já temos as respostas para as indagações. Primeiro, há uma íntima relação entre consciência, liberdade e responsabilidade. Esta relação é permeada pelo Direito Natural que pertence à esfera da consciência individual dos seres humanos, pois são normas e regras de rotina que regem e regulam o próprio funcionamento da consciência e do indivíduo como sistema. Este Direito disseminou suas normas e regras pelas consciências coletiva e social, que são subsistemas da consciência individual. Logo, agir de acordo com a própria consciência significa, necessariamente, agir de acordo com o Direito Natural. E agir de acordo com o Direito Natural é agir com responsabilidade. Isto fica evidente quando se pensa que a consciência, para o seu funcionamento, exige informações e conhecimentos. E que o funcionamento da consciência consiste em processos analíticos. Processos analíticos são, pela própria natureza, lógicos, razoáveis e responsáveis.

Mas se os processos analíticos são lógicos, razoáveis e responsáveis, o que aconteceu no nazismo ? O primeiro acontecimento do nazismo foi a deturpação da informação e do conhecimento que atribuiu relevância social máxima a patologias/aberrações sociais. Lembre-se que no âmbito da consciência as informações e os conhecimentos são catalogados, por cada indivíduo, de forma diferente e em graus diferentes. O anti-semitismo tinha uma grande relevância na cabeça de Wagner e de Hitler e ele generalizou isto para a sociedade. O anti-semitismo é uma patologia social e não um elemento da sociedade. Os nazistas transformaram o anti-semitismo em uma política do Estado.

Portanto, neste primeiro ponto o Direito Natural foi violado, pois a generalização para toda a sociedade de visões particulares significa a violação da consciência individual do outro, violação da consciência alheia. É uma imposição anti-natural, imposição de mentiras e aberrações sociais como verdades absolutas.

Com estas deturpações, a consciência, como sistema analítico, foi contaminada e passou a operar com dados falsos e a considerar aberrações sociais como comportamento comum e necessário. Com isto, o sistema totalitário começou a entrar na cabeça das pessoas e a dissolver as consciências naturais que possuíam e que não consideravam o anti-semitismo importante. Os mecanismos de uniformização das consciências tratou de disseminar as regras do sistema totalitário para todas as demais consciências.

Portanto, ocorreu uma violação do Direito Natural, violação da consciência, logo violação da liberdade. Esta violação ocorreu, primeiramente, na generalização/imposição para toda a sociedade das aberrações sociais que existiam na cabeça dos líderes nazistas, por exemplo, as idéias anti-semitas foram espalhadas e disseminadas, na sociedade alemã, através da mídia e da propaganda, como verdades absolutas. Idéias que por si sós, já constituíam violação da liberdade do outro. Com isto, os operadores nazistas, violaram os princípios básicos da consciência, as normas e regras do Direito Natural. E esta violação foi dirigida inicialmente, não contra os judeus, mas contra o próprio povo alemão que foram bombardeados com informações e conhecimentos falsos e que tiverem suas consciências individuais invadidas pelas aberrações nazistas.

Lembre-se que primeiro o nazismo dominou os alemães, tornando-os instrumentos do totalitarismo. Depois usou estes instrumentos para exterminar os inimigos nas fábricas da morte. Logo, o extermínio dos Judeus é a última e a mais monstruosa das violações que os nazis promoveram. Este extermínio começa a se concretizar quando o sistema totalitário já está no domínio completo da maioria das consciência e as pessoas comuns atuam como zumbis, movidas por desejos totalitários, ou seja, os indivíduos já são instrumentos totalitários de dominação e destruição.

Além disso, é válido dizer que a única forma de se retirar completamente a liberdade de um indivíduo é retirando a sua consciência. Não basta apenas criar normas que inibam ou impeçam a consciência de se manifestar, pois a consciência pode, perfeitamente, contrariar a norma ou ignorá-la, ou seja, as normas não retiram a liberdade do indivíduo, pois não podem e não conseguem retirar a consciência. As normas simplesmente reorientam ou condicionam a consciência do indivíduo exteriormente, limitando a liberdade.

Contudo, as normas e regras do Direito Natural podem remover a consciência do indivíduo, logo a sua liberdade, se forem removidas, pois são normas de auto-proteção da consciência e do ser humano. Normas e regras que o salvam do outro, do grupo coletivo, da ação da sociedade e do Estado. Portanto, retirar normas de Direito Natural atinge a consciência e a liberdade do indivíduo.

Retirar a consciência do indivíduo significa contaminar o funcionamento natural da consciência, modificando a base de análise. É uma espécie de lavagem cerebral que modifica o banco de dados analítico da consciência. O banco de dados formado com informações, conhecimentos, costumes, valores, etc, que o indivíduo captou ao longo da vida naturalmente, é substituído por um banco de dados artificial, introjetado pelo sistema, dentro da consciência da pessoa. Assim, a consciência, ao invés de analisar o banco de dados natural, analisa o banco de dados artificial. E é em cima deste último banco de dados que a consciência passa a operar, emitindo sentenças (vontade). Logo, a liberdade oriunda desta vontade viciada e contaminada não é a liberdade do indivíduo, mas sim a liberdade do sistema.

É importante observar que a consciência introjetada pelo sistema totalitário no indivíduo não tem Direito Natural na rotina. As normas e regras de auto-proteção da consciência individual da pessoa e do ser humano são transformadas em normas e regras de proteção do sistema totalitário. Assim, o indivíduo se torna um zumbi cumpridor das leis do sistema, morre defendendo o sistema e o sistema se torna a coisa mais importante do mundo, mais importante do que a sua própria vida. Logo, há um Direito Natural do sistema totalitário que torna o indivíduo parte do sistema. Ele perde a sua identidade e a sua individualidade e passa a ser uma peça da grande máquina totalitária.

