Democratizar o conhecimento e socializar os saberes como ferramenta para transformação social e econômica. Democratizar e socializar para reduzir as desigualdades regionais. Democratizar e socializar para dar oportunidades. Democratizar e socializar para dar esperanças e certezas de um futuro melhor. O poder transformador do conhecimento, monopolizado e retido nas melhores Universidades Públicas, tem que ser disseminado, gratuitamente, para toda a sociedade.

Mostrando postagens com marcador escravidão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escravidão. Mostrar todas as postagens

16/06/2008

A escravidão nos canaviais
A escravidão nos canaviais é uma verdade camuflada. Não só nos canaviais, mas nos rincões do Brasil ainda existe muita escravidão. E digo isto com a voz embotada, pois tenho irmãs que trabalham no corte de cana. E vejo diariamente a perversidade deste trabalho... Lembre-se que sou de uma família de pequenos agricultores do Paraná.

Certamente, elas escolheram este destino, pois elas se recusaram a continuar estudando e preferiram abandonar os estudos no ginásio ou no colegial. Sabiam que sem estudo, principalmente neste fim de mundo, sobra apenas trabalhos desta categoria, mas nada adiantou e desistiram da escola. E de nove irmãos, eu fui o único que terminou a Faculdade (Direito-USP) e há um irmão caçula que ainda está no ginásio e, certamente, tentando de todas as formas desistir da escola.

Esta questão é muito interessante... Acho que eles se espelharam no resto da família e sendo meus pais semi-analfabetos, os tios todos sem estudos, 99% da família não conseguiu concluir nenhum ensino. E olha que estou em uma das regiões mais desenvolvidas do Brasil e lugar onde vaga na escola não falta. O problema é a cultura de analfabetismo e falta de conhecimento que há dentro da minha família. Cultura que tenho tentado, desde quando estava no ginásio, remover e eliminar. Mas não tenho obtido muito sucesso. Espero conseguir salvar os sobrinhos que estão chegando agora.

Mas, voltando a questão do trabalho escravo. A falta de estudo não justifica a escravidão. Nos canaviais daqui elas trabalham por produção. Se cortam muita cana, ganham muito. Se cortam pouco, ganham pouco. Certamente, há a garantia do salário mínimo, mas não ganham muito acima disso, principalmente, porque é um trabalho que exige força física e mulher não tem muita força física. Mesmo assim, como é uma das poucas formas de trabalho neste fim de mundo, elas encaram. São mulheres de sangue forte.

A escravidão que vejo neste trabalho não está na falta pagamento dos direitos garantidos pela lei. Todos os direitos são pagos como manda a lei. Com exceção de uma certa contribuição confederativa que vem descontada todo mês (acho que é ilegal este desconto - por que pagar mensalmente uma confederação que elas não sabem nem qual é...), o resto está de acordo. O problema está no pouco pagamento. Enquanto a maioria dos cortadores de cana ganham uma mixaria, os donos da usina embolsam milhões e milhões. É esta equação que tem que ser balanceada. É aqui que está o trabalho escravo nos canaviais....

A minha solução para isto é, além do pagamento de salário, impor a divisão de uma porcentagens dos lucros obtidos com a venda/exportação do produto. Assim, além do salários, estes cortadores terão direito a uma participação direta nos lucros da usina e aumentarão seus ganhos de acordo com o mercado...

Esta questão não está sendo tratada com a prioridade exigida. Os salários e a qualidade de vida dos cortadores de cana tem que ser melhorada o mais rápido possível. Se isto não for feito, o etanol brasileiro pode perder terreno para o etanol de outros países em um futuro próximo. Digo isto porque a cana está sendo plantada em outras nações e se eles fizerem a lição casa de acordo com as exigências da comunidade internacional, nós seremos empurrados para fora do mercado. Isto será feito com o famigerado mecanismo da cláusula social da OMC... Logo, melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores tem que ser prioridade máxima, não só do governo, mas também dos empresários....

"Entre os diversos fundamentos apontados para a existência e desenvolvimento do Direito Internacional do Trabalho, encontramos os relacionados a fatores de ordem econômica. Estes se caracterizam por uma preocupação de universalização das normas protetivas aos trabalhadores, ao cabo de impedir que Estados com baixo nível de respeito às condições de trabalho aufiram vantagens comerciais a custa da exploração de seus obreiros. Diante do menor custo da produção, alguns países ofertam no mercado internacional produtos com preço competitivo, mas isto em decorrência de salários aviltantes, jornadas de labor intermináveis, trabalho infantil ou mesmo escravo. Denomina-se esta prática de dumping social, ou seja, a busca de vantagens comerciais através da adoção de condições desumanas de trabalho." (Texto completo)

Enfim, precisamos adotar medidas e mecanismos que distribuam as riquezas do Brasil. Não só nos biocombustíveis, mas em todos os demais planos, incluindo minérios extraídos de nosso solo (vou escrever um texto só sobre minérios) e propriedades rurais. Inclusive, eu defendo a limitação do tamanho das propriedades rurais em todo o Brasil (também vou escrever mais sobre isto).

Quanto às minhas irmãs e demais membros de minha família, já estou trabalhando na estruturação de um pequeno negócio da família. Negócio este que irá tirá-la da escravidão dos canaviais. Estamos emperrados no financiamento do BNDES. O BNDES financia empresa para os grupos dominantes, para os ricos. Quando o assunto é empresa familiar, não sai um centavo... Também vou escrever sobre isto....

Além disso, a opressão e a exploração dos trabalhadores rurais deste país é uma vergonha nacional. Esta opressão e exploração, se não for eliminada, trará para este país uma violenta e sangrenta revolução. Os trabalhadores rurais precisam apenas de um líder forte para os orientar e impulsionar...
---------------------------
Texto que escrevi anos atrás
Leonildo Correa - Instituto OCW Br@sil --
O Presidente Lula tem afirmado que não há escravidão nos canaviais, assim como os biocombustíveis geram renda e emprego. Contudo, os empregos gerados são sub-empregos (bem próximos do trabalho escravo) e a renda advinda dessa produção são concentradas nas mãos dos usineiros que, dependendo da forma como se desenvolver a ampliação dos canaviais, tornar-se-ão verdadeiros Sheiks dos biocombustíveis. Resumindo: o Presidente Lula está sendo mal orientado sobre esse assunto. Provavelmente, seus orientadores são usineiros.

Os canaviais brasileiros sempre dependeram de mão-de-obra escrava. No início os escravos eram trazidos da África para plantar cana e, assim, produzir o açúcar vendido na Europa. Hoje não se busca mais escravos na África, pois não é necessário ir tão longe para encontrar mão-de-obra barata, ou seja, para encontrar gente que aceita um sub-emprego, ou trabalhe em troca de comida. As periferias e os trabalhadores sem-terra são reservatórios de mão-de-obra barata para os canaviais. Quem não acredita que há escravidão nos canaviais, basta ir até a Usina de açúcar e álcool mais próxima durante o corte da cana, ou então, basta perguntar para um cortador de cana quanto eles ganham, quanto tempo trabalham, quanto tem que produzir para receber. Os senhores de engenho e de escravos de ontem são os usineiros hoje. As senzalas de ontem são as periferias e as favelas de hoje.

Os biocombustíveis são essenciais para o Brasil e para o mundo. Não podemos perder essa oportunidade. Temos que ser os maiores produtores mundiais e controlar esse mercado, ou seja, temos que criar e comandar a OPEP dos biocombustíveis. Contudo, isso não pode ser feito encima de uma estrutura escravocrata. Não podemos produzir álcool misturado com sangue de trabalhadores rurais. E os lucros da venda do álcool não pode pertencer exclusivamente aos usineiros. Além disso, temos que impedir que os canaviais se expandam sobre as florestas, principalmente na região amazônica. Lembro que já existe uma Usina de Açúcar no Estado do Amazonas (clique aqui para ler sobre isso).

