Democratizar o conhecimento e socializar os saberes como ferramenta para transformação social e econômica. Democratizar e socializar para reduzir as desigualdades regionais. Democratizar e socializar para dar oportunidades. Democratizar e socializar para dar esperanças e certezas de um futuro melhor. O poder transformador do conhecimento, monopolizado e retido nas melhores Universidades Públicas, tem que ser disseminado, gratuitamente, para toda a sociedade.

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22/01/2008

Vídeos, banda larga e a má-vontade
No desenvolvimento do Sistema de Ensino Público Gratuito via Internet, tenho percebido que a má-vontade dos burocratas é o maior de todos os problemas. O resto, os problemas técnicos, possuem soluções previsíveis e facilmente implementáveis, basta pensar um pouquinho para encontrá-los.

O último problema que lançaram para nós foi a questão dos vídeos, dos links telefônicos e do acesso via banda larga. Problemas técnicos que teríamos que resolver, caso contrário, afetaria o desenvolvimento e o número de usuários do Sistema. Hoje de manhã acordei com a solução pronta em minha cabeça.

A primeira coisa que nós temos que pensar é que estamos construindo um sistema. E sendo um sistema diversas soluções podem ser agregadas. A solução já está embutida no projeto original do sistema...

Resumindo a história, nós não teremos problemas com banda larga e nem com restrições ao nosso conteúdo. Tudo estará disponível para todos, inclusive para o internauta que acessa a rede por linha discada. Mais do que isto, eu já penso até na eventualidade de pessoas que não possuem computador com internet terem acesso a todos os conteúdos.

Como eu disse, o Sistema de Ensino Público Gratuito via Internet tem infinitas soluções. Soluções para todos os problemas que criarem ou inventarem. Logo, não vão impedir a democratização do conhecimento e a socialização dos saberes.

Só estamos aguardando a cotação dos servidores para disparar os projetos para o governo e para as empresas interessadas em contribuir com a construção desse Sistema de Ensino Público Gratuito via Internet.

10/12/2007

Última semana
Esta é a última semana de provas dos outros diretores do Instituto OCW Br@sil. A partir da próxima semana daremos início a uma nova ofensiva para a implantação do Projeto OCW USP, buscando desvencilhar o projeto das garras da burocracia da Universidade.

Se não conseguirmos fazer o Projeto passar pela burocracia, a minha idéia é levar o projeto para outras Universidades Públicas. Com isso quebraremos a hegemonia da USP, uma vez que os projetos OCW possuem grande poder para reunir e catalizar conhecimentos e informações, promovendo um salto de desenvolvimento.

Se no século passado a burocracia tivesse vencido o Professor Schenberg, nenhum computador teria sido instalado na Universidade. E a USP teria perdido a revolução da informática. As mentes obtusas, que ocupam cargo decisório, precisam ser rebaixadas, pois além de não se desenvolveram bloqueiam o desenvolvimento da Universidade, do Brasil e dos Brasileiros.

Eu tenho um plano B pronto para ser implantado em outras Universidades Públicas e para quebrar a hegemonia da USP. Certamente, após uma demonstração clara de desinteresse social da USP por um projeto como o OCW USP, que ocasiona grande repercussão social, os recursos destinados à pesquisa, nesta Universidade, terão que ser revistos e bloqueados. Não se pode direcionar recursos públicos para uma Universidade que busca apenas desenvolver/promover pesquisas para a iniciativa privada e para interesses privados.

Alguma coisa de grande relevância social tem que ser promovido aqui. A grande quantidade de recursos públicos recebidos por esta Universidade exige um retorno a altura, no mesmo nível. Projetos que beneficiam uma centena de pessoas são mesquinharia, irrelevantes, insignificantes, frente ao tamanho da USP. O Projeto OCW-USP está no nivel adequado e dá um retorno social de grande proporção. Um retorno social a altura da USP.

Se não fazem nada que tenha relevância e grande impacto social, por que querem recursos públicos ? O que está em jogo aqui é o interesse público. Portanto, quem bater de frente com o projeto, baterá de frente com o interesse público e com a vontade social. E eu vou defender o interesse coletivo com unhas e dentes.

05/12/2007

Mais um detalhe
O Instituto OCW Br@sil foi criado para desenvolver projetos sociais de relevante interesse público em conjunto, ou seja, em parceria com a USP, com as Unidades da USP, com os professores USP e com alunos da USP. Por conta disso, há uma cláusula no Estatuto da Organização que diz: "Art. 37 - No caso de dissolução do “Instituto OCW Brasil”, o respectivo patrimônio líquido será transferido para a Universidade de São Paulo, devendo ser aplicado em projetos que tenham objetivos próximos aos estabelecidos neste Estatuto."