Eichmann tinha vontade, ele seguia a sua vontade, mas ele não era livre, pois a sua consciência estava contaminada pelo nazismo. Os pensamentos que circulavam na consciência de Eichmann e que emitia ordens, formando a sua vontade, eram pensamentos do sistema totalitário. Logo, a liberdade de Eichmann era a liberdade do sistema totalitário. Isto porque a vontade dele era formada por uma consciência movida a informações e conhecimentos introjetados pela doutrinação e propaganda nazista. A consciência de Eichmann era a consciência do sistema, pois os pensamentos de Eichmann eram sentenças prontas, fórmulas prontas emitidas pelo nazismo. Eichmann não questiona as sentenças e nem as fórmulas. Não processava informações e nem os conhecimentos que tinha adquirido naturalmente. Apenas executava as ordens originadas nos altos escalões do Reich.

Eichmann chama este comportamento de obediência cadavérica (Kadavergehorsam). Isto é contado por Hannah Arendt na obra Eichmann em Jerusalém:

"Assim sendo, eram muitas as oportunidades de Eichmann se sentir como Pôncios Pilatos, e à medida que passavam os meses e os anos, ele perdeu a necessidade de sentir fosse o que fosse. Era assim que as coisas eram, essa era a nova lei da terra, baseada nas ordens do Führer; tanto quanto podia ver, seus atos eram os de um cidadão respeitador das leis. Ele cumpria o seu dever, como repetiu insistentemente à polícia e à corte; ele não só obedecia ordens, ele também obedecia à lei. (...)

Como além de cumprir aquilo que ele concebia como deveres de um cidadão respeitador das leis, ele também agia sob ordens - sempre o cuidado de estar "coberto" -, ele acabou completamente confuso e terminou frisando alternativamente as virtudes e os vícios da obediência cega, ou a "obediência cadavérica" (kadavergehorsam), como ele próprio a chamou. (p. 152)"

E como dissemos anteriormente, aceitar sentenças prontas significa não processar nada, apenas executar aquilo que veio pronto. Este é o truque do sistema: introjetar sentenças prontas nos indivíduos que integram o sistema. Por isso, fala-se em vazio de pensamento. Vazio de pensamento de um ser humano normal. Porém consciência repleta de pensamentos do sistema totalitário: anti-semitismo, extermínio, ordens do Führer, câmara de gás, etc.

E é justamente nesse ponto que entra a razão de ser dessa teoria, ou seja, a novidade totalitária. O totalitarismo faz uma coisa que nenhum outro sistema tinha conseguido fazer antes. E que coisa é essa ? O totalitarismo retirou a consciência dos indivíduos. Logo, retirou completamente a liberdade dos Seres Humanos que pertenciam àquele sistema. Todos os movimentos anteriores atingiam a indivíduo criando regras e normas que condicionavam as consciências e limitavam a liberdade, mas nenhum sistema jamais havia retirado a consciência das pessoas. Retirando a consciência, ele retirou completamente a liberdade dos indivíduos.

Contudo, o totalitarismo foi além, muito além disso, ele não só retirou a consciência, mas a substituiu por outra consciência: a consciência do sistema totalitário. As pessoas perderam a sua consciência individual, logo, perderam a sua liberdade individual; e receberam, em troca, a consciência do sistema, logo, passaram a ter a liberdade do sistema (poder de agir de acordo com a consciência do sistema). A consciência do sistema gera a liberdade do sistema.

Mas o que exatamente quer dizer perda de consciência, seguida de substituição de consciência ? Em termos excessivamente genéricos é uma espécie de lavagem cerebral em massa. Retira a consciência do indivíduo, fazendo-o perder a sua identidade e individualidade, imergindo-o em uma multidão de iguais.

Por isso, em um sistema totalitário a doutrinação, a propaganda e o terror são tão importantes. Por isso, o vazio de pensamento, a mediocridade e a indiferença são essenciais para o sucesso inicial do sistema. São características que facilitam e garantem o sucesso de substituição de consciência dos indivíduos. Pessoas com tais características tem suas consciências facilmente arrancada e substituída por outra. São pessoas dóceis, facilmente controladas e dominadas. Pessoas que não percebem que seus pensamentos são pensamentos do sistema, que suas idéias e ideais são idéias e ideais do sistema, que suas ações são ações do sistema. A consciência que possuem é a consciência do sistema. Pensam igual o sistema. Falam igual o sistema. Agem igual o sistema. Fazem o que o sistema faz.

É um sistema que não admite questionamentos. Quaisquer questionamentos põe o sistema em risco, podendo romper a estrutura e mostrar as reais intenções e os objetivos da coisa. O todo é visto apenas por quem estrutura e controla o sistema.

Um outro ponto interessante desta Teoria é que o totalitarismo entra pela consciência política, dominando e modificando as regras desta consciência. Em seguida ele vai para a consciência social. Ele modifica e domina as regras do Direito Positivo. E o próximo passo é entrar na consciência coletiva, na moral, na ética, nas relações de amizade e na família. E por último, quando já tem o domínio desses subsistemas da consciência, ele ataca e contamina a consciência individual, eliminado o Direito Natural e substituindo a consciência individual natural pela consciência do sistema.