Hoje os trabalhadores das usinas canavieiras, principalmente do Estado de São Paulo, trabalham em rodízio com apenas uma folga por semana, ou seja, o indivíduo trabalha direto, inclusive sábado e domingo. Além disso, saem de casa por volta das cinco da manhã e somente retornam depois das dezenove horas, isso porque o tempo de viagem não é contado como horas trabalhadas e o percurso até o canaviais é longo. Sem contar as condições de trabalho que são as piores possíveis, inclusive para um melhor aproveitamento do terreno todas as árvores são arrancadas, logo não há sombra nessas áreas, ou seja, a pessoa trabalha o dia todo embaixo do sol quente, trabalha respirando fuligem e cinzas da cana queimada e a água para beber é quente.

Com isso a saúde do trabalhador é completamente destruída, ficando inválido antes dos cinqüenta anos e quem acaba pagando a conta é a previdência social: aposentadoria por invalidez, auxilio doença, pensão por morte, etc. Além disso, o cortador de cana é um profissional sem perspectiva de vida, pois trabalha muito, ganha pouco, não tem qualidade de vida e nem tempo para estudar e buscar uma vida melhor.

Também temos que impedir o avanço dos canaviais sobre as plantações de alimentos. Os produtores de feijão, arroz e milho não podem deixar de plantar alimentos para cultivar cana, pois se isso ocorrer haverá, certamente, um aumento no preço da comida. E por último não podemos permitir que os sub-produtos e as técnicas utilizadas na produção de biocombustíveis ocasionem desastres ambientais. Por exemplo, as queimadas devem ser proibidas, assim como a contaminação do solo e dos rios por produtos químicos utilizados nas plantações de cana, etc.

A primeira saída para quebrar a estrutura atual de trabalho utilizado nas lavouras de cana é acabar com o trabalho por produção ou tarefa. Hoje só há emprego nos canaviais para quem corta dez toneladas de cana por dia, ou seja, para os mais fortes. Além disso, o salário tem que ser fixo e mensal, assim como parte dos lucros das usinas devem ser dividido com os trabalhadores e produtores rurais que alugaram suas terras para os usineiros. E tudo isso tem que ser fiscalizado e acompanhado de perto pelo governo.

Os cortadores de cana também devem ser organizados em cooperativas, associações e sindicatos. Organizações que devem representar os interesses desses trabalhadores, logo não podem ser controladas, como ocorre hoje, pelos empregadores. Inclusive, eu penso até que o governo, ao invés de dar dinheiro para os usineiros ampliarem e montarem negócio particulares, deveria dar dinheiro para as cooperativas de trabalhadores e pequenos produtores construírem usinas comunitárias. Isso ocasionaria uma revolução nesse agronegócio, pois o meios de produção seria controlado diretamente pelos trabalhadores rurais. Assim, o lucro obtido seria dividido em partes iguais entre os trabalhadores. Isso sim, geraria renda e reduzirias as desigualdades. Dar dinheiro público, por meio de empréstimos a baixo custo, para usineiro é concentrar renda e aumentar as desigualdades, assim como incentivar a escravidão dos trabalhadores rurais.

Outra prática que deve ser incentivada são as cooperativas de pequenos produtores para plantação de cana-de-açúcar, ou seja, ao invés das usinas montarem e se apropriarem de latifúndios com milhares de alqueires de terra, os pequenos produtores plantam e vendem a cana para as usinas, de preferência para as usinas comunitárias; ou então, os pequenos produtores alugam suas terras para as usinas plantarem cana, etc. Essa prática, utilizada em alguns locais, incentiva o cooperativismo e divide os ganhos com a produção de biocombustíveis. Além disso, ela evita o ressurgimento das oligarquias da cana, assim como a concentração de poderes, econômico e político, nas mãos dos usineiros.

Outro elemento importante desse tema é a questão ambiental. Esse elemento se divide em dois itens: 1) os canaviais não podem avançar sobre a floresta ou ocupar espaço de outros agronegócios, empurrando-os para áreas florestais; 2) a produção da cana tem que abandonar as técnicas de queimadas; 3) Desertificação.

Como disse anteriormente, já tem usina de açúcar dentro da floresta amazônica. Portanto, já existem variedades de cana e tecnologia para desenvolver canaviais nessa região. Contudo, isso não pode ocorrer, pois a floresta com sua biodiversidade é mais lucrativa, para a coletividade, do que os biocombustíveis. Além disso, não é só o Brasil que precisa das riquezas da Amazônia, mas a vida no planeta depende da floresta.

Basta ver as derrubadas realizadas nas regiões canavieiras. Não há uma árvore sequer no meio dos canaviais. Derrubam tudo, até mesmo nas beiras de rio (matas ciliares), assoreando os leitos dos rios. Derrubam para ocupar melhor o terreno, pois as árvores atrapalham o plantio de cana e a movimentação de maquinários. Além disso, sem a mata e durante o plantio e crescimento da cana, o solo fica descoberto e desprotegido, logo o sol incide diretamente na terra, aumentando a temperatura do solo, matando os micro-organismos e ocasionando erosão.

Outro problema gravíssimo são as queimadas. Quem mora em cidades próximas dos canaviais conhece bem esse problema, principalmente quando a fumaça e as fuligem começam a tomar conta de tudo. Pior do que isso, as queimadas são feitas em círculos fechados nos talhões. Assim, os animais que se encontram dentro do círculo morrem queimados, pois não há como fugir. Morrem principalmente cachorro do mato, tamanduá, capivara, tatu, cobras, passarinhos (principalmente filhotes), etc.

Há ainda o problema da água utilizada para lavar a cana que chega na usina. Essa água é utilizada para irrigação das terras próximas, ou então, é jogada nos rios próximos. Como essa água é excessivamente ácida ela mata os microorganismos presentes na terra, causando desertificação. Por isso os usineiros arrendam as terras por apenas cinco anos, pois após esse período a terra não produzirá mais a quantidade esperada e o solo necessitará de correções químicas para voltar a produzir. Contudo, esse processo de recuperação pode levar mais de 5 anos e custará caro.

O Brasil é um país onde a concentração de riquezas chega a níveis insuportáveis. E a ampliação dessa concentração levará, certamente, a uma revolução social, pois a única forma de se quebrar os elos de dominação, opressão e exclusão será a violência e o extermínio das classes dominantes. Isso ocorreu na França onde a nobreza e o rei (grupos dominantes) foram exterminados. Isso ocorreu na Rússia, onde os Czares e seus aliados foram dizimados.

Também ocorreu na Alemanha, onde o partido nazista conseguiu canalizar o ódio social contra o povo judeu que eram os grupos dominantes do país. Basta lembrar que os Judeus controlavam o sistema financeiro e bancários, assim como as indústrias e o comércio na Alemanha.
--------------------
Sucesso do etanol do Brasil revela 'segredo sujo', diz 'LA Times'
A ascensão da economia brasileira, impulsionada pelo combustível obtido a partir da cana-de-açúcar, traz à tona "o segredo sujo do etanol": as condições primitivas de trabalho às quais são submetidos os cortadores da cana, afirma uma reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal americano Los Angeles Times.

O jornal afirma que o Brasil, "a Arábia Saudita dos biocombustíveis", tem mais de 300 mil trabalhadores temporários na indústria da cana vivendo sob condições que variam de "deploráveis à completa servidão".

Fontes do Ministério Público ouvidas pelo LA Times afirmam que "pelo menos 18 cortadores de cana morreram nos últimos anos, vítimas de desidratação, ataques cardíacos ou outros fatores ligados à exaustão em regiões onde a floresta passou a dar lugar à agricultura".

"Isto não inclui um número desconhecido de outros que morreram em acidentes, por excesso de trabalho. Até prisioneiros têm melhores condições de vida", disse o promotor Luis Henrique Rafael ao diário americano.

Cachaça

"A única forma de lazer deles é a cachaça", acrescentou ele.

O jornal cita o relatório divulgado no mês passado pela Anistia Internacional em que a organização denunciou que mais de mil cortadores de cana foram resgatados em junho de 2007 após serem submetidos a trabalho escravo por um grande produtor de etanol, Pagrisa, no Pará.