Mais uma coisa, os Projetos do Instituto OCW Br@sil são abertos e visíveis. Tudo estará disponível na Internet. Por exemplo, o Projeto OCW-USP visa colocar todas as disciplinas ministradas na USP na internet, com acesso aberto e gratuito (o Estatuto impede a cobrança de quaisquer taxas para acesso a conteúdos dos projetos). Logo, quem quiser ver as disciplinas disponibilizadas, bastará acessar o site para vê-las.

Portanto, os nossos projetos não são coisas escondidas, em um local distante e inacessível, que ninguém nunca houve falar e não sabe se realmente existem. Os nossos projetos estarão na internet. Tudo estará na internet. Para acesso de todos, gratuitamente.

Esclarecimentos sobre o Projeto OCW-USP
O Projeto já passou pela avaliação de mérito de renomados professores da USP. E foi aprovado. Portanto, os professores da USP estão alinhados com o projeto. Mesmo assim, de acordo com orientação da Faculdade de Direito, nós teremos que pedir autorização expressa para cada professor, assim como dar-lhe ampla liberdade na edição dos vídeos e áudio que forem gravados.

Além disso, a fim de incentivar os Professores a participarem do Projeto, nós idealizamos um sistema de remuneração que permitirá a inserção de publicidade nas páginas dos Professores. A remuneração dessas publicidades será dividida em três partes: Professor, Universidade e Instituto OCW.

Certamente, além da publicidade, o professor poderá inserir, em sua página de aulas, seu currículo, textos e links para seus livros, artigos, etc. Também fica a critério do Professor a inserção de publicidade ou não em suas páginas.

Com isto geramos uma nova fonte de receita para o Professor, que se empenhará mais no desenvolvimento de aulas de alta qualidade, e para a Universidade que receberá, não em espécie, mas em equipamentos de tecnologia para a sala de aula e bibliotecas. Lembro que algumas unidades não possuem equipamentos multimídia adequados. A nossa idéia é instalar , ao longo do Projeto, um sistema completo de multimída em todas as salas. Isto failitará a gravação das aulas, a apresentação de slides, enfim, a vida do professor.

Após a avaliação de mérito, o projeto foi encaminhado para avaliação formal da Procuradoria da Universidade (servidores administrativos), para análise formal da proposta de convênio, e é aqui que estão sentados em cima da coisa.

Resumindo, o Projeto OCW-USP passou pela avaliação de mérito com nota,dez, mas está travado por servidores administrativos que, ao invés de fazerem a avaliação formal rapidamente, ficam sentados em cima do Projeto vendo o tempo passar.

Certamente, nós não dependemos do resultado dessa avaliação para implantar o Projeto. Dependemos apenas da autorização do Professor em sala de aula. Isto é fundamental. O resto nós podemos ignorar, desviar, sair pela tangente, buscar outro meio... Certamente, faremos isto se continuarem enrolando.

Portanto, o Projeto OCW-USP é um projeto em que todas as partes ganham. Ganha o professor com sua divulgação e com a publicidade. Ganha a Universidade com mais divulgação e recursos para as salas de aulas, assim como com a formação de um banco de dados histórico dos docentes e de suas aulas. Ganham os alunos com a disponibilização de todas as aulas na internet e com o crescimento exponencial de bolsas em dinheiro (Alunos bolsistas que gravarão as aulas). Ganha, principalmente, a sociedade que terá acesso gratuito e aberto ao conhecimento ministrado na maior e melhor Universidade do país.

O caminho para o desenvolvimento social e econômico, assim como para a evolução da sociedade é a democratização do conhecimento e a socialização dos saberes. É o Ensino Público Gratuito via Internet e via TV digital.

05/10/2007

A melhor decisão para a minha pessoa é: sair do Brasil o mais rápido possível. Ir estudar e desenvolver minhas idéias no exterior (EUA ou Europa). As minhas idéias são sofisticadas demais para a mentalidade subdesenvolvida que predomina no Brasil e nas Universidades Brasileiras. Eles não fazem e impedem que outros façam o que eles não sabem fazer.

Isso não significa, certamente, que os Projetos do Instituto OCW Br@sil irão parar, pois o Instituto é uma pessoa jurídica autônoma e tem outros diretores gerenciando o seu desenvolvimento.

Portanto, quem estava trabalhando com a hipótese de roubar os Projetos do Instituto OCW Br@sil, vai quebrar a cara. Se tentar roubar, vai ser denunciado como ladrão.