"Apesar de os casos de escravidão ganharem mais destaque, há casos de abusos diários, como baixos salários, longas horas de trabalho, baixos padrões de segurança, ausência de serviços sanitário e de saúde, além de exposição a pesticidas e outros produtos químicos".

O Los Angeles Times afirma que as crescentes críticas internacionais provocaram a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que o governo e produtores querem melhorar as condições de trabalho na indústria da cana.

O jornal destaca uma parte do discurso do presidente durante a conferência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO), em Roma, em que ele diz que "o trabalho nas lavouras de cana não é mais difícil do que nas minas, que foram a base para o desenvolvimento da Europa".

"Peguem uma faca para cortar cana e depois vão a uma mina a 90 metros de profundidade para explodir dinamite. Vocês verão o que é melhor", disse Lula na conferência.

Trabalhadores de cana entrevistados pela reportagem reclamaram do regime do trabalho, dizendo trabalhar 12 horas por dia, às vezes sete dias por semana sob um sol escaldante.

"Como migrantes de outros países, eles sucubem às suas reivindicações diante da falta de oportunidades de emprego", afirma o jornal.

17/02/2008

O retorno do totalitarismo
Seria uma oportunidade muito interessante para testar a minha teoria sobre a escravidão totalitária. Um sistema totalitário real se formando bem na minha frente. Porém, o mal que estes sistemas acarretam é incomensurável. Certamente, os operadores do sistema iriam esconder o mal ou iriam justificá-lo como vingança, ou justiça, dependendo da perspectiva de quem olha, pelas centenas de anos de escravidão e morte ocasionado aos negros pelos brancos. Seria uma espécie de ariano ao contrário, o arianismo negro....

Com isto, o domínio total estaria justificado. E a disseminação pelo resto do planeta seria embasada na idéia de libertação planetária dos negros escravizados pelos brancos e pela realização de justiça aos antepassados mortos.

Todos os ingredientes estão se juntando e se aproximando um do outro. E se eu vejo isto, outros também podem ver, principalmente quem tem intenções totalitárias. Eu espero que este sistema totalitário seja fictício, seja apenas imagens da minha cabeça. Espero que não sejam ecos de algo que está vindo por aí, de algo que está se materializando camufladamente...

02/02/2008

Precisamos fazer um rastreamento histórico
Poderíamos fazer um rastreamento histórico para calcular a quantidade, aproximada, de riquezas que os negros produziram, ao longo de centenas de anos de escravidão, e que foi apropriada pelos brancos.
Poderíamos fazer um rastreamento para descobrir onde está esta riquezas, onde estão as famílias que adquiriram e usaram escravos, o que fizeram com a riqueza que acumularam, no que investiram.
Precisamos ver, com exatidão, a partir de que momento os negros, antigos escravos, começaram a estudar... E onde se estabeleceram.
Também temos que ver em que momento os negros começaram a adquirir propriedades, principalmente, terras e de que forma. Eles eram ex-escravos e descendentes de escravos, como conseguiram arranjar recursos para isto ?
Além disso, é preciso ver, após a escravidão, como ficou a questão das terras. Os brancos, pelo que consta, já tinham se apoderado de tudo, restando apenas as terras longíguas e inóspitas...
As respostas destas questões mostrarão, exatamente, porque os negros são pobres, porque são analfabetos e porque vivem nas favelas e periferias.
A resposta, certamente, pode ser antecipada: dominação, opressão, exclusão e exploração dos brancos contra os negros.

31/01/2008

Clonagem humana e escravidão
Cientistas norte-americanos anunciaram em 17/01/2008 (notícia aqui) terem produzido embriões que eram clones de dois homens. O trabalho foi publicado na revista "Stem Cells. E, o fato mais interessante da notícia e que passou despercebido para a maioria, é que Samuel Wood, co-autor do estudo, é executivo-chefe da Stemagen Corp, de La Jolla, na Califórnia.

Muita gente criticou a notícia sem apresentar argumentos fortes. Afinal, estão pesquisando a clonagem e clonaram os embriões para descobrir a cura para doenças graves. Logo, de um lado a clonagem e de outro as tais doenças graves. Resultado: um cenário difícil de argumentar e compor.

A minha visão disso é clara, claríssima. É mentira. É tudo mentira. A clonagem dos tais embriões não são para pesquisas médicas. As pesquisas médicas é a neblina que cobre as reais intenções do mal. As tais doenças graves que podem ser curadas com as células-tronco são desculpas, dissimulações, para se realizar pesquisas que produzam clones humanos. Isto fica evidente quando se observa que existem outros meios para realizar estas pesquisas, sem utilizar embriões ou criar clones.

Mas por que querem os clones ? Se olharmos para a notícia veremos uma empresa por trás dela. Vemos uma corporação. Esta corporação não está interessada na cura de doenças graves. Está interessada na produção dos clones. Está interessada em dominar a tecnologia que produz clones humanos.

A segunda pergunta por que ? Depois que dominar a tecnologia dos clones, a corporação, certamente, irá patentear a tecnologia e irá alegar que não são pessoas, não são seres humanos, são clones. Vão utilizar o mesmo argumento que usaram para dizer que as bactérias que comiam petróleo não eram seres vivos, logo, podiam ser patenteadas. E foram patenteadas pela Shell. (Mais sobre isto no documentário The Corporation). O caso das bactérias é o precendente que precisam para patentear a tecnologia que produz clones, assim como os clones produzidos.

Isto abrirá, inegavelmente, uma nova era de violações de Direitos Humanos, escravidão e opressão sobre a face da Terra. O mal tem diversos truques e métodos de ação. E este é mais um deles. Vão utilizar a idéia de que aquilo que não é junção de um óvulo com um espermatozóide não é humano. Logo, os clones não são humanos. São coisas. Logo, podem ser produzidos em série e escravizados.

É este o negócio que a corporação quer dominar com a tecnologia dos clones. Produção em série de seres humanos para trabalho escravo e para reposição de órgãos nas pessoas comuns. Um negócio, sem dúvida nenhuma, bilionário.

Precisamos rever, rapidamente, a definição que diz que seres humanos são oriundos da junção de um espermatozóide com um óvulo, pois se a clonagem for um fato, como está sendo descrito, vão produzir seres humanos de outra forma. Estes clones também são pessoas, também são seres humanos, também possuem vida e também possuirão consciência ou alma.

E se mantermos a definição de humano na junção do óvulo com o espermatozóide condenaremos estes novos seres humanos à escravidão e à coisificação. Serão considerados coisas e não pessoas. Não estarão protegidos pelos Direitos Humanos e repetiremos aquilo que fizeram com os índios nos tempos da colonização. Lembrem-se que os índios, no início da colonização, não eram considerados pessoas, mas sim animais. Eram perseguidos e caçados pelas matas, pois podiam ser escravizados e usados como coisas.

A bactéria do petróleo, o patenteamento da vida e a clonagem abrem espaço para o advento de uma nova era de violções de Direitos Humanos e de banalização da vida. Produção em série de pessoas supérfluas e descartáveis. Produção em série de clones humanos. Restauração da escravidão e uso de pessoas como coisas.

Inclusive restaurará uma antiga área do Direito, que nós ainda estudamos no Largo São Francisco: o Direito Romano. Agora os casos do Tício que mata um escravo do Caio, do escravo que mata o Mévio, do Semprônio que queria casar com a escrava, etc, se tornarão reais. O Direito Romano terá que ser restaurado para reger as relações dos humanos com os clones humanos, dos nascidos da junção do óvulo com o espermatóide com os nascidos da clonagem, dos senhores com os escravos. O Professor Eduardo Marchi vai gostar de ouvir isto...

A clonagem é a tecnologia dos sonhos do totalitarismo. É a tecnologia que se enquadra com perfeição na construção de uma sociedade perfeita, pois ela permite a produção em série de pessoas com características específicas. Pode-se produzir pessoas que só mandam, pessoas que só obedecem, pessoas que só trabalham, pessoas que só cantam, pessoas que só escrevem, pessoas dóceis, saudáveis, arianos, etc.

E, como não são humanos, pois alegarão que não vieram da junção de um óvulo com um espermatozóide, são produtos da Stemagen Corp, podem ser exterminados em série, quando não tiverem mais utilidade. São produzidos em série. Logo, podem ser exterminados em série e queimados em fornos industriais ou utilizados para fazer sabão, ou então, como adubo orgânico. Já conhecemos esta história, não conhecemos ?

Talvez a Stemagen Corp, para facilitar a vida de seus clientes e melhorar os seus produtos, já insira neles un gene de auto-destruição. A pessoa não quer mais o produto, o clone humano, não quer vendê-lo, mas sim destruí-lo, então, a pessoa pega um pó, mistura no leite e dá para o clone beber. O clone bebe e morre e a pessoa o enterra no jardim, ou joga ele no lixo, ou corta-o em pedaços e usa na ração para os cães, ou então, queima o clone humano junto com a folhagem e usa as cinzas como adubo.

E a Stemagen Corp poderá ter centenas, talvez milhares, de produtos, clones humanos, diferentes. Pode produzir clones para o exército - o soldado perfeito; clones para os bórdeis - a prostituta ideal; clones para as fábricas - o operário ideal; clones para o agronegócio - o agricultor ideal; clones para as universidades - os intelectuais ideais; clones para as escolas - o professor ideal; clones para a política - os políticos ideais; clones para a advocacia - o advogado ideal; clones para a Igreja - os pastores e padres ideais; clones para tudo - tudo ideal. Tudo produtos da marca Stemagen Corp.

Além disso, por que fazer filhos da forma natural, se é mais fácil fazer um clone com todas as características que queremos ? Inclusive podem alterar os genes do clone de tal forma que ele não se desenvolva. Um bebê que é sempre bebê. Um bebê que vai até certa idade e não se desenvolve mais, etc... As possibilidades são infinitas. Tudo tecnologia da Stemagen Corp ,que produz os melhores clones para você, o clone dos seus sonhos...

15/01/2008

Não há dúvida
Nós estamos embaixo da opressão, da exploração e da exclusão dos grupos dominantes. Somos cativos em nossa própria terra. Somos escravos e explorados por gente que caminha do nosso lado. São hipócritas, fingidos e dissimulados. Não mostram a cara para não serem reconhecidos e dizimados como traidores e malfeitores.

Estamos cercados. Eles nos cercaram com dogmas e mentiras. Falam em não-violência, Estado de Direito, legalidade e Leis... Contudo, tudo isto serve apenas para manter a dominação, a exploração e a exclusão. A legalidade é uma trava que foi criada para nos manter dóceis e quietos enquantos nos chicoteiam e nos exploram. A nossa submissão significa nossa escravidão e morte. A nossa resistência é o começo do fim da dominação.

Precisamos romper esta nuvem de mentiras e nos libertar. A face do inimigo tem que ser revelada. O inimigo tem que ser destruído.

04/01/2008

A mentalidade subdesenvolvida da classe dominante
O problema do Brasil é a classe dominante. Temos uma classe dominante que se estruturou em cima da exploração e do parasitismo. E essa classe não pretende mudar seus métodos, pois eles ganham e enriquecem com esse tipo de coisa.

Muitos países somente se desenvolveram e cresceram quando exterminaram toda a classe dominante. Quando tiveram uma revolução violenta que extirpou o parasitismo e devolveu o poder para a maioria da população.

Basta olhar para a França, os franceses seriam o que são se tivessem tolerado e mantido o antigo regime ? Os americanos seriam o que são se tivessem aceitado e mantido a exploração inglesa ? Agora, nós somos o que somos porque toleramos a velha classe dominante do império até hoje. É a mesma classe, são os mesmos métodos e assim continuará sendo, se ficarmos neste conformismo patológico.

A classe dominante cresce em cima da pobreza. Eles enriquecem com a desgraça. Eles se alimentam da miséria dos brasileros. O sangue da maioria dos brasileiros, principalmente dos negros, é o ouro da classe dominante. Por isso, esta classe faz de tudo para manter em vigor a mentalidade subdesenvolvida. Eles tem o poder econômico e dominam o poder político. A democracia representativa é uma democracia criada para que o poder fique nas mãos da classe dominante. É uma democracia de mentira que não dá poder nenhum para a maioria. O que o povo prefere: a CPMF no bolso dos ricos ou a CPMF aplicada na saúde ? A decisão da classe dominante predominou e prevaleceu.

Os grupos dominantes atuam e batalham para aumentar as riquezas daqueles que já são ricos. Por isso, querem reduzir os programas sociais, o desenvolvimento, da maioria da população.

A classe dominante atual tem origem na escravidão, são os senhores de escravos, que investiram o dinheiro sujo de sangue negro na industrialização, nos bancos, etc. Os antigos senhores morreram, mas seus herdeiros, seus sócios, continuam trabalhando, explorando e se enriquecendo com o sangue da maioria dos brasileiros, principalmente dos negros...

24/10/2007

A educação que liberta e a mão que escraviza

O título deriva do artigo "A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza" publicado no Le Monde Diplomatique:
http://diplo.uol.com.br/2007-10,a1968

A educação pode ser um instrumento de dominação e controle, uma forma de perpetuação de um grupo dominante no poder, um mecanismo de escravidão da coletividade. Assim como todas as coisas, a educação pode ser usada para o bem ou para o mal. Pode ser uma educação que liberta ou uma educação que escraviza. O grande problema é saber quando estamos diante de uma ou diante de outra, pois o principal truque dos grupos dominantes, que usam a educação como instrumento de poder, é esconder nas instituições fundamentais da sociedade mecanismos de dominação, controle e perpetuação do status quo. Isso se aplica a todas as instituições: Direito, Democracia, Judiciário, Legislativo, Universidades Públicas, religião, etc...

Neste texto vou tratar da educação que liberta e da mão que escraviza, ou seja, da mão que usa a educação para escravizar e da educação que tem poder para decepar a mão que escraviza... Parece meio enrolado o negócio, mas você vai entender...

O que você precisa compreender é que nós estamos imersos em um mundo de desigualdades, pobreza e miséria. Nesse mundo de desigualdade, probreza e miséria existem grupos dominantes poderosos que enriquecem dia após dia. De um lado você tem a maioria da população na pobreza e na miséria. De outro lado você tem grupos dominantes e indivíduos super-ricos. Não há riqueza na pobreza e na miséria, contudo a pobreza e a miséria podem gerar grandes riquezas...Os grupos dominantes atuais sabem e usam isto com grande maestria. Os grupos dominantes atuais usam a pobreza e a miséria da maioria da população como sua principal fonte de riqueza.

Mas quem são os grupos dominantes atuais ? Quem é a tal classe dominante ?

Hoje no Brasil, com dados do IBGE de 1996:

Elite -- Profissionais pós-graduados, empresários e altos administradores. -- 4,9%

Classe média alta -- Pequenos proprietários, técnicos com especialização e gerentes de grande empresa. -- 7,4%

Classe média média -- Pequenos fazendeiros, auxiliares de escritório -- e profissionais com pouca especialização. -- 13,3%

Classe média baixa -- Motoristas, pedreiros, pintores, auxiliares de serviços gerais, mecânicos, etc. -- 26,9%

Pobres -- Vigias, serventes de pedreiros, ambulantes e outros trabalhadores sem qualificação. -- 23,4%

Muito pobres -- Trabalhadores rurais, bóias-frias, pescadores, peões de fazendas, catadores urbanos,etc. -- 24%

Esses dados estão descritos em um estudo disponível em:
http://www.ai.com.br/pessoal/indices/CLASSES.HTM

Mas como eles operam isto ? Como conseguem gerar riqueza usando a pobreza e a miséria da maioria da população ? A resposta é simples: mão-de-obra barata. E aqui entra uma idéia interessante que aparece no filme Matrix. No filme Matrix as pessoas eram cultivadas para gerar energia. Ficavam inerte dentro de um recipiente gerando energia para as máquinas. No mundo atual as pessoas também são cultivadas para gerar energia. E sua energia é usada, nas fábricas, indústrias e comércio, para produzir produtos e serviços que são vendidos no mercado. A energia vira produto e serviços. Ao menos no filme Matrix a pessoa não precisava fazer nada, ficava inerte gerando energia. Na atualidade a pessoa tem que se virar, tem que encontrar um local, um emprego, que aceite a sua energia e lhe paque uns trocados em troca. A realidade é bem mais perversa e sangrenta do que o filme Matrix.