07/09/2007

Estatuto do Instituto OCW Br@sil

O Instituto OCW Br@sil é uma ONG registrada como pessoa jurídica, sob número 336243, no Primeiro RTD - São Paulo - SP. Para acessar o Estatuto acesse o site:

http://www.ocwbrasil.org/

O acesso ao conhecimento e aos saberes é um Direito Humano

Leonildo Correa -- 31/08/2007 --

Democratizar o conhecimento e socializar os saberes como ferramenta para transformação social e econômica. Democratizar e socializar para reduzir as desigualdades regionais. Democratizar e socializar para dar oportunidades. Democratizar e socializar para dar esperanças e certezas de um futuro melhor. O poder transformador do conhecimento, monopolizado e retido nas melhores Universidades Públicas, tem que ser disseminado, gratuitamente, para toda a sociedade.

O monopólio e a retenção do conhecimento dentro das Universidades Públicas constitui, claramente, uma forma de privatização dos recursos públicos e do próprio conhecimento acumulado pela Humanidade ao longo da história.

Somente quem passa no vestibular tem acesso ao conhecimento acumulado pela Humanidade. Somente quem passa no vestibular pode assistir aulas e freqüentar uma Universidade Pública. Somente quem passa no vestibular usufrui de recursos públicos que são destinados ao Ensino Superior. A coletividade paga a conta, mas somente os eleitos pelo vestibular recebem os benefícios. Isso tudo é, sem dúvida nenhuma, uma perversidade e uma anomalia social, pois nega-se aos excluídos socialmente a possibilidade de acessarem/obterem conhecimento para se desenvolverem.

Esse sistema se torna ainda mais perverso e excludente quando, por exemplo, um docente de uma Universidade Pública pega a lista de presença para expulsar da sala de aula os alunos que não estão matriculados em sua disciplina. Não tem matrícula, não assiste aula, não recebe o conhecimento, não usufrui dos recursos públicos investidos na Educação Superior, não se desenvolve. O dinheiro da coletividade, todo pagaram a conta, foi privatizado e distribuído para um pequeno grupinho de eleitos, para a panelinha do docente.

Um dia, muito em breve, eu terei força suficiente para dizer: "O aluno fica na sala; o docente cai fora da Universidade Pública". Direi isto porque se o docente vê a educação pública e gratuita, assim como a aula que ministra em uma Universidade Pública, como uma mercadoria, o lugar dele não é em uma Universidade Pública, mas sim em uma Universidade Particular. Nas Universidades Privadas o conhecimento e a educação são mercadorias que estão a venda. E se o Professor é um vendedor, é nas particulares que ele deve estar com o seu produto.

E esse Professor terá sorte de eu só dizer, porque se fosse Jesus Cristo ele estava lascado, pois Jesus ia arrebentar tudo na bicuda. Foi o que ele fez quando chegou no templo e viu aquele monte de comerciante tomando conta do lugar. Derrubou tudo na bicuda e disse: "Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões." (Mateus, cap. 21, Vers. 12-13).

Precisamos democratizar o conhecimento e socializar os saberes para reverter e impedir o avanço da privatização dentro do espaço público. Todos os cidadãos tem direito de usufruir do patrimônio coletivo, da coisa e do espaço público. Todos os cidadãos pagam pela Educação Pública gratuita, portanto, todos devem receber o produto que compraram. Precisamos criar mecanismos para que todos exercem e usufruam da Educação e do conhecimento que são transmitidos e ensinados nas Universidades Públicas. E esse mecanismo é a democratização do conhecimento e a socialização dos saberes.

Mas o que isso quer dizer realmente ? Quer dizer que o Professor das Universidades Públicas irá receber com justiça os direitos autorais daquilo que produziu e criou. Mas jamais será reconhecido ao Professor, ao Estado, à lei, ou seja lá quem for, o direito de impedir o acesso ao conhecimento e aos saberes. O Ser Humano necessita do conhecimento, acumulado pela Humanidade ao longo de sua história, para desenvolver-se e evoluir. Impedir uma pessoa de ter acesso a isto, é impedi-la de desenvolver, é impedir a sua consciência de crescer, é impedir o exercício de sua liberdade. O acesso ao conhecimento e aos saberes é um Direito Humano.

05/08/2007

Argumentos favoráveis ao Projeto OCW-USP

O acesso gratuito e aberto ao conhecimento e aos saberes gera desenvolvimento, produz inovações e reduz as desigualdades. Isso porque o conhecimento é uma ferramenta para solução de problemas e transformação social. Se todas as pessoas tiverem essa ferramenta, os problemas serão atacados de todas as formas, possíveis e impossíveis, e em todos os seus ângulos, conhecidos ou desconhecidos.

Soluções que alguns não vêem, outros verão. Perspectivas que alguns não têm, outros terão. E o problema será visto de baixo, de cima, de lado, de dentro, de fora e até da quarta dimensão. Com isso, novos caminhos serão abertos e novas estratégias encontradas. Quanto mais pessoas tiverem acesso ao conhecimento, mais rápido caminharemos para o desenvolvimento e mais soluções eficientes e inovadoras encontraremos.

Por isso, as três ações fundamentais que marcarão o século XXI serão: compartilhar, democratizar e socializar. O sucesso das redes P2P, do You Tube, da Wikipedia, etc derivam dessas ações.

Hoje, no Brasil, poucas pessoas têm acesso ao conhecimento. Poucas pessoas têm poucas visões, encontram poucas soluções, geram pouco desenvolvimento e produzem poucas inovações. Portanto, o monopólio e a retenção do conhecimento e dos saberes, dentro das Universidades Públicas, são fatores inibidores do crescimento econômico e do desenvolvimento social.

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Navegar na internet é um hábito muito mais difundido entre os brasileiros do que se imaginava, segundo pesquisa Datafolha, encomendada pela agência de propaganda F/Nazca Saatchi & Saatchi. O levantamento indica que 49 milhões de pessoas, 39% da população com 16 anos ou mais, costumam acessar a rede.

39% da população acima de 16 anos acessam a web e 42% publicam conteúdo próprio; internet deixou de ser coisa de rico e democratizou a informação, avalia agência de publicidade que encomendou pesquisa.

O diretor de planejamento da F/Nazca, Fernand Alphen, afirma que os dados indicam que a internet não é mais “coisa de rico”: “Ela tem alta penetração nas classes C, D e E”. Por isso, Alphen considera que a rede contribui muito para a democratização do acesso à informação. “Quanto mais periférica é a população, mais a internet aparece como uma solução de inserção social, de acesso ao entretenimento e à informação, porque é um meio muito barato”, diz.

(Jornal Destake – 31/07/07)

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A proporção de pessoas que acessaram a Internet na população dos estudantes foi de 35,9%. Somente no Distrito Federal 57,5% e em São Paulo 51,2%, ou seja, mais da metade dos estudantes acessavam a Internet. 76,2% das pessoas com 15 anos ou mais de estudo acessavam a Internet.

Na população dos estudantes usuários da Internet, a proporção dos que a utilizaram para educação e aprendizado foi destacadamente a mais elevada (90,2%), vindo depois, mais distanciadas, as dos que a acessaram para comunicação com outras pessoas (69,7%) e atividades de lazer (65,5%). A proporção dos estudantes que a acessaram para a leitura de jornais e revistas alcançou 40,7% e as referentes às demais finalidades ficaram abaixo de 20%..

O percentual de pessoas que utilizaram a Internet no grupamento formado pelos profissionais das ciências e das artes alcançou 72,8%, situando-se no patamar mais alto. Em seguida, vieram os dos grupamentos dos trabalhadores dos serviços administrativos (59,3%) e dos dirigentes em geral (58,0%) e, depois, os dos membros das forças armadas e auxiliares (52,9%) e dos técnicos de nível médio (51,9%).

No contingente dos usuários da Internet que não eram estudantes, o maior percentual foi o das pessoas que acessaram a esta rede para comunicação com outras pessoas (67,8%), vindo, em seguida, os indivíduos que a utilizaram para educação e aprendizado (57,5%), leitura de jornais e revistas (51,7%) e atividades de lazer 45,7%.

Esse indicador atingiu 47,3% no grupamento da administração pública, 47,5% no da educação, saúde e serviços sociais e 57,9% no das outras atividades (intermediação financeira, seguros, previdência privada, atividades de informática, pesquisa e desenvolvimento etc.).

O contingente formado pelos militares e funcionários públicos estatutários, foi o que apresentou o mais elevado percentual de pessoas que acessaram à Internet (47,7%), vindo em seguida a dos empregadores (40,6%) e, depois, o do contingente das pessoas com carteira de trabalho assinada (32,6%). (IBGE–PNAD - 2005).

02/08/2007

Os cursos a distância não democratizam o conhecimento e nem socializam os saberes

Leonildo Correa - 01/0/2007

Não há nada, absolutamente nada, na USP que possa ser comparado com esse Projeto OCW-USP.

Eu vou contar uma coisa. Esse Projeto OCW-USP já foi apresentado para a USP uma vez. Foi apresentado cerca de um ano ou um ano e meio antes do MIT criar o seu Projeto OCW. Eu e mais um colega da Faculdade de Direito, hoje Professor da USP na Faculdade de Saúde Pública (Arthur B. de Vasconcellos Weintraub) protocolamos em 2000 ou 2001, não me lembro ao certo, na Pró-Reitoria de Graduação da USP, uma versão piloto da idéia OCW. Não só na Pró-Reitoria, mas buscamos apoio também na Fundação Arcadas da Faculdade de Direito.