A riqueza é gerada pela energia dos pobres e miseráveis que trabalham muito para ganhar pouco ou quase nada. O lucro daquilo que eles produzem é embolsado pelos grupos dominantes e pelos super-ricos.

Neste contexto entra em cena um outro ponto fundamental. O excedente de produção tem que ser vendido para pessoas que tenham renda. Um país de pobres e miseráveis tem pouca renda disponível para aquisição, logo, devem buscar outros mercados. Aqui entra o comércio internacional como um elemento que faz a cadeia de exclusão e exploração continuar girando e gerando riquezas. Sem o comércio internacional o sistema quebraria, pois sem consumidores não há produção. E só há consumidores onde há renda. Um país com um grande número de pobres e miseráveis tem pouca renda e poucos consumidores. Pobre não compra TV de plasma, geladeira com internet, carro da moda, etc.

Olhe para a construção civil. Quem mais trabalha e quem realmente constrói os prédios são os pedreiros e os serventes de pedreiro. Porém, quem realmente lucra e ganha com essas construções são as grandes construtoras e os investidores. Olhe para a indústria canavieira. Quem mais trabalha e quem movimenta as usinas são os trabalhadores rurais, cortadores de cana, bóia-frias. Porém, quem realmente lucra e ganha com a cana são os usineiros. Olhe para a indústria de suco de laranja, fábrica de automóveis, indústria têxtil, etc. Olhe para o comércio. Quem trabalha realmente ganha muito pouco. Quem mais lucra com o comércio são os comerciantes capitalistas.

O salário que esses trabalhadores ganham não dá para nada. Não lhes permite escapar da escravidão e crescer na vida. Estes indivíduos estão presos dentro da exclusão e da exploração e não conseguem se libertar, pois o sistema os mantém cativos. São pobres e miseráveis e continuarão a ser pobres e miseráveis, apesar do emprego que possuem... São pilhas que produzem energia para o sistema. Energia que vira produtos e serviços que serão vendidos no mercado internacional. Quem mora na favela e ganha um salário mínimo não possui nenhuma chance de sair da favela...Quem mora no campo e ganha um salário mínimo não possui nenhuma chance de escapar do circulo de pobreza e miséria...

Além disso, o sistema não tem interesse em acabar, ou reduzir ao mínimo, as desigualdades, a pobreza e a miséria, pois se isso for feito não haverá mais mão-de-obra barata e nem reserva de escravos para movimentar as indústrias. Os grupos dominantes ganham, e muito, com as desigualdades, com a pobreza e com a miséria. Basta ver que são grupos dominantes que se enriquecem cada vez mais, mesmo estando inserido em um mundo de desigualdades, pobreza e miséria.

Quem opera este sistema perverso ? A resposta aparece na tabela dos grupos dominantes. Quem ganha com as desigualdades, com a pobreza e com a miséria no Brasil é a elite e a classe média alta. São estes indivíduos os inimigos da coletividade e do Povo Brasileiro. Eles é que alimentam e perpetuam esse sistema de exclusão e exploração. Eles é que impedem a implantação de políticas públicas que ocasionem transformação social relevante. Eles ganham com a desgraça do Brasil e do Brasileiros. Não só ganham como financiam a desgraça do Brasil e dos Brasileiros.

Elite -- Profissionais pós-graduados, empresários e altos administradores. -- 4,9%

Classe média alta -- Pequenos proprietários, técnicos com especialização e gerentes de grande empresa. -- 7,4%

Nesta tabela onde está as Universidades Públicas ? Onde está a burocracia ? A resposta é só uma: na elite. Por isso, meu caro, não espere que uma Universidade Pública faça alguma revolução ou transformação social relevante, pois os professores das Universidades Públicas pertencem à elite. Eles ganham com as desigualdades, com a pobreza e com a miséria da população e do Povo Brasileiro... Eles enriquecem, mesmo estando inseridos em um mar de desigualdades, pobreza e miséria.

Eu vejo isso claramente e compreendo, por exemplo, porque a USP aprova e apóia projetos de banco para pequeno número de alunos da classe média, mas não aprova e nem apóia projetos de grande relevância e repercussão social que beneficia a coletividade como um todo. A USP não quer política de cotas, alguns professores da USP não querem o Projeto OCW-USP. Não querem porque esta Universidade é um centro de formação dos herdeiros da classe dominante, eles são classe dominante, são elite e a elite não quer mudança social, quer que o status quo se mantenha, que as coisas continuem como estão. Eles ganham com as desigualdades, com a pobreza e com a miséria da coletividade. Eles ganham com a escravidão.

Portanto, a educação que liberta não virá dessa mão que escraviza. A mão que escraviza não quer uma educação que liberta os seus escravos. Logo, as Universidades Públicas não buscam resolver os problemas sociais ou desenvolver políticas sérias que acabem com as desigualdades, com a pobreza e com a miséria. Inclusive é comum ouvirmos professores falando que não é função da Universidade resolver problemas sociais. Dizem que é função da Universidade educar e formar mão-de-obra especializada. Porém, não dizem que a Universidade ministra, para aqueles que conseguem romper a barreira econômica, uma educação que ocasiona escravidão mental; assim como forma os herdeiros dos grupos dominantes, ou seja, perpetua a elite da exclusão e da exploração. A Universidade atual domestica as mentes rebeldes e tenta conformar os inconformados, fazendo-os aceitar como natural e impossível de mudança a realidade perversa que nos assola.

A revolução tem que ser construída nas favelas e nas periferias, pois a mão que escraviza não produz uma educação que liberta. Os oprimidos, os excluídos e os explorados terão que se levantar para tomar o sistema. Os herdeiros dos grupos dominantes e os próprios grupos, apesar do discurso social, não querem nenhuma mudança social relevante. Por isso, desenvolvem planos e idéias que mudam tudo sem mudar nada. Esta é uma das especialidades da USP, fazer planos e projetos que muda tudo sem mudar nada. Ao invés de adotarem as cotas na Universidade, criaram mais um cursinho pré-vestibular...

Mas qual é a educação que liberta ? Qual é a educação que nos livra e nos salva da mão que escraviza ? Certamente, não é a educação atual, pois a educação que temos hoje reproduz e perpetua as desigualdades. É uma educação que usa as desigualdades econômicas para promover desigualdades intelectuais. Os ricos são doutores, pós-doutores, etc... Os pobres chegam no máximo até a oitava série. As Universidades particulares são caríssimas. Logo, excluem os pobres. As Universidades Públicas usam provas vestibulares dificílimas para que os alunos que queiram ser aprovados tenham que fazer cursinhos caríssimos. Logo, as Universidades Públicas também excluem os pobres. Excluem na obrigatoriedade indireta de fazer cursinho caros para ingresso... Este é o mecanismo de poder dos grupos dominantes. Um mecanismo inserido na instituição Universidade Pública para dominar, controlar e perpetuar a elite no poder.

O primeiro mecanismo da elite é impedir que os pobres e miseráveis estudem. E se, apesar da exclusão e exploração, o indivíduo consegue terminar o segundo grau, o mecanismo seguinte, implantado pela elite, é impedir que ele entre na Universidade. E se ele entra, o próximo passo é impedir que ele termine o curso...Certamente, não há uma única pessoa operando isto. Há um sistema por trás disto. Um sistema que foi construído ao longo do tempo e que foi enraizando na nossa cultura. Isso parece natural... Os vestibulares parecem coisas naturais... Os cursinhos parecem coisas naturais... Mas não são. São mecanismos criados para dar oportunidades e estudos para quem tem poder econômico e, simultaneamente, excluir das Universidades Públicas quem não tem poder econômico.

Quem tem poder econômico protege o poder econômico e busca perpetuar os mecanismos de opressão, exclusão e exploração. Quem não tem poder econômico quer mudar tudo isto. Quer quebrar o sistema e instaurar uma nova ordem... Por isso, o poder econômico tenta impedir o acesso das classes baixas à Universidade, à educação e ao cerne do sistema. O vestibular é um mecanismo seletivo econômico. Ele é feito para impedir o acesso às Universidades Públicas dos alunos das classes baixas...Somente quem paga cursinho caro entra nos cursos importantes. Certamente, existem excessões, mas são pontos fora da reta...

Portanto, a educação que liberta tem que ser gratuita e aberta a todos, sem nenhum tipo de barreira econômica excluindo, oprimindo e explorando. A educação que liberta é democrática, é acessível, é transformadora. O conhecimento tem que ser democratizado e socializado. Eu vejo na tecnologia atual uma grande possibilidade de se implantar, como política pública, a educação que liberta. Eu chamo esta educação qe liberta de Ensino Público Gratuito via Internet. E este sistema de ensino público via internet começa com um projeto OCW, ou seja, o Projeto OCW é o primeiro passo para se estabelecer um sistema de ensino público via internet.

Sobre o Projeto OCW-USP
http://www.leonildoc.ocwbrasil.org/ocw-usp.htm

Repercussões do Projeto OCW-USP
http://www.leonildoc.ocwbrasil.org/ini9-5.htm

O Projeto OCW-USP e o Ensino Público via Internet
http://www.leonildoc.ocwbrasil.org/ocw6.htm

O Projeto OCW-USP e o INCLUSP
http://www.leonildoc.ocwbrasil.org/ini9-7.htm

Os cursos a distância não democratizam o conhecimento e nem socializam os saberes
http://www.leonildoc.ocwbrasil.org/ini9-8.htm

Comentando o Projeto MIT-OCW
http://www.leonildoc.ocwbrasil.org/ocw8.htm

Internet e democratização do conhecimento: repensando o processo de exclusão social
http://www.leonildoc.ocwbrasil.org/ini9-11.htm


-------------
O elitismo do ensino superior

Antonio Gois - Coluna Aprendiz
http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/a_gois/id240603.htm

O IBGE divulgou neste mês, na Síntese dos Indicadores Sociais, um dado inédito que ajuda a entender o perfil do estudante que consegue chegar na universidade pública.

Pela primeira vez, o instituto pesquisou o perfil socioeconômico do universitário de instituições públicas. O resultado confirma o que já se sabia: a maioria dos estudantes (60%) dessas instituições pertencem à camada dos 20% mais ricos da população brasileira.

Entre os 20% mais pobres, apenas 3,4% estão representados nas universidades públicas. Esses números não deixam dúvida quanto ao caráter elitista da universidade pública. No entanto, sua análise fora de contexto pode levar a conclusões simplistas.

Infelizmente, o IBGE não fez o cálculo do perfil socioeconômico dos alunos das universidades privadas. A pergunta que deveríamos nos fazer é: a universidade particular é mais ou menos elitista do que a pública?

Os números do IBGE não permitem obter essa resposta. No entanto, uma pesquisa já citada muitas vezes nesta coluna, do sociólogo Simon Schwartzman, mostra que o ensino superior como um todo é elitista.

Schwartzman fez o mesmo cálculo com base na Pnad de 1999, quando não era possível separar a rede pública da particular nas análises dos resultados. Sabemos, no entanto, que 70% dos estudantes do ensino superior brasileiro estão na rede privada.
Sabemos também, a partir dos estudos de Schwartzman, que os estudantes que pertenciam aos 20% mais ricos ocupavam 71% das vagas de todo o ensino superior em 1999.

Esse dado não deixa dúvida: não é só a universidade pública que é elitista. Esse é um problema de todo o sistema, e não apenas das instituições mantidas com o nosso dinheiro.

Os dados do IBGE também mostram outra faceta desse elitismo. É comum ouvir o argumento de que o problema do elitismo nas nossas universidades não é delas, mas sim do ensino médio. Em outras palavras, as universidades - públicas ou particulares - receberiam os alunos mais ricos porque o filtro social aconteceria mais cedo, no ensino médio, porque muitos estudantes pobres não conseguiriam completar o ensino médio, condição fundamental para entrar na universidade.
O IBGE mostra que essa afirmação é uma meia verdade.

Do ensino fundamental para o ensino médio, é inegável que existe um filtro social e que muitos estudantes pobres ficam pelo caminho. Na faixa etária de 7 a 14 anos, todas as faixas de renda pesquisadas, da mais pobre à mais rica, a taxa de freqüência escolar é superior a 90%.

Dos 15 aos 17, essa taxa já começa a variar. Entre os 20% mais pobres, 71% estudam. Entre os 20% mais ricos, 94% estudam. Isso mostra que os pobres começam a abandonar o estudo mais cedo, mas nenhum filtro é tão elitista quanto o dos vestibulares.
É na passagem do ensino médio para o ensino superior que as estatísticas mostram que ocorre a maior elitização. Provavelmente, em qualquer lugar do mundo as universidades acabam atraindo os alunos mais ricos. No caso do Brasil, no entanto, os dados deixam claro que essa elitização é mais perversa.

É por isso que é tão importante discutir sobre temas como cotas, aumento de vagas nas universidades públicas, bolsas de estudo, financiamento, cursos para carentes ou qualquer outra proposta com o objetivo de aumentar o acesso dos pobres à universidade, incluindo a mais do que óbvia necessidade de melhorar a qualidade do ensino dado aos mais pobres.

-------------
Escolaridade afeta diretamente o PIB

Estadão Online -- Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA
http://www.estado.com.br/editorias/2007/06/26/ger-1.93.7.20070626.1.1.xml

Em uma geração, País deixa de ganhar R$ 300 bilhões, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto, diz Banco Mundial.

Habituados a ouvir dizer que a baixa escolaridade trava o desenvolvimento, os brasileiros têm agora um número calculado pelo Banco Mundial (Bird) que ajuda a provar o tamanho do estrago social e econômico.

Segundo o banco, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deixa de crescer meio ponto porcentual por ano porque um grande contingente de jovens não consegue terminar a escola. Essa porcentagem significa que, em uma geração (40 anos, neste caso), o Brasil deixa de ganhar R$ 300 bilhões, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto.

O estrago e a conta estão no relatório “Jovens em Situação de Risco no Brasil”, divulgado ontem em Brasília. E os custos são muito mais amplos: violência, gravidez precoce, aids, desemprego, abuso de drogas e álcool. Os problemas que cercam os jovens em risco custam caro, tanto em despesas diretas do País quanto no que esse jovens deixam de produzir, para si e para o Brasil.

O diagnóstico do Banco Mundial é duro: “A baixa acumulação de capital humano permite antecipar uma futura geração que não será competitiva nem na região, nem no mundo”, diz o estudo. “Não apoiar os jovens é um custo alto para o País. É um grupo sobre o qual o governo tem de pensar mais”, disse a autora do estudo, Wendy Cunningham, economista sênior do Banco Mundial.

Apesar de uma certa evolução - os jovens brasileiros hoje têm, em média, 8,5 anos de estudo, um a mais do que a geração anterior -, a escolaridade no País é considerada baixa. O estudo mostra que o número de jovens que chegam ao ensino superior no Brasil é o menor da América Latina.

Ingrid Faria Adamo, de 18 anos, parou de estudar em março. Ela cursava o 3º ano do ensino médio noturno quando seu horário de trabalho foi alterado e ela passou a ter de permanecer na empresa de telemarketing até as 21 horas. Enquanto esperava sua transferência para o período matutino na escola, acabou conseguindo trocar novamente de turno no serviço. Ao informar a escola de que poderia voltar a estudar à noite, conta, o diretor disse que ela já havia perdido muitas aulas e provas e que deveria procurar um supletivo. “Ele praticamente me expulsou porque faltei duas semanas”, diz. Hoje, Ingrid - que trabalha desde os 15 anos - ainda procura uma vaga na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o antigo supletivo. “Eu gostava de estudar e quero muito fazer uma faculdade de Arquitetura.'