Resumindo a história, a USP poderia ter sido pioneira, pioneiríssima, na criação e desenvolvimento da idéia de Projetos OCW no mundo em cerca de um ano ou um ano e meio antes do MIT. Mas, não nos ouviram e nos ignoraram. Por isso perdemos a dianteira e fomos ultrapassados pelo MIT em 2002. Se não acreditam nisso revirem os arquivos da Pró-Reitoria de Graduação e da Fundação Arcadas que irão encontrar cópias dos Projetos que enviamos. Além disso, eu tenho guardado, não sei onde, os protocolos que recebemos na época.

Contudo, esse primeiro acontecimento foi importante, pois nos ensinou uma coisa: as iniciativas institucionais não funcionam em projetos inovadores. E se você deixar por conta da vontade dos professores e servidores públicos não sai nada, como aconteceu no primeiro projeto. Por isso criamos uma ONG para implementar e desenvolver o Projeto OCW-USP. E dessa vez as coisas não ficarão estagnadas e esquecidas como ficaram em 2000 ou 2001.

Tudo o que a USP fez pela coletividade, ao longo dos últimos tempo, foi restrito, limitado e fechado. O máximo de pessoas que conseguiram atingir foi com as isenções da Fuvest. Isenções que não deram resultados práticos e não repercutiram, pois não adianta dar isenção para quem não vai passar no vestibular. Eles sabem que alunos de escolas públicas tem poucas chances, mesmo assim dão as isenções para enganar a coletividade, transferindo a culpa para o aluno, pois dizem: "Nós demos as isenções. Fizemos a nossa parte. Se não passou é porque é incompetente". Com isso, cruzam os braços e não fazem nada para mudar o sistema perverso e excludente que é a Universidade Pública hoje, principalmente a USP, jogando toda a culpa no ensino público.

Portanto, não há nada nesta Universidade que possa ser comparado com esse projeto OCW-USP em termos de repercussão social e grandeza.

Mas, como é um projeto de aluno e não de professor, querem descaracterizá-lo, minimizá-lo, reduzi-lo a pó, assim o sistema perverso e excludente continua valendo. O conhecimento continua retido e eles continuam vendendo e privatizando a USP com suas Fundações. Fundações que chegam a cobrar mais de vinte mil reais, por aluno, por cursos que ministram dentro da USP, usando os recursos da USP, as salas de aula da USP, as bibliotecas da USP, os livros da USP, os professores da USP, etc. Mesmo assim insistem em dizer que não é um curso da USP.

Hoje estão tentando reduzir a relevância do Projeto OCW-USP e desviar as atenções do público. Para isso tentam mostrar as insignificâncias que fizeram nas últimas décadas, coisas irrelevantes, projetos que não funcionam, idéias que não repercutem ou não podem ser implementadas em larga escala. Querem fazer, como fizeram em 2000 ou 2001, que o Projeto seja abandonado e esquecido. Mas isso não vai acontecer.

Não só isso, a maioria das pessoas que criticam esse Projeto OCW-USP tem interesses econômicos na jogada, são donos de cursinhos (Professor da USP e dono de cursinho...), ou então, estão fazendo fortuna com as Fundações, ou ainda, ganham de alguma forma com a monopolização e retenção do conhecimento e dos saberes dentro da USP. Querem manter a Universidade fechada e restrita para continuarem dominando.

De repente começaram a falar de cursos a distância. Contudo, não abordam e não resolvem as questões que antecedem os cursos a distância. Por exemplo, qual será o critérios de seleção dos alunos que farão esses cursos (Acesso via vestibular ?), esses cursos vão emitir diplomas da USP (Esses diplomas terão o mesmo valor dos cursos presenciais ?), quantos alunos farão esses cursos ? Como serão as avaliações desses cursos ? Quais são esses cursos a distância ?

Hoje existem alguns cursos a distância sendo ministrados pela USP. Contudo, esses cursos não democratizam e não socializam nada. Continuam sendo cursos fechados, excludentes e limitados. Poucos tem acesso e poucos fazem esses cursos. Principalmente, porque os temas desses cursos são excessivamente específicos.

Resumindo, existem uma série de questões que devem ser resolvidas antes de se implementar um curso a distância. Mas o mais importante é observar que cursos a distância não democratizam o conhecimento e não socializam os saberes, apenas transferem para a internet o modelo excludentes e fechado dos cursos presenciais. Continuam sendo cursos e conhecimentos exclusivos da panelinha, ou panelona, da classe dominante.

Portanto, a USP pode lançar quantos cursos a distância quiser e, mesmo assim, não democratizará o conhecimento e nem socializará os saberes que estão retidos na Universidade. Sem contar que os cursos a distância atuais são tão específicos que ninguém pouquíssimos irão querer fazê-los.