A CADEIA DA POBREZA

Os R$ 300 bilhões calculados pelo Banco Mundial referem-se diretamente a esse problema: se os jovens brasileiros que deixam a escola completassem apenas o nível de ensino seguinte ao que deixaram de fazer - se um jovem que deixa a escola na 8ª série do ensino fundamental, por exemplo, terminasse o ensino médio -, ele receberia um salário maior. Somados, esses salários (não recebidos) da geração que largou a escola somariam mais R$ 300 bilhões girando na economia nacional.

A pobreza faz com que todos os demais riscos aumentem. Jovens pobres abandonam mais cedo a escola, têm mais dificuldades de encontrar emprego, morrem mais cedo, envolvem-se mais com drogas e correm mais riscos de serem pais ainda muito cedo.

Entre os jovens mais pobres, a taxa de analfabetismo é três vezes a da média nacional. Os que trabalham com carteira assinada representam apenas 1/8 da média do País e 90% dos jovens desempregados vêm de famílias com renda inferior a dois salários mínimos.

De acordo com o Banco Mundial, o Brasil tem uma das menores taxas de desemprego entre jovens da América Latina. Mas, quando comparada com a dos adultos, é alta demais para um País com o nível de atividade econômica que o Brasil tem.

9,5 MILHÕES

O estudo não quantifica quantos jovens brasileiros poderiam ser considerados em situação de risco. O governo brasileiro trabalha com um grupo de 9,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que estão fora da escola e desempregados. Desses, 4,5 milhões ainda não conseguiram completar nem mesmo o ensino fundamental.

“Esse é o público mais importante. Se atacarmos esses problemas, podemos alcançar os demais”, disse o secretário nacional de Política para a Juventude, Beto Cury.

28/09/2007

A guerra já existe

Leonildo Correa -- 28/09/2007 -- A periferia está em guerra. Vemos isso nos jornais todos os dias. Centenas, talvez milhares, de pessoas morrem anualmente nesta guerra silenciosa e não declarada. Uma guerra violenta e sem objetivos. O Estado, supostamente, lutando contra o narcotráfico e os narcotraficantes ataca ferozmente a população civil desarmada que vive nos morros e nas favelas. Dizem que matam traficantes, mas sempre vemos trabalhadores mortos nas fotos. E se matam traficantes, por que tráfico continua funcionando como se nada tivesse acontecido ? Chamam de guerra contra as drogas, mas na verdade é uma guerra contra a população da periferia. Uma guerra do Estado contra os pobres da favela e dos morros.

Portanto, a guerra já existe. Não precisamos inventar e nem começar nada. Tudo o que temos que fazer é re-orientar a guerra atual para novos objetivos, assim como armar a população civil para resistir contra os ataques do Estado. Nada irá mudar nas favelas e periferias. Talvez apenas o número de morto, pois as ações e reações serão mais equilibradas. Hoje o Estado e os grupos dominantes invadem as favelas com seus fuzis e caveirões. E a população não tem nada nas mãos para repelir essas invasões e esses ataques.

Assim, em um futuro próximo, as periferias e favelas não apenas terão capacidade para repelir os ataques do Estado como para contra-atacar os redutos dominantes e as forças de opressão. A idéia é expandir a guerra que se restringe às periferias. O Estado vai até a periferia para matar moradores. A periferia precisa ir atrás dos controladores do Estado para retribuir em dobro. Se a guerra sair da periferia e se disseminar pelas cidades e por todo o país, certamente, em pouco tempo assumiremos o controle das instituições, do sistema e do Estado.

As leis serão refeitas e estabeleceremos as nossas regras. As leis leoninas serão derrogadas e os grupos dominantes irão rezar a cartilha que lhes for imposta. Contudo, os atuais controladores do sistema não poderão ser poupados. Todos eles devem ser fuzilados logo no início do movimento, pois a repressão, a opressão, a exclusão e a exploração que vivemos e sentimos hoje são obras de suas mentes diabólicas. E se eles nos pegarem primeiro, certamente, seremos todos mortos. Por isso, não podemos poupá-los.

O poder dos grupos dominantes está na fragmentação das vítimas. Os oprimidos, os excluídos e os explorados são maioria e se eles se unirem, não sobrará nada do sistema dominante. Precisamos montar uma agenda comum e unir esforços. Isso tem que ser feito nas periferias, com os moradores da periferias. A burguesia jamais mudará o sistema que criou para dominar, oprimir e excluir. Os ricos se alimentam disso. A fonte de riquezas deles é a exploração e o parasitismo das periferias que são senzalas de mão-de-obra escrava. O salário mínimo é uma forma de escravidão. O sangue e o suor dos trabalhadores geram os lucros capitalistas.

Isso tem que acabar e isso somente acabará quando os explorados, os oprimidos e os excluídos se levantarem em uma luta armada violenta e sangrenta... Somos maioria e o sistema tem que funcionar a nosso favor e pelos nossos interesses. Se o sistema funciona contra nós, contra a coletividade, contra a sociedade, temos que destruí-lo. Não só destruir o sistema, mas também destruir quem contaminou o sistema, reprogramando-o para trabalhar contra a maioria e a favor das minorias e dos grupos dominantes.

Se o sistema não trabalha a nosso favor, vamos destruir o sistema e todos aqueles que o sustentam.. Se o sistema nos escraviza, vamos destruir o sistema e todos aqueles que o sustentam.. Se o sistema nos impede de evoluir, vamos destruir o sistema e todos aqueles que o sustentam.. Se o sistema nos explora, nos engana, nos rouba, vamos destruir o sistema e todos aqueles que o sustentam.

Olhe a seu redor e diga-me o que você vê. Você vê futuro ? Você terá futuro ? As coisas foram armadas e estruturada para que você seja um escravo. Para que você trabalhe toda a sua vida e não obtenha nada. Para que você chegue aos seus oitenta anos, olhe para trás e veja apenas vida inútil e insignificante: vida de escravo. Passou a vida e viveu como escravo. A culpa não é sua. A culpa é do sistema. Alguém ganha com isso. A mentira é: você precisa trabalhar para sobreviver... A verdade é: você precisa trabalhar para gerar lucros para alguém, alguém quer a sua inteligência e os seus serviços para vender... Você precisa trabalhar para o sistema e para os grupos dominantes.

Esparta... Esparta é o melhor exemplo. Uma minoria espartana dominando e controlando uma maioria. Porém Esparta era uma sociedade militar. Nós não somos uma sociedade militar, portanto, como o controle e a dominação é possível ? Como uma minoria pode dominar e controlar uma imensa e monstruosa maioria ?

A resposta está na lei, nas normas e nas instituições. A dominação deriva da lei que não elaboramos, não aprovamos e que nos escraviza. A dominação, a opressão, a exploração e a exclusão são implantadas pela lei e por nossa obediência à lei e às instituições. Por isso, os grupos dominantes insistem tanto na questão da obediência à leis e às instituições, pois enquanto formos obedientes seremos escravos. Nada mais do que escravos...

Contudo, não somos obrigados a obedecer leis arbitrárias, opressivas e ilegítimas. Não somos obrigados a aceitar um sistema que nos escraviza. Somos a maioria e podemos quebrar o sistema na hora que quisermos... Precisamos apenas unir forças... Todas as forças em uma só direção: destruir o sistema e todos aqueles que ganham com a escravidão da maioria..

24/03/2007

A morte por trás do etanol


Recordes de produtividade e busca de energia “limpa” são a face moderna da produção de cana-de-açúcar. Mas isso é sustentado por um regime de semi-escravidão a que ainda são
submetidos os trabalhadores


São 4h30 em Guariba, cidade do noroeste do Estado de São Paulo, quando o ronco dos motores de dezenas de ônibus quebra o silêncio da madrugada. Por seis vezes na semana, o barulho das rodas sobre as acanhadas calçadas do município anuncia o trabalho a um exército de bóias-frias. Dali a pouco, essa legião estará nas lavouras de cana para mais uma vez fazer história. Se na última safra – 2006/07 – os brasileiros cortaram e moeram mais de 425 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, este ano as estimativas prevêem uma produção 10% maior. São recordes sobre recordes de produtividade extraídos de plantações espalhadas por mais de seis milhões de hectares de terra. O feito consolida o País no invejável patamar de maior produtor mundial de álcool e etanol.