Logo, é necessário que o Projeto OCW-USP também envolva os cursos a distância e libere seus conteúdos para toda a coletividade, para toda a população brasileira, ou seja, é necessário que o Projeto OCW-USP democratize o conhecimento e socialize os saberes retidos e monopolizados nesses cursos a distância.

A diferença entre o Projeto OCW-USP e um curso a distância é que o Projeto OCW-USP é aberto para toda a coletividade. Não só isso, é um projeto que envolve todos os cursos presenciais da USP. Portanto, quaisquer profissionais, alunos ou cidadãos encontrarão no Projeto OCW-USP o conhecimento que lhes interessam, aquilo que precisam saber ou estudar.

O Projeto OCW-USP envolve o conhecimento e os saberes como um todo, todas as áreas, todas as técnicas, todos os métodos. O Projeto OCW-USP democratiza e socializa tudo. Tudo estará disponível e tudo será disponibilizado. Só não vai aprender quem não quiser aprender. Só não vai saber quem não quiser saber. Já os cursos a distância continuam sendo cursos restritos e específicos, limitados nos temas e de interesse apenas de grupos seletos (temas limitados).

Mas o que mais me surpreende, em toda essa história, é a falta de visão das pessoas que fazem os projetos de extensão da USP. Criam políticas de pseudo-inclusão, não para resolver o problema de acesso ou para democratizar a USP, mas sim para enganar a coletividade e garantir a continuidade da exclusão na Universidade. Eu não sei se fazem isso de má fé ou se fazem na ingenuidade, mas que fazem coisas absurdas, isso fazem. Criaram mais um cursinho pré-vestibular para substituir o sistema de cotas, ou seja, tentam resolver o problema dos cursinhos criando mais um cursinho. Dão isenção de taxas para alunos que não passam no vestibular. Aumentam 3% a nota de quem precisa de um aumento de 70% para conseguir entrar na USP. É o tal do muda tudo para não mudar nada.

O problema, dizem eles, é a escola pública, não a USP. Mas eu digo que o problema também é a USP. Temos mecanismos e meios que podemos utilizar para melhorar a escola pública e o Brasil e não utilizam. Poderiam utilizar a nossa melhor matéria-prima, o conhecimento e os saberes, para catalisar desenvolvimento, gerar competências, fundamentar novas idéias, trazer inovações etc e simplesmente não fazem nada, se omitem. Ficam olhando para cima e fingindo que não tem nada a ver com isso. Mas não se omitem por preguiça ou desmazelo. Omitem-se por interesse, querem monopolizar e reter o conhecimento para continuar dominando a coletividade, manter o status quo, continuarem se enriquecendo às custas do patrimônio público. Querem monopolizar e reter para garantir a perpetuação das estruturas de poder que estão em vigor na sociedade.

O Projeto OCW-SP não é um curso a distância. Não emite diploma. Não será fechado. Não será limitado. É um projeto para a coletividade e para todos os brasileiros, assim como para os demais países da língua portuguesa e, inclusive, latino-americanos, pois pretendemos traduzir os materiais para o espanhol, visando a integração de conhecimento na América Latina.

Além disso, antes que manejem o instituto dos direitos autorais contra esse projeto, eu pergunto: Depois da aula o professor passa de carteira em carteira recebendo dos alunos os direitos autorais pela aula que ele acabou de ministrar ? Você já viu algum professor fazer isso em algum lugar ? E por que é que ele não faz isso ?

Não faz porque ele recebe um salário para ministrar as aulas. O serviço dele é dar aulas. A coletividade paga para ele dar aulas. Tem professor que dá outras coisas, mas vamos ficar nas aulas... Um salário que é pago com recursos públicos, dinheiro de impostos.

É válido ressaltar ainda que os direitos autorais das aulas continuam pertencendo ao Professor. Ele ministrou as aulas. É o nome dele que constam em todas as aulas. É ele que receberá todos os créditos pelas aulas, pela disciplina e pelo curso. O Projeto OCW-USP apenas otimiza essas aulas e faz com que elas, ao invés de chegar apenas a uma centena de alunos, chegue a milhões de pessoas. Isso é maximização de resultados, maximização dos recursos públicos.

É válido assinalar ainda que o Projeto OCW-USP é open e free. O conhecimento e os saberes serão democratizados e socializados gratuitamente. O Instituto OCW Br@sil é impedido, por seu Estatuto, de cobrar ou exigir quaisquer tipos de contraprestação dos internautas. Quem pagará pela implementação do Projeto é o Estado e as empresas privadas, mas principalmente o Estado, que tem a obrigação de financiar e implementar iniciativa que alavanquem o desenvolvimento social e econômico do país.

Enfim, esse Projeto OCW-USP é de fundamental importância para a USP, para o Brasil e para o povo brasileiro. È um projeto que beneficiará toda a coletividade. Portanto, é um Projeto que deverá receber o apoio máximo da USP e das autoridades públicas. Logo, a melhor decisão é deixar o Projeto seguir sem empecilhos e sem burocracia, pois todos ganham com isso. Se começarem a criar dificuldades e impedimentos, começam os questionamentos, os conflitos, as discussões, as denúncias, etc. Não queremos isso. Queremos apenas implementar soluções que beneficiem toda a coletividade, reduzam as desigualdades e abram mais uma porta para o desenvolvimento do Brasil.

25/07/2007

Repercussões do Projeto OCW-USP do Instituto OCW Br@sil

A USP é a melhor Universidade da América Latina. Portanto, tem conteúdo e muitas lições para ensinar. Não só para outras universidades e faculdades, mas também para todos os brasileiros e latino-americanos. Vamos compartilhar, gratuitamente, com aqueles que precisam e querem, o conhecimento. Vamos compartilhar e dividir aquilo que temos de melhor. Vamos democratizar o conhecimento e socializar os saberes que estão monopolizados e retidos nesta Universidade de São Paulo.

Contudo, esse Projeto OCW-USP me entristece muito. Pergunto-me por que é que não fizeram isso antes ? Por que demoramos tanto tempo para perceber o poder de compartilhamento, da democratização e da socialização do conhecimento e dos saberes ? Entristece-me porque se esse projeto existisse na década de 80 as aulas de grandes professores da USP teriam sido imortalizadas e compartilhadas com todo o Brasil. Hoje poderíamos reassisti-la e aprender lições importantes, vendo coisas e aspectos que não foram vistos na época. Poderíamos reassistir e repassar as aulas do Professor Schenberg, do Professor Florestan Fernandes, do Professor Milton Santos, Miguel Reale, etc. Tudo estaria gravado, transcrito e disponível, gratuitamente na internet, para todos os brasileiros.

Isso não foi feito e restaram-nos apenas a frieza dos livros desses professores. Por isso um outro grande impacto desse projeto será ocasionado na USP como instituição, pois a partir de sua implementação, os professores e suas aulas serão imortalizados. E daqui a cem anos, quando algum historiador quiser repassar os cursos da USP do começo do século XXI, poderá fazê-los, pois tudo estará gravado e guardado. Tudo estará disponível gratuitamente para todos.

Estou triste por esse projeto não ter sido feito antes e termos perdido as lições de grandes mestres. Mas estou feliz porque iremos fazer esse projeto agora e as lições de grandes professores, que ainda estão entre nós, poderão ser imortalizadas e disseminadas para todo o Brasil e o mundo.

Além disso, esse projeto OCW-USP do Instituto OCW Br@sil irá satisfazer o desejo de muitos brasileiros que desejam estudar com os professores da USP, mas que não tiveram meios e recursos para fazê-lo. Depois desse projeto eles não precisarão mais fazer cursinhos caros, passar no vestibular, etc para conseguir assistir aulas ministradas na USP. terão apenas que obter um computador com acesso a internet. Obter um computador com internet é mais fácil e barato do que passar no vestibular.

Não só isso, essa abertura da Universidade, essa democratização do conhecimento e socialização dos saberes, que faremos no Projeto OCW-USP, quebrará definitivamente a barreira do vestibular como porta obrigatória de acesso ao conhecimento. Vestibular é para quem quer diploma, não para quem quer aprender mais, saber mais, ter acesso ao conhecimento.

Hoje um Professor da USP ministra aulas para turmas de uma centena de alunos, no máximo. Se nós conseguirmos pegar essa aula, com todas as suas nuances e sutilezas, assim como todos os demais materiais utilizados nela, e disponibilizar, gratuitamente, para 30.000.000 (Trinta milhões) de pessoas, ou mais, teremos feito uma coisa surpreendentemente notável. Se fizermos isso em todos os cursos da USP, por tempo indeterminado, provocaremos um salto quântico na educação brasileira e na qualidade do ensino superior do país.

Eu vejo o futuro depois desse Projeto OCW-USP. E nesse futuro vejo profissionais de todas as classes refazendo os cursos que fizeram em uma universidade pouco conceituada. Agora estão refazendo o curso na Universidade mais importante da América Latina. Estão refazendo o curso da USP. Esses profissionais não querem diploma da USP, mas sim o conhecimento que é ministrado na USP, ou seja, querem apenas fazer uma reciclagem profissional, rever pontos que não aprenderam ou não entenderam, etc, ou então, querem aprender mais. Hoje se quiserem fazer isso terão que se submeter novamente ao vestibular. Depois do Projeto OCW-USP terão apenas que acessar a internet.