Tal riqueza atraiu os olhares do mundo para o produto que já é classificado por economistas como o novo “ouro branco” do planeta. Empresários, banqueiros e até o presidente dos Estados Unidos se interessaram pelo tesouro e desembarcaram no Brasil nas últimas semanas buscando transformá-lo numa commodity alternativa e barata aos combustíveis fósseis. Enquanto uns foram à Bolsa de Valores, outros estiveram em tratativas com o governo brasileiro. Porém, o que Bush e os investidores não viram e talvez não saibam é que a riqueza gerada pela fantástica produção desse “ouro branco” se assenta na exploração brutal de milhares de homens e mulheres que cortam e colhem cana pelo Brasil adentro. Quase 120 anos depois da abolição da escravidão, os cortadores de cana ainda vivem o cativeiro da terra, sob o tacão de um “chicote invisível”, como definiu Maria Cristina Gonzaga, pesquisadora do Ministério do Trabalho. A cana literalmente mói a carne de um milhão de miseráveis trabalhadores rurais. Quem entra nos canaviais brasileiros tem a impressão de estar fazendo uma viagem no tempo, retornando ao século XVII. Homens e mulheres são comercializados como gado, trabalham jornadas de até 12 horas, muitos passam fome e outros chegam a tombar mortos de pura exaustão. Relatório do Ministério do Trabalho (MT), divulgado no início do mês de março, mostra que só no ano passado 450 trabalhadores do setor sucroalcooleiro morreram nas usinas. Alguns foram assassinados, mas muitos morreram em conseqüência de banais acidentes de transporte. Outros foram carbonizados durante as queimadas. Vários perderam a vida simplesmente por excesso de trabalho. “O suor, o sangue e a morte banham o açúcar e o álcool brasileiro”, denuncia a ISTOÉ Maria Cristina Gonzaga, técnica da Fundacentro, órgão do MT, responsável pelo estudo. Nas contas dela, nos últimos cinco anos, o trabalho na lavoura de cana ceifou a vida de 1.383 trabalhadores.

Entre eles, o migrante mineiro Antônio Moreira, que largou o Vale do Jequitinhonha na década de 70 para “fazer safra” nas lavouras paulistas. Aos 55 anos, Antônio caiu morto de cansaço em meio às canas que empilhava. “Ele tinha cortado 16 toneladas aquele dia”, lembra a viúva Maildes Moreira Araújo, 55 anos, também cortadora de cana. Foi a terceira vez que tal desgraça se abateu sobre os Moreira. “Meu tio e um primo também morreram na mesma situação”, diz Antônio Moreira Filho, 32 anos, que trabalhava com o pai nos canaviais desde os 14.


“Do cortador de cana é esperada a produção de uma máquina”, diz Miguel Ferreira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cana de Jaboticabal, interior paulista, região responsável por 60% da produção nacional de álcool e açúcar. Miguel fala de cátedra. O atual sindicalista foi cortador de cana durante seis anos e, assim como seus pares, produzia diariamente seis toneladas de cana. “Hoje exige-se a produção de no mínimo dez toneladas diárias por homem. Não tem corpo que agüente”, constata Miguel. Segundo a Universidade Federal de São Carlos para cortar dez toneladas e ganhar R$ 24 é preciso percorrer cerca de nove quilômetros a pé por entre o canavial, desfechar cerca de 73.260 golpes de podão (facão) em 36 mil flexões de pernas. E mais, o cortador de cana terá que levantar e carregar pelo menos 800 montes de 15 kg de cana cada um, por uma distância de três metros, empilhando a produção do dia. Os médicos do Ministério do Trabalho, que estudaram a saúde do cortador de cana concluíram que eles chegam a perder em um dia de trabalho cerca de oito litros de água.

E o pior é que a situação desses condenados da terra pode se agravar. A partir deste ano, começa a ser colhido um novo tipo de cana, mais leve por ter sido geneticamente modificada. Além de pesar menos – pois elimina bastante a água –, esse tipo de cana concentra uma quantidade muito maior de sacarose (açúcar). Tudo ótimo, menos para o trabalhador, que precisava cortar 100 metros de cana para produzir dez toneladas e por causa da novidade transgênica precisará cortar o triplo para produzir a mesma quantidade. Aos 52 anos, Maria dos Santos corta nove toneladas para levar para casa R$ 512 no final do mês. Quando soube que terá que trabalhar três vezes mais para ter o mesmo rendimento, não se conteve: “Vamos morrer!”, desesperou-se.


Hábeis em implementar modernizações tecnológicas, os usineiros não demonstram intenção de alterar as arcaicas relações de trabalho que predominam no setor sucroalcooleiro. “As práticas impostas por eles, em muitos casos, ainda são escravagistas”, diz a técnica do Ministério do Trabalho. Veja-se, por exemplo, o processo de seleção dos trabalhadores. Eles são “vendidos” para intermediários que selecionam a mão-de-obra para usinas. Trazidos das profundezas do País para dar duro nos canaviais, esses escravos do século XXI são cooptados por “gatos”, uma espécie de empreiteiro que busca pessoas que, em troca de migalhas, se submetem a todo tipo de humilhação. Para cada cortador de cana trazido para a usina, capaz de produzir 12 toneladas por dia, o “gato” recebe em média R$ 60. Qual a vantagem? Esses cortadores são escolhidos a dedo e não reclamarão de serem obrigados a viver em alojamentos decrépitos. Eles também não reclamam do pagamento abaixo dos pisos salariais e ainda admitem viver confinados nas propriedades onde a colheita ocorre oito meses por ano. “Só 20% dos trabalhadores ligados ao setor sucroalcooleiro no Brasil têm conquistas preservadas, o resto são escravos”, garante Miguel, o sindicalista. “Não é difícil constatar a miséria e a exploração a que essas pessoas estão submetidas. O Ministério do Trabalho é que dá as costas para o problema”, indigna-se Miguel.


A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), entidade que representa os usineiros, não fala sobre direitos do trabalho. Segundo a assessoria de imprensa, eles apenas “cumprem a lei”. Mas em relação ao crescimento da produção eles são expeditos. Para os donos dos engenhos, as máquinas produzirão, até 2013, 36 bilhões de litros de álcool – um bilhão a mais que a atual produção mundial. Grande parte dessa produção atenderá aos mercados americano e europeu. No ano passado, 19 bilhões de litros de álcool foram destilados, uma supersafra que movimentou mais de R$ 40 bilhões na economia, US$ 8 bilhões em exportações, equivalentes a mais de 3,5% do PIB brasileiro. Segundo as estimativas do setor sucroalcooleiro, uma nova usina de cana surgirá a cada mês no País nos próximos dois anos.

Este crescimento acelerado no plantio e na produção preocupa governantes e economistas. Muitos temem que esse boom leve o Brasil de volta à monocultura. Hoje, várias plantações de alimentos e áreas de pastagem estão sendo substituídas por lavouras de cana-de-açúcar. Preocupados com essa possibilidade, alguns Estados já se preparam para enfrentar a situação. Em Mato Grosso, na região do Pantanal, já foi proibida a implantação de usinas de álcool. No Estado de Goiás, algumas prefeituras querem limitar a entrada da cultura da cana. Em São Paulo, responsável por 60% da produção nacional, um projeto do deputado estadual Simão Pedro (PT) propõe que os fazendeiros de regiões do Estado onde a cultura da cana se expande sejam obrigados a reservar 10% das terras para outros tipos de cultura. “É fato a expansão do setor, mas precisamos criar alguns limites, senão daqui a uns dias seremos obrigados a importar alimentos básicos”, diz Simão. Enquanto isso, o presidente Lula, inebriado com o etanol, disse que os usineiros passaram de bandidos a heróis.

10 mil quilos de cana por dia é a cota mínima que cada cortador deve produzir.