Eu vejo os professores da Escolas Públicas acessando os cursos da USP para aprimorar a sua formação, principalmente professores de regiões isoladas e distantes que jamais conseguiriam estudar na USP. Agora a USP foi até eles. Precisam apenas de um computador com internet para acessar o Projeto OCW-USP e concretizarem o sonho de saber tanto quanto quaisquer alunos da USP, ou seja, esses professores poderão acessar todas as aulas de todos os cursos da USP. Poderão estudar essas aulas da mesma forma que um aluno da USP estuda. Talvez mais, pois quem nunca teve uma oportunidades, quando tem uma, dedica-se de corpo e alma.

Não só os professores, vejo esse Projeto OCW-USP causando um grande impacto no mundo jurídico, pois todas as aulas da Faculdade de Direito da USP e de seus renomados professores se tornarão acessíveis para todos os advogados, juízes, promotores, estudantes de direitos, etc, de todo o Brasil. O exame da OAB, depois desse Projeto OCW-USP, não será mais o mesmo e não irá reprovar mais tanta gente.

Hoje, existem muitas faculdades de direito com qualidade zero formando bacharéis. Não podemos culpar os alunos por isso, pois essa foi a única chance que tiveram para fazer um Curso de Direito e, muitas vezes, não tiveram recursos suficiente para adquirir os caríssimos livros do curso. Porém, depois desse Projeto OCW-USP eles terão acesso ao ensino (aulas, seminários, apostilas, MP3, Vídeos,e tc) ministrado pela mais importante Faculdade de Direito do Brasil e somente não aprenderão se não quiserem aprender. Somente não passarão nas provas da OAB se não quiserem estudar e se não quiserem passar. O conhecimento estará disponível gratuitamente e cabe ao indivíduo decidir se quer recebê-lo ou não. Ninguém é obrigado a nada. Mas o conhecimento tem que estar acessível gratuitamente.

Hoje impera a exclusão intelectual dos excluídos economicamente, pois o conhecimento está sendo transformado em mercadoria. Para entrar em uma Universidade de ponta tem que pagar um cursinho caro. Para estudar em um Universidade particular com algum conceito tem que pagar mensalidades exorbitantes. Sem contar os livros utilizados que são caríssimos, os xerox diários que são um absurdo, etc. Tudo isso é o poder econômico excluindo as classes menos favorecidas do acesso à educação pública, gratuita e de qualidade. O que a classe dominante diz indiretamente, com essas restrições é: "Quem não tem dinheiro não pode estudar. Quem não tem dinheiro não pode se desenvolver. Quem não tem dinheiro não pode se formar. Quem não tem dinheiro não pode ser um intelectual". Depois desse Projeto OCW-USP o dinheiro se tornará irrelevante e não mais impedirá o acesso ao conhecimento e aos saberes das Universidades Públicas.

Enfim, vejo os alunos de todas as universidades particulares estudando os materiais correlatos da USP. Estudantes que fazem cursos fracos e deficientes poderão corrigir essas falhas e problemas acessando o Projeto OCW-USP. Não só os alunos de fora, mas os próprios alunos da USP terão um salto quântico na sua qualidade de ensino, pois nenhum aula mais será perdida. Se o aluno não esteve presente, poderá acessá-la e assisti-la pela internet. Certamente, a questão da presença obrigatória em sala de aula e das listas de presença não integram o objeto desse projeto. Isso é assunto interno da USP e deve ser resolvido pelos Conselho Universitário.

Portanto, o Brasil ganhará, e muito, com o Instituto OCW Br@sil e com o Projeto OCW-USP, pois vamos acertar as desigualdades regionais em cheio, bem no ponto fraco. Vamos reduzir essas desigualdades criando intelectuais e disseminando, gratuitamente, o conhecimento e os saberes. Os professores da USP estarão presentes em todos os pontos do país, ensinando suas lições, catalisando mudanças e fomentando o desenvolvimento intelectual do povo brasileiro.

A educação pública, gratuita e de qualidade será transferida para a internet e disponibilizada para todos os brasileiros dos quatro cantos do país. Por isso, esse Projeto OCW-USP não é um simples Projeto, mas sim uma verdadeira política pública de transformação social. É um projeto que quebra o paradigma das exclusões e das privações. È um Projeto que acende a luz da esperança e dá aos cidadãos a arma do conhecimento para enfrentarem a adversidade. Não existe arma mais poderosa do que essa.

É um projeto sensato, coerente e justo.

Leonildo Correa - 25/07/2007 - http://leonildoc.ocwbrasil.org/